PANORAMA POLÍTICO
Por Edson Rodrigues
A pesquisa CNT/MDA divulgada pela CNN Brasil mostra que, em um eventual segundo turno, Lula aparece com 48% das intenções de voto contra 39% de Flávio Bolsonaro. Os números reforçam a leitura de que a corrida presidencial segue marcada pela polarização entre o campo progressista e o bolsonarismo. Brancos e nulos somam 11%, enquanto 2% dos entrevistados se declararam indecisos.
Esse cenário confirma que, mesmo diante da possibilidade de outros nomes surgirem em cenários alternativos, a disputa central permanece entre Lula e a família Bolsonaro, traduzindo-se em um embate direto entre projetos políticos antagônicos.
METODOLOGIA
A CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas, entre os dias 5 e 9 de agosto, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
O levantamento foi contratado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-06935/2026.
O PAPEL DE KÁTIA ABREU NO TOCANTINS

No Tocantins, a coordenação da campanha de Lula está sob responsabilidade da ex-senadora e ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu, liderança com forte influência no agronegócio e reconhecida por sua capacidade de articulação política. Sua missão é ampliar a base de apoio ao petista em um estado onde o a economia é capitaneada pelo agronegócio, mas onde Lula, historicamente, é o candidato mais votado para a presidência.
Kátia buscou aproximação com lideranças locais, como o grupo de Laurez Moreira (PSD), além de fortalecer candidaturas alinhadas ao projeto de Lula, como a de Paulo Mourão (PT) ao Senado. A estratégia passa por integrar partidos aliados e movimentos sociais, criando uma frente ampla capaz de reduzir resistências e consolidar votos.
PARADOXO TOCANTINENSE

O Tocantins é marcado por uma economia fortemente vinculada ao agronegócio, setor que historicamente se aproxima de pautas defendidas pelo bolsonarismo. Nesse contexto, a presença de Kátia Abreu na coordenação da campanha de Lula é vista como uma forma de equilibrar a narrativa nacional com as demandas regionais, oferecendo ao eleitorado rural uma ponte de diálogo com o projeto petista.
Além disso, a articulação com partidos como PCdoB, PSOL e Rede busca ampliar o alcance da campanha junto à juventude e movimentos sociais, criando um contraponto à força conservadora no estado.
Conexão entre o nacional e o regional

Os resultados da pesquisa CNT/MDA mostram que Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro no cenário nacional. No entanto, para consolidar essa dianteira, é essencial traduzir os números em capilaridade regional. O trabalho de Kátia Abreu no Tocantins exemplifica essa estratégia: transformar a polarização nacional em alianças locais, neutralizando resistências e ampliando apoios estratégicos, além de trabalhos voltados para os jovens, mulheres e indígenas, qua a ex-senadora já colocou em prática, inclusive trazendo mensagens de Lula específicas para os tocantinenses. .
Assim, o Tocantins se torna um espaço simbólico da disputa: um estado onde o agronegócio e o bolsonarismo têm força, mas onde a coordenação política busca abrir caminho para que Lula converta a vantagem nacional em votos concretos.
Com informações do UOL