Afastada por 60 dias, Kátia Abreu diz que “PMDB deveria se preocupar em provar que não é ‘Orcrim’”

Posted On Sábado, 16 Setembro 2017 10:01
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Afastada de suas funções partidárias por 60 dias pelo PMDB, a senadora Kátia Abreu (TO) voltou a atacar a legenda. “Neste exato momento, a preocupação do PMDB deveria ser provar que não é uma organização criminosa, um quadrilhão. Eu estou longe de ser um problema para o PMDB. Sigo minha vida”, disse a senadora, por meio de sua assessoria, nesta sexta-feira (15), após leitura de seu afastamento em sessão deliberativa do Senado.

 

A decisão foi lida pela senadora Vanessa Grazziotin (PcdoB- AM) um dia depois do anúncio de afastamento da parlamentar pela Executiva do partido. Segundo o presidente da legenda, senador Romero Jucá (RR), o afastamento de Kátia é para aguardar uma decisão do Conselho de Ética do partido, que analisa o processo contra a parlamentar por ter ferido a ética e a disciplina partidária com críticas à legenda, ao presidente Michel Temer e por ter votado contra matérias defendidas pelo governo.

 

Kátia Abreu, que ocupou o Ministério da Agricultura entre 2015 e 2016 no governo da petista Dilma Rousseff, votou contra o impeachment de Dilma e, recentemente, foi contra a reforma trabalhista proposta pelo governo.

 

No dia 16 de agosto, a senadora apresentou sua defesa à direção do partido. A parlamentar ressaltou, no texto entregue, que a legenda não propôs nenhum tipo de punição a filiados condenados por crimes graves, como corrupção e formação de quadrilha.

 

Na defesa, Kátia Abreu lembra que renomados nomes do PMDB têm enfrentado problemas de ordem criminal, sendo que alguns já foram condenados e presos – como o ex-deputado Eduardo Cunha e o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. “Até mesmo o presidente da República foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República”,  ressalta.

 

 

Temer estuda fazer pronunciamento para rebater Janot

O presidente Michel Temer estuda fazer neste sábado (16) um pronunciamento no Palácio do Planalto para rebater a segunda denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

 

Segundo a Folha apurou com um auxiliar de Temer, a ideia veio depois de o presidente conversar com seu advogado, Antonio Cláudio Mariz, e com seu marqueteiro, Elsinho Mouco, na tarde desta sexta-feira (15), em São Paulo.

 

A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto disse não saber de qualquer pronunciamento.

 

 

Joesley tem pouco apreço pela autoridade e a lei, diz juíza do TRF3

 

Ao manter preso, nesta sexta (15), o empresário Joesley Mendonça Batista, da JBS, a juíza Tais Ferracini, convocada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), afirmou que o executivo ‘demonstra pouco apreço pela autoridade e observância da lei’. A magistrada negou liminar em habeas corpus a Joesley e a seu irmão Wesley Batista, alvos da Operação Acerto de Contas, 2ª fase da Tendão de Aquiles.

Os empresários são investigados por suspeita de manipulação do mercado financeiro e da moeda americana usando informações privilegiadas de sua própria delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

 

“O paciente, nessa análise perfunctória, demonstra pouco apreço pela autoridade e observância da lei, pelo que não são meras ilações a possibilidade de que, em liberdade, represente risco à ordem pública”, anotou a juíza.

 

“Os indícios da autoria delitiva do paciente, decorreram da circunstância de Joesley Mendonça ser o emissor de ordens de compra e venda de ativos financeiros no período em que, juntamente a outros executivos, negociava acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.”

 

A investigação aponta que Joesley Mendonça foi o responsável por ordenar as operações de venda de ações da JBS, por meio de sua controladora FB Participações, dirigida por ele à época, ‘de forma não usual e concomitante ao procedimento de recompra da JBS’.

“Tenho que os elementos dos autos indicam indícios suficientes de autoria e materialidade do delito”, anota a juíza.

 

Tais Ferracini destacou que sua decisão ‘não leva em consideração a eventual quebra da delação em questão por motivos outros, alheios aos presentes autos’. Os irmãos são delatores na Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, perante o Supremo Tribunal Federal.

 

Joesley perdeu nesta quinta-feira, 14, os benefícios da delação após ter seu acordo rescindido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O motivo foi um áudio de 4 horas no qual o empresário e o executivo Ricardo Saud, do Grupo J&F, mencionam que o advogado Marcelo Miller, ainda enquanto procurador da República, teria atuado para garantir facilidades aos delatores junto à Procuradoria-Geral da República.

 

No domingo, 11, Joesley e Saud foram presos temporariamente por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de violação de sua delação premiada. Nesta quinta-feira, 14, o ministro decretou a preventiva dos executivos. Joesley tem agora dois mandados de prisão preventiva contra si.

 

O empresário estava preso na carceragem da Polícia Federal em Brasília. Nesta sexta-feira, 15, Joesley foi transferido para São Paulo. Joesley será ouvido em audiência de custódia referente à Tendão de Aquiles. (AE)

 

Aliados de Temer torcem para que a nova PGR reavalie a denúncia

 

A expectativa dos políticos aliados do governo, no Congresso, é que a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que toma posse nesta segunda (18), determine a reavaliação ou revisão da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, apresentada pelo atual ocupante do cargo. A alegação é que seria necessário retirar da denúncia os supostos erros e excessos do texto assinado por Rodrigo Janot. Mas nesta sexta (18), a defesa do presidente Michel Temer pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) determine a reavaliação da denúncia por considerar que as alegações da PGR se referem a fatos ocorridos antes do tual mandato presidencial, e a Constituição determina que o presidente só pode ser processado por crime cometidos durante o mandato. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

 

Nos meios jurídicos não há quem aposte em revisão da denúncia. “Não creio que existam precedentes”, diz um ministro aposentado do STJ.

 

Michel Temer prometeu ir à posse de Raquel Dodge, e poderá dar de cara com seu algoz, a menos que Janot ignore o protocolo e não vá.

 

Defensores de Temer estão otimistas. Acham a denúncia de Janot impressiona pelos valores, mas se basearia em fatos “requentados”.