Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues A sucessão estadual de 2026 no Tocantins segue em aberto e marcada por divisões internas, disputas de protagonismo e ausência de consenso entre as principais lideranças políticas. Diferentemente de outros períodos da história política do estado, o atual cenário afasta a possibilidade de “casamentos arranjados” e composições impostas de cima para baixo, modelo que perdeu espaço tanto na vida pessoal quanto na política partidária. Levantamento do Observatório Político do Paralelo 13, com base em conversas reservadas com parlamentares, dirigentes partidários e aliados diretos de lideranças estaduais, indica que não há, neste momento, ambiente político para uma chapa majoritária unificada envolvendo os principais nomes colocados no tabuleiro eleitoral. Estrutura política define viabilidade eleitoral Nos bastidores, a avaliação é de que poucos pré-candidatos reúnem os requisitos considerados fundamentais para disputar um cargo majoritário, como estrutura financeira, grupo político organizado e partido competitivo. Nesse contexto, o deputado federal Vicentinho Júnior aparece como um nome ainda indefinido. Cotado tanto para o Senado quanto para o Governo, ele perdeu o comando do PL e hoje está filiado ao PP, partido pelo qual construiu sua trajetória eleitoral, reelegeu-se deputado federal e ajudou a eleger prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em diversas regiões do estado. Fontes ouvidas pelo Observatório afirmam que Vicentinho não está fora do jogo político e pode vir a compor uma chapa majoritária, especialmente ao Senado. No entanto, avaliam que uma candidatura competitiva ao Governo do Estado é considerada inviável neste momento. Dorinha e Amélio A possibilidade de uma chapa formada pela senadora Professora Dorinha Seabra, como candidata ao Governo, e pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres, como vice, passou a circular nos bastidores políticos nas últimas semanas. A hipótese, porém, não se sustenta diante das informações apuradas. Uma liderança de alta expressão política, ouvida em absoluta reserva, relatou que Amélio Cayres foi questionado diretamente sobre a especulação e respondeu de forma objetiva: “Quem fala por mim sou eu.” Outra liderança com mandato no Legislativo estadual afirmou que não existe convergência política entre os dois. “Não há liga. Os interesses são conflitantes. Há pelo menos 12 ou 13 deputados estaduais que seguem politicamente o deputado Amélio Cayres”, afirmou. Segundo essa fonte, Amélio tem utilizado o recesso parlamentar para visitar bases eleitorais e dialogar com aliados, sem qualquer movimento de rompimento com o governador Wanderlei Barbosa. “Em nenhum momento vamos enfiar a faca no pescoço do governador para declarar apoio a outra candidatura”, completou. Aliança entre Amélio Cayres e Alexandre Guimarães De acordo com interlocutores do grupo, o presidente da Assembleia segue alinhado politicamente ao deputado federal Alexandre Guimarães. A relação entre ambos teria se fortalecido durante as articulações em Brasília que resultaram na retomada do mandato do governador Wanderlei Barbosa, período em que Amélio Cayres esteve hospedado na residência de Alexandre Guimarães. A avaliação é de que Amélio e Alexandre caminharão juntos em uma chapa majoritária, com o respaldo de cerca de 12 deputados estaduais, embora ainda não haja definição pública sobre cargos. Ausência de confiança inviabiliza composição Fontes ouvidas pelo Observatório Político são categóricas ao afirmar que não existe confiança política entre Dorinha Seabra e Amélio Cayres. Os dois nunca mantiveram diálogo direto sobre composição de chapa, e não houve, até o momento, qualquer iniciativa do governador Wanderlei Barbosa para intermediar essa conversa. “Só um milagre faz Amélio ser vice de Dorinha”, resumiu uma liderança próxima ao Palácio. Pesquisas sob desconfiança Mesmo com a divulgação recente de levantamentos eleitorais, o processo sucessório segue indefinido. Lideranças políticas questionam a credibilidade de alguns institutos, lembrando erros cometidos nas eleições de 2022 e nas disputas municipais de cidades como Palmas, Porto Nacional, Araguaína e Gurupi. Segundo fontes, há pré-candidatos ao Senado que tentam impor resultados considerados duvidosos à opinião pública, estratégia que encontra resistência nos veículos de comunicação do estado. O Observatório Político do Paralelo 13 também ouviu, em reserva, um aliado direto da senadora Professora Dorinha e do governador Wanderlei Barbosa. Segundo ele, o governador tem adotado uma estratégia de conversas individuais com aliados considerados leais, tratando da sucessão estadual e de sua posição política em relação a Dorinha Seabra, Eduardo Gomes e Carlos Gaguim. Sobre o presidente da Assembleia Legislativa, a fonte garantiu que essa conversa só pode acontecer entre os dois. O tempo e a decisão pertencem a eles. Já em relação aos parlamentares que assinaram o pedido de impeachment e apoiaram o então governador interino Laurez Moreira, a avaliação é dura: “Não há possibilidade de convivência, muito menos de perdão.” Ainda segundo essa fonte, hoje o deputado federal Alexandre Guimarães enfrenta dificuldades internas no MDB.“Não consegue formar uma nominata competitiva para a reeleição. O tempo vai se encarregar de mostrar se encontrará um caminho”, afirmou. Cenário segue indefinido A avaliação final é de que o processo sucessório permanece em construção. A senadora Professora Dorinha, segundo fontes, já conversou individualmente com diversos deputados estaduais e saiu satisfeita dos encontros, demonstrando tranquilidade quanto ao andamento das articulações. Enquanto isso, lideranças políticas reforçam que o tempo será o principal fator de definição de alianças e candidaturas para 2026. “Vamos dar tempo ao tempo”, resumiu nossa fonte.