A SUCESSÃO DE PALMAS EM 2028 COMEÇA NA ELEIÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL

Posted On Segunda, 14 Setembro 2026 05:41
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A eleição municipal de Palmas será apenas em 2028. Mas quem imagina que a sucessão do Paço Municipal começará somente daqui a dois anos está olhando para o calendário e esquecendo de olhar para a política. O primeiro grande termômetro de 2028 pode estar justamente dentro da Câmara Municipal de Palmas.

 

A sucessão da Mesa Diretora da Casa de Leis coloca em movimento interesses que vão muito além da escolha de quem comandará sessões, administrará o Legislativo e representará institucionalmente os 23 vereadores.

 

O que está em jogo é poder. É articulação. É território político. E, sobretudo, a montagem das forças que pretendem disputar o comando do maior colégio eleitoral do Tocantins em 2028.

 

A Câmara é atualmente presidida pelo vereador Marilon Barbosa, eleito para o biênio 2025/2026. Na eleição realizada em janeiro de 2025, Marilon derrotou José do Lago Folha Filho. Aquilo já demonstrava uma Casa dividida. Agora, a sucessão promete colocar novamente à prova os 23 votos do Legislativo palmense.

 

E desta vez existe um ingrediente adicional: 2028 já entrou na sala. É nesse cenário que reaparece com força o nome do vereador Folha. Ex-presidente da Câmara, Folha conhece como poucos os corredores da Casa e já demonstrou que possui capacidade de articulação interna.

 

Não custa lembrar: ele perdeu a última eleição para Marilon Barbosa por apenas um voto. Foi 12 a 11.

 

Agora, segundo apurado pelo Observatório Político de O Paralelo 13, Folha trabalha novamente para chegar à Presidência e demonstra confiança de que poderá reunir maioria no momento da votação.

 

Nos bastidores, o vereador aposta que apoios serão explicitados na hora certa. Mas política tem uma regra antiga: apoio prometido não é voto depositado e Folha sabe disso melhor do que ninguém.

 

Há ainda um componente importante nessa movimentação. Folha é considerado um vereador da inteira confiança do prefeito Eduardo Siqueira Campos, embora, até o momento, o chefe do Executivo não tenha feito qualquer gesto público de apoio à sua candidatura à Presidência da Câmara. A proximidade entre os dois, porém, continua evidente. Neste último sábado, Eduardo e Folha estiveram juntos em Tocantinópolis e fizeram a viagem no mesmo veículo. O episódio, por si só, não representa declaração de apoio, mas, em política, movimentos como esse naturalmente entram no radar dos observadores.

 

PROFESSORA IOLANDA ENTRA NO JOGO

 

 

 

Mas Folha não está sozinho. A vereadora Professora Iolanda Castro confirmou publicamente sua candidatura à Presidência da Câmara. Sua entrada altera o tabuleiro.

 

Iolanda possui trajetória própria dentro do Legislativo e, ao colocar o nome oficialmente na disputa, impede que a eleição seja tratada antecipadamente como um confronto de apenas dois grupos. Uma candidatura à Presidência da Câmara começa com um nome, mas somente se torna competitiva quando consegue transformar relações políticas em votos. É isso que precisará ser observado nas próximas semanas.

 

O GRUPO BARBOSA NÃO PODE SER IGNORADO

 

 

 

Existe ainda um componente político impossível de retirar dessa equação. O atual presidente da Câmara, Marilon Barbosa, é irmão do governador Wanderlei Barbosa e filho de Fenelon Barbosa, primeiro prefeito de Palmas. A história política da família Barbosa está profundamente ligada à Capital.

Marilon Barbosa, por sua vez, também está em campo e trabalha pela reeleição à Presidência da Câmara. Neste sábado, o vereador reuniu parlamentares de Palmas com a candidata ao Governo, Professora Dorinha Seabra, em um encontro voltado à definição de estratégias para a reta final da campanha estadual. O movimento demonstra que Marilon continua articulando politicamente a Casa e mantém interlocução direta com o grupo que hoje reúne importantes forças da política tocantinense. Em uma disputa pela Mesa em que cada voto pode ser decisivo, quem consegue reunir vereadores também demonstra capacidade de articulação.

 

Wanderlei passou pela Câmara Municipal antes de chegar à Assembleia Legislativa e ao Governo do Estado. Seu filho, Léo Barbosa, também construiu importante base eleitoral em Palmas.

 

Portanto, imaginar que o grupo político do governador será indiferente à formação do próximo comando da Câmara seria ingenuidade.

 

O próprio Eduardo Siqueira já reconheceu publicamente que Wanderlei teria legitimidade para disputar a Prefeitura de Palmas no próximo pleito, embora tenha dito desconhecer os planos eleitorais do governador.

 

Aqui está um dos pontos mais interessantes do tabuleiro.

 

Hoje existem convergências políticas entre grupos que amanhã poderão estar em lados diferentes na disputa pela Capital.

 

DORINHA ESTÁ NO MEIO DESSE TABULEIRO

 

 

 

A eleição estadual de 2026 acrescenta outra camada a essa história. Eduardo Siqueira Campos está no palanque de Professora Dorinha Seabra na disputa pelo Governo. O prefeito transformou Palmas numa das principais bases políticas da candidata e já vinculou publicamente seu projeto político à vitória dela.

 

Wanderlei Barbosa também está politicamente alinhado à candidatura de Dorinha. Hoje, portanto, esses interesses podem caminhar juntos na eleição estadual.

 

Mas 2028 é outra história.

 

Se Dorinha vencer a eleição para o Governo, poderá chegar à sucessão de Palmas diante de aliados com projetos potencialmente concorrentes.

 

 

 

De um lado, Eduardo Siqueira Campos, já declarado candidato à reeleição. Do outro, o grupo político de Wanderlei Barbosa, cuja força histórica e eleitoral na Capital ninguém pode desprezar. E ainda existirão outros atores procurando espaço.

 

É por isso que a eleição da Câmara merece atenção.

 

Ela poderá revelar, com dois anos de antecedência, onde estão as pontes e onde começam as rachaduras.

 

CINTHIA RIBEIRO E JÚNIOR GEO TAMBÉM ESTÃO NO RADAR

 

 

 

Há ainda outro campo político que não pode ser esquecido. A ex-prefeita Cinthia Ribeiro continua sendo um nome conhecido do eleitor palmense e governou a Capital até o fim de 2024.

 

O deputado estadual Júnior Geo também possui patrimônio eleitoral em Palmas. Isso não significa afirmar hoje que qualquer um deles será candidato em 2028. É reconhecer que uma eleição municipal em Palmas dificilmente será construída apenas entre dois grupos.

 

Se o cenário estadual produzir uma vitória de Vicentinho Júnior, por exemplo, novas composições poderão surgir.

 

Ainda há muita água para passar debaixo dessa ponte.

 

JANAD VALCARI TAMBÉM É PEÇA IMPORTANTE

 

 

 

Não se pode analisar a sucessão municipal de Palmas em 2028 sem colocar nesse tabuleiro o nome da deputada estadual Janad Valcari. Candidata a deputada federal em 2026, Janad chega à eleição buscando ampliar ainda mais seu patrimônio eleitoral na Capital e, caso confirme uma votação expressiva em Palmas, sairá das urnas com musculatura política para participar diretamente das articulações para a próxima sucessão municipal.

 

Janad já demonstrou força eleitoral em Palmas e, independentemente de uma eventual candidatura própria à Prefeitura em 2028, seu apoio poderá ter peso importante na construção de qualquer projeto que pretenda disputar o Paço Municipal. Se decidir novamente colocar o próprio nome na corrida, será uma das lideranças a serem consideradas; se optar por apoiar outro candidato, levará para a mesa de negociação um capital político que ninguém interessado na sucessão da Capital poderá simplesmente ignorar.

 

Fato é que Janad Valcari também estará nesse jogo.

 

A CÂMARA É O PRIMEIRO TESTE

 

 

 

É justamente por isso que o Observatório Político de O Paralelo 13 chama atenção para a eleição da Mesa Diretora. À primeira vista, são 23 vereadores escolhendo quem comandará a Câmara. Politicamente, pode ser muito mais. Pode ser o primeiro teste da capacidade de articulação de Eduardo Siqueira para a segunda metade de seu mandato.

 

Pode medir a força do grupo Barbosa dentro do Legislativo. Revelar o tamanho real da candidatura de Folha. Mostrar até onde Professora Iolanda consegue construir uma alternativa dentro da própria Casa.

 

E pode, principalmente, revelar vereadores que já estão fazendo suas contas para 2028.

 

UM VOTO PODE MUDAR TUDO

 

A eleição anterior deixou uma lição que ninguém deveria esquecer. Marilon Barbosa: 12. Folha: 11. Um voto.

 

Foi essa a diferença entre comandar e não comandar a Câmara Municipal de Palmas.

 

Por isso, não adianta contabilizar fotografia. Não adianta somar declaração. Não adianta dizer que determinado grupo possui maioria antes de a maioria efetivamente aparecer.

 

Na Câmara, assim como numa eleição popular, voto prometido não é voto apurado.

 

Até a votação, haverá conversa. Pressão, convencimento, composição e muita política.

 

O Observatório Político de O Paralelo 13 estará de olho, porque, em política, muitas vezes a próxima eleição começa muito antes de o eleitor perceber.

 

 

Última modificação em Segunda, 14 Setembro 2026 06:13
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