Monitoramento digital realizado pela Palver aponta que repercussão negativa para o presidente da República é maior na citação ao ex-chefe de gabinete
Por Nathalia Fruet
O envolvimento de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a empresária e lobista Roberta Luchsinger — investigada por suposta participação no escândalo do INSS — gerou uma forte resposta negativa em redes sociais e grupos de mensagens.
É o que mostram dados da Palver, empresa de tecnologia que faz monitoramento digital. De acordo com o levantamento, 87% de mensagens sobre o escândalo são desfavoráveis a Marcola e ao presidente Lula em plataformas como Instagram e X (antigo Twitter). Em grupos de conversa do Telegram e WhatsApp, esse percentual é ainda maior: 94% de comentários desfavoráveis.
O pico de menções ao caso envolvendo o ex-chefe de gabinete ocorreu no último dia 4 de agosto, quando houve a confirmação de que Marcola recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger. Na ocasião, também veio à tona a informação de que Marcola quitou o empréstimo em questão no início deste ano.
Em números absolutos, foram 833 menções a cada 100 mil postagens nas redes sociais e 373 comentários a cada 100 mil postagens nos grupos de mensagens.
De acordo com o levantamento da Palver, Lula e o governo ficam mais vulneráveis na citação a Marcola do que nas investigações contra o filho mais velho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é alvo de investigações da Polícia Federal também por conta do suposto envolvimento no caso do INSS.
Segundo a Palver, no caso dos inquéritos abertos contra o filho do presidente, a maioria defendeu Lula e predominou a narrativa de que Lulinha se tornou alvo por perseguição política.
O mesmo não ocorreu, entretanto, quando houve a confirmação de que Marcola pediu dinheiro para Roberta Luchsinger, lobista que é próxima do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Mais do que isso, uma das narrativas que prevaleceu neste caso foi a de que haveria "dinheiro do INSS no gabinete de Lula", acusação que, até o momento, não tem respaldo sequer em investigações preliminares.
Na avaliação do CEO da Palver, Felipe Bailez, o fato de o filho de Lula já ter sido investigado, no passado, e nunca condenado pelas acusações pode ter contribuído para que o assunto agora não tenha ampla adesão negativa.
“Acho que o Lulinha tá vacinado desse tipo de ataque, justamente, por causa de um monte de informação falsa que circula a respeito dele há muito tempo, isso cria um clima de perseguição e solidariza à esquerda. No caso do Marcola, é uma figura nova e o escândalo tem uma concretude material que torna a defesa pública muito difícil ", destaca o CEO.
PANORAMA POLÍTICO
Por Edson Rodrigues
A pesquisa CNT/MDA divulgada pela CNN Brasil mostra que, em um eventual segundo turno, Lula aparece com 48% das intenções de voto contra 39% de Flávio Bolsonaro. Os números reforçam a leitura de que a corrida presidencial segue marcada pela polarização entre o campo progressista e o bolsonarismo. Brancos e nulos somam 11%, enquanto 2% dos entrevistados se declararam indecisos.
Esse cenário confirma que, mesmo diante da possibilidade de outros nomes surgirem em cenários alternativos, a disputa central permanece entre Lula e a família Bolsonaro, traduzindo-se em um embate direto entre projetos políticos antagônicos.
METODOLOGIA
A CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas, entre os dias 5 e 9 de agosto, por meio de entrevistas presenciais. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
O levantamento foi contratado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-06935/2026.
O PAPEL DE KÁTIA ABREU NO TOCANTINS

No Tocantins, a coordenação da campanha de Lula está sob responsabilidade da ex-senadora e ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu, liderança com forte influência no agronegócio e reconhecida por sua capacidade de articulação política. Sua missão é ampliar a base de apoio ao petista em um estado onde o a economia é capitaneada pelo agronegócio, mas onde Lula, historicamente, é o candidato mais votado para a presidência.
Kátia buscou aproximação com lideranças locais, como o grupo de Laurez Moreira (PSD), além de fortalecer candidaturas alinhadas ao projeto de Lula, como a de Paulo Mourão (PT) ao Senado. A estratégia passa por integrar partidos aliados e movimentos sociais, criando uma frente ampla capaz de reduzir resistências e consolidar votos.
PARADOXO TOCANTINENSE

O Tocantins é marcado por uma economia fortemente vinculada ao agronegócio, setor que historicamente se aproxima de pautas defendidas pelo bolsonarismo. Nesse contexto, a presença de Kátia Abreu na coordenação da campanha de Lula é vista como uma forma de equilibrar a narrativa nacional com as demandas regionais, oferecendo ao eleitorado rural uma ponte de diálogo com o projeto petista.
Além disso, a articulação com partidos como PCdoB, PSOL e Rede busca ampliar o alcance da campanha junto à juventude e movimentos sociais, criando um contraponto à força conservadora no estado.
Conexão entre o nacional e o regional

Os resultados da pesquisa CNT/MDA mostram que Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro no cenário nacional. No entanto, para consolidar essa dianteira, é essencial traduzir os números em capilaridade regional. O trabalho de Kátia Abreu no Tocantins exemplifica essa estratégia: transformar a polarização nacional em alianças locais, neutralizando resistências e ampliando apoios estratégicos, além de trabalhos voltados para os jovens, mulheres e indígenas, qua a ex-senadora já colocou em prática, inclusive trazendo mensagens de Lula específicas para os tocantinenses. .
Assim, o Tocantins se torna um espaço simbólico da disputa: um estado onde o agronegócio e o bolsonarismo têm força, mas onde a coordenação política busca abrir caminho para que Lula converta a vantagem nacional em votos concretos.
Com informações do UOL
Por Luiz Pires
Vice-presidente do Senado presidiu na manhã desta segunda-feira (10/08) sessão especial para celebrar o Dia Nacional da Proteção de Dados.
Eduardo Gomes (PL-TO) destaca-se por propor a PEC 17/2019, que elevou a proteção de dados pessoais a direito fundamental autônomo na Constituição, e por liderar iniciativas de conscientização e regulamentação digital, como o PL 2076/2022 do Dia Nacional da Proteção de Dados.

O Dia Nacional da Proteção de Dados Pessoais no Brasil, comemorado em 17 de julho, foi instituído para homenagear o professor e jurista Danilo Doneda, pioneiro da LGPD.. Além disso, o mundo celebra em 28 de janeiro o Dia Internacional da Proteção de Dados, data que lembra a criação do primeiro tratado internacional sobre o tema (Convenção 108 da Europa).
Os objetivos para celebrar as datas é lembrar que proteger dados é proteger direitos, explicar como usar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no dia a dia e ensinar empresas e pessoas a cuidar de informações pessoais como nome, CPF e endereço.
Câmara e Senado voltam do recesso com pauta travada por quase 100 vetos e devem deixar pautas ideológicas para depois do pleito
Por Ighor Nóbrega
O Congresso Nacional retoma as atividades nesta segunda-feira (10), após o recesso parlamentar, mas, a menos de dois meses das eleições gerais, deve ter os trabalhos pautados pelo período de campanha.
Outro entrave para deputados e senadores é o volume de vetos que obstruem a pauta das duas Casas. Ao todo, são 100 vetos, dos quais 94 obstruem o calendário de votações.
A estratégia adotada pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para driblar o foco eleitoral é promover semanas de esforço concentrado.
Com isso, serão apenas duas semanas de votações em ambas as Casas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Haverá também uma sessão conjunta do Congresso agendada para a primeira semana de setembro.
A semana que se inicia é a primeira de esforço concentrado. Podem entrar na pauta algumas medidas provisórias do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que têm vencimento até o fim deste mês.
Entre elas está a que criou o programa de renegociação de dívidas Novo Desenrola Brasil e a que permitiu ajuda financeira a importadores de diesel e gás de cozinha e ao setor aéreo para amenizar os impactos da guerra no Oriente Médio.
A lista soma 33 MPs, sendo 29 em comissões mistas e quatro no Senado. Entre os destaques está a medida que derrubou o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada "Taxa das Blusinhas". Há ainda a que libera crédito extraordinário de R$ 547 milhões para ressarcir os aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos do INSS.
As medidas provisórias da terceira rodada do Plano Brasil Soberano, em resposta ao tarifaço dos Estados Unidos, e a que simplifica regras para a atividade de mototaxistas também estão entre as pendências do Legislativo.
Também está em discussão o projeto de lei que prevê subsídios para empresas do setor de combustíveis, com o objetivo de baratear os preços por meio da redução de impostos federais. Outro projeto suspende por dois anos sanções e embargos ambientais aplicados a pequenos produtores rurais.
+ Alcolumbre sinaliza avanço de minerais críticos no Senado
A principal pauta de interesse público é a proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1 e limita a jornada a 40 horas semanais. A PEC aprovada pela Câmara foi enviada ao Senado, mas ainda não há acordo para sua votação.
Por outro lado, o projeto de lei enviado pelo governo para regulamentar a proposta pode ser analisado pelos deputados durante o esforço concentrado desta semana ou no fim do mês, entre 31 de agosto e 3 de setembro.
A discussão do Orçamento também deve avançar neste mês. O Congresso entrou em recesso sem votar a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e agora deverá analisar o texto quase em paralelo à LOA (Lei Orçamentária Anual), que precisa ser enviada pelo governo até 31 de agosto.
As pautas dos plenários da Câmara e do Senado para esta semana ainda não foram publicadas pelas respectivas presidências. Apenas algumas comissões e audiências públicas já tiveram suas agendas confirmadas.
Outros quatro candidatos somaram R$ 575.852; Flávio Bolsonaro não contabilizou gastos com impulsionamento
Com Portal R7
Os perfis do PT (Partido dos Trabalhadores) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição, gastaram pouco mais de R$ 1 milhão com impulsionamento de publicações no Instagram e no Facebook no mês anterior ao início da campanha.
Os dados da Meta, referentes ao período de 6 de julho a 4 de agosto, mostram que o PT publicou 951 posts, com gasto total de R$ 747.514. Já o perfil de Lula teve 723 publicações, que somaram R$ 263.144. Com o valor desembolsado no período, o PT foi a página voltada à política que mais gastou com anúncios nas plataformas.
Os dados mostram também que Lula tem intensificado o uso do recurso. Ao considerar os últimos 90 dias, o presidente concentrou R$ 226.245 na última semana contabilizada, entre 29 de julho e 4 de agosto.
O impulsionamento é um serviço das plataformas que permite ampliar o alcance das publicações, que passam a ser exibidas para um público maior como anúncios.
Na última semana, o ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) André Mendonça deu prazo de 10 dias para que o governo federal informe os gastos com publicidade de 2023 a 2026. A determinação atendeu a um pedido do PL, que alegou que Lula teria “promovido despesas com publicidade em volume superior ao limite objetivo estabelecido pela legislação eleitoral para o primeiro semestre do ano da eleição”.
Outros candidatos
Outros presidenciáveis também ampliaram os gastos com impulsionamento de publicações com a proximidade das eleições. O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, gastou R$ 446.008 nos 30 dias, valor 2,4 vezes superior à média mensal registrada nos três meses. Considerando apenas a última semana do período, o gasto foi de R$ 161.658.
Renan Santos (Missão) também tem apostado no impulsionamento de publicações. Foram R$ 70.584 gastos no último mês e R$ 465.282 nos últimos 90 dias. Na última semana do período, não houve registro de gastos.
O escritor Augusto Cury (Avante) também não registrou gastos na última semana. Nos últimos 30 dias, foram R$ 33.482, e, no acumulado de 90 dias, R$ 68.229.
Entre os presidenciáveis analisados, Romeu Zema (Novo) teve o menor gasto. Foram R$ 25.778 nos últimos 30 dias e R$ 67.665 nos últimos 90 dias. Na última semana, o valor foi de R$ 1.920.
Flávio Bolsonaro (PL) não registrou publicações impulsionadas no período analisado pela Meta, entre 7 de maio e 4 de agosto de 2026. Por isso, não entrou no levantamento de gastos. Já o PL desembolsou R$ 491.491 em anúncios no último mês, acima da média mensal de R$ 277.905 registrada nos três meses anteriores.