Por Edson Rodrigues / Edivaldo Rodrigues O ano de 2026 se impõe ao Tocantins como um período de rearranjos delicados e decisões que começam a moldar a sucessão estadual. No centro desse tabuleiro está o Palácio Araguaia, que chega ao novo ciclo eleitoral com força política preservada, mas pressionado por desafios internos que exigem habilidade, diálogo e unidade. Do outro lado, uma oposição dispersa, muitas vezes errática, mas ainda viva e atenta a qualquer sinal de fragilidade do bloco governista. WANDERLEI BARBOSA E O EIXO DA SUCESSÃO No campo governista, as leituras internas indicam que o prestígio político e popular do governador Wanderlei Barbosa permanece sólido. Pesquisas de intenção de voto realizadas para consumo interno apontam que, mesmo após episódios de forte tensão institucional, o governador saiu politicamente fortalecido. A expectativa é de que, antes mesmo de o calendário eleitoral ganhar velocidade, o governo lance um amplo pacote de obras em parceria com os 139 municípios, envolvendo pavimentação asfáltica, recapeamento de rodovias e a conclusão de intervenções nas áreas da saúde e da educação — agenda com peso político relevante, sobretudo no interior. Paralelamente, Wanderlei tem ampliado sua base ao integrar à gestão aliados com qualificação técnica e densidade política em cargos estratégicos, reforçando a governabilidade em um momento decisivo. Nos bastidores, uma pergunta segue em circulação: o governador pode disputar uma vaga no Senado em 2026? E, em caso afirmativo, sua esposa, Karine Sotero, poderia concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados? As movimentações no entorno do Palácio Araguaia mantêm essas hipóteses em aberto e alimentam especulações naturais no meio político. WANDERLEI BARBOSA: CREDIBILIDADE E LIDERANÇA PARA UNIR A BASE Nos bastidores da Assembleia Legislativa, é consenso entre aliados — e até adversários — que Wanderlei Barbosa se consolidou como a principal liderança política do Tocantins neste momento. Sua estratégia tem sido marcada por paciência, escuta e construção gradual de consensos, evitando rupturas prematuras e disputas internas desnecessárias. O Palácio Araguaia trabalha com a convicção de que, até o fechamento das convenções, todas as forças da base governista estarão alinhadas em um mesmo projeto. A articulação inclui o Republicanos na chapa majoritária e reflete um esforço real de consolidação do arco de alianças. Prefeitos, deputados e lideranças regionais reconhecem no governador previsibilidade política, capacidade de diálogo e respeito aos compromissos firmados — fatores que o colocam como fiador da estabilidade do grupo governista na sucessão de 2026. LAUREZ MOREIRA E OS LIMITES DA ALTERNATIVA Caso Wanderlei opte pelo Senado, o vice-governador Laurez Moreira assumiria o comando do Estado e estaria, em tese, apto a disputar o governo. No entanto, sua passagem interina deixou marcas difíceis de apagar. A decretação de calamidade financeira na saúde, o discurso sobre risco de atraso salarial, críticas públicas à gestão titular e uma condução considerada desarticulada da máquina administrativa geraram desgaste político. Somam-se a isso questionamentos sobre o uso de aeronaves alugadas e dúvidas quanto ao cumprimento dos percentuais constitucionais de investimentos em saúde e educação. Mesmo em eventual candidatura, Laurez enfrentaria o fato de que os dividendos políticos das obras em curso tendem a permanecer associados ao nome de Wanderlei Barbosa. AMÉLIO CAYRES Outro personagem central no campo governista é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres. Em um dos momentos mais delicados da crise institucional recente, foi ele quem segurou por cerca de 90 dias os pedidos de impeachment contra o governador, optando por preservar a institucionalidade enquanto a Justiça se manifestava. Amélio costuma resumir seu perfil político em uma frase reveladora: “Posso ser tudo, até nada. Posso até carregar pastas.” A declaração expressa desapego e senso institucional. Nenhuma decisão relevante sobre a chapa majoritária passará sem sua participação direta. Ele tem assento garantido na mesa e influência real no desfecho. A base aliada vive um momento que exige coordenação e maturidade política. Coalizões sem comando claro costumam fracassar e base rachada é combustível para uma oposição que, embora fragilizada, segue atenta. OPOSIÇÃO FRAGMENTADA, MAS AINDA NO JOGO Na oposição, o cenário permanece marcado por dispersão e disputas internas. O PSD, liderado por Laurez Moreira e Irajá Abreu, aparece como a sigla mais adiantada na tentativa de estruturar uma chapa majoritária, ainda que enfrente dificuldades na formação das nominatas, especialmente para a segunda vaga ao Senado. PSDB, MDB, PT e PCdoB mantêm quadros experientes. Vicentinho Júnior, Alexandre Guimarães, Irajá Abreu e a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro continuam como peças relevantes, embora ainda distantes de um projeto coletivo consistente. CINTHIA RIBEIRO E O COMANDO TUCANO No PSDB, rumores sobre mudanças no comando estadual não se sustentam. Cinthia Ribeiro mantém liderança consolidada e trânsito nacional. Qualquer reorganização da oposição passa, necessariamente, por sua capacidade de articulação. DORINHA E O JOGO SILENCIOSO Lider nas pesquisas de intenção de votos, a senadora Professora Dorinha Seabra, pré-candidata ao governo, tem adotado postura cautelosa. Evita confrontos, observa o cenário e mantém alinhamento institucional com o governador. Seu silêncio estratégico contrasta com o barulho de outras lideranças e pode se transformar em ativo político. 2026 NÃO SERÁ PARA AMADORES A eleição de 2026 tende a ser dura e sem espaço para improvisos. Dinheiro não garante vitória. Arrogância e desconexão com o eleitor costumam ser punidas. Cresce entre os tocantinenses o desejo de separar lideranças comprometidas com o interesse público de falsos profetas envolvidos em investigações e escândalos. A sucessão estadual segue aberta. Quem quiser vencer precisará mais do que estrutura: precisará de credibilidade, diálogo, humildade política e respeito ao eleitor. Até a próxima semana, quando novos capítulos começarão a ser escritos.