OLHO NO OLHO
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O Observatório Político de O Paralelo13 vem acompanhando atentamente os bastidores da sucessão estadual de 2026 e pode afirmar com tranquilidade que uma parcela significativa dos eleitores e eleitoras tocantinenses cansou do excesso de discursos vazios, promessas antecipadas e do velho “blá, blá, blá” político que diariamente invade os grupos de WhatsApp e as redes sociais.
Empresários, jovens, lideranças comunitárias e até integrantes de grupos políticos admitem reservadamente que a antecipação da sucessão estadual acabou produzindo um desgaste precoce no ambiente político tocantinense. A avaliação predominante é que o processo eleitoral começou cedo demais, principalmente após o rompimento político e os desentendimentos públicos entre o governador Wanderlei Barbosa e o vice-governador Laurez Moreira, fato que acabou acelerando o debate sucessório quase dois anos antes das eleições.
Nos bastidores, muitos avaliam que a população começou a ser exposta antecipadamente a um clima permanente de disputa política, trocas de acusações, movimentos de bastidores, especulações e campanhas veladas, criando um cenário de saturação junto ao eleitorado. Há uma percepção crescente de que parte significativa dos eleitores tocantinenses demonstra cansaço diante do excesso de narrativas políticas, vídeos, declarações e movimentações eleitorais ainda longe do período oficial da campanha.
A leitura de observadores políticos é que o desgaste não atinge apenas uma candidatura isoladamente, mas todo o ambiente sucessório. O excesso de antecipação acabou produzindo um processo de fadiga política, principalmente entre os eleitores mais jovens, empresários e setores produtivos, que começam a cobrar propostas concretas, debates objetivos e menos confrontos pessoais entre grupos políticos.
Há um excesso de exposição, muito discurso, muita narrativa, inúmeros vídeos, incontáveis postagens e, ao final, pouca ou nenhuma objetividade. O eleitor começa a dar sinais claros de que deseja menos marketing político e mais demonstrações concretas de capacidade administrativa, equilíbrio e preparo emocional para governar o Tocantins.
O LIMITE CHEGOU
Uma coisa é fato: as pré-candidaturas ao Governo chegaram ao limite da fase da propaganda antecipada. Daqui para frente, o jogo muda completamente. Agora será momento de arrumar a casa, engraxar os nervos, evitar erros, preservar alianças e controlar vaidades.
E principalmente garantir combustível político e financeiro suficiente para atravessar o período mais pesado da pré-campanha até as convenções partidárias. A partir dos próximos dias, o ambiente político tende a mudar radicalmente.
O governo e seus aliados devem começar a sair da toca. O Palácio Araguaia, até agora, ainda não entrou efetivamente no jogo sucessório com toda sua força institucional e política. Mas aliados próximos do núcleo palaciano admitem que a tendência é de fortalecimento interno da base governista, reorganização da estrutura política e acomodação de diversos aliados dentro do governo.
O VELHO MANUAL DA POLÍTICA VOLTA À MESA
Nos bastidores, antigos ensinamentos da política tradicional voltam a circular entre lideranças governistas. O saudoso Pedro Ludovico já dizia: “Aos adversários, o rigor da lei. Aos companheiros, os favores da lei.” Já o ex-governador baiano Antônio Carlos Magalhães, considerado um dos maiores estrategistas políticos do país, costumava afirmar: “À oposição pode faltar tudo, inclusive luz. Aos companheiros, não pode faltar nada.” E é justamente esse tipo de lógica política que começa a reaparecer nos bastidores do Tocantins.
O MOMENTO É DE ESCOLHA
O ambiente político vai ficando cada vez mais claro. Quem decidiu fazer oposição ao Palácio Araguaia precisa compreender que essa escolha terá consequências políticas e administrativas. É absolutamente democrático apoiar candidaturas de oposição. Faz parte do processo político. Porém, também considera incoerente permanecer ocupando cargos estratégicos de chefia, direção ou confiança dentro da estrutura governamental enquanto atua politicamente contra o próprio grupo que concedeu o espaço.
O mais correto, ético e coerente seria a entrega espontânea do cargo. E isso vale inclusive para os padrinhos políticos dos indicados.
Por outro lado, o Observatório Político alerta que os servidores mais humildes, especialmente aqueles que recebem entre um e cinco salários mínimos, não merecem ser vítimas de perseguições políticas ou caça às bruxas.
OPOSIÇÕES PRECISAM MUDAR A CHAVE
A partir de junho, as oposições precisarão reorganizar completamente suas estratégias. Será necessário construir discursos mais agregadores, apresentar propostas concretas e trazer bandeiras que dialoguem com os problemas reais da população.
A fase do ataque pelo ataque começa a dar sinais de desgaste. O eleitor quer solução, equilíbrio, preparo e serenidade.
As oposições também precisarão se preparar para enfrentar o chamado “rolo compressor governista”, que tradicionalmente ganha força nos meses que antecedem as convenções. Vale lembrar que o calendário eleitoral começa a impor limitações importantes.
No dia 4 de julho encerram-se diversos prazos relacionados a contratações temporárias, nomeações em cargos comissionados e transferências voluntárias de recursos entre Estado e municípios fora das previsões constitucionais. A partir daí o ambiente político começará a entrar numa nova etapa.
QUALQUER ERRO PODE SER FATAL
Daqui para frente, qualquer escândalo, denúncia ou erro estratégico envolvendo pré-candidaturas majoritárias poderá produzir danos irreversíveis. O ambiente eleitoral está extremamente sensível.
Uma fala errada, uma denúncia, uma gravação ou uma operação policial podem ganhar proporções gigantescas nas redes sociais. Dependendo da gravidade, isso poderá representar uma crise irreversível para qualquer candidatura.
COMPRA DE VEREADORES NÃO GARANTE ENTREGA DE VOTOS
O Observatório Político de O Paralelo13 faz questão de refrescar a memória política do Tocantins. Em eleições passadas, um empresário bem-sucedido decidiu disputar o Senado acreditando que poderia terceirizar sua campanha através de acordos políticos com vereadores e lideranças municipais.
A lógica era simples: cada vereador teria um “valor político” calculado conforme o tamanho do eleitorado de sua cidade. O investimento foi feito. Os compromissos financeiros foram cumpridos. Mas os votos prometidos não chegaram.
Na época, o segundo colocado ao Senado obteve pouco mais de 214 mil votos. Segundo aliados do projeto derrotado, caso não houvesse traições políticas, a candidatura poderia ter ultrapassado os 330 mil votos.
A HISTÓRIA PODE ESTAR SE REPETINDO

Hoje, segundo relatos recebidos pelo Observatório Político, existem ao menos dois pré-candidatos ao Senado considerados extremamente endinheirados apostando novamente na estratégia de concentração de apoios via vereadores.
O risco é gigantesco. Primeiro porque vereador não transfere voto automaticamente. Segundo porque compra de voto é crime eleitoral. E terceiro porque o Ministério Público Eleitoral e a Justiça Eleitoral acompanham cada vez mais de perto movimentações suspeitas.
Há candidaturas que poderão enfrentar problemas graves antes mesmo da diplomação. O velho ditado popular continua atual: “O costume de colocar no cachimbo entorta a boca.”
EDUARDO SIQUEIRA FORTALECE DORINHA E TRANSFORMA PALMAS EM PEÇA-CHAVE DA SUCESSÃO
A articulação política em torno da pré-candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra ao Governo do Tocantins ganhou nesta semana um movimento considerado estratégico nos bastidores políticos.
Sob o comando político do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, o Podemos vem consolidando espaço dentro do grupo que sustenta a pré-candidatura de Dorinha ao Palácio Araguaia.
A manifestação conjunta da presidente nacional do partido, Renata Abreu, do deputado federal Tiago Dimas e do próprio Eduardo Siqueira foi interpretada como um gesto claro de fortalecimento político da candidatura governista.
Nos bastidores, a avaliação é de que Eduardo Siqueira passa a ocupar posição ainda mais relevante dentro do processo sucessório estadual. Além de presidir o Podemos no Tocantins, Eduardo administra atualmente Palmas, maior colégio eleitoral do Estado, responsável por aproximadamente 18% de todo o eleitorado tocantinense.
Aliados entendem que o prefeito da Capital concentra hoje uma importante força política, administrativa e eleitoral, capaz de influenciar diretamente os rumos da disputa majoritária.
A leitura dentro do grupo governista é de que Palmas poderá ser decisiva tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno das eleições de 2026.
Além do peso eleitoral, Eduardo Siqueira também mantém forte capacidade de articulação política junto a vereadores, lideranças comunitárias, setores empresariais e segmentos organizados da sociedade palmense.
Outro ponto observado por aliados é que Eduardo vem conseguindo manter protagonismo político sem entrar diretamente em confrontos públicos, preservando diálogo com diferentes correntes políticas e ampliando sua influência dentro do tabuleiro sucessório.
A aproximação entre o Podemos nacional, Eduardo Siqueira e a pré-candidatura de Dorinha passa a ser vista como um dos movimentos políticos mais importantes desta etapa inicial da sucessão estadual.
O TABULEIRO COMEÇA A ESQUENTAR
O Tocantins entra agora numa fase decisiva da pré-campanha, em que as agendas serão intensificadas, as visitas ao interior tendem a aumentar e as articulações silenciosas ganharão velocidade.
Os próximos dias prometem fortes emoções nos bastidores políticos. As novidades poderão surgir a qualquer momento dentro do tabuleiro sucessório de 2026.
O tabuleiro segue aberto. E os próximos movimentos poderão provocar efeitos colaterais capazes de alterar completamente o rumo das eleições estaduais.
Estamos de olho…