O silêncio das oposições ao Palácio Araguaia tem data de vencimento: o fim do recesso parlamentar na Assembleia Legislativa do Tocantins e no Congresso Nacional
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O clima político na Assembleia Legislativa do Tocantins será outro em relação ao Palácio Araguaia. A oposição passa a ocupar cerca de 11 cadeiras, entre deputados que o governador não deseja manter convivência política. São parlamentares que apoiaram a gestão do governador interino Laurez Moreira, muitos deles com indicação de aliados em cargos do primeiro e do segundo escalão da gestão interina.

No Congresso Nacional, o cenário não é diferente. O senador Irajá Silvestre, que até bem pouco tempo era presidente do PSD tocantinense, faz uma política de muitas ações e pouco barulho. É um forte candidato à reeleição e, se as eleições fossem hoje, seria reeleito juntamente com o vice-presidente do Senado, senador Eduardo Gomes.

Até agora, nenhuma das candidaturas ao Senado ameaça a reeleição de Irajá Silvestre, muito menos a do vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, que lidera todas as pesquisas de intenção de voto.
OPOSIÇÃO E ARTICULAÇÃO NACIONAL

Os grupos políticos e partidos de oposição, juntamente com a ex-senadora Kátia Abreu, formam um campo político relevante. Kátia é uma liderança com trânsito livre nos ministérios e no Palácio do Planalto e será a responsável por construir um palanque sólido e forte no Tocantins para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição.

Outros nomes que engrossam as fileiras da oposição ao Palácio Araguaia são o ex-senador e empresário Ataídes Oliveira, o ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas, conhecido como Professor de Deus, e seu filho, o deputado federal Tiago Dimas.
VICENTINHO JÚNIOR, PSDB E O IMPASSE PARTIDÁRIO

O avanço da pré-candidatura do deputado federal Vicentinho Júnior ao governo do Estado, possivelmente pelo PSDB, acrescenta complexidade ao já delicado cenário partidário tocantinense. Ao seu lado, o deputado federal Antônio Andrade já sinalizou que acompanhará o mesmo caminho partidário, formando um bloco politicamente relevante dentro da legenda.
A movimentação, no entanto, encontra resistência em um impasse interno no PSDB do Tocantins. O partido é presidido no estado pela ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, uma liderança consolidada, com trajetória própria, condição que lhe garante legitimidade institucional e política nas decisões estratégicas da sigla. Responsável pela consolidação do PSDB no estado, Cinthia governou a capital por dois mandatos, tem experiência administrativa comprovada e segue sendo reconhecida como uma gestora de bom desempenho.

Além disso, Cinthia reúne conteúdo político e patrimônio eleitoral suficientes para, inclusive, figurar como potencial candidata ao governo do Estado pelo próprio PSDB. Esses atributos reforçam a avaliação de que sua liderança não pode ser desconsiderada ou atropelada no processo de reorganização partidária que se desenha.

Nesse contexto, qualquer negociação envolvendo a entrada de Vicentinho Júnior e Antônio Andrade na legenda precisará ser construída por meio do diálogo e do respeito às lideranças já estabelecidas. A ex-prefeita e seu esposo, o deputado estadual Eduardo Mantoan permanecem como atores centrais na estrutura partidária e no projeto político da sigla no Tocantins.
É inegável que a presença de dois deputados federais fortaleceria o PSDB, especialmente em um momento de esvaziamento nacional da legenda, marcado desde 2025 pela perda de governadores e de cadeiras no Congresso Nacional. Trata-se de quadros experientes: um ex-presidente da Assembleia Legislativa e um parlamentar com sucessivos mandatos na Câmara dos Deputados, cuja filiação ampliaria a representatividade e o peso político do partido.
Esse reforço, no entanto, não confere automaticamente o direito de sobrepor ou deslegitimar a liderança de Cinthia Ribeiro dentro do PSDB. O fortalecimento da legenda passa necessariamente pela valorização do trabalho já realizado e pela construção de consensos internos, sob pena de transformar uma possível ampliação de força política em um novo foco de tensão partidária.
RUPTURA COM EDUARDO SIQUEIRA CAMPOS

A decisão do deputado Vicentinho Júnior de ser candidato a governador pelo PSDB de Cinthia Ribeiro representa colocar fogo na ponte de diálogo com o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos. A ruptura dispensa comentários.
ALEXANDRE GUIMARÃES MIRA O SENADO

O deputado Alexandre Guimarães tem seu foco definido e será candidato ao Senado. Para atingir esse objetivo, conversa com suas bases, faz giro pelos municípios, constrói pontes políticas e reafirma sua candidatura. No momento, mantém diálogo tanto com membros do governo quanto com lideranças da oposição, buscando costurar um entendimento para a construção de uma chapa majoritária com nominatas competitivas para deputado federal e estadual, acolhendo o maior número possível de lideranças e partidos.
LAUREZ MOREIRA E O PSD

O vice-governador Laurez Moreira está fechado com o senador Irajá Silvestre, e juntos trabalham politicamente no fortalecimento do PSD.
PARTIDOS POLÍTICOS E SOBREVIVÊNCIA PARTIDÁRIA
Faltam pouco mais de 90 dias para 4 de abril, último dia de filiação partidária para quem deseja ser candidato. Os dirigentes partidários precisam se movimentar para formar nominatas competitivas.
Para eleger um deputado estadual, será necessário atingir entre 45 e 50 mil votos por legenda. Para deputado federal, o mínimo será entre 80 e 100 mil votos, por legenda ou federação, garantindo representatividade política e acesso ao fundo partidário.
Esse desafio se torna ainda maior com o fim das coligações proporcionais e a criação das federações partidárias, construídas de cima para baixo, conforme os interesses das cúpulas nacionais.
SUCESSÃO ESTADUAL 2026

O quadro sucessório para o governo do Tocantins ainda é nebuloso. O silêncio das oposições é estratégico, exatamente porque ainda não há um líder definido. Mas ele virá.
O governo e seu candidato ou candidata precisam estar preparados. Uma oposição unida se torna forte e competitiva. Subestimá-la é cegueira política ou ignorância.
Caminhamos para três chapas majoritárias, duas de oposição e uma governista com sinais claros de um segundo turno inevitável. Até breve, com novos capítulos da sucessão estadual de 2026.