Ponte de Porto Nacional: um problema de onze anos transformado em palanque virtual

Postado em Sexta, 08 Fevereiro 2019 06:56
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Por: Edson Rodrigues

 

Após uma sucessão de acontecimentos que envolvem a ponte sobre o Rio Tocantins, em Porto Nacional, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Cidades realizou nesta quinta-feira, a interdição onde a travessia está liberada, apenas, para pedestres. A partir do comunicado, iniciou-se uma série de embates e debates nas redes sociais envolvendo a população e muitos políticos tocantinenses.

 

Diante dos fatos vamos às contextualizações. Ainda em 2011 a ponte foi parcialmente interditada por apresentar rachaduras e comprometer a segurança de quem passava pelo local. Na época, a interdição foi determinada após um relatório que identificou fissuras nos blocos de fundação e nas bases dos pilares.

 

Conforme o governo, a interdição está decretada até um especialista da Universidade de São Paulo (USP) emitir um parecer técnico sobre a situação. O laudo deve ser divulgado nos próximos dias. Com o objetivo de sanar parte do problema, será disponibilizado no local balsas que farão a travessia dos veículos.

 

Mesmo que a decisão desagrade alguns e ter gerado muita polêmica foi uma tomada de atitude sensata por parte do Executivo, pois é de conhecimento que inúmeros foram os laudos emitidos por especialistas da Seinfra, desde a interdição em 2011, que certamente se perderam nos armários das repartições.

 

O transtorno existe, e isso pode implicar em um “suposto” retrocesso para a economia local, ou maiores custos, tempo, mas a pergunta é: uma vida tem preço? A que custo o Estado precisa desenvolver? À custa de vidas tocantinenses? Estão utilizando do problema que é sério e de interesse público para promover-se, fizeram do local um palanque político, um jogo de interesses no qual a sociedade pode não ser a prioridade. Até quando a politicagem vai transpor as reais necessidades da nossa gente?

 

Politicagem

O problema persiste há mais de uma década. Onde estavam os defensores de Porto neste período? Não é hora de armar palanque para tirar proveito com vistas nas sucessões municipais.

 

Apelo

Hoje, em conversa com algumas lideranças, empresários, comerciantes, agricultores e populares pude perceber que o apelo da comunidade é para que o Governo dê uma resposta para a coletividade e não apenas a classe política.

 

Uma audiência pública com o técnico responsável por emitir o laudo e a participação de membros do Ministério Público Estadual, Defensoria, Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros, representantes de entidades classistas e os da sociedade de todos os municípios impactados, inclusive políticos como vereadores, prefeitos, deputados, com seus diversos prismas seria uma alternativa democrática e transparente de tornar público o resultado, a real situação, discutir a questão e apresentar quais medidas serão tomadas diante dos fatos.

 

É importante destacar a participação efetiva dos veículos de comunicação no ato para que não haja interpretações errôneas ou política partidária que contaminam o processo.

 

Quem vai pagar a conta?

Os Executivos Municipais e Estadual precisam se unir para evitar um sofrimento ainda maior para os ribeirinhos, moradores da zona rural, pessoas que trabalham, estudam em Porto Nacional, precisam utilizar da ponte para a travessia e não tem condições financeiras de arcar com o custo diário da balsa. Muitos do que usam são pessoas de baixa renda que mantêm-se de salários mínimos. Os nossos legisladores vão deixar que suor destas pessoas vão por água abaixo? É justo pagar o preço deste transtorno que é de responsabilidade pública?

 

União

Não há responsáveis legais quando os prejudicados são o povo, todos em todas as esferas precisam juntos encontrar uma solução, pois caso aconteça uma tragédia que já é anunciada, não haverão inocentes e sim, omissos.O momento deve ser de maturidade e união.