Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do banqueiro
POR ADRIANA FERNANDES E BRUNO BOGHOSSIAN
As investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master chegaram a elementos que apontam para o envolvimento de políticos com foro especial. Apurações sobre essas autoridades terão de correr no STF (Supremo Tribunal Federal).
Provas coletadas pela PF na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contêm referências a lideranças partidárias e altas autoridades, segundo relatos feitos à Folha, sob anonimato, por investigadores do caso. Eles afirmam que foram feitos “vários achados” com menções a essas figuras.
Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do banqueiro.
As referências aos políticos, na avaliação de investigadores, não têm relação direta com o inquérito sobre a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda para o BRB (Banco de Brasília).
Essas fraudes sustentaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação da PF, em 18 de novembro do ano passado, mesmo dia em que o Master foi liquidado.
Vorcaro ganhou notoriedade em Brasília por ter construído uma rede de aliados políticos e por organizar encontros em uma mansão na capital.
As conhecidas relações do banqueiro provocam tensão entre autoridades desde que o dono do Master foi alvo da PF. Alguns políticos temem que sejam desvendadas suas relações pessoais e financeiras com Vorcaro.
As conexões do banqueiro são consideradas tão amplas que provocaram a leitura de que uma investigação profunda seria comparável à operação Lava Jato, que provocou abalos em diversos partidos e levou a uma série de tentativas de abafar as apurações.
A verificação desses indícios será agora aprofundada pelos investigadores para determinar se houve participação de autoridades no esquema de fraudes de Vorcaro. Eles se somarão aos dados já coletados na segunda fase da operação, que teve como alvo o uso de fundos de investimentos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários).
A segunda fase da Compliance Zero, realizada em janeiro, ocorreu já por ordem do ministro do STF, Dias Toffoli, que assumiu o caso após provocação da defesa de Vorcaro, que alegou ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que tem foro especial.
A referência a Bacelar, no entanto, não é o alvo das apurações da PF neste novo momento. O material encontrado na operação cita outros políticos, incluindo nomes do Congresso.
Em depoimento à PF no fim de dezembro, Vorcaro minimizou suas conexões com autoridades. “Se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo”, disse.
Segundo investigadores, as apurações envolvendo políticos poderão ser desmembradas do caso original. Mesmo que o inquérito sobre o negócio BRB-Master seja remetido à Justiça de primeiro grau, a investigação envolvendo políticos continuaria sob supervisão do STF.
Nas últimas semanas, uma articulação foi iniciada por ministros do Supremo para que o caso seja remetido à Justiça de primeiro grau. O objetivo era reduzir a pressão sobre o tribunal, principalmente depois de revelações sobre conexões de integrantes do tribunal com negócios do Master.
O movimento passou a ser descrito como uma saída honrosa para o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no Supremo, que tem sua conduta questionada por manter um alto grau de sigilo sobre o caso e pela sociedade que dois de seus irmãos mantiveram com um fundo controlado pelo cunhado de Vorcaro no resort Tayayá, no Paraná.
Com o desgaste do STF e a pressão da opinião pública, o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo, chegou a afirmar ao G1 que havia “uma tendência, pelo que se verifica até agora” de que o caso saísse do tribunal.
A menção aos políticos encontrada na investigação, no entanto, deve levar a um ajuste de rota, com parte das investigações enviadas à instância inferior e uma nova frente aberta no STF.
A investigação que pode ser enviada ao primeiro grau, que envolve a fabricação de carteiras pelo Master, está avançada e deve ser concluída rapidamente, segundo agentes envolvidos no caso. A PF deve produzir um relatório final e apontar os indícios de crime que teriam sido praticados pelos principais suspeitos.
A preocupação de pessoas envolvidas no caso, ouvidas pela Folha, é com o risco de as investigações contra políticos não avançarem no STF por pressões sobre a corte.
Vorcaro afirmou à PF que modelo de negócios do Master era baseado no FGC e citou conversa com Ibaneis Rocha sobre BRB
Com R 7
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli retirou, nesta quinta-feira (29), o sigilo do depoimento prestado à Polícia Federal pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A oitiva ocorreu em 30 de dezembro de 2025.
Naquele dia, a Polícia Federal também ouviu o ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Toffoli também tirou o sigilo dos depoimentos dos dois.
Na ocasião, todos foram interrogados sobre a negociação que quase terminou na venda do Banco Master ao BRB — negócio barrado pelo Banco Central.
Depois de coletar os depoimentos de cada um, a PF realizou uma acareação entre Vorcaro e Costa para confrontar informações divergentes prestadas pelos dois.
O que disse Vorcaro no depoimento?
No depoimento, Vorcaro detalhou a situação financeira do Banco Master, operações específicas envolvendo carteiras de crédito, tratativas com o BRB (Banco Regional de Brasília), além de comentar sua relação com autoridades e as circunstâncias que antecederam sua prisão.
Na ocasião, Vorcaro admitiu que o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez, embora tenha sustentado que a instituição permanecia solvente. Segundo ele, o banco tinha mais ativos do que passivos e honrou seus compromissos até a intervenção decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
O empresário afirmou ainda que o modelo de negócios do Banco Master era integralmente baseado no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). De acordo com seu relato, desde 2018 a estratégia de crescimento da instituição dependia da captação de recursos garantidos pelo fundo.
Vorcaro disse que mudanças regulatórias nas regras do FGC e a pressão reputacional reduziram as fontes de captação, agravando os problemas de liquidez.
Negociação com o BRB e conversa com governador do DF
No depoimento, o empresário também declarou que conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a negociação de venda do Banco Master ao BRB. O negócio, no entanto, acabou vetado pelo Banco Central, que apontou irregularidades na transação.
Investigação da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) sobre a gestão do Banco Master detectou indícios de que a instituição comandada por Vorcaro vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB (Banco Regional de Brasília) e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio.
À PF, Vorcaro comentou que houve uma operação de compra de carteiras de crédito consignado da empresa Tirreno, no final de 2024, como parte de uma estratégia para expandir o portfólio visando a futura fusão com o BRB.
Ele reconheceu que deu aval à operação, mas alegou que não acompanhava os detalhes técnicos de originação dos créditos. Também admitiu que o Banco Master cedeu carteiras ao BRB antes de receber toda a documentação da Tirreno, classificando o procedimento como prática de mercado, com resguardo contratual.
Em sua defesa, Vorcaro afirmou que a operação não foi financeiramente consumada, pois os recursos teriam ficado retidos em uma conta transitória dentro do próprio Banco Master e não foram liberados à Tirreno. Segundo ele, as carteiras foram posteriormente recompradas ou substituídas, sem prejuízo ao BRB.
Plano prevê veículos blindados, sistemas antidrones e aumento do efetivo para proteger candidatos à Presidência
Por Augusto Fernandes
A Polícia Federal solicitou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a ampliação de seu orçamento em aproximadamente R$ 198 milhões para viabilizar a segurança dos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano.
Segundo apurou o R7, no pedido feito ao ministro Wellington Lima e Silva, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, alertou para um cenário político marcado por forte polarização interna, instabilidades no contexto internacional e restrições orçamentárias que limitam a atuação do órgão.
A corporação avalia que o ambiente político atual exige um aparato de proteção mais robusto do que o adotado em pleitos anteriores. Segundo a PF, a integridade física dos presidenciáveis precisa ser reforçada devido à elevada polarização política e a questionamentos sobre a legitimidade das instituições.
De acordo com fontes que participam das discussões, Rodrigues afirmou a Lima e Silva que, sem proteção adequada, os candidatos podem ter sua capacidade de circulação pelo país e de divulgação de propostas seriamente comprometida, o que configuraria uma ameaça à democracia brasileira.
Além do ambiente político, a PF aponta mudanças no próprio formato das campanhas como fator de pressão sobre os custos. O aumento do fundo eleitoral, segundo a análise do órgão, tende a ampliar a mobilidade dos candidatos, com agendas mais intensas e deslocamentos frequentes por diferentes regiões do país. Esse cenário demanda maior presença policial, planejamento antecipado e logística ampliada, elevando despesas com pessoal, transporte e equipamentos.
A Polícia Federal destaca a necessidade de mitigar riscos associados a novas tecnologias, como o uso de drones para ações hostis, além de ameaças eletrônicas e explosivas. Para isso, o plano prevê investimentos específicos em sistemas antidrones, equipamentos de varredura eletrônica e materiais antibomba.
Como o dinheiro seria usado
O R7 apurou que, do total solicitado pela PF (pouco mais de R$ 198,1 milhões), a maior parte dos recursos seria destinada à aquisição de veículos. O planejamento prevê a compra de 128 viaturas blindadas do tipo SUV, ao custo estimado de R$ 57,5 milhões, e de 128 veículos descaracterizados, avaliados em cerca de R$ 35 milhões.
Também estão previstos gastos com diárias (R$ 26 milhões) e passagens aéreas (R$ 22 milhões), reflexo do aumento dos deslocamentos durante a campanha.
A PF também usaria o dinheiro para comprar novos equipamentos para neutralização de drones, além de kits de varredura eletrônica e equipamentos antibomba.
O orçamento contempla ainda a compra de coletes à prova de balas, rádios com kits específicos para autoridades, além de itens de vestuário e acessórios operacionais. Também há previsão de estruturação de salas reservadas em aeroportos, visando garantir segurança e discrição no trânsito dos candidatos.
A Polícia Federal sustenta que não dispõe atualmente de recursos para absorver esses custos, alegando que o orçamento ordinário da corporação para 2026 sofreu uma redução de aproximadamente R$ 100 milhões em relação a 2025.
Pedido encaminhado à ministra Simone Tebet
O ministro Wellington Lima e Silva encaminhou o pedido da PF à ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, solicitando prioridade e urgência para a demanda.
Conforme apurou o R7, o ministro também frisou que a combinação entre polarização política elevada, maior mobilidade das campanhas e restrições orçamentárias cria um cenário de risco institucional e operacional.
Segundo ministro, presidente avisou que decisão seria "técnica"; titular da Fazenda diz que BC herdou a maior fraude bancária da história
Com SBT News
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quinta-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, quando ainda não havia "indício de crime". Conforme mostrou o colunista Cézar Feitoza, do SBT News, Vorcaro e o pai dele, Henrique, visitaram o Palácio do Planalto pelo menos quatro vezes entre 2023 e 2024. Os registros das entradas não mostram quem foi o anfitrião das visitas.
A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central (BC) no fim de 2025 e é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de fraudes financeiras bilionárias.
"Tinha muito rumor de que as coisas não estavam andando bem. Era um disse-me-disse. O rumor existia desde 2024. Tinha problema, mas você não tinha indício de crime, de fraude. Parecia um negócio mal feito, que não ia dar certo. Agora, quando começa no início de 2025, já há elementos concretos", disse Haddad em entrevista ao Metrópoles.
"O Galípolo estava muito preocupado, abrindo procedimentos internos para mergulhar na fiscalização. E aí houve um envolvimento quase que ato contínuo do Ministério Público", acrescentou o ministro.
O Planalto não diz com quem foram os encontros, mas afirma que Vorcaro não esteve nessas ocasiões com Lula e ministros palacianos.
Sem contar essas quatro vezes reveladas pelo SBT News, Vorcaro se encontrou com Lula em dezembro de 2024, em uma reunião que não constou na agenda do presidente.
Haddad também saiu em defesa do trabalho de Galípolo desde a posse dele na presidência do BC, comentou não saber que Lula receberia o banqueiro e revelou o que o presidente disse ao dono do Master na reunião.
"Tomou posse o Galípolo, viu que estava diante de um problema grave, abriu os procedimentos internos para apurar, constatou a fraude bilionária, tomou todas as medidas necessárias, interna e externamente, para uma decisão robusta, uma decisão sustentável perante qualquer tribunal. Esse é o certo. Com a orientação do presidente da República, que nos disse sempre: 'Façam o trabalho de vocês'", explicou o ministro da Fazenda.
"O que, aliás, foi o que ele [Lula] disse na reunião com o Vorcaro, segundo todas as testemunhas. 'Olha, a decisão sobre você é do Banco Central, técnica. Uma decisão técnica vai ser tomada. Se bem, bem, se mal, mal'. E é a orientação que eu recebo", falou Haddad.
O ministro da Fazenda voltou a dizer que presidente do BC indicado por Lula herdou "abacaxi" da gestão passada, de Roberto Campos Neto, nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também sugeriu que o chefe da autoridade monetária sabia do tamanho do problema quando assumiu cargo.
"Quando o Gabriel Galípolo assume a presidência do Banco Central, ele já tem plena consciência do tamanho do abacaxi que ele herdou de seu antecessor. Ele tem total clareza de que ali é a maior fraude bancária possivelmente da história do Brasil. Então instauraram-se os processos necessários para dar solidez às decisões que o BC precisava tomar", disse.
"Por orientação minha, do Galípolo e do próprio presidente da República, vamos levar até às últimas consequências o que aconteceu", completou.
Microempreendedores Individuais (MEIs) excluídos do Simples Nacional têm prazo até 30 de janeiro para regularizar pendências e solicitar o retorno ao regime simplificado
Site Contabeis
Acaba nesta semana o prazo para que os microempreendedores individuais (MEIs) que foram excluídos do Simples Nacional e, consequentemente, desenquadrados do Simei, possam regularizar suas pendências e solicitar o retorno ao regime simplificado.
A atenção ao prazo, no entanto, cabe tanto para os MEIs quanto para outros empreendedores que querem optar pelo Simples, já que o prazo final para os pedidos de reenquadramento e novas adesões ao regime por outros empreendedores acaba nesta sexta-feira, dia 30 de janeiro.
Para o MEI, o pedido de reenquadramento é necessário para que o empreendedor possa voltar a atuar formalmente como microempreendedor no ano-calendário vigente.
Após essa data, o microempreendedor será desenquadrado, aumentando a carga tributária e a burocracia, com retorno possível apenas em 2027.
Como verificar a situação do seu MEI
O primeiro passo é conferir a situação do CNPJ no Portal do Simples Nacional. Caso conste como “não optante pelo Simples Nacional” e “não enquadrado no Simei”, é fundamental identificar os motivos da exclusão. Em geral, o desenquadramento ocorre por débitos tributários ou outras pendências junto à Receita Federal, aos estados ou aos municípios.
Situação Fiscal
Após a identificação das pendências, o microempreendedor deve regularizar sua situação fiscal, o que pode incluir o pagamento à vista ou o parcelamento de débitos. A verificação e a regularização devem ser feitas no e-CAC da Receita Federal, com acesso por meio da conta Gov.br. Somente após a regularização completa é possível avançar para a etapa seguinte.
Reenquadramento do MEI
Concluída a regularização, o empreendedor deve solicitar a opção pelo Simples Nacional no portal oficial do regime. Uma vez deferida essa opção, é necessário realizar, em seguida, o pedido de reenquadramento no Simei. As solicitações são analisadas de forma sequencial, e o enquadramento como MEI depende, obrigatoriamente, da aprovação prévia no Simples Nacional.
Faça acompanhamento diário
O Ministério do Empreendedorismo reforça que o acompanhamento do pedido deve ser feito diariamente nos sistemas oficiais, já que eventuais pendências identificadas durante a análise precisam ser resolvidas dentro do prazo legal.
A pasta reforça que caso o pedido não seja feito até 30 de janeiro, o retorno ao Simples Nacional e ao Simei somente poderá ser solicitado no próximo ano.
*a matéria foi corrigida no dia 27/01 às 16h20 com alteração na da data final de entrega, que será dia 30 de janeiro (sexta, último dia útil) e não sábado dia 31