Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Nas eleições estaduais de 2026, cada eleitor e eleitora tocantinense terá direito a dois votos para o Senado Federal, já que estão em disputa duas vagas. Trata-se de uma eleição majoritária que exige estratégia, lealdade e, acima de tudo, engenharia política refinada.
Curiosamente, entre os nomes postos até agora, sejam candidatos à reeleição ou pré-candidatos, não há uma mulher na disputa por uma das duas cadeiras. Um dado que chama atenção e merece reflexão.
A dinâmica desta eleição impõe um desafio adicional pois cada candidato ao Senado precisa buscar o primeiro ou o segundo voto do eleitor. E, por ser uma disputa majoritária, o trabalho precisa ser coletivo, alinhado com a chapa ao Governo do Estado e com as candidaturas proporcionais de deputados estaduais e federais.
A matemática do primeiro e do segundo voto exige disciplina e lealdade. Não há espaço para campanhas isoladas ou desconectadas. A liderança da cabeça de chapa, o candidato ou candidata ao Governo, será determinante para manter a unidade, inclusive na confecção do material gráfico e no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.
* DORINHA, EDUARDO GOMES E GAGUIM*

Os nomes já colocados com maior densidade política são os do senador Eduardo Gomes e do deputado federal Carlos Gaguim, compondo a chapa majoritária encabeçada pela senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil/PP).
Eduardo Gomes, atual vice-presidente do Senado, já demonstrou capacidade de articulação e entrega. Somente neste mandato, são mais de R$ 2,3 bilhões em recursos federais captados via emendas impositivas e articulação política, contemplando os 139 municípios tocantinenses, além das gestões estaduais de Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa.
O eleitor reconhece essa capacidade de entrega. Contudo, quer saber qual será o foco e a prioridade de Eduardo Gomes para os próximos oito anos? Quais são as propostas concretas da chapa majoritária?
Dorinha, Eduardo Gomes e Gaguim precisarão falar a mesma língua. Contam com o apoio do Palácio Araguaia, sob a gestão Wanderlei Barbosa, apoio que traz bônus políticos, mas também ônus que inevitavelmente serão compartilhados.
Hoje, Eduardo Gomes lidera a corrida para uma das duas vagas, fruto do reconhecimento público por sua atuação, articulação e prestígio institucional.
CARLOS GAGUIM: TRAJETÓRIA E CAPITAL POLÍTICO

Carlos Gaguim é conhecido por ser um cumpridor de palavra e compromissos. Sua trajetória inclui mandatos como vereador de Palmas, presidente da Câmara Municipal, deputado estadual, onde presidiu a Assembleia Legislativa, governador do Estado e deputado federal.
Reconhecido como um “garimpeiro” de recursos federais, Gaguim construiu base política nos 139 municípios e mantém forte relação com o funcionalismo público, especialmente pelas conquistas obtidas quando esteve à frente do Executivo estadual.
Sua candidatura ganhou musculatura. Mas, assim como os demais, o eleitor quer clareza em quais são suas propostas? Quais projetos defenderá no Senado?
IRAJÁ SILVESTRE: O ADVERSÁRIO SILENCIOSO

O senador Irajá Silvestre, filho da ex-senadora Kátia Abreu, busca a reeleição. Nos últimos 20 dias, observou-se um aparente encolhimento de sua pré-candidatura, embora tenha reaparecido no período carnavalesco ao lado do pré-candidato ao Governo Laurez Moreira.
Irajá é considerado um adversário silencioso, mas com atuação reconhecida no Senado. Conta com o apoio de dezenas de prefeitos, vereadores e segmentos classistas. Apoia, até o momento, a reeleição do presidente Lula.
Para ter sucesso, precisará de uma chapa forte ao Governo e de candidatos competitivos à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. Sem essa estrutura, a tarefa se torna mais complexa.
ALEXANDRE GUIMARÃES E O MDB

Outra pré-candidatura é a do deputado federal Alexandre Guimarães, presidente estadual do MDB. Alexandre Guimarães vem atuando nos bastidores da política tocantinense. Jovem, simpático e com prestígio junto à família Barbalho, representa o “novo” na disputa. Mantém aliados com mandato na Assembleia Legislativa e é amigo pessoal do presidente da Casa, deputado estadual Amélio Cayres.
Seu sucesso dependerá diretamente de quem será o candidato ao Governo que apoiará e de quem será o outro nome ao Senado na composição de chapa. O número de eleitores indecisos ainda é elevado, e esse vácuo pode ser ocupado por uma candidatura bem estruturada.
O PESO DAS INDEFINIÇÕES E O FATOR JURÍDICO

O cenário demonstra fragilidade e imprevisibilidade. Até 4 de abril, muitas movimentações podem ocorrer. Conversas, ajustes e possíveis lançamentos, inclusive na região Norte, como em Araguaína, podem alterar o tabuleiro.
Se as eleições fossem hoje, Eduardo Gomes teria amplas chances de reeleição. A segunda vaga estaria em disputa direta entre Carlos Gaguim e Irajá Silvestre. Mas as investigações da Polícia Federal e processos no STJ envolvendo o governador Wanderlei Barbosa é um fator que não pode ser ignorado. Qualquer decisão negativa pode provocar um sangramento político e alterar completamente o cenário sucessório.
O Tocantins vive sob decisões liminares e sob o impacto de julgamentos do STF e do STJ. A interferência política em decisões jurídicas é tema recorrente no debate público, gerando incertezas na classe política e na população. O que é fato? O que é fake? O que pode ou não acontecer?
Até as convenções partidárias, tudo pode mudar.
CANDIDATURAS

Deputado federal Vicentinho Júnior

No momento, duas pré-candidaturas ao Governo ganham maior visibilidade política que são a do deputado federal Vicentinho Júnior, na oposição, e a do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, que se coloca como pré-candidato ao Palácio Araguaia. Esse movimento é fato político concreto e influencia diretamente a engenharia sucessória das duas vagas ao Senado. Até 4 de abril, surpresas podem alterar o tabuleiro. Também é inegável que, há mais de 20 dias, a senadora Professora Dorinha Seabra, pré-candidata ao Governo, ainda não apresentou um fato novo que impulsione positivamente sua caminhada. Liderança majoritária não se terceiriza: exige protagonismo pessoal na condução do processo. Vamos dar tempo ao tempo. Até breve.
UM GRANDE VÁCUO DE DECISÃO
O Observatório Político de O Paralelo 13 encerra esta análise afirmando que há um grande vácuo no eleitorado tocantinense. A decisão da maioria dos indecisos pode alterar completamente o resultado. O marketing político será determinante, assim como a avaliação feita pelos principais veículos de comunicação com credibilidade consolidada no jornalismo e na publicidade, formadores de opinião na sociedade.
O quadro atual é de instabilidade e o jogo segue em aberto.