AS CANDIDATURAS PROPORCIONAIS E O DESAFIO DAS NOMINATAS

Posted On Segunda, 09 Fevereiro 2026 06:36
Avalie este item
(0 votos)

Por Edson Rodrigues

 

 

As eleições de 2026 trazem novos contornos para quem pretende disputar vagas na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas. O fim das coligações proporcionais e a chegada das federações partidárias, definidas pelas cúpulas nacionais de acordo com suas convicções e vontades, sem consulta às bases, impõem aos pré-candidatos a necessidade de compreender em profundidade o coeficiente eleitoral e as novas regras das sobras eleitorais. A escolha do partido, portanto, deixou de ser apenas uma decisão política: tornou-se também um cálculo matemático.

 

É de bom tom aos senhores que pretendem se candidatar para os parlamentos estadual e federal, que consultem um Especialista em direito eleitoral para orientá-los e indicar quais os caminhos para que a postulação eleitoral seja, ao menos, viável.

 

RECONFIGURAÇÃO DA BASE POLÍTICA

 

 

No Tocantins, o cenário é ainda mais complexo. Deputados estaduais que integravam a base do governador Wanderlei Barbosa migraram, sem pestanejar, para o campo político do então governador interino, Laurez Moreira durante o afastamento do governador eleito. Nos bastidores, alguns desses parlamentares chegaram a assinar pedidos de impeachment contra Barbosa, e pressionaram o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres, a pautar esses pedidos. Com Wanderlei Barbosa reconduzido ao cargo que o povo lhe outorgou, a reação foi imediata: o titular do Palácio Araguaia declarou não querer convivência com nenhum dos dissidentes. Estima-se que entre nove e onze deputados estaduais estejam nessa situação, muitos deles filiados ao Republicanos — partido presidido pelo próprio governador no estado — ou a legendas tradicionalmente alinhadas ao Palácio Araguaia.

 

JANELA PARTIDÁRIA E PRAZO DECISIVO

 

O dia 4 de abril marca a data-limite para que detentores de mandato possam mudar de partido sem risco de perder a cadeira. A movimentação é intensa: partidos que buscam formar nominatas sólidas não aceitam, em hipótese alguma, candidatos à reeleição em seus quadros. Já os que pretendem disputar pela primeira vez encontram diversas opções de filiação, ampliando o leque de negociações.

 

Um caso emblemático é o do deputado federal Tiago Dimas, (e Ronaldo Dimas) presidente estadual do Podemos. Ele enfrenta o desafio de construir uma nominata viável para sua reeleição, enquanto seu pai, Ronaldo Dimas — ex-prefeito de Araguaína e ex-secretário de Planejamento na gestão de Laurez Moreira — articula uma candidatura ao Senado. A trajetória política da família, marcada por mudanças de posição e alianças, coloca Tiago diante de uma equação delicada: como garantir votos suficientes para manter sua cadeira em Brasília.

 

Segundo os especialistas, pelas novas regras, a primeira cadeira de deputado federal exige cerca de 90 mil votos, enquanto a segunda demanda aproximadamente 139 mil. As recentes mudanças quanto às das sobras eleitorais tornam esse cálculo ainda mais estratégico, exigindo articulação precisa na formação das nominatas.

 

 

Uma nova decisão do STF quanto à captação de recursos eleitorais, torna ainda mais difícil a vida de quem deseja se eleger em outubro. O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos na última sexta-feira (6) para estabelecer que a prática de caixa dois nas campanhas eleitorais também pode ser punida como ato de improbidade administrativa.

 

Com esse entendimento, políticos acusados de usarem recursos não contabilizados em campanhas poderão enfrentar responsabilização dupla, tanto na esfera eleitoral quanto na cível, quando as provas indicarem a prática de improbidade.

 

RESUMINDO...

 

O cenário político tocantinense evidencia que, mais do que alianças, os números ditarão o futuro das candidaturas proporcionais. A matemática eleitoral, somada às disputas internas e às mudanças de base, transforma a corrida por vagas em um jogo de sobrevivência política. Quem não souber calcular, corre o risco de ficar fora do tabuleiro.

 

 

 

{loadposition compartilhar} {loadmoduleid 252}