Passagem da maior competição off-road do país movimentou a rotina, levou milhares de pessoas às ruas e colocou comércio, turismo, cultura e serviços no mesmo percurso do rally
Da Redação
O ronco dos motores já começa a ficar para trás. As equipes desmontam estruturas, competidores retomam a estrada e o Sertões Petrobras segue seu percurso. Para Porto Nacional, no entanto, a passagem da caravana deixou uma fotografia que merece ser observada para além da competição.
Durante praticamente um dia inteiro, a cidade mudou de ritmo.
Hotéis, restaurantes, postos de combustíveis, comércio e prestadores de serviços receberam um movimento diferente. Na Orla, famílias dividiram espaço com pilotos, navegadores, equipes técnicas e visitantes. Gente que acompanha rally há anos se misturou a quem foi simplesmente para ver de perto aquilo que normalmente conhece pelas telas.
Cerca de 7 mil pessoas passaram pela programação realizada na cidade, segundo o balanço divulgado após o evento. O número ajuda a dimensionar o tamanho da mobilização, mas conta apenas parte da história.
O Sertões trouxe para Porto Nacional uma estrutura que envolve aproximadamente 2,5 mil pessoas, considerando competidores, equipes, organização, imprensa e participantes das expedições. Na edição deste ano, a competição reúne representantes de diferentes regiões brasileiras e também competidores estrangeiros.
Para uma cidade do porte de Porto Nacional, receber esse contingente em um intervalo tão curto significa colocar à prova uma cadeia inteira de serviços.
É justamente aí que o Sertões deixa de ser somente esporte.
Uma cidade dentro da cidade

Quem observou apenas os veículos entrando e saindo talvez não tenha percebido a engrenagem existente por trás deles.
Cada piloto que chega traz consigo uma estrutura. Há mecânicos, apoio logístico, alimentação, hospedagem, combustível, transporte, comunicação e uma série de serviços necessários para manter a competição avançando pelo país.
Esse contingente encontra a população local e produz uma movimentação que não fica restrita ao espaço reservado às equipes.

Em Porto Nacional, esse encontro ficou evidente na presença do público. A competição conseguiu atrair famílias e transformar sua passagem pela cidade em programação de entretenimento.
A gastronomia local ganhou espaço, manifestações culturais chegaram ao público e crianças e adolescentes também participaram de atividades paralelas. O resultado foi uma programação que permitiu que o morador deixasse de ser apenas espectador de uma prova automobilística para ocupar efetivamente aquele ambiente.
Do Jalapão para Porto Nacional

A chegada também carregava um ingrediente particular.
Antes de alcançar Porto Nacional, os competidores haviam encarado o Jalapão, território que há décadas ocupa lugar especial na história do Sertões. Areia, calor e navegação exigente fizeram parte do caminho até a cidade.
Porto Nacional apareceu no roteiro justamente em um momento importante da prova: a passagem pelo município marcou a metade da edição de 2026. Depois daqui, a disputa tomou novamente o rumo de Goiás, com destino a Minaçu.
Para quem disputa o título, foi mais uma etapa na longa batalha contra o relógio.

Para quem recebeu a competição, a perspectiva é outra.
Quando o evento termina, começa outra conta
Grandes eventos costumam ser medidos pelo público. É natural. Sete mil pessoas reunidas em torno de uma programação chamam atenção.
Mas há outra conta que Porto Nacional pode começar a fazer.

Quanto uma cidade ganha em exposição quando recebe uma caravana dessa dimensão? Quanto circula na economia local? Quantas pessoas conhecem o município pela primeira vez? Quantas voltam depois?
Nem todas essas respostas aparecem imediatamente.
O que já pode ser medido é a capacidade de mobilização demonstrada durante a passagem do Sertões.
Porto Nacional recebeu milhares de visitantes e espectadores, colocou sua Orla no centro de uma programação nacional e viveu um dia em que esporte, turismo, cultura e economia caminharam juntos.

Nesta quinta-feira, os motores voltaram a roncar em outra direção.
O Sertões seguiu viagem. Porto Nacional ficou com algo que não cabe no cronômetro: a experiência de ter sido, por um dia, parte do centro de uma das maiores aventuras do automobilismo brasileiro.