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É HORA DE DISCUTIRMOS O TOCANTINS QUE QUEREMOS

Posted On Segunda, 17 Agosto 2026 05:32
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Por Edson Rodrigues

 

 

Estamos atravessando mais uma etapa de recuperação depois de uma cirurgia para a retirada de um tumor cancerígeno nos rins. Foram dias difíceis. Mais uma vez, enfrentamos um daqueles momentos em que a vida nos obriga a parar, refletir e compreender o verdadeiro valor da fé, da família e dos amigos.

 

Com as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida, com as orações, o carinho e a solidariedade de familiares, amigos e irmãos, seguimos enfrentando mais esse desafio.

 

E é justamente neste momento de recuperação que fazemos uma reflexão ainda maior sobre a vida, sobre o nosso Estado e sobre o papel que o jornalismo pode — e deve — exercer diante da sociedade.

 

O Paralelo 13, um dos veículos mais antigos de propriedade da Família O Paralelo 13, chega a mais um momento de sua trajetória com uma convicção: não podemos nos limitar a acompanhar a política. É preciso perguntar, cobrar, confrontar números, ouvir os candidatos e discutir qual Tocantins queremos construir para os próximos 20 anos.

 

Estamos diante de mais um processo eleitoral. De um lado, aqueles que já possuem mandato e pretendem continuar representando o Tocantins. De outro, aqueles que desejam conquistar uma cadeira no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa ou chegar ao comando do Governo do Estado.

 

A pergunta é simples: O que cada um deles fez, está fazendo ou pretende fazer pelo Tocantins? Não basta apresentar emendas parlamentares, inaugurações, discursos, fotografias ou números nas redes sociais. É preciso discutir resultados.

 

O Tocantins precisa saber quais deputados federais e senadores conseguiram avançar obras estruturantes, quais deputados estaduais transformaram suas prerrogativas em ações de interesse público e quais candidatos apresentam projetos capazes de enfrentar os problemas históricos do Estado.

 

É disso que precisamos falar.

 

SAÚDE NÃO PODE SER APENAS PROMESSA DE CAMPANHA

 

 

Obras do Hospital  de Gurupi

 

Na saúde, existem questões que não podem ser transformadas em promessa eleitoral a cada quatro anos.

 

O Hospital Geral de Araguaína, por exemplo, é uma das principais obras estruturantes da saúde pública tocantinense. O próprio Governo do Estado informou, em março de 2026, que a obra havia alcançado 72,88% de execução, com investimento superior a R$ 190 milhões e previsão de entrega para o segundo semestre deste ano. A unidade deverá contar com 400 leitos, incluindo 70 de UTI, além de 12 salas cirúrgicas.

 

No sul do Estado, o Hospital Geral de Gurupi também permanece como uma obra estratégica. Em julho, o Governo do Tocantins autorizou uma nova etapa do empreendimento, com investimento anunciado de R$ 103 milhões e previsão de execução de 36 meses.

 

São obras importantes. Mas o cidadão quer saber: quando estarão efetivamente funcionando, com profissionais, equipamentos, medicamentos e capacidade para atender a população? Hospital não se mede apenas pela quantidade de concreto colocado. Hospital se mede pelo paciente atendido.

 

O DINHEIRO PÚBLICO E AS PRIORIDADES

 

O orçamento estadual aprovado para 2026 prevê R$ 19,58 bilhões. Desse total, a Saúde recebeu previsão de R$ 3,3 bilhões e a Educação, R$ 2,7 bilhões.

 

Portanto, o debate não pode ser reduzido simplesmente à afirmação de que “não existe dinheiro”.

 

A questão é outra: Como o dinheiro público está sendo priorizado? Quanto está sendo efetivamente executado? E qual resultado está chegando à população? Essa é uma diferença fundamental.

O dinheiro público precisa ser acompanhado desde a previsão orçamentária até a entrega efetiva do serviço.

 

 

 

E é exatamente aí que entra o papel do Legislativo. As emendas parlamentares são instrumentos legítimos do processo orçamentário e podem financiar ações importantes nos municípios. Mas elas não podem ser confundidas com a totalidade do trabalho parlamentar.

 

Uma emenda destinada a um município não substitui a fiscalização do Executivo, a apresentação de projetos, a participação em comissões, a articulação institucional e o acompanhamento das políticas públicas.

 

EMENDAS PARA SHOWS: É PRECISO DISCUTIR PRIORIDADES

 

E aqui chegamos a um assunto que o O Paralelo 13 não pode deixar de colocar na mesa. Levantamento publicado pelo Jornal Opção Tocantins, com base em dados do Portal da Transparência da Assembleia Legislativa, identificou R$ 86,4 milhões em emendas parlamentares destinadas a eventos festivos e culturais nos municípios em 2025, dos quais R$ 85,6 milhões já haviam sido pagos no momento da consulta. O valor correspondia a aproximadamente 36% dos R$ 240 milhões reservados às emendas individuais dos 24 deputados estaduais naquele ano.

 

Não estamos dizendo que cultura, lazer, festas populares ou manifestações religiosas não sejam importantes.

 

São importantes. O questionamento é sobre qual deve ser a prioridade de um Estado que ainda enfrenta problemas históricos em saúde, educação, infraestrutura e assistência social?

 

É uma pergunta legítima. E precisa ser respondida pelos parlamentares e pelo próprio eleitor.

 

 

 

Em Santa Rosa do Tocantins, por exemplo, documentos oficiais do município registram contratações de shows para o Festival de Música Folclórica de 2026, incluindo um contrato de R$ 303 mil para um show e outro de R$ 150 mil, com despesas previstas a partir de emenda parlamentar e/ou recursos próprios do município.

 

É justamente por existirem documentos oficiais que esse debate precisa ser feito com transparência.

 

Quanto foi destinado? De onde veio o recurso? Quem recebeu?Qual foi o evento? Qual foi o cachê? Qual foi o benefício público esperado? E, principalmente: Esse era o melhor destino possível para aquele dinheiro naquele momento?

 

Não se trata de atacar artistas, produtores culturais, festas tradicionais ou manifestações religiosas.Trata-se de discutir prioridades públicas.

 

Porque, enquanto recursos públicos são utilizados em grandes contratações artísticas, o Tocantins continua discutindo filas na saúde, vagas em creches, infraestrutura, educação, qualificação profissional e oportunidades de trabalho.

 

O cidadão tem o direito de fazer essa pergunta. E o parlamentar tem o dever de respondê-la.

 

UM ESTADO QUE AINDA PRECISA DE POLÍTICAS SOCIAIS

 

 

 

Também não podemos ignorar a importância dos programas sociais federais para milhares de famílias tocantinenses.

 

O Cadastro Único é utilizado como instrumento de acesso a programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, Tarifa Social de Energia Elétrica, Gás do Povo, Minha Casa, Minha Vida e Pé-de-Meia, entre outros.

 

Os números oficiais ajudam a dimensionar essa realidade.

 

Esses números precisam ser tratados com responsabilidade. O desafio de um Estado não pode ser simplesmente ampliar ou reduzir a quantidade de famílias dependentes de programas de transferência de renda.

 

O verdadeiro desafio é criar condições para que cada vez mais famílias possam viver de emprego, renda, qualificação, empreendedorismo e oportunidades.

 

É esse Tocantins que precisamos discutir.

 

EDUCAÇÃO: QUAL TOCANTINS QUEREMOS DAQUI A 20 ANOS?

 

Na educação, a discussão também precisa ser objetiva. O orçamento estadual de 2026 prevê R$ 2,7 bilhões para a área. Mas orçamento, sozinho, não educa. É preciso discutir qualidade do ensino, infraestrutura das escolas, valorização dos profissionais, ensino técnico, universidades, pesquisa, tecnologia, inovação e preparação dos jovens para o mercado de trabalho.

 

Queremos formar uma geração apenas para concluir o ensino médio? Ou queremos preparar os jovens tocantinenses para ocupar os empregos que serão criados no próprio Estado? Precisamos discutir formação profissional, tecnologia, empreendedorismo, universidades e pesquisa. Precisamos discutir o futuro.

 

NÃO PODEMOS CONFUNDIR EMENDA COM MANDATO

 

 

 

A sociedade precisa compreender que o mandato parlamentar é muito maior do que a distribuição de emendas.

 

É preciso fiscalizar, legislar, participar das comissões, acompanhar obras, cobrar recursos e defender os interesses do Estado. É preciso estar presente em Brasília e também estar presente nos municípios.

 

E, sobretudo, é preciso prestar contas. Uma emenda parlamentar pode representar uma conquista importante para um município. Mas não pode ser apresentada como se fosse a totalidade da atuação de um parlamentar.

 

Mandato não é apenas liberar recurso. Mandato é representar a população.

 

NÃO PODEMOS SER OMISSOS

 

A Família O Paralelo 13 entende que respeitar as instituições não significa deixar de cobrar.

 

Respeitar homens e mulheres que exercem mandatos não significa abrir mão da fiscalização.

 

Respeitar o Governo não significa abandonar o papel de questionar.

 

E respeitar a oposição também não significa aceitar qualquer acusação sem prova.

 

O jornalismo precisa estar no meio desse debate, ouvindo, perguntando, conferindo e dando espaço para que os responsáveis apresentem suas respostas.

 

Não podemos ser omissos.

 

Mas também não podemos transformar o jornalismo em instrumento de acusação sem comprovação.

 

O Tocantins merece mais, merece transparência, planejamento, fiscalização, prioridades definidas.

 

O TOCANTINS DOS PRÓXIMOS 20 ANOS

 

É hora de perguntar aos candidatos ao Governo do Estado: que Tocantins vocês querem entregar daqui a quatro anos? E aos candidatos ao Senado e à Câmara Federal sobre qual será a agenda de vocês para o Tocantins em Brasília? Aos candidatos à Assembleia Legislativa: Quais serão as prioridades do mandato?

 

Às entidades empresariais, classistas, religiosas, trabalhadores, produtores rurais, educadores e profissionais liberais: que Estado vocês querem construir? Porque o Tocantins de daqui há 20 anos começa a ser construído agora.

 

Não podemos pensar apenas na próxima eleição. Precisamos pensar nas próximas gerações.

 

É por isso que, a partir desta semana, O Paralelo 13 inicia uma nova etapa de entrevistas.

 

Vamos ouvir candidatos e candidatas, representantes de entidades classistas e religiosas, empresários e trabalhadores, educadores e profissionais da saúde, produtores rurais, representantes da sociedade civil.

 

E vamos fazer a mesma pergunta a todos:

 

Que Tocantins vocês querem construir? A discussão que propomos não pertence à esquerda nem à direita. Não pertence ao governo nem à oposição. Não pertence a um candidato ou a outro.

 

Pertence ao Tocantins.

 

O eleitor não pode ser tratado apenas como alguém que aparece nas urnas a cada quatro anos. Ele precisa ser respeitado como cidadão que paga impostos, utiliza os serviços públicos, enfrenta filas, procura emprego, coloca os filhos na escola, busca atendimento médico e espera que seus representantes cumpram aquilo que prometeram.

 

É esse cidadão que precisa estar no centro do debate. E é por ele que o jornalismo precisa continuar perguntando.

Que Tocantins queremos?

 

A resposta não pode ficar para depois da eleição!

 

 

 

Última modificação em Segunda, 17 Agosto 2026 06:05
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