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A disputa pelo Senado e o desafio de convencer o eleitor

Posted On Quinta, 30 Julho 2026 10:35
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Por: Edson Rodrigues

 

 

A corrida pelas duas vagas ao Senado Federal promete ser uma das mais disputadas da história política recente do Tocantins. O eleitor tocantinense está mais exigente, acompanha o noticiário, compara trajetórias e cobra resultados concretos de quem pretende representar o Estado em Brasília.

 

Nesse cenário, a pré-candidatura do deputado federal Eli Borges desperta debates. Depois de oito anos na Câmara dos Deputados, cabe ao parlamentar convencer o eleitor de que sua atuação justifica uma promoção política para o Senado. A avaliação desse desempenho, naturalmente, ficará a cargo da população.

 

A aposta no Senado

A eleição para senador exige capilaridade política, articulação regional, presença nos maiores colégios eleitorais e uma rede consistente de prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e segmentos organizados.

 

É justamente nesse ponto que muitos analistas enxergam um dos principais desafios de sua candidatura. Até o momento, outros nomes parecem apresentar estruturas políticas mais consolidadas em diferentes regiões do Estado.

 

Eli nas redes sociais

 

Deputado Eli Borges e o presidente nacional do Republicanos Marcos Pereira

 

Nesta quarta-feira, 29, Eli Borges publicou uma nota oficial afirmando que pesquisas divulgadas e registradas na Justiça Eleitoral não refletiriam a realidade. Ao definir as pesquisas como falsas, o pré-candidato sustentou ainda que levantamentos internos colocariam sua pré-candidatura entre as primeiras colocadas.

 

A manifestação abre espaço para questionamentos. Pesquisas registradas seguem critérios técnicos, metodologia definida e exigências da legislação eleitoral. Como qualquer levantamento estatístico, podem retratar apenas um momento específico e até serem superadas pela dinâmica da campanha, mas são realizadas dentro de parâmetros previstos em lei.

 

Já as chamadas pesquisas internas fazem parte da estratégia das campanhas e, em geral, não são divulgadas com metodologia completa ao público. Por isso, não permitem o mesmo nível de verificação independente.

 

Mais do que discutir pesquisas, talvez o debate mais importante seja outro: qual foi o legado parlamentar construído ao longo de oito anos de mandato?

 

Prestação de contas

 

 

 

O mandato de deputado federal dispõe de ampla estrutura institucional para o exercício da atividade parlamentar. O parlamentar conta com gabinete, equipe de assessores, cota parlamentar para custear as atividades do mandato, auxílio-moradia ou apartamento funcional, passagens aéreas e outros instrumentos previstos pela Câmara dos Deputados para o desempenho da função.

 

Toda essa estrutura existe para que o deputado produza resultados.

 

Por isso, o eleitor tem o direito de avaliar projetos apresentados, atuação nas comissões, relatorias, articulações políticas, fiscalização do Poder Executivo e demais ações desenvolvidas durante o mandato.

 

Também é importante lembrar que a destinação de emendas parlamentares constitui uma prerrogativa constitucional dos deputados e senadores. Embora representem importante instrumento para levar investimentos aos municípios, elas são apenas uma das atribuições inerentes ao exercício do mandato parlamentar.

 

A disputa pelo Senado

 

 

 

Eli Borges é pré-candidato ao Senado pelo Republicanos, partido presidido no Tocantins pelo governador Wanderlei Barbosa.

 

O governador vive um momento de elevada aprovação popular, apontada por diferentes levantamentos de opinião. Ainda assim, a política ensina que popularidade de um governador não garante, automaticamente, a eleição de um candidato ao Senado.

 

Cada disputa possui sua própria dinâmica, suas alianças e seus desafios. O apoio de uma liderança estadual forte representa um ativo político importante, mas não substitui a construção de uma candidatura competitiva, com presença nos municípios e diálogo permanente até obter o reconhecimento espontâneo do eleitor.

 

Candidaturas avulsas ao Senado

 

 

Eli Borges e Ronaldo Dimas 

 

Nos bastidores da política tocantinense, alguns analistas já classificam as pré-candidaturas de Ronaldo Dimas e Eli Borges ao Senado como candidaturas avulsas. A avaliação é de que ambos não integram a estratégia principal da chapa majoritária governista e, por isso, enfrentam dificuldades para construir uma estrutura política capaz de sustentar uma campanha competitiva em todo o Estado.

 

Na leitura de observadores do processo sucessório, essas candidaturas podem até interferir no ambiente da disputa, mas dificilmente alterariam o eixo central da eleição para o Senado.

 

Wagner Rodrigues não apoia Ronaldo Dimas

 

 

Wagner Rodrigues e Ronaldo Dimas 

 

O ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas não deverá contar com o apoio do prefeito Wagner Rodrigues em sua candidatura ao Senado Federal. E a razão é simples: gratidão e compromisso político. Wagner Rodrigues jamais escondeu que grande parte das conquistas de sua gestão contou com o apoio decisivo dos senadores Eduardo Gomes e Irajá Silvestre, responsáveis pela articulação e destinação de importantes recursos para Araguaína.

 

Antes mesmo de surgir a candidatura de Ronaldo Dimas ao Senado, o prefeito já havia firmado publicamente seu compromisso de apoiar Eduardo Gomes, candidato à reeleição, e Irajá Silvestre, que também disputa uma das duas vagas ao Senado. Na política, palavra empenhada ainda tem valor para quem construiu sua trajetória com lealdade. Diante desse cenário, Ronaldo Dimas entra na disputa sem o respaldo da principal liderança política de seu maior reduto eleitoral.

 

Essa realidade também atinge a candidatura do deputado federal Eli Borges. Tanto Dimas quanto Eli aparecem como candidaturas avulsas, sem a estrutura de uma chapa majoritária consolidada, sem uma ampla rede de prefeitos, vereadores e lideranças estaduais que lhes dê sustentação política. Se esse quadro permanecer inalterado até o início da campanha, ambos correm o risco de registrar um desempenho eleitoral muito abaixo das expectativas, transformando a disputa ao Senado em um capítulo melancólico de suas trajetórias políticas. Na avaliação de observadores experientes da política tocantinense, uma derrota dessa dimensão poderá significar não apenas o insucesso na corrida ao Senado, mas também o enfraquecimento de seus respectivos projetos políticos para futuras eleições. Afinal, a política costuma ser generosa com quem constrói pontes, mas raramente oferece uma segunda oportunidade para quem perde suas bases de sustentação.

 

Chapa oficial

 

 

 

No campo governista, a composição considerada oficial reúne a senadora Professora Dorinha Seabra, pré-candidata ao Governo do Tocantins, o senador Eduardo Gomes, que busca a reeleição, e o deputado federal Carlos Gaguim, pré-candidato à segunda vaga ao Senado. Os três contam com o apoio público e declarado do governador Wanderlei Barbosa e da ampla maioria das lideranças que integram a base política do Palácio Araguaia.

 

É essa composição que deverá ser homologada nas convenções partidárias da Federação União Progressista (União Brasil e PP), em aliança com o PL e demais partidos que integram o grupo político.

 

O desafio das candidaturas avulsas

 

Na avaliação do Observatório Político de O Paralelo 13, Ronaldo Dimas e Eli Borges terão pela frente um desafio de construir musculatura política suficiente para enfrentar uma disputa majoritária sem integrar a chapa principal.

 

Uma eleição para o Senado exige muito mais do que boa votação localizada ou desempenho nas redes sociais. Exige presença em todas as regiões do Estado, apoio consistente de prefeitos, vereadores, deputados, lideranças comunitárias e uma estrutura capaz de sustentar uma campanha de aproximadamente dois meses.

 

Sem essa base política consolidada, o caminho torna-se naturalmente mais difícil. Ainda assim, como ensina a própria história da política, é o eleitor quem terá a palavra final nas urnas.

 

O eleitor mudou

 

O Tocantins mudou.

 

O eleitor acompanha redes sociais, pesquisas, debates e, principalmente, observa quem esteve presente nos municípios durante todo o mandato e quem aparece apenas em período eleitoral.

 

Mais do que discursos, cobra resultados.

 

Mais do que promessas, quer prestação de contas.

 

Mais do que pesquisas favoráveis, espera coerência entre a trajetória política e a capacidade de representar o Estado no Congresso Nacional.

 

A palavra final

 

 

A chapa majoritária governista precisa chegar às convenções, neste 5 de agosto, com todas as arestas aparadas, e com cinco candidaturas ao Senado homologadas esta prioridade fica fora da pauta. O sucesso da candidatura da professora Dorinha depende de união.

 

A campanha oficial ainda nem começou. As convenções partidárias definirão o quadro definitivo de candidatos, e somente a partir daí o debate eleitoral ganhará intensidade.

 

Até lá, pesquisas continuarão sendo divulgadas, estratégias serão revistas e alianças poderão mudar.

 

No entanto, uma certeza permanece. A de que nenhuma pesquisa, seja pública ou interna, substitui a decisão soberana do eleitor.

 

É nas urnas e somente nelas que se saberá quem conquistou a confiança do povo tocantinense para representar o Estado no Senado Federal.

 

 

Última modificação em Quinta, 30 Julho 2026 11:18
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