O relatório final da CPMI é lido nesta sexta-feira, 27, após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a prorrogação dos trabalhos do colegiado
Com Estadão
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e de mais 212 pessoas em seu parecer final.
Para Gaspar, o indiciamento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “fundamenta-se nos elementos probatórios colhidos ao longo dos trabalhos desta CPMI, bem como nas informações constantes da decisão proferida pelo Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal”.
O relatório final da CPMI é lido nesta sexta-feira, 27, após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a prorrogação dos trabalhos do colegiado. O prazo de encerramento da comissão é neste sábado, 28.
Gaspar indicou que Lulinha teria cometido os crimes de tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa e participação em corrupção passiva. “À luz de todo o exposto, e considerando a gravidade dos elementos reunidos ao longo das investigações conduzidas por esta CPMI, pela Polícia Federal e pelos órgãos de controle, conclui-se pelo indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva pelos crimes acima”, afirmou o relator. Lulinha já afirmou anteriormente não ter envolvimento no esquema de fraudes no INSS.
Em relação ao senador Weverton Rocha, o relatório aponta que o parlamentar teve “atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa”.
Segundo Gaspar, Weverton atuou como o articulador que garantia a fluidez dos interesses do grupo dentro da administração pública, permitindo a manutenção e expansão do sistema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Ele foi indiciado pelos crimes de advocacia administrativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
O deputado Euclydes Pettersen teve o pedido de indiciamento sob a alegação de que ele foi figura essencial no esquema de fraudes da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) e um dos destinatários de propinas. Ele foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato.
Outros dois apontados em investigação da Polícia Federal como principais operadores do esquema de descontos ilegais de aposentadorias tiveram pedido de indiciamento no relatório final da comissão. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico.
O Careca do INSS é chamado pelo relator de “principal operador financeiro” do esquema fraudulento de descontos não autorizados em aposentadorias. “Antônio Camilo se consolidou como um dos cérebros da engrenagem criminosa, responsável por movimentar milhões de reais desviados por meio de descontos ilegais em benefícios previdenciários”, afirmou.
Já o empresário Maurício Camisotti teve pedido de indiciamento pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico
“O indiciamento de Maurício Camisotti fundamenta-se em sua posição de liderança estratégica e como beneficiário final de uma das maiores estruturas de arrecadação ilícita contra o INSS, operada por meio do Grupo Total Health (THG)”, disse Gaspar.
Veja os pedidos de indiciamento no relatório da CPMI do INSS:
Abraão Lincoln Ferreira da Cruz
Adeilson Silveira Hora
Adelino Rodrigues Júnior
Ademir Fratric Bacic
Adroaldo da Cunha Portal
Alan do Nascimento Santos
Aldo Luiz Ferreira
Aleano de Souza Guardachoni
Alessandro Antônio Stefanutto
Alexandre Caetano dos Reis
Alexandre Eduardo Ferreira Lopes
Alexandre Guimarães
Alexandre Moreira da Silva
Alexsandro Prado Santos
Américo Monte
Américo Monte Júnior
Anderson Cordeiro de Vasconcelos
Anderson Ladeira Viana
Anderson Pomini
André Luís Alves Guimarães
André Luiz Martins Dias
André Paulo Félix Fidelis
Andrei José Braga Mendes
Anne Carolline Willians Vieira Rodrigues
Antenor de Sousa Neto
Antônio Araújo da Gama
Antonio Carlos Camilo Antunes
Antônio Lúcio Caetano Margarido
Aristides Veras dos Santos
Brenda Aguiar Soares
Bruna Braz de Souza Santos
Carlos Afonso Galleti Júnior
Carlos Alexandre Alvarenga
Carlos Henrique da Rocha Gonçalves
Carlos Roberto Lupi
Carlos Roberto Ferreira Lopes
Cecília Montalvão Simões
Cecília Rodrigues Mota
Cecílio Barbosa Cintra Galvão
Celso Steremberg
Charles Góes Freitas
Cícero Vasconcelos
Cicero Marcelino de Souza Santos
Cleber Oliveira Medeiros
Cristiana Alcântara Alves Zago
Daniel Dirani
Daniel Gerber
Daniel Simas
Daniel Orsini de Azevedo
Danielle Miranda Fonteles
Danilo Berndt Trento
Daugliesi Giacomasi Souza
Davi de Vasconcelos
Dennys Bergkamp Pontes de Sousa Alves
Diego Luiz Nobre Barros
Dogival José dos Santos
Domingos Sávio de Castro
Durval Natário Tosta IV
Eduardo Silva Portal
Edson Akio Yamada
Edson Cunha de Araújo
Eduardo Freire Delmont
Elano Gil Carvalho Xavier
Emanuel Pinheiro da Silva
Eric Douglas Martins Fidelis
Euclydes Marcos Pettersen Neto
Fábio Luís Lula da Silva
Felipe Macedo Gomes
Felipe Vasconcelos Pereira
Fernando Pereira dos Santos
Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti
Francisco Roumes Rodrigues de Aguiar
Francisco Wesley Nascimento dos Santos
Giovani Batista Fassarella Spiecker
Giovanini Cardoso
Gilmar Stelo
Glauco André Fonseca Wamburg
Glauco Daniel Ribas Santos
Guilherme Gastaldello Pinheiro Serrano
Gustavo Marques Gaspar
Gutemberg Tito de Sousa
Hamilton Souza
Haran Santhiago Girão Sampaio
Heitor Souza Cunha
Hélio Marcelino Loreno
Helionay Rodrigues de Sousa
Herbert Kristensson Menocchi
Higor Dalle Vedove Lourenção
Igor Dias Delecrode
Igor Oliveira Freitas
Ina Maria Lima da Silva
Ingrid Ambrózio Camilo
Ingrid Pikinskeni Morais Santos
Ivaldo Carvalho Silveira
Ivânio da Rocha Oliveira
Janete Pereira Lima
Jerônimo Arlindo da Silva Júnior
Joab Félix de Medeiros
Joana Gonçalves Vargas
João Carlos Camargo Júnior
João Milton Carneiro Neto
Jobson de Paiva Silveira Sales
Jonathan de Souza Almeida
José Arnaldo Bezerra Guimarães
José Branco Garcia
José Carlos Oliveira (Ahmed Mohamad Oliveira Andrade)
José Cordeiro de Vasconcelos
José Fernando Costa dos Santos
José Laudenor da Silva
José Lins de Alencar Neto
José Silva Miguel Júnior
José Sarney Filho
Jucimar Fonseca da Silva
Leandro Fagner da Fonseca Alves
Leonardo Cerquinho Monteiro
Leonardo Rolim
Lucas Fonseca da Silva
Lucineide dos Santos Oliveira
Luís Lima Martins
Marci Eustáquio Teodoro
Márcio Alaor de Araújo
Marco Aurélio Gomes Júnior
Marcos Brito Campos Júnior
Marcos dos Santos Monte
Marcus Vinicius Paranhos Faleiro
Maria Eudenes dos Santos
Maria Eunice Ribas
Maria das Graças Ferraz
Maria Gorete Pereira
Maria Luzimar Rocha Lopes
Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira
Maria do Socorro Veras dos Santos
Mauricio Camisotti
Mauro Palombo Concílio
Micael Ferrone Alves Pereira
Milton Baptista de Souza Filho
Milton Salvador de Almeida Júnior
Mônica Ribeiro Santos
Natal Leo
Natal Leo Júnior
Natjo de Lima Pinheiro
Nelmar de Castro Batista
Nelson Wilians Fratoni Rodrigues
Nilton Claudio Carvalho Belsarena
Nivaldo de Farias
Paulo Afonso Aguiar Regadas Neto
Paulo Augusto de Araujo Boudens
Paulo Otávio Montalvão Camisotti
Paulo Cesar Roxo Ramos
Paulo Gabriel Negreiros
Pedro Alves Corrêa Neto
Pedro Lettieri Neto
Pedro Lucas Felix Canuto
Pedro Oliveira de Queiroz
Philipe Roters Coutinho
Philippe André Lemos Szymanowski
Rafael Emrich Candelot
Raphael Maciel Snoeck
Rayama Belmonte Riella
Reinaldo Carlos Barroso de Almeida
Renan Assunção Siqueira
Renata Martins Costa de Siqueira
Ricardo Bimbo Troccoli
Ricardo Vinícius Campelo de Sá
Roberta Moreira Luchsinger
Roberto Marinho Luiz da Rocha
Rodrigo Alves de França
Rodrigo Ortiz D´Avila Assumpção
Rodrigo Moraes
Rogério Soares de Souza
Romeu Carvalho Antunes
Ronaldo Ribeiro Santos
Ronaldo de Souza Estrella
Rubens Oliveira Costa
Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior
Sandra Helena Lima do Nascimento
Sandro Temer De Oliveira
Sebastião Faustino de Paula
Sérgio Cheque Bernardo
Silas Bezerra de Alencar
Silas da Costa Vaz
Silvanete de Jesus Ribeiro
Sílvio Roberto Machado Feitoza
Suelen Ribeiro dos Santos
Taline Nunes Campos Neves
Tânia Carvalho dos Santos
Teresa Raquel Barbosa
Thaisa Hoffmann Jonasson
Thayse Daniela Silva Carvalho do Nascimento
Thamiris Januário Mattos Snoeck
Thamyrez Maia de Oliveira Ramos
Thiago Henrique Paranhos Carvalho
Thiago Rocha Guimarães
Tiago Abraão Ferreira Lopes
Tiago Schettini Batista
Tônia Andrea Inocentini Galleti
Vanderlei Barbosa dos Santos
Vanessa Barramacher Tocantins
Victor Infante Aiello
Vinicius Faleiros Martins
Vinícius Ramos da Cruz
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho
Vitor Luís Spilla Antevere
Vladimir Augusto de Oliveira Formiga
Wagner Ferreira Moita
Waldemar Monte Neto
Walton Cardoso Lima Júnior
Weverton Rocha Marques de Souza, senador
Wilson Alexandre Sartin Panacione
Wilson de Morais Gaby
Yasmin Ahmed Hatheyer Oliveira
Zacarias Canuto Sobrinho
Artur Ildefonso Brotto Azevedo
Daniel Vorcaro
Augusto Lima
Eduardo Chedid
Estadão Conteúdo
SBT News teve acesso a esboço do texto que será apresentado nesta sexta-feira (27) contra a aprovação do relatório oficial de Alfredo Gaspar
Por Basília Rodrigues
Em relatório paralelo de conclusão da CPMI do INSS, governistas apontam o governo Jair Bolsonaro como responsável pela ampliação da fraude do INSS e a de Lula como autor das ações investigativas que desmontaram o esquema.
O SBT News teve acesso a um esboço do texto que será apresentado nesta sexta-feira (27), contra a aprovação do relatório oficial de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Com maioria na CPMI, o governo tem mais chances de ver a própria versão aprovada.
O texto aponta o envolvimento de 170 pessoas, como o ex-ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni; o deputado federal Domingos Sávio, pela propriedade de empresas, em que ele é apontado como sócio oculto de Antônio Carlos Camilo, o careca do INSS, também apontado como pessoa envolvida; além do empresário Maurício Camisotti. Os crimes são estelionato contra idosos, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O relatório é dividido em três partes: descontos associativos e esquema de fraude; crédito consignado; e combate à corrupção, conclusões e recomendações.
O texto fala em “omissões e baixa resposta do governo Bolsonaro diante de denúncias e ampliação indevida da atuação de entidades sem vínculo real com aposentados”.
De acordo com autores do relatório avulso, há destaque para alguns fatos da linha histórica da fraude. Como o fim da obrigatoriedade de revalidação anual das entidades associativos, em 2022, o que teria dificultado o rastreamento pelos órgãos de controle.
“Denúncias de fraude a partir de 2017 e criação de um ecossistema favorável às fraudes a partir de 2020, com flexibilizações normativas, ascensão de servidores corruptos e mudanças na estrutura do INSS”, afirma o texto.
O caso Banco Master é citado como exemplo da atuação da expansão do uso do crédito consignado.
“O Acordo de Cooperação Técnica com o INSS que permitiu que o Banco fizesse empréstimos consignados para aposentados e pensionistas também aconteceu em 18 de setembro de 2020. A diretoria do INSS responsável pelo acordo é a mesma envolvida no contexto da fraude do INSS”, destaca.
A estratégia é rotular que o relatório como 'da maioria' e driblar riscos do presidente da CPMI, Carlos Viana, de não colocar o texto em votação.
“O Relatório da Maioria (voto em separado) sustenta que as fraudes no INSS não foram pontuais, mas resultado de: uma combinação de falhas institucionais, alterações normativas permissivas e atuação coordenada de agentes públicos e privados, que permitiram a exploração sistemática de aposentados e pensionista”.
A Operação Fisco Paralelo, conduzida pelo Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) é um desdobramento da Operação Ícaro
POR ANA PAULA BRANCO
Carrefour, Kalunga, Casas Bahia, Caoa e Center Castilho são alvos do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) em nova fase da operação para apurar esquema bilionário de corrupção na liberação de créditos do ICMS na Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo), divulgada nesta quinta-feira (26).
O auditor Artur Gomes da Silva Neto foi apontado como principal operador e atuava como coringa na liberação indevida de créditos para movimentar mais de R$ 1 bilhão em propinas por meio de uma empresa de fachada, diz a investigação.
Em nota, a Sefaz-SP, subordinada ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e comandado por Samuel Kinoshita, afirma que atua em conjunto com o MP-SP, por meio da Corfisp (Corregedoria da Fiscalização Tributária).
Procurado por email às 9h, o Carrefour ainda não se manifestou. Kalunga, Casas Bahia, Caoa foram procuradas por email às 10h, mas não responderam até a publicação desta reportagem. A defesa de Silva Neto também não respondeu. Representantes da Center Castilho não foram localizados.
Segundo o MP-SP, a head de tributos e responsável pela área de economia tributária do Carrefour, Luciene Petroni Castro Neves, teria mantido contato intenso com o auditor, entre julho de 2021 e agosto de 2025, período em que o fiscal teria prestado uma “verdadeira assessoria tributária criminosa” à executiva.
Mensagens de WhatsApp interceptadas revelam que o auditor prestava uma “verdadeira assessoria tributária criminosa” à executiva, orientando a rede varejista sobre documentos, agilizava procedimentos de ressarcimento de ICMS-ST e chegava a conceder créditos em desacordo com a legislação, evidenciando um tratamento privilegiado ao Carrefour, ainda de acordo com a promotoria.
O MP-SP afirma que o grupo de Silva Neto utilizava aplicativos específicos para dificultar o rastreio das negociações ilícitas, como Wickr e Session. Esses apps unem criptografia de ponta a ponta a mensagens de visualização única.
A reportagem enviou mensagem para a executiva, via LinkedIn, mas não obteve resposta.
Para os promotores Luciene, como máxima responsável pela gestão fiscal e compliance do Carrefour, teria participado da estrutura destinada a favorecer a empresa mediante o possível pagamento de propinas e lavagem de ativos.
A Operação Fisco Paralelo, conduzida pelo Gedec (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos) é um desdobramento da Operação Ícaro.
Ao todo, estão sendo cumpridos 22 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Os agentes se concentram em endereços vinculados a servidores de unidades estratégicas, como as Delegacias Regionais Tributárias da Lapa (Capital 2), Butantã (Capital 3), ABCD (DRT-12), Osasco (DRT-14) e a própria Diretoria de Fiscalização (Difis).
Em Campinas, já foram apreendidos em espécie quase R$ 22 mil, US$ 1.800 e 95 libras, além de três computadores e três celulares com senhas fornecidas.
Na nota, a Sefaz-SP afirma que, hoje, estão em andamento 33 procedimentos administrativos para apurar possíveis irregularidades envolvendo servidores, que podem resultar em sanções, inclusive demissão.
A Sefaz-SP diz que também atua de forma integrada e com rigor no combate à sonegação, à lavagem de dinheiro e a crimes contra a ordem tributária, por meio do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP).
A Operação Ícaro começou em agosto de 2025, revelando esquema bilionário de corrupção fiscal no qual investigações apontaram pagamento de propinas a auditores fiscais para acelerar e inflar a liberação de créditos de ICMS-ST (substituição tributária) para grandes redes varejistas, como a Ultrafarma e a Fast Shop.
Agora, a Operação Fisco Paralelo expande a investigação para outros servidores e unidades da Fazenda, apontando para a existência de uma estrutura de corrupção ainda mais ramificada destinada à manipulação de procedimentos fiscais e ao pagamento de propina.
Segundo o MP-SP, o objetivo principal é coletar novas evidências e documentos para identificar o funcionamento dessa rede de corrupção dentro do fisco paulista.
Há duas semanas, o MP-SP realizou a Operação Mágico de Oz para investigar suposto esquema de corrupção ligado à arrecadação do ICMS em Osasco, na Grande São Paulo. A ação mirou servidores públicos, empresários e intermediários suspeitos de manipular processos fiscais para favorecer empresas mediante pagamento de propina.
Em outra operação, no mês passado, o MP-SP apreendeu cerca de US$ 68 mil (cerca de R$ 354 mil) e R$ 288 mil em espécie na Delegacia Regional Tributária do Butantã, na zona oeste da capital. Também foram bloqueados criptoativos avaliados em aproximadamente R$ 1,8 milhão, mantidos em bitcoins. O material será submetido a perícia e análise financeira para identificar a origem dos recursos e eventual vínculo com o esquema investigado. Ao todo, o valor dos ativos apreendidos é de R$ 2,4 milhões.
Outros 12,9% ligam ao Centrão. Já 14,6% enxergam todos os grupos políticos implicados no esquema.
Com Estadão
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 26, aponta que 39,5% dos brasileiros veem aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como mais envolvidos no esquema do Banco Master, enquanto 28,3% associam o caso mais a pessoas próximas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 12,9% ligam ao Centrão. Já 14,6% enxergam todos os grupos políticos implicados no esquema.
Entre as instituições, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) reúnem percepção de maior envolvimento no caso Master. Para 71%, o Congresso está totalmente (45%) ou muito envolvido (26%), enquanto 57% consideram a Corte totalmente (47%) ou muito envolvida (10%) no esquema. Segundo a pesquisa, as duas instituições consolidam-se como “principais alvos de atribuição de responsabilidade”.
Já o governo federal tem um índice de 43% de quem considera totalmente envolvido e 8% de muito envolvido. Já 28% dizem que o Banco Central está totalmente envolvido com o esquema e 16%, muito envolvido. Para 25%, os governos dos Estados e prefeituras estão totalmente envolvidos com o Master e 18% consideram muito envolvidos.
O levantamento entrevistou 5.028 respondentes de 18 a 23 de março. A metodologia foi recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto porcentual para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.
As investigações da Polícia Federal sobre o escândalo das fraudes financeiras do Banco Master apontaram que o dono da empresa, Daniel Vorcaro, mantinha relações com figuras políticas
As mensagens do celular do dono do Master mostraram que Vorcaro mantinha conversas e encontros com figuras como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além de contatos com o ex-governador João Doria e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
Os ministros do STF também aparecem nas investigações. A Corte foi parar no centro do escândalo com a revelação de que a mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane de Moraes, firmou contrato milionário com o banco. Também houve trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro do ano passado.
Em outra frente, uma empresa da qual Dias Toffoli é sócio teria recebido dinheiro de um fundo ligado ao banco. A partir da revelação, Toffoli deixou a relatoria das investigações e, depois disso, se declarou suspeito para participar dos julgamentos sobre o caso.
O presidente Lula afirmou que se encontrou com Vorcaro em dezembro de 2024, numa reunião mediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Na ocasião, o presidente afirmou que não haveria “posição política” a favor ou contra o banco, mas sim uma “investigação técnica”.
Lula disse que o encontro ocorreu fora da agenda e que, na ocasião, chamou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, à época indicado ao cargo, e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, para acompanharem a reunião.
Estadão Conteúdo.
O projeto estabelece as diretrizes e metas para o setor educacional para o próximo decênio (2026-2035); plano prevê meta de 80% de alfabetização
Por Davi Alencar
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (25) o novo PNE (Plano Nacional de Educação). Aprovado na Comissão de Educação pela manhã, o projeto foi contemplado por votação simbólica no plenário, ou seja, sem registro nominal de votos.
De autoria do Poder Executivo, o projeto segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O novo plano foi aprovado na Câmara dos Deputados no ano passado, no entanto, só foi apreciado pelo Senado em 2026, portanto, o período definido de decênio será de 2026 a 2035.

Teresa Leitão, Paulo Paim e Augusta Brito durante a votação do projeto na Comissão de Educação do Senado (CE)
Geraldo Magela/Agência Senado
Apesar de um grande apoio no plenário, senadores questionaram a rapidez da tramitação do projeto relatado por Teresa Leitão (PT-PE) no Senado. Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que “não é o plano perfeito, mas também não é um desastre”, depositando seu voto favorável, mas com ressalvas.
Na Câmara, foi formada uma comissão especial, presidida pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), para analisar a proposta. O projeto foi construído com apoio do MEC (Ministério da Educação).
O que muda com a aprovação?
De acordo com o PL 2.614/2024, o país se compromete com uma série de transformações na educação para a próxima década. Na infantil, a pré-escola será universalizada para todas as crianças de 4 a 5 anos em até dois anos, e haverá um esforço para atender 100% da demanda por creches, buscando incluir 60% das crianças de até três anos até o final do plano, com redução das desigualdades de acesso.
Para a alfabetização, a meta é que 80% das crianças estejam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental em cinco anos, com universalização até o final desses dez anos, e o mesmo percentual para a aprendizagem em matemática.
O acesso à escola será universalizado para toda a população de 6 a 17 anos em até três anos, com o objetivo de que 95% dos estudantes concluam o 9º ano do fundamental e 90% o ensino médio na idade regular. Haverá também metas progressivas para elevar os níveis de aprendizagem em todas as etapas do ensino fundamental e médio.
A educação em tempo integral será expandida, visando que 50% das escolas públicas ofereçam essa modalidade (com jornada mínima de 7 horas diárias) e atendam 35% dos estudantes da educação básica em cinco anos, chegando a 65% das escolas e 50% dos estudantes até o final do decênio.
*Com informações de Tatiana Cavalcanti
Teresa Leitão, Paulo Paim e Augusta Brito durante a votação do projeto na Comissão de Educação do Senado (CE)
Geraldo Magela/Agência Senado
Fonte: Agência Senado