Um dos primeiros atos do atual presidente da Câmara federal foi de fazer andar uma discussão que há muito provoca calorosos e inflamados discursos, a Reforma Política. Tida por muitos como a mãe de todas as reformas e contrariando o PT que tentou obstruir de todas as formas seu andamento, (está parada a mais de um ano na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa), o Presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez uso de instrumentos internos da Casa para acelerar a matéria. Paralelamente aos esforços de uma parcela do legislativo, pressionados pela OAB, CNBB e internautas em redes sociais de trazer a luz o debate da Reforma Política, o judiciário parece não ter presa. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vistas da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4.650, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais. Em abril de 2014 o magistrado travou a decisão do Supremo, que tentava barrar o financiamento de campanha por empresas. A matéria precisava apenas do posicionamento de Gilmar Mendes. Outros seis ministros do STF ´já votaram favorável ao fim do financiamento privado para as champanhas. Votou contra o ministro Teori Zavascki, que não por acaso é o relator do processo da chamada operação Lava Jato. Com essa decisão, ou a sua não decisão em devolver matéria já votada e pronta para ser colocada em pratica nos leva a pensar sobre a morosidade na justiça brasileira, seus meses de férias, sim o judiciário tem recesso, duas vezes ao ano, mas essa é uma outra história. Se não a quem tem interessa em deixar as regras de financiamento das campanhas eleitorais como estão, se não os que sempre se beneficiaram como as grandes construtoras, bancos, frigoríficos. Foram R$ 522 milhões do total de R$ 1,040 bilhão vindo de contribuições e mais da metade veio de apenas 19 empresas Na lista, que esta no site do TSE aparece empresas dos mais diversos setores da economia, com destaque para o Grupo JBS, Construtora OAS, Grupo Bradesco, Vale e Ambev são algumas que fizeram contribuições pomposas aos políticos. A nossa principal critica é que existe a real possibilidade do poder financeiro interferir em decisões, obter vantagens, ganhar concorrências. No Brasil a distancia entre o público e o privado é inexistente para os detentores do poder a promiscuidade é grande. A titulo de curiosidade, é só observarmos as peças que compõe os crimes hoje investigados pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. O ponto x da questão é: que projeto de reforma politica será votado. Seremos uma vez ludibriados, enganados, iludidos, explico e esse projeto que chegou a CCJ e de autoria de quem...Candido Vaccarezza, (PT-SP), não vamos aqui tecer comentários a respeito do autor da proposta de Reforma Politica em discussão e sim seu conteúdo. O seu primeiro ponto eles querem que a festança continue isso é o financiamento privado e sem limites. Somente esse ponto já leva por terra. Outro é o fim voto obrigatório e distrital será que o brasileiro está preparado? Muitos não sabem, o que é voto distrital, voto em lista. O presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se disse contrário à proibição do financiamento de campanha por empresas privadas. “Se é inconstitucional, então estamos todos sob uma ilegalidade”. Disse recentemente. Se o financiamento for proibido às doações ilegais tendem crescer, o que falta na pratica são leis mais rígidas e justiça rápida e eleitores conscientes na hora de escolher seus representantes em todas as esferas. È como diz o sábio ditado popular. Troca-se as coleiras , mas os cachorros são sempre os mesmos. O que vejo é pode esta ai escancarado nesse projeto de reforma é não querem o fim o do financiamento das campanhas politicas por parte das empresas privadas. Mas a sociedade já se pensionou, é contra. A realidade é que a Reforma Política é um conjunto de várias regras eleitorais, e por sua complexidade deve ser debatida a luz. Lembrando que o projeto tem que ser aprovada pelas Casas Federais até o final de setembro para que ela tenha validade nas próximas eleições. Antônio Coelho de Carvalho é jornalista