Escândalo de lixo hospitalar ganha repercussão nacional e movimenta Governo, Assembleia e Sindicatos

Postado em Segunda, 19 Novembro 2018 08:08
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As três vitórias consecutivas, em um mesmo ano, obtidas pelo governador Mauro Carlesse (PHS), lhe dão condições para não ser refém de nenhum grupo político, tampouco de um membro do Legislativo Estadual

 

Por: Edson Rodrigues

 

 

A “Operação Expurgo” deflagrada pela Polícia Civil, em Araguaína, que envolve instituições como o Ministério Público Estadual (MPE), e a Justiça, não pode ser interrompida, muito menos sofrer intimidações. Mas, a exoneração do delegado Bruno Boaventura Mota, responsável pelo inquérito investigativo do escândalo do lixo hospitalar, que liga o local ao pai do deputado estadual Olyntho Neto (PSDB), o ex-juiz eleitoral João Olinto Garcia, foi interpretada como retaliação.

 

João Olinto é suspeito de manter lixo hospitalar em um galpão no Distrito Agroindustrial de Araguaína (Daiara), o que configura crime ambiental. A denúncia anônima, feita na última semana, levou a Polícia Civil a um galpão desativado, em que continha toneladas de lixo hospitalar.

 

As investigações precisam continuar, e elas exigem quebra de sigilo bancário e telefônico. Tal fato pode trazer a público uma sujeira que assim como o lixo, estava escondida, guardada em sacos, mas o momento exige transparência e esclarecimento dos fatos.

 

Sem pré-julgamento

Ao saber da situação do descarte irregular do lixo, o Governo do Estado tomou as medidas corretas ao suspender o contrato que mantinha com a empresa responsável pela coleta dos resíduos em cinco hospitais do Tocantins.

 

A empresa que fornece este serviço, conforme registros de documentos fornecidos pela Junta Comercial do Tocantins, está nos nomes de João Olinto, e Rodolfo Olinto, pai e irmão do deputado Olyntho Neto. Já o galpão, onde foi encontrado o lixo, segundo a Polícia Civil pertence ao deputado líder do Governo, na Assembleia.

 

Governador Mauro Carlesse e o deputado Olynto Neto 

Sem julgamentos ou conclusões precipitadas, o mais sensato neste momento será o deputado pedir afastamento da liderança do governo na Assembleia Legislativa até que seja concluída a ação. Tal atitude demonstra um ato de grandeza e evita o sangramento da imagem do governador, Mauro Carlesse, até porque não é viável de o governador reeleito seja diplomado com lixo debaixo do tapete de seu gabinete, uma vez que nada tem com o caso.

 

De acordo com o que foi apurado pelo O Paralelo 13, o afastamento de pedido de afastamento de Olyntho está previsto para esta semana. Desta forma, o deputado Olyntho isenta o governo de acusações populares de acobertar os fatos, mesmo que o governador Mauro Carlesse segue com o discurso de que não obstruirá as investigações.

 

Ligação

Seria leviano, associarmos o deputado Olyntho Neto a qualquer irregularidade que neste momento é investigada pela polícia e envolve o seu pai. Quem negaria a seu pai, emprestar um galpão? Por isso, é importante não condenar ou concluir o fato, sem que o mesmo seja feito pela justiça.

 

O ex-juiz eleitoral, João Olinto Garcia é considerado foragido, e isso tem o incriminado diante da opinião pública. Neste momento a mídia acompanha o escândalo que é investigado pela Polícia e que pode ser aprofundado trazendo a tona inúmeros fatos até então desconhecidos. A Polícia Civil, o Ministério Público e a Justiça Tocantinense tem desenvolvido um excelente trabalho no combate a corrupção do Estado.

 

Delegado se pronuncia

A exoneração do delegado regional de Araguaína, no dia 16 de novembro, no entanto, trouxe polêmicas. Em uma rede social, Bruno Boaventura foi claro ao dizer que está sofrendo retaliação do Executivo, pelo trabalho desenvolvido.

 

A sociedade tocantinense não pode admitir qualquer tipo de ingerência nas investigações policiais e as exonerações dos delegados evidenciam clara tentativa de interferência do governo. Solicitamos ao excelentíssimo governador que reveja a decisão e se abstenha de praticar outros atos que possam ser interpretados como perseguições políticas.

 

Governo Responde

Além do Delegado Regional de Araguaína, o Diário Oficial do Estado trouxe mais exonerações. O Governo argumentou que a medida visa redução de despesas e equilíbrio das contas públicas conforme determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

 

Sindipol Revida

O Sindicato da Polícia Civil do Tocantins (Sindepol) repudiou a ação do Executivo. Conforme nota, divulgada pela Polícia, o delegado vem prestando um excelente serviço junto a população araguainense. E alfineta: ”É de conhecimento público o fato de que o irmão do deputado Olyntho Neto foi detido transportando uma mala com R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais)”. A nota diz ainda que o irmão do deputado usava o carro da Assembleia para fazer o transporte do dinheiro.

 

O Sindicato evidenciou também o mandado de busca e apreensão feito pelo delegado no dia 12 de novembro, na residência do pai de Olyntho Neto. E conclui que a medida do governo causa preocupação e espanto.

 

Polícia Federal se manifesta

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) manifestou repulsa ao ato do governador e considerou o fato sem fundamentação plausível. Lembrou que a Polícia Civil pertence ao Executivo e não é “polícia de governo.”

 

A nota pede ainda que “o governador reveja a decisão e se abstenha de praticar outros atos que possam ser interpretados como perseguições políticas”.

 

OAB se posiciona

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Tocantins disse que acompanha atenta ao caso que ganhou notoriedade. Que espera que o bom senso e os interesses da sociedade prevaleçam neste episódio. Ainda, segundo a nota assinada pelo presidente Walter Ohofugi, cabe a Ordem zelar pelo bom andamento das instituições e melhores práticas na gestão pública.

 

Aguardemos os próximos capítulos do caso que está longe do fim!

 

 

Última modificação em Terça, 20 Novembro 2018 06:56