Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Os tocantinenses terão, nos próximos dias, mais duas fotografias do processo sucessório estadual. Duas novas pesquisas eleitorais estão registradas para divulgação na primeira semana de setembro e deverão mostrar como se comportou o eleitorado depois da entrada definitiva das campanhas nas ruas, do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e da intensificação das agendas dos candidatos ao Governo e ao Senado.
Os registros apresentados à Justiça Eleitoral mostram levantamentos do Instituto Sonda Serviços de Pesquisa e Publicidade Ltda. e da Brasil Consultoria e Marketing Ltda./VR Skala.
É uma nova rodada que merece atenção. Não porque pesquisa eleja governador ou senador. Não elege. Mas porque, quando realizada dentro das regras e interpretada corretamente, pesquisa oferece uma fotografia daquele momento do eleitorado. E as próximas fotografias poderão indicar se a disputa continua apertada ou se alguém começou a abrir vantagem.
INSTITUTOS

Conforme o registro apresentado à Justiça Eleitoral, a pesquisa do Instituto Sonda está registrada sob o número TO-05893/2026, em 31 de agosto. O levantamento prevê 1.000 entrevistados, com coleta entre 31 de agosto e 4 de setembro e divulgação prevista para 6 de setembro. O registro abrange as disputas para governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
Já a segunda pesquisa, da Brasil Consultoria e Marketing Ltda./VR Skala, aparece registrada sob o número TO-08826/2026, em 1º de setembro. Nesse caso, serão 1.600 entrevistados, com pesquisa de campo prevista entre 1º e 6 de setembro e divulgação em 7 de setembro. O levantamento mede as disputas para Governo e Senado. Portanto, se mantido o calendário registrado, teremos dois novos resultados nos dias 6 e 7 de setembro.
PESQUISAS
As pesquisas anteriores captaram um eleitorado em um estágio diferente da disputa. Agora o jogo eleitoral ganhou intensidade, os candidatos estão nas ruas. A propaganda eleitoral gratuita está sendo exibida, comitês abertos, prefeitos, vereadores, deputados e lideranças começam a mostrar com mais clareza de que lado estão.
As campanhas proporcionais também entram definitivamente em campo. E o eleitor, que até poucas semanas atrás podia acompanhar a sucessão estadual apenas de longe, começa a prestar mais atenção. Por isso, essas duas pesquisas poderão oferecer pistas importantes sobre os efeitos dessa nova fase.
PESQUISA É FOTOGRAFIA, NÃO PROFECIA

O Observatório Político de O Paralelo 13 sempre defendeu que pesquisa eleitoral deve ser analisada com responsabilidade. Institutos diferentes podem apresentar resultados diferentes porque possuem metodologias, amostras, períodos de campo e questionários próprios. Uma pesquisa não anula necessariamente a outra. Muito menos permite declarar antecipadamente vencedores ou derrotados.
Pesquisa é fotografia. Urna é resultado.
Até 4 de outubro, outras pesquisas nacionais e regionais certamente serão divulgadas. Haverá candidato crescendo em um levantamento e oscilando em outro. A tarefa do eleitor é não transformar cada número divulgado em resultado definitivo.
E a obrigação de quem trabalha com informação é apresentar metodologia, margem de erro, período de campo e registro eleitoral, permitindo que o cidadão saiba exatamente o que está lendo.
DORINHA E VICENTINHO: NOVA MEDIÇÃO SERÁ IMPORTANTE

A disputa pelo Governo entra em setembro com Professora Dorinha Seabra e Vicentinho Júnior ocupando as duas primeiras posições nos principais levantamentos recentes. Isso produz uma pergunta inevitável: a campanha de setembro começará a alterar esse quadro? Dorinha conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa e de uma ampla estrutura política governista. Vicentinho, por sua vez, conseguiu chegar competitivo à reta decisiva e procura ampliar sua presença nos municípios. É exatamente por isso que os levantamentos dos dias 6 e 7 serão observados com lupa pelos dois grupos.
LAUREZ E ATAÍDES CONTINUAM NO JOGO

Também seria um erro resumir toda a eleição apenas a Dorinha e Vicentinho. Laurez Moreira e Ataídes Oliveira permanecem na disputa e têm agora a propaganda eleitoral e as agendas de rua como instrumentos para ampliar conhecimento, apresentar propostas e tentar romper a polarização. Para a matemática eleitoral, o desempenho dessas candidaturas também importa. Quanto maior a distribuição dos votos válidos entre diferentes candidatos, maior tende a ser a dificuldade para que um único concorrente alcance a maioria absoluta necessária para liquidar a disputa no primeiro turno. Portanto, não basta acompanhar apenas quem está em primeiro e segundo. É preciso observar quanto conseguem crescer os demais.
VAGAS AO SENADO: A EXPECTATIVA É AINDA MAIOR

Se as novas pesquisas serão importantes para o Governo, para o Senado talvez sejam ainda mais aguardadas. Eduardo Gomes liderou os principais levantamentos recentes, mas a disputa pela segunda cadeira permanece bastante fragmentada. Alexandre Guimarães, Carlos Gaguim, Ronaldo Dimas, Vanderlei Luxemburgo, Eli Borges e Paulo Mourão aparecem, em diferentes posições e percentuais, tentando ocupar esse espaço.
O Tocantins chega às eleições de 2026 com aproximadamente 1,182 milhão de eleitores aptos a votar, crescimento de 8,07% em comparação com os registrados nas eleições gerais de 2022. O crescimento proporcional do eleitorado tocantinense foi o segundo maior entre os estados brasileiros.
São essas pessoas que darão a palavra final. Não serão os institutos, nem prefeitos, ou deputados, serão os eleitores e eleitoras do Tocantins.
Dias 6 e 7 de setembro teremos, portanto, duas novas fotografias. Elas poderão mostrar crescimento, queda, estabilidade, empate, ou alguma surpresa. O que não poderão fazer é substituir a decisão soberana das urnas. Para Dorinha e Vicentinho, serão importantes termômetros da corrida pelo Palácio Araguaia. Para Laurez e Ataídes mostrarão se houve capacidade de crescimento com a campanha efetivamente nas ruas.
Para o Senado, poderão revelar se Eduardo Gomes mantém sua dianteira e, principalmente, quem começa a ganhar musculatura na briga pela segunda vaga. Faltando pouco mais de um mês para a votação, cada nova rodada ganha peso político, mas o Observatório repete aquilo que vem afirmando desde o início: a eleição continua aberta.
As pesquisas estão na agulha, os candidatos nas ruas e o eleitor está começando a fazer suas escolhas!