Da Redação
Nesta entrevista exclusiva, o ex-secretário de Educação do Tocantins revela os motivos que o movem a buscar uma vaga na Câmara dos Deputados. Aos 48 anos, casado e pai de dois filhos, Fábio Vaz é formado em Letras, mestre em Educação e doutorando pela UFT. Com uma bagagem que mistura a vivência como vereador e prefeito de Palmeirópolis por dois mandatos com a gestão técnica que revolucionou o ensino no estado, ele elenca os avanços do seu legado e projeta o futuro.
Jornal Paralelo 13: Objetivamente, por que o senhor quer ser deputado federal?
Fábio Vaz: Eu sou um professor com origem no chão de sala. Sou concursado da educação básica do estado e, como costumo dizer, eu realmente vivo a educação. Pude demonstrar esse compromisso na prática nos quatro anos em que estive à frente da Secretaria de Educação, por escolha do governador Wanderlei Barbosa. Mas a minha trajetória não se resume a isso: também sou produtor rural, fui vereador por dois mandatos e prefeito de Palmeirópolis por duas vezes. Sinto-me preparado para a Câmara Federal porque quero proteger e expandir as conquistas que alcançamos na educação nos últimos anos, sendo a voz dos profissionais de ensino em todos os níveis — municipal, estadual, federal e da rede privada.
A educação precisa de representantes firmes, assim como os outros setores da economia têm os seus. Acumulamos grandes vitórias nacionais, como o limite constitucional de 25% de investimento, o piso salarial dos professores e o Plano Nacional de Educação. No Tocantins, o PROFE deu um salto de qualidade impressionante. Tudo isso pode ser ameaçado se não houver quem defenda com unhas e dentes os mecanismos que fazem o ensino avançar. Esse é o meu propósito bem definido. E, claro, com a minha experiência de ex-prefeito, manterei um olhar muito sensível para as outras áreas essenciais, principalmente a saúde pública, que pede um esforço conjunto de todos nós para atingir a qualidade que o povo merece, com as crianças e os idosos que foram minha prioridade na prefeitura de Palmeirópolis.
Paralelo 13: O que é o PROFE e qual a sua real importância para o Tocantins?
Fábio Vaz: O PROFE (Programa de Fortalecimento da Educação) é, sem dúvida, uma das iniciativas mais importantes já criadas para organizar e fortalecer o ensino público no nosso estado. Quando assumi a Secretaria, percebi que havia muitas ações boas acontecendo, mas elas eram isoladas. Faltava uma política estruturada, integrada e com planejamento de longo prazo, capaz de unir toda a rede num único propósito. Foi dessa necessidade de planejar o futuro que nasceu o programa.

O PROFE não é uma ação passageira; ele reúne, em oito grandes eixos, tudo o que é essencial para transformar as nossas escolas: valorização dos profissionais, formação continuada, melhoria da aprendizagem, infraestrutura, tecnologia, inclusão, esporte, cultura e o fortalecimento da parceria com os municípios. A grande diferença é que ele deixou de ser um projeto de gabinete para virar uma política de Estado. Foi debatido, aprovado pela Assembleia Legislativa e transformado em lei, o que garante a sua continuidade e segurança até 2027, independentemente de mudanças no governo. Na prática, o PROFE impacta a vida real das pessoas, levando tecnologia para a sala de aula e investindo no lado humano, com acolhimento e estrutura de verdade.
Paralelo 13: O senhor acredita que reúne as condições políticas necessárias para viabilizar essa candidatura?
Fábio Vaz: Além de professor, eu sou um homem da política e tenho construído amizades verdadeiras ao longo de mais de 20 anos de vida pública. Tenho apresentado os resultados da Educação para lideranças dos quatro cantos do estado e recebido um apoio caloroso, especialmente de quem compartilha desse compromisso com o futuro. São deputados estaduais, prefeitos, vereadores, líderes sindicais e educadores que são referência no Tocantins.
Essa é a minha base de apoio, que conta ainda com um incentivo muito especial: o do governador Wanderlei Barbosa, que me encorajou e tem caminhado ao meu lado. Estou muito bem acompanhado, marchando junto com a nossa pré-candidata, a senadora Dorinha, e toda a sua chapa. O compromisso da Dorinha com o ensino é inquestionável, e essa sintonia nos move. Tenho a real possibilidade de ser votado em todas as cidades e, por isso, estou visitando município por município, levando a ideia de um Tocantins que enxerga a educação como a base real do desenvolvimento.
Paralelo 13: A eleição para deputado federal costuma ser uma das mais acirradas, repleta de nomes tradicionais. Como superar adversários com mais estrutura?
Fábio Vaz: Sabe, quando disputei a prefeitura de Palmeirópolis pela primeira vez, eu só tinha a minha família e algumas crianças de bicicleta me acompanhando. Fomos conversando, mostrando as nossas ideias e, no final daquela campanha, tínhamos duas mil bicicletas voluntárias percorrendo as ruas com a gente. Eu acredito muito na força da mobilização que nasce de propostas sinceras e boas ideias.

É por isso que criei a Caravana Pensar Tocantins. Estou percorrendo o estado para fazer uma escuta qualificada nas comunidades, dando espaço para as pessoas se manifestarem e expressarem o que sentem. Eu não chego para fazer discursos prontos; eu sento para conversar com elas e construir caminhos juntos. Quero ser um instrumento de mudança para melhorar o dia a dia das comunidades. É com essa disposição, sem preguiça e com muita organização, que enfrento o desafio. É assim que me diferencio e conquisto a atenção das pessoas.
Paralelo 13: O Parlamento brasileiro vem ganhando muito espaço com o Orçamento Central e as emendas parlamentares. Qual a sua visão sobre o fortalecimento do Congresso?
Fábio Vaz: O presidencialismo clássico que conhecemos há 40 anos mudou completamente, isso é um fato. Mesmo tendo sido rejeitado em plebiscito no passado, um modelo com traços de parlamentarismo começa a se desenhar com a força do Legislativo. E eu não vejo isso como algo negativo. Num país continental e diverso como o nosso, o Parlamento é quem melhor representa a voz do povo.
Eu já fui vereador e já fui prefeito. Estive dos dois lados da mesa e sei bem que o Legislativo pode e deve participar mais das decisões de governo, sempre preservando a autonomia entre os poderes. A questão das emendas está passando por ajustes importantes para ganhar mais transparência, o que é excelente. Os interesses legítimos da sociedade vão se acomodando à medida que os setores estejam bem representados. É exatamente por isso que defendo uma bancada da educação forte e expressiva em Brasília. O Executivo se impõe pela credibilidade e seriedade, mas o Legislativo precisa ser o guardião dos direitos da população.
Paralelo 13: E no Tocantins, como o senhor avalia a sua relação com a Assembleia Legislativa no período em que foi secretário? Como lidou com as pressões e insatisfações?
Fábio Vaz: Eu só tenho a agradecer aos nossos deputados estaduais. A Assembleia Legislativa nunca faltou com a educação toda vez que enviamos uma proposta da Secretaria. Os parlamentares deram contribuições riquíssimas para os projetos. É preciso destacar, por exemplo, a aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da educação, que era um sonho aguardado há quase dez anos pelos nossos servidores e que foi um marco histórico construído com muito diálogo.
A própria aprovação do PROFE passou por intensos debates, o que é natural e saudável numa democracia de verdade. Os deputados demonstraram um respeito imenso pelo ensino e entenderam que planejar a educação é proteger o futuro do Tocantins.
Paralelo 13: Olhando para trás, o que o senhor destaca de mais relevante no legado que deixou na Secretaria de Educação?
Fábio Vaz: Primeiro, sem dúvida, a valorização humana com a aprovação do PCCR, reconhecendo quem faz a escola acontecer todos os dias. Também realizamos um dos maiores concursos públicos da história do Tocantins, abrindo mais de cinco mil vagas para a rede. Na infraestrutura, fizemos mais de 300 intervenções, entre reformas, ampliações e prédios novos. O governador Wanderlei Barbosa é, com certeza, o gestor que mais investiu na estrutura da educação tocantinense nos últimos 20 anos.

Há também uma ação que simboliza muito o nosso cuidado com o bem-estar das pessoas: a climatização das escolas. Até o fim deste ano, 100% das unidades estaduais estarão equipadas com ar-condicionado. Demos um salto tecnológico com o PROFE Digital, entregando mais de 14 mil notebooks para os professores e servidores, além de chromebooks para os estudantes e kits de robótica para as escolas. Graças a esse esforço em conectividade, o Tocantins alcançou o segundo lugar no Brasil em internet de qualidade nas escolas, com mais de 87% da rede conectada, rumo à meta de universalização. Por fim, destaco a nossa parceria com os municípios na "educação de território", que garantiu ao Tocantins o histórico Selo Ouro em Alfabetização, provando que as nossas crianças estão aprendendo a ler e escrever na idade certa.