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Amélio aberto ao diálogo, Guimarães busca agregar

Posted On Segunda, 26 Janeiro 2026 13:49
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A sucessão estadual de 2026 segue aberta, cheia de arestas e, sobretudo, marcada por silêncios. Nos bastidores do Palácio Araguaia e da Assembleia Legislativa, o jogo é de paciência e quem fala demais pode perder espaço antes da largada oficial.

 

Em conversa reservada com um aliado direto do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres, o Observatório Político de O Paralelo 13 foi informado de que Amélio permanece fiel ao grupo político liderado pelo governador Wanderlei Barbosa, mantendo sua candidatura ao governo posta, mas aguardando o momento oportuno para uma conversa direta sobre a formatação da chapa majoritária governista.

 

Segundo a fonte, Amélio fala por si. Não delega recados, não terceiriza posições. É homem de grupo, sim, mas também sabe que, em política, timing é tudo. A avaliação é de que o presidente da Assembleia acredita numa construção de unidade no núcleo governista, desde que haja maturidade política e disposição para ajustes de rota.

 

Enquanto isso, no MDB, o presidente estadual da sigla, deputado federal Alexandre Guimarães, trabalha para viabilizar uma candidatura ao Senado. Até aqui, porém, a empreitada enfrenta dificuldades claras de agregação. O principal entrave atende pelo nome de Araguaína. O prefeito Wagner Rodrigues, gestor do segundo maior colégio eleitoral do estado, mantém compromisso político restrito: apoiar Guimarães apenas em uma eventual candidatura à Câmara Federal. Qualquer outro projeto não conta, até o momento, com seu respaldo.

 

 

O cenário se complica ainda mais quando se observa que Alexandre Guimarães já lançou o próprio irmão como pré-candidato a deputado federal, ao mesmo tempo em que constrói sua trajetória rumo ao Senado. A pergunta que ecoa nos bastidores é simples e direta e todos querem saber em qual chapa majoritária Guimarães pretende se acomodar para disputar uma das duas vagas ao Senado?

 

Esse emaranhado se soma a outra disputa silenciosa, mas decisiva. Trata-se do comando do PSDB no Tocantins. De um lado, a ex-prefeita de Palmas Cinthia Ribeiro, presidente do diretório estadual; do outro, o deputado federal Vicentinho Júnior. Se haverá entendimento ou ruptura, só o pós-Carnaval dirá. Até lá, as conversas seguem acontecendo longe dos holofotes, porque, no final das contas, alguém sempre precisa ceder para que o grupo sobreviva.

 

No centro desse tabuleiro está o governador Wanderlei Barbosa, que, segundo aliados, não pretende disputar uma das vagas ao Senado, mesmo tendo direito político e eleitoral para isso. A decisão de permanecer no cargo até o fim do mandato é vista no grupo como um gesto de companheirismo e estratégia para garantir força para quem buscará a reeleição na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado, além de apoiar aliados em novas disputas.

 

Esse movimento, nos bastidores, é tratado como ato de bravura política e defesa do coletivo, algo cada vez mais raro em tempos de projetos estritamente pessoais.

 

 

Não se pode esquecer, também, o papel desempenhado por Amélio Cayres em um dos momentos mais delicados do atual governo. Como presidente da Assembleia, resistiu às pressões para pautar o pedido de impeachment de Wanderlei Barbosa durante o período de afastamento do governador, segurando a Casa por 90 dias. Em Brasília, nesse mesmo intervalo, a senadora Professora Dorinha e o então vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, trabalharam intensamente para garantir o retorno de Wanderlei ao cargo, respaldado pela vontade da maioria dos eleitores tocantinenses.

 

   

 

Senadores Eduardo Gomes e Dorinha Seabra 

 

Agora, mais do que nunca, a base governista precisa de humildade e memória política. Todos tiveram seu papel. Todos foram importantes. Mas a matemática eleitoral é implacável e sem unidade, não há vitória.

 

A oposição, embora hoje fragmentada, não pode ser subestimada. A dor da sobrevivência costuma unir adversários históricos quando as convenções se aproximam. E, passada essa fase, é quase certo que surgirá um bloco oposicionista coeso para enfrentar a candidatura governista.

 

No jogo sucessório de 2026, até aqui, não há vencedores nem perdedores. O tabuleiro segue aberto, e não está descartada, inclusive, uma candidatura inesperada a governador ou governadora surgindo no apagar das luzes.

 

Por enquanto, resta aguardar.

Os próximos capítulos prometem.

 

 

Última modificação em Segunda, 26 Janeiro 2026 14:31
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