‘A gente realmente quer ser um país sério?’, desabafa pesquisador sobre reajuste de 0,37% para professores

Posted On Sexta, 09 Janeiro 2026 07:23
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O novo valor aumenta em R$ 18,01 o piso salarial; especialista chamou a quantia de simbólica

 

 

Com Do R7

 

 

Qual é o valor que deve ser aplicado para garantir um ensino de qualidade à população? Na opinião de Rafael Parente, P.h.D em educação e pesquisador do núcleo de excelência em tecnologias sociais da UFA (Universidade Federal de Alagoas), “valorizar o professor é o investimento com maior retorno que existe”. A declaração foi feita no Conexão Record News desta quinta (8) em resposta ao reajuste do piso salarial dos professores, que não passou de um “valor simbólico” segundo o entrevistado.

 

A nova quantia de 2026 será uma das mais baixas já registradas. Com um aumento de 0,37%, a remuneração passará a ser R$ 4.885,78, um acréscimo de R$ 18,01 ao número anterior. “Não dá para comprar nem um lanche com isso. Não é um reajuste, é uma perda salarial”, desabafa Parente. A Frente Parlamentar Mista de Educação também questionou o reajuste por ele ser incapaz de recompor as perdas inflacionárias. O grupo pediu uma ação do ministério da educação. Mas o principal motivo por trás da revolta não é o salário, mas sim as consequências que ele traz para a educação.

 

“Cada vez menos gente quer ser professor. A realidade é essa [...] Quando a gente diz para os professores que eles valem menos a cada ano, a gente está dizendo também aos jovens mais talentosos do nosso país, olha, não venham para cá. Não venham para a educação, escolham outra profissão”, explica Parente, que questiona as atitudes do governo: “Acho que a pergunta principal que precisamos fazer é se a gente realmente quer ser um país sério. Porque não existe no mundo um país avançado que não tenha priorizado a educação.”

 

Este é o ponto essencial para o pesquisador. Ele elaborou que caso não haja profissionais motivados, com acesso à infraestrutura e ferramentas adequadas para fazerem um bom trabalho, então não haverá um ensino de excelência para os jovens. Uma vez que isso acontece, há perdas no presente e no futuro do país, devido à desmotivação para entrar na carreira. O P.h.D lembra que embora escolas de rede privada não sejam afetadas pela medida, devido ao fato que os estabelecimentos possuírem uma maior liberdade financeira e administrativa, o mesmo não ocorre com a rede pública.

“As escolas particulares, as melhores de cada região, têm mensalidades mais altas. Por quê? Porque sabemos que educação de excelência custa caro”, como apontou o entrevistado, que também lembrou sobre os resultados de pesquisas comparativas dos salários de professores de cada país. Ele chamou de vergonhosa a frequência com a qual o Brasil costuma aparecer nos últimos colocados do ranking, com exceção do ensino superior.

 

Parente chamou a situação atual do ensino básico de crítica e abordou o fato de nações vizinhas como Chile e Uruguai terem investimentos maiores que o do Brasil, apesar das diferenças econômicas: “Somos uma das dez maiores potências do mundo. Temos profissões e profissionais com bons salários, inclusive no setor público. [...] Como pode que há profissionais que ganham mais de R$ 500 mil, mas não dá para pagar um salário minimamente digno para os nossos professores?”. O especialista conclui que para haver mudanças nesta desigualdade, é necessário eleger representantes e políticos que estejam empenhados em melhorar o cenário atual. “Não teve até hoje um grupo político que de fato conseguisse se mobilizar”.

 

 

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