Prefeito de Araguaína busca ampliar número de voos e empresas operando no Aeroporto Regional de Araguaína; visita da companhia à cidade é esperada para os próximos dias
Com Assessoria
O prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues, participou, no último dia 25, em São Paulo, da 2ª edição do Aviation Infra Summit (AIS 2026) e se reuniu com executivos da Latam e do consórcio GRU Airport, que assumirá as operações do Aeroporto Regional de Araguaína ainda neste ano. O objetivo foi continuar a aproximação para atrair novas opções de voos para a cidade.
“A gente já vem conversando com a Latam há algum tempo e estamos perto de ter a empresa na cidade. Para isso, é muito importante também conversar com os executivos da GRU e pessoas dos governos. Fizemos alguns ajustes pedidos pela empresa e esperamos uma visita nos próximos dias para programar o início das operações”, afirmou Wagner.
Ainda de acordo com o prefeito, o voo deve ter como destino Brasília (DF), que é uma conexão para outros locais dentro e fora do Brasil. Atualmente, a Gol Linhas Aéreas já opera nessa rota, e a expectativa é de que os embarques e desembarques sigam crescendo na cidade, favorecendo inclusive a chegada de mais empresas e a melhoria da oferta e dos valores das passagens.
Novos investimentos
Recentemente, o Aeroporto Regional de Araguaína recebeu melhorias no Indicador de Percurso de Aproximação de Precisão (PAPI) para receber aeronaves do padrão Boeing 737-800, que está na categoria 4C e consegue transportar até 186 passageiros.
O novo instrumento é apenas uma pequena parte do que virá nos próximos anos. O Aeroporto Regional de Araguaína receberá um aporte de R$ 55,5 milhões, a ser efetuado pelo consórcio GRU Airport, que venceu a concessão federal.
A previsão é de que o próximo investimento da GRU seja na ampliação e modernização do Terminal de Passageiros. Na sequência, o pátio também deve ganhar melhorias para aumentar a capacidade de atendimento de aviões a jato.
Além disso, a Prefeitura está duplicando a Avenida Dionísio Farias, que dá acesso ao aeroporto. A avenida possui atualmente 7 metros de largura, com uma faixa de rolamento em cada sentido. Com a obra de duplicação do trecho até o aeroporto, a pista passará a ter 13 metros de largura e separação central com barreiras New Jersey de concreto, melhorando o trânsito na região.
Isso sem contar todos os investimentos já realizados nos últimos anos, como a construção de um sistema de drenagem e o alargamento do acostamento da pista.

Tiago Chagas Faierstein (Presidente da ANAC), Tomé Barros Monteiro da Franca (Ministro de Portos e Aeroportos), Juliano Noman (Presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas - ABEAR) e o prefeito Wagner Rodrigues
Todas às quarta-feiras as unidades realizarão ‘Dias D’ com atendimentos diversos
Texto: Vania Machado
Garantir o acesso facilitado das mulheres ao cuidado integral com a saúde, indo além da prevenção dos cânceres de mama e de colo do útero, é o principal objetivo da campanha Outubro Rosa 2026, que será realizada pela Secretaria Municipal da Saúde (Semus) nas 34 Unidades de Saúde de Família (USF) de Palmas. A programação oficial das atividades tem início nesta quarta-feira, 7, com abertura marcada na USF Vânia do Aureny III, dando início a uma ampla mobilização em todas as regiões da Capital.
Para democratizar o atendimento e alcançar quem não consegue procurar os postos em horário comercial, a gestão municipal instituiu os ‘Dias D’ em todas as quartas-feiras do mês (dias 7, 14, 21 e 28 de outubro). Nesses dias, diversas unidades de saúde estenderão seus horários de funcionamento até o período noturno, com atendimentos prestados por equipes multiprofissionais.
“É uma iniciativa que busca fortalecer a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo da saúde feminina de forma humanizada. Durante todo o mês de outubro, as mulheres contarão com consultas médicas e de enfermagem, coleta do exame preventivo, vão poder solicitar mamografia e fazer a testagem rápida para Infecções Sexualmente Transmissíveis”, destaca a superintendente de Atenção em Saúde, Adriana Victor.
A proposta de cuidado integral também engloba orientações sobre saúde sexual e reprodutiva, métodos contraceptivos como a inserção de Implanon em postos específicos, acolhimento psicológico, avaliações odontológicas e nutricionais, além de grupos de práticas corporais e atividades físicas.
Programação
As ações estão distribuídas por toda a Capital com programações organizadas de acordo com as necessidades de cada comunidade. Na região sul, postos como as USFs Laurides Milhomem, José Hermes, Santa Bárbara e Walter Morato (Taquaruçu) oferecerão recepções temáticas, rodas de conversa sobre direitos e prevenção da violência, além de mutirões de exames.
Na região central, unidades como a USF Novo Horizonte, USF Albertino Santos (Arse 101) e USF Heder de Oliveira (Arse 132) atuarão com horários diferenciados e projetos comunitários, a exemplo da caminhada ‘Outubro em Passos’. Já na região norte, locais como as USFs Arne 53, Arne 64, José Luiz Otaviani (Arno 33) e Francisco Júnior (Arso 43) realizarão atendimentos noturnos.
Ao povo do Tocantins e a cada homem e mulher que acredita num país melhor.
Agora começamos uma nova campanha.
E para quem participou de tantas campanhas como eu, entendo que nenhuma eleição é fácil.
Assim como nenhuma conquista do povo brasileiro veio sem luta.
Poucas histórias representam isso tão bem quanto a história do nosso presidente Lula. Um menino pobre e nordestino, criado sem pai, mas com a presença de uma mãe forte e corajosa que educou Lula e sete irmãos com dignidade.
Um torneiro mecânico, que se tornou líder sindical e enfrentou os mais poderosos para defender a classe trabalhadora.
Um homem que conheceu a fome, enfrentou perdas e atravessou algumas das maiores dores que a vida pode impor a alguém.

Lula tentou ser presidente e perdeu uma, duas, três vezes.
Poderia ter desistido.
Mas não desistiu. Levantou, persistiu e venceu.
É dessa força que precisamos agora.
Porque chegamos a uma das batalhas mais importantes da história do Brasil.
Para quem acredita neste projeto, é uma batalha para garantir as conquistas sociais nos últimos 20 anos. Entre o Brasil que queremos construir e deixar como legado para as próximas gerações e o Brasil do atraso e da discórdia.
Não é hora de divisão.
Não é hora de abandonar ninguém pelo caminho.
É hora de buscar quem se afastou, abraçar quem está cansado, conversar com quem ainda tem dúvida e ampliar nossa força.
Cada voto importa.
Cada voz importa.
Cada coração importa.
Se Lula nos ensinou alguma coisa durante toda a sua vida, foi que um desafio não pode nos derrotar.
A vitória vem da união, da dedicação, da força e da perseverança.
E nós estamos de pé, prontos para superar mais esse desafio.
Hoje, às 14 horas, em Brasília, participo da reunião nacional da coordenação da campanha do presidente Lula para conhecer as estratégias para o segundo turno. Depois, serão traçados os próximos passos da nossa caminhada no Tocantins.
Então, prepare o coração. Chame os amigos, reúna a família, vista-se de esperança.
O Brasil está nos chamando mais uma vez para construirmos a nossa história.
E quando nossos filhos e netos perguntarem onde estávamos neste momento, que possamos responder: nós estávamos juntos, nós estávamos de pé, nós estávamos lutando pelo Brasil que acreditamos.
Agora é a hora.
Vamos à luta.
KÁTIA ABREU
Ex-senadora e coordenadora da Campanha de Lula no Tocantins
Por Edson Rodrigues
O segundo turno no Tocantins começa a produzir uma situação política que merece ser observada com lupa. De um lado, a candidata ao Governo Professora Dorinha Seabra, que nesta segunda-feira esteve ao lado do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de outras lideranças da sua aliança em uma conversa por vídeo com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Na conversa, Flávio agradeceu a votação recebida no Tocantins e confirmou o alinhamento com a candidatura de Dorinha. Eduardo Gomes fez questão de reforçar um pedido: a presença de Flávio no Estado durante o segundo turno para participar da campanha e fortalecer o palanque da candidata.
Do outro lado, poucas horas depois, o candidato Vicentinho Júnior também deixou claro que não pretende abrir mão da identidade política que construiu ao longo dos últimos anos. Questionado pela imprensa sobre o apoio a Flávio Bolsonaro, Vicentinho afirmou que votou nele no primeiro turno e que repetirá o voto no segundo. Mais do que isso, fez questão de lembrar sua trajetória de apoio ao bolsonarismo, citando sua posição em 2018 e o apoio à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.
Está formado, portanto, um dos fatos mais curiosos desta eleição: Dorinha fará palanque para Flávio Bolsonaro. Vicentinho também fará palanque para Flávio Bolsonaro. E é exatamente aí que começa o novo capítulo da disputa pelo Palácio Araguaia.
O MESMO PRESIDENTE, DOIS PROJETOS PARA O TOCANTINS

A situação não deixa de ser politicamente singular. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno no Tocantins à frente de Lula, com 469.321 votos, 50,44% dos votos válidos, contra 404.009 votos, 43,42%, obtidos pelo petista. Uma diferença de 65.312 votos. Esse resultado transformou a votação presidencial em um ativo político que nenhum dos dois candidatos ao Governo pode ignorar.
E os dois sabem disso.
Dorinha tem agora a possibilidade de aproximar seu palanque estadual do candidato presidencial que venceu no Tocantins. A articulação feita nesta segunda-feira mostra que o grupo governista pretende explorar essa conexão, inclusive com a possibilidade de uma visita de Flávio ao Estado durante a campanha.
Vicentinho, por sua vez, tenta deixar claro que não chegou agora ao campo bolsonarista. Sua argumentação é a de quem quer apresentar o apoio a Flávio como continuidade de uma trajetória política, e não como uma movimentação circunstancial provocada pelo segundo turno.
É uma diferença de narrativa importante. Dorinha apresenta o apoio como uma composição política para a nova etapa eleitoral. Vicentinho apresenta o apoio como coerência com sua história. E o eleitor será chamado a avaliar essas duas narrativas.
FLÁVIO AGORA TEM DOIS PALANQUES NO TOCANTINS

A questão que se coloca é simples, mas politicamente complexa: como funcionará uma campanha presidencial que terá dois palanques na mesma eleição estadual? Flávio Bolsonaro poderá ter espaço tanto ao lado de Dorinha quanto ao lado de Vicentinho. Poderá ser recebido por grupos políticos diferentes, poderá aparecer em agendas diferentes, poderá ser utilizado como símbolo de identificação política pelas duas campanhas.
E isso cria uma situação pouco comum.
No segundo turno presidencial, o eleitor tocantinense escolherá entre Flávio e Lula. No segundo turno estadual, escolherá entre Dorinha e Vicentinho. Mas não existe uma combinação eleitoral obrigatória.
O eleitor pode votar em Flávio para presidente e em Dorinha para governadora. Pode votar em Flávio e em Vicentinho. Pode escolher Lula e Dorinha. Pode escolher Lula e Vicentinho. A urna permite todas essas combinações.
Por isso, qualquer tentativa de transformar o apoio presidencial em transferência automática de votos seria simplificar demais o comportamento do eleitor.
GOMES NO CENTRO DA ARTICULAÇÃO

A movimentação desta segunda-feira também recoloca Eduardo Gomes no centro das articulações. Reeleito senador pelo Tocantins e uma das principais lideranças do PL no Estado, Gomes participou diretamente da conversa com Flávio e fez questão de solicitar a presença do presidenciável na campanha de Dorinha. A articulação reforça a proximidade entre o senador, o governador Wanderlei Barbosa e a candidatura da senadora ao Governo.
É uma demonstração de que o segundo turno não será apenas uma disputa entre duas candidaturas. Será também uma disputa pela capacidade de cada grupo de montar um palanque politicamente forte, ampliar alianças e transformar seus apoios nacionais e estaduais em presença efetiva nos municípios.
E, nesse ponto, a presença de Flávio poderá se tornar um dos elementos mais disputados da campanha.
VICENTINHO NÃO QUER ENTREGAR O CAMPO BOLSONARISTA

A reação de Vicentinho também precisa ser compreendida dentro desse novo desenho. Ao afirmar publicamente que votou em Flávio no primeiro turno e que continuará votando nele, o candidato sinaliza que pretende disputar também o eleitorado identificado com a direita e com o bolsonarismo.
Mais do que isso, ao lembrar sua posição em 2018 e em 2022, Vicentinho procura estabelecer uma diferença de trajetória. A mensagem é clara: não se trata de uma adesão de ocasião, mas de uma posição que ele afirma carregar há anos.
A campanha de Dorinha, naturalmente, tem outra narrativa. Ela passa a contar com o apoio explícito do grupo liderado por Eduardo Gomes e com a articulação para aproximar Flávio de sua candidatura ao Governo. É justamente nesse cruzamento que o segundo turno tocantinense começa a ganhar uma característica própria.
O ELEITOR DE DIREITA SERÁ DISPUTADO PELOS DOIS

A disputa pelo eleitorado de direita pode se transformar em uma das principais frentes desta segunda etapa. Não porque todo eleitor que votou em Flávio escolherá automaticamente um dos dois candidatos ao Governo. Mas porque a votação presidencial mostrou que existe no Tocantins um contingente eleitoral expressivo que se identificou com o candidato do PL. Esse eleitor agora será cortejado pelas duas campanhas.
A ELEIÇÃO ESTADUAL NÃO SERÁ RESOLVIDA EM BRASÍLIA
Mas existe uma ressalva fundamental. A eleição é no Tocantins. E quem decide é o eleitor tocantinense. O apoio de uma liderança nacional pode aumentar a visibilidade de uma candidatura. Pode produzir mobilização. Pode gerar imagens, eventos, carreatas e discursos.
Mas não substitui a campanha estadual. Dorinha continuará precisando conversar com o eleitor sobre Tocantins. Vicentinho também. As duas campanhas terão de apresentar suas propostas, defender seus projetos e enfrentar os problemas concretos do Estado.
Porque, no fim das contas, Flávio estará na disputa presidencial. Dorinha e Vicentinho estarão disputando o Palácio Araguaia. São duas eleições acontecendo simultaneamente, ainda que os palanques possam se cruzar.
ALIANÇAS
Mas, como política não é uma ciência exata, nesse processo sucessório desaguando no segundo turno no Tocantins, pode ser chegar a uma vitória seguindo outras equações, que necessariamente não vem de Brasília.
Segundo o CEO da Quaest, Felipe Nunes, o segundo turno no Tocantins pode sim, ser decidido, por quem conseguir acordos e apoios dos demais candidatos ao governo do Estado, derrotados em 4 de outubro. Os votos deles, conforme declarou o cientista político que preside esse instituto de pesquisa, serão decisivos para a vitória no próximo dia 25.
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A urna de 4 de outubro não escolheu o governador do Tocantins. Escolheu os dois nomes que terão de voltar às ruas, aos municípios, aos palanques e, principalmente, ao eleitor para disputar os últimos votos de uma eleição que terminou o primeiro turno com uma diferença pequena demais para permitir comemoração antecipada.

De um lado, a senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil). Do outro, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB). Dorinha terminou a primeira etapa na frente, com 369.181 votos, 45,75% dos votos válidos. Vicentinho chegou logo atrás, com 352.739 votos, 43,72%. Entre os dois, apenas 16.442 votos, uma diferença de 2,03 pontos percentuais.
É pouco.
Muito pouco para uma eleição majoritária que agora começa uma segunda etapa completamente diferente. A partir de agora, não existe mais o terceiro colocado, não existe mais a divisão dos palanques do primeiro turno e não existe espaço para campanha burocrática. Existem dois nomes, duas estruturas, dois projetos e uma pergunta que permanecerá aberta até o último voto ser contado: quem conseguirá transformar apoio político em voto?
É aí que começa a verdadeira disputa.
Porque segundo turno não se ganha com fotografia. Ganha-se com movimento. As engrenagens políticas de cada candidatura serão testadas até o limite. Prefeitos, deputados, vereadores, lideranças regionais, partidos, grupos empresariais, movimentos sociais e militâncias terão de mostrar, na prática, quanto de sua força política consegue chegar à urna. E, quando a diferença é de pouco mais de 16 mil votos, qualquer movimento pode fazer diferença.
Uma adesão pode alterar o rumo de uma região. Um debate pode mudar a percepção de milhares de eleitores. Um erro pode custar caro. Uma estratégia bem executada pode produzir uma virada. O segundo turno não é continuação do primeiro. É outra eleição.
DORINHA TEM A FRENTE, A ESTRUTURA E O DESAFIO DE NÃO DEIXAR A VANTAGEM ESCAPAR

Professora Dorinha chega à segunda etapa com aquilo que todo candidato deseja ter ao começar uma decisão: a dianteira. Mas chega também sabendo que os 16.442 votos de vantagem não permitem acomodação. A candidatura reúne uma estrutura política expressiva e conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de uma ampla rede de lideranças que saiu das urnas com peso político renovado. O grupo governista também terá à disposição uma bancada expressiva no Legislativo, resultado que amplia sua capacidade de articulação para esta segunda etapa.
Mas existe uma velha verdade da política que volta a aparecer neste momento: estrutura ajuda. Liderança ajuda. Apoio ajuda. Voto, porém, precisa ser conquistado. Nenhum prefeito carrega uma urna no bolso. Nenhum deputado consegue entregar ao candidato um pacote fechado de votos. Nenhuma liderança controla integralmente a vontade de seus eleitores.
O eleitor pode ouvir o líder e escolher diferente. Pode seguir o partido ou escolher outro caminho. Pode mudar de opinião. E é exatamente esse eleitor, muitas vezes silencioso, que passa a ser o personagem mais importante desta segunda etapa.
FLÁVIO BOLSONARO ENTRA NO TABULEIRO TOCANTINENSE

A decisão de Professora Dorinha de apoiar nacionalmente Flávio Bolsonaro (PL) acrescenta uma nova variável à disputa estadual. No Tocantins, Flávio terminou o primeiro turno com 469.321 votos, 50,44% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 404.009 votos, 43,42%. Uma diferença de 65.312 votos, ou 7,02 pontos percentuais. Agora, os dois estarão novamente frente a frente no segundo turno presidencial. E essa coincidência cria uma equação política que merece ser observada com lupa. Dorinha estará disputando o Governo do Estado ao mesmo tempo em que Flávio Bolsonaro disputará a Presidência da República.
Os dois palanques poderão se encontrar em determinados momentos. Poderão compartilhar lideranças, agendas e estruturas. Poderão também produzir efeitos cruzados sobre o eleitorado.
Mas política não é matemática simples. O eleitor pode votar em Flávio para presidente e escolher Vicentinho para governador. Pode votar em Lula e Dorinha. Pode combinar qualquer uma das duas escolhas. É justamente essa liberdade que torna a eleição imprevisível.
VICENTINHO JÚNIOR CHEGA AO SEGUNDO TURNO COM A CHANCE REAL DE VIRAR O JOGO

Vicentinho Júnior fez algo que, politicamente, não pode ser minimizado: chegou ao segundo turno. E chegou muito perto. A diferença de 16.442 votos transforma sua candidatura em uma força competitiva e coloca sobre seus ombros uma tarefa objetiva: buscar votos onde Dorinha não conseguiu chegar e preservar os votos que já conquistou.
Sua candidatura chega acompanhada do deputado estadual Amélio Cayres, candidato a vice, e de uma composição política que inclui Alexandre Guimarães, eleito senador, além dos candidatos proporcionais e das lideranças que caminharam com o projeto.
O chamado “trio parada dura” chega ao segundo turno com um ativo importante: não perdeu peças fundamentais durante a caminhada. A candidatura atravessou a pré-campanha e o primeiro turno sem uma ruptura capaz de desmontar sua estrutura.
Agora, porém, o desafio é maior. Não basta comemorar a chegada ao segundo turno. É preciso transformar a chegada em vitória. E para isso será necessário conversar com quem não estava no palanque, buscar os votos dos candidatos que ficaram pelo caminho e, principalmente, convencer o eleitor de que a mudança é possível.
AS PESQUISAS TOMARAM UM BANHO DE REALIDADE

Se existe uma lição que o primeiro turno deixa para a política tocantinense, ela está nas pesquisas. Os números oscilaram. Os cenários mudaram. Alguns levantamentos apontaram vantagens confortáveis. Outros mostraram empate técnico. Houve pesquisas que colocaram as candidaturas em posições bastante diferentes daquilo que as urnas finalmente apresentaram. E a urna, como sempre, não conversa com ninguém antes de responder. Ela simplesmente responde.
Por isso, o primeiro turno deixa uma frase que deveria estar escrita na porta de todos os comitês: pesquisa é fotografia. Urna é resultado.
Não se trata de demonizar os institutos ou dizer que toda pesquisa é imprestável. Pesquisas medem momentos, metodologias e comportamentos eleitorais que podem mudar até o dia da votação. Mas o que aconteceu no Tocantins mostra que não existe espaço para transformar pesquisa em certeza.
A urna é soberana.
E a urna de 4 de outubro mostrou uma disputa muito mais apertada do que algumas projeções faziam imaginar.
Agora nos resta observar os cenários e entender quem vai aderir a quem, quem vai mudar de lado, quem vai permanecer onde está e, principalmente, quem conseguirá levar o eleitor até a urna.
PT TOCANTINENSE: UMA NOVA EQUAÇÃO

Há ainda uma peça importante que não pode ser retirada deste tabuleiro.
O PT tocantinense.
Com Dorinha declarando apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o campo petista passa a enfrentar uma situação politicamente delicada no segundo turno estadual. No primeiro turno, Lula ficou atrás de Flávio no Tocantins por mais de 65 mil votos. Agora, a candidata que disputa o Governo pelo campo governista estará no palanque presidencial de Flávio.
O que fará o PT? Para onde irão suas lideranças? Como se comportarão seus prefeitos, vereadores e dirigentes? E, sobretudo, como reagirá o eleitor petista? São perguntas que não têm respostas prontas. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores incógnitas desta segunda etapa.
O ANDAR DE BAIXO TAMBÉM VAI DECIDIR
A política costuma olhar para cima, para os grandes líderes, governadores, senadores, deputados, prefeitos. Mas eleições majoritárias também são decididas no andar de baixo. Na conversa de família, na fila do supermercado, no grupo de whatsapp, no bairro, na zona rural, na cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo. É ali que o eleitor decide.
E é por isso que nenhuma candidatura pode imaginar que o apoio de uma liderança significa automaticamente a transferência de seus votos.
Apoio se anuncia. Estrutura se organiza. Aliança se constrói. Voto se conquista.
Essa talvez seja a principal regra deste segundo turno.
AGORA, É OLHO NO OLHO
Restam poucos dias. Dorinha tem uma vantagem. Vicentinho tem uma diferença possível de ser alcançada. Dorinha tem estrutura. Vicentinho tem a oportunidade de construir uma virada. E ambos terão de disputar aquilo que nenhuma pesquisa consegue entregar antecipadamente: a confiança do eleitor.
Daqui até 25 de outubro, cada gesto terá peso.
O Tocantins já mostrou que eleição não respeita roteiro pronto. Agora, os dois candidatos terão de escrever o último capítulo dessa história diante de um eleitor que já mostrou que não aceita receber a decisão pronta.
O Observatório Político de O Paralelo 13 estará, nesta semana pós-eleições, nos bastidores da política de Palmas e do interior do Estado, acompanhando as articulações, as adesões, os movimentos, os acordos e, principalmente, os fatos que poderão alterar o rumo desta que promete ser uma das disputas mais apertadas pelo Governo do Tocantins.