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SEGUNDO TURNO: O PESO DAS ADESÕES E A DISPUTA PELOS GRANDES COLÉGIOS ELEITORAIS

Posted On Sábado, 10 Outubro 2026 05:18
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

Faltam pouco mais de duas semanas para 25 de outubro, data em que eleitoras e eleitores do Tocantins voltarão às urnas para escolher o próximo governador. Professora Dorinha Seabra e Vicentinho Júnior chegaram ao segundo turno com votações próximas e agora disputam apoios políticos, novas alianças e, principalmente, a confiança de quem ainda não definiu seu voto.

 

O primeiro desafio está no eleitorado que não escolheu nenhum dos dois finalistas. O Tocantins registrou mais de 216 mil abstenções no primeiro turno, além dos votos brancos e nulos. É um contingente expressivo, que não pode ser tratado como um bloco uniforme nem automaticamente classificado como eleitorado descontente, mas que evidencia a dimensão da tarefa das campanhas para ampliar a participação e conquistar novos votos.

 

A disputa também passa pelos prefeitos, vereadores, deputados, ex-candidatos e lideranças regionais que começam a se posicionar. As adesões ganharam velocidade desde o encerramento do primeiro turno, e a próxima semana promete novas movimentações nos dois campos políticos.

 

DORINHA, EDUARDO GOMES E O APOIO DE FLÁVIO BOLSONARO

 

Além do apoio do governador Wanderlei Barbosa, senadora Professora Dorinha Seabra conta com o apoio do senador Eduardo Gomes, primeiro vice-presidente do Senado Federal e presidente do PL no Tocantins.

 

Reeleito com 450.191 votos, Eduardo Gomes foi o candidato ao Senado mais votado no Estado em 2026. Ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso Nacional por três anos, ele participa das articulações nacionais que envolvem a candidatura de Dorinha ao Palácio Araguaia.

 

Além disso, Dorinha e seu grupo elegeu 7 dos 8 deputados federais e 17 dos 24 parlamentares que farão a composição na Assembleia Legislativa a partir de 2027.

 

Uma das principais movimentações do grupo foi a aproximação com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Em reunião com integrantes da base governista, Dorinha conversou por telefone com o presidenciável, declarou apoio à sua candidatura e recebeu dele uma manifestação de apoio para o segundo turno estadual.

 

 

A articulação envolveu Eduardo Gomes e Wanderlei Barbosa. No dia seguinte, durante agenda em Goiânia, Flávio recebeu Dorinha, Eduardo Gomes e o deputado federal Carlos Gaguim, que disputou o Senado e terminou em quarto lugar. Na ocasião, foi gravado um vídeo com manifestações de apoio à candidatura da senadora ao Governo do Tocantins.

 

O grupo trabalha com a expectativa de que Flávio Bolsonaro visite o Estado nos próximos dias para participar de atividades políticas e se encontrar com eleitores. A aliança acrescenta uma dimensão nacional à disputa estadual. Entretanto, a presença de um presidenciável no palanque não garante, por si só, a transferência de votos. O desafio será transformar a aproximação política em mobilização eleitoral nos municípios.

 

LIDERANÇAS MUNICIPAIS ENTRAM NA ESTRATÉGIA

 

Na última quinta-feira, o grupo governista reuniu prefeitos e prefeitas em um encontro reservado, com a presença de Dorinha Seabra e sob a articulação política de Eduardo Gomes. Participaram lideranças do chamado G5, entre elas o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, o prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues, e o prefeito de Porto Nacional, Ronivon Maciel, além de dezenas de gestores municipais.

 

A reunião ocorreu no auditório de um hotel, no centro da cidade, para discutir estratégias e alinhar a atuação das lideranças municipais em torno da candidatura de Dorinha. Carlos Gaguim também compareceu. Depois de terminar em quarto lugar na disputa pelo Senado, o deputado federal demonstrou permanência no grupo político da candidata. Segundo o relato do encontro, sua presença foi recebida com aplausos de pé, em reconhecimento à lealdade política.

 

O próximo passo será colocar em prática as estratégias definidas. A presença de prefeitos e lideranças fortalece a estrutura de campanha, mas o resultado dependerá da capacidade de cada grupo de dialogar com o eleitorado e transformar apoio político em voto.

 

VICENTINHO JÚNIOR AMPLIA O CAMPO DE ALIANÇAS

 

Do outro lado, Vicentinho Júnior também intensifica a articulação política. Ao lado de Amélio Cayres, candidato a vice-governador, e de Alexandre Guimarães, senador eleito, o candidato busca ampliar a base de apoio e atrair lideranças que, no primeiro turno, estavam em outros campos políticos.

 

O grupo, tratado nos bastidores como o “trio parada dura”, realizou uma reunião para receber adesões. O encontro aconteceu no auditório de um salão de eventos, o mesmo espaço em que o grupo havia reunido vereadores e vereadoras durante a pré-campanha.

 

Desta vez, segundo as informações divulgadas pela campanha, 134 vereadores e vereadoras de diversos municípios declararam apoio à candidatura de Vicentinho Júnior e Amélio Cayres. Deputados eleitos também manifestaram adesão ao projeto, incluindo nomes ligados à base política de Dorinha no primeiro turno.

 

A lista de apoios é um dos elementos da estratégia de Vicentinho para ampliar sua presença municipal. A questão central, porém, permanece: quantos desses apoios se converterão em votos no dia 25 de outubro?

 

LAUREZ MOREIRA E DU PEREIRA DECLARAM APOIO

 

Uma das mudanças mais relevantes desta semana foi o posicionamento de Laurez Moreira, que terminou o primeiro turno em terceiro lugar na disputa pelo Governo, com 69.967 votos, equivalentes a 8,24% dos votos válidos.

 

Nesta quinta-feira (8), Laurez declarou apoio a Vicentinho Júnior e afirmou que também pedirá a seus aliados e eleitores que acompanhem sua decisão. O vice-governador justificou o posicionamento pela identificação de seu grupo com a proposta de mudança defendida pelo candidato do PSDB.

 

No mesmo dia, Du Pereira, que também disputou o Governo no primeiro turno, anunciou apoio a Vicentinho. As duas adesões ampliam a frente política do candidato e abrem uma nova etapa de negociações com os grupos que ficaram fora da disputa final.

 

Laurez construiu uma votação própria, com presença em diferentes municípios. Entretanto, os 69.967 votos que recebeu não são automaticamente transferíveis. O efeito de sua decisão dependerá da reação dos eleitores, dos aliados e das lideranças que participaram de sua campanha.

 

DUERÉ TAMBÉM SE MOVIMENTA

Na sexta-feira, 9 de outubro, Vicentinho recebeu o apoio do prefeito de Dueré, Dida Moreira, irmão de Laurez Moreira. Ele chegou acompanhado do vice-prefeito Silva da Vila, vereadores, ex-prefeitos, ex-vice-prefeitos e outras lideranças do município.

 

A adesão reforça a presença de Vicentinho no sul do Tocantins e acrescenta à sua campanha um grupo político com atuação municipal. O movimento ganha relevância por envolver lideranças ligadas ao campo de Laurez, que agora declarou apoio ao candidato tucano.

 

Outro nome relacionado a esse núcleo é o deputado estadual Gutierres Torquato, que obteve 21.052 votos. Sua aproximação com o grupo de Vicentinho também integra as movimentações políticas posteriores ao primeiro turno.

 

O peso dessas adesões será medido pela capacidade de articulação em Dueré, Gurupi e nos municípios da região. Mais uma vez, a conta eleitoral não se resume à soma das votações anteriores: ela depende de como cada liderança conseguirá mobilizar sua base e de como o eleitor responderá à nova configuração política.

 

ELI BORGES CHEGA AO PALANQUE DE VICENTINHO

 

Outra adesão de destaque foi a do deputado federal Eli Borges, candidato ao Senado que obteve 271.829 votos em todo o Estado.

 

Em coletiva na Casa 45, Eli foi recebido por Vicentinho Júnior, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães, que destacaram sua trajetória política e liderança. Ele estava acompanhado de seu filho, o vereador Thiago Borges, de sua primeira suplente, Eliane Moreira, conhecida como Rainha do Crédito e ligada ao segmento empresarial.

 

A entrada de Eli acrescenta à campanha uma liderança com votação expressiva e interlocução com segmentos religiosos. A expectativa política é que parte das pessoas e lideranças que acompanharam sua candidatura ao Senado considere seguir sua orientação no segundo turno.

 

Mas não existe transferência automática de votos. O eleitorado de Eli é diverso, e o alcance da adesão dependerá da disposição de seus apoiadores em acompanhar sua escolha.

 

A movimentação também demonstra que as alianças do segundo turno não estão restritas aos candidatos ao Governo. Os grupos políticos procuram reunir lideranças com presença regional, influência social e capacidade de mobilização.

 

COLÉGIOS ELEITORAIS NO CENTRO DA DISPUTA

 

A estratégia dos dois candidatos passa necessariamente pelos municípios que concentram o maior número de eleitores. Os dez maiores colégios eleitorais do Tocantins reúnem aproximadamente 590 mil pessoas aptas a votar, cerca de metade do eleitorado estadual, conforme os dados apresentados para esta análise.

Palmas lidera, com 218.504 eleitores. Em seguida aparecem Araguaína, com aproximadamente 124 mil; Gurupi, com 61.407; e Porto Nacional, com 47.207. Também integram a lista dos dez maiores eleitorados Paraíso do Tocantins, Colinas do Tocantins, Araguatins, Guaraí, Tocantinópolis e Miracema do Tocantins

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O resultado do primeiro turno para governador nesses municípios mostra um cenário dividido:

• Palmas: Dorinha recebeu 71.143 votos, contra 64.665 de Vicentinho.

• Araguaína: Vicentinho obteve 40.080 votos, enquanto Dorinha recebeu 37.608.

• Gurupi: Dorinha alcançou 17.553 votos, contra 14.584 de Vicentinho.

• Porto Nacional: Vicentinho conquistou 18.801 votos, enquanto Dorinha teve 11.284.

• Paraíso do Tocantins: Vicentinho recebeu 14.705 votos, contra 8.208 de Dorinha.

• Colinas do Tocantins: Dorinha obteve 9.115 votos, enquanto Vicentinho recebeu 6.968.

• Araguatins: Dorinha somou 7.682 votos, contra 6.307 de Vicentinho.

• Guaraí: Dorinha recebeu 6.448 votos, enquanto Vicentinho obteve 5.434.

• Tocantinópolis: Dorinha alcançou 5.308 votos, contra 4.408 de Vicentinho.

• Miracema do Tocantins: Dorinha recebeu 5.282 votos, enquanto Vicentinho somou 3.947.

Os dados mostram que nenhum dos dois candidatos dominou todos os principais municípios. Dorinha ficou à frente em sete dos dez maiores colégios eleitorais, enquanto Vicentinho liderou em Araguaína, Porto Nacional e Paraíso do Tocantins.

 

Esse recorte ajuda a compreender o desafio das campanhas: consolidar os municípios onde já tiveram melhor desempenho e ampliar a votação naqueles em que terminaram atrás. Também evidencia a importância de observar os resultados por região, sem presumir que uma liderança municipal consiga transferir integralmente seus votos.

 

ABSTENÇÃO TAMBÉM ENTRA NA CONTA

 

Além dos votos conquistados pelos candidatos que ficaram pelo caminho, existe um contingente importante de eleitores que não compareceu às urnas ou optou pelo voto branco ou nulo.
Somente Palmas registrou 36.375 abstenções no primeiro turno. Araguaína teve 20.712, Gurupi 12.103, Porto Nacional 8.417 e Paraíso do Tocantins 6.841. Juntos, esses cinco municípios somaram 84.448 eleitores ausentes.

 

Esses números tornam os grandes centros urbanos ainda mais relevantes para a reta final. As campanhas terão de buscar os eleitores que não participaram da primeira votação, sem deixar de trabalhar pela consolidação dos votos já conquistados.

 

A abstenção, porém, não pode ser interpretada automaticamente como rejeição à classe política. Há diferentes razões para o não comparecimento, assim como há diferentes motivações para o voto branco ou nulo. O que os números demonstram é que a participação eleitoral será um fator importante no resultado final.

A PRÓXIMA SEMANA PODE TRAZER NOVAS ADESÕES

O segundo turno entrou em uma fase de intensa movimentação. Dorinha conta com a estrutura política do grupo governista, o apoio de Wanderlei Barbosa e Eduardo Gomes e a articulação com Flávio Bolsonaro. Vicentinho ampliou sua base com as adesões de Laurez Moreira, Du Pereira, Dida Moreira e outras lideranças, além do apoio de Eli Borges.

 

As duas campanhas ainda têm tempo para negociar alianças, apresentar propostas e buscar novos apoios. A próxima semana promete novidades nos dois grupos, mas o tamanho real de cada adesão só poderá ser avaliado diante das urnas.

 

Os números dos principais colégios eleitorais mostram que a disputa está distribuída por diferentes regiões. As votações anteriores oferecem referências importantes, mas não garantem a repetição do comportamento do eleitor no segundo turno.

 

A eleição continua aberta. As alianças estão em movimento, as estratégias começam a sair das reuniões reservadas para as ruas e o eleitorado volta a ser o centro da disputa.

 

No dia 25 de outubro, a decisão será tomada nas urnas. Até lá, cada apoio anunciado será parte de uma equação que ainda precisa ser resolvida.

 

 

 

Última modificação em Sábado, 10 Outubro 2026 10:04
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