Mensagens por e-mail e WhatsApp simulam comunicação oficial e levam vítimas a pagamentos indevidos Com SBT Os microempreendedores individuais - os chamados MEIs- precisam redobrar a atenção. Golpistas estão enviando mensagens falsas por e-mail, WhatsApp e sites fraudulentos com cobranças indevidas. Foram 18 tentativas de convencer Aline Travessano, dona de um e-commerce de produtos esotéricos, de que a empresa dela estaria irregular. Aline é MEI, microempreendedora individual, o que permite contribuir para a Previdência e pagar impostos de forma simplificada e mais em conta. Para um negócio ser MEI, o faturamento anual não pode ultrapassar R$ 81 mil. "Às vezes falam sobre declaração, às vezes que é para cancelar o MEI, e a questão do valor fica meio velada. Realmente tinha uma pendência na declaração anual que eu não tinha feito. É muito fácil cair, infelizmente é muito fácil. O e-mail é muito perfeito, tanto a escrita quanto o endereço de e-mail", relata Aline. Com João Baptista da Silva, que faz serviços elétricos e hidráulicos, a mensagem chegou por WhatsApp. "Eu estava com o meu DAS irregular, que teria que acessar o site e regularizar, só que eu não acessei nada. Não tem confiança no que vai abrir ali. Desconfiei. Automaticamente, eu tirei um print e apaguei", conta. Fez bem. Era golpe mesmo. O Sebrae, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que oferece assessoria 100% gratuita, tem recebido várias denúncias. Os golpistas agem em qualquer mês, mas é principalmente no final do ano e no começo do seguinte que se veem mais tentativas de fraude. O empreendedor, dono de um pequeno negócio, sem estrutura contábil e jurídica, se assusta ao receber mensagens sobre supostas pendências. É aí que mora o perigo. Segundo a Analista de Negócios, Adriana Barbosa, funciona assim: As mensagens trazem informações de que o MEI vai ser desenquadrado, que vai sair da condição de microempreendedor individual, que está devedor ou que a empresa será extinta. Ao receber esse tipo de e-mail, principalmente se o MEI estiver com algum débito, o empreendedor é induzido ao erro, clica em uma mensagem que não é verdadeira e navega por sites que coletam informações e aplicam uma série de golpes. O empreendedor Paulo Meira, infelizmente, caiu. Ele produz conteúdo digital para empresas. No golpe, diziam que ele precisava quitar um débito. "O link que eles enviam para a gente acaba convencendo muito. Tem o logo do governo, das taxas, maquia inteiramente o design para você acreditar. Infelizmente, eu acreditei", afirma. Depois de fazer dois pagamentos de R$ 250, ele percebeu sinais do golpe, como o nome do destinatário do dinheiro. "O primeiro resultado que apareceu é que essa empresa foi criada no ano passado e que a localização dela é Brasília. O telefone que consta nesse perfil é internacional", explica. É importante reforçar: o governo não envia e-mails ou mensagens informando sobre débitos ou pendências de documentação. Para ter acesso a esse tipo de dado, o próprio empreendedor deve acessar o site da Receita Federal e consultar na área destinada ao MEI. Adriana Barbosa, do Sebrae, recomenda, em caso de dúvida, buscar ajuda. "Tendo dificuldade em acessar, em saber se essa informação é verídica, que procure o Sebrae, venha com seus documentos, seja atendido e verifique a veracidade. Nós fazemos esse levantamento dos últimos cinco anos", orienta.