A estratégia do Palácio do Planalto é usar a Esplanada como trampolim eleitoral para ampliar a base aliada no Congresso Nacional
Com Jovem Pan -Estadão e UOL
Por Everson Bressan
A proximidade do prazo legal de desincompatibilização deve provocar uma troca em série no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até abril, ao menos 17 dos 38 ministros avaliam deixar os cargos por causa das eleições, como exige a legislação.
A estratégia do Palácio do Planalto é usar a Esplanada como trampolim eleitoral para ampliar a base aliada no Congresso Nacional, em um eventual quarto mandato de Lula.
Um dos movimentos mais sensíveis envolve a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), que deve deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. A sucessão na pasta, responsável pela articulação política do governo, ainda é incerta. Pelo desenho tradicional, a cadeira tende a ser ocupada pelo secretário-executivo, o diplomata Marcelo Costa, porém, ainda não se sabe quem assumirá o cargo.
Inicialmente, Gleisi cogitava disputar a reeleição à Câmara dos Deputados, cargo do qual está licenciada. A mudança de plano ocorreu após um pedido direto de Lula. O presidente avalia que a candidatura ao Senado é estratégica para fortalecer a presença do PT na Casa revisora e enfrentar o plano do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de formar maioria no Senado com poder para avançar em processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula também tem planos para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP). Apesar de Haddad já ter declarado em diversas ocasiões que não pretende disputar as eleições, o presidente deseja que ele concorra ao Senado por São Paulo ou ao Palácio dos Bandeirantes. Até agora, o nome mais cotado para chefiar a equipe econômica em caso de saída de Haddad é o do secretário-executivo da pasta, Dario Durigan.
“Eu disse em todas as ocasiões que não pretendia me candidatar em 2026. Isso vale para qualquer cargo”, afirmou Haddad na segunda-feira, 19, em entrevista ao UOL News.
Outro ministro que deve deixar o governo é o chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT-BA), um dos principais auxiliares de Lula. Ele é cotado para disputar uma vaga no Senado ou até voltar à corrida pelo governo da Bahia, apesar de o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), estar em seu primeiro mandato e poder concorrer à reeleição. A secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, deve assumir o comando da pasta.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Governador a Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) e Rui Costa (PT)
A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), também deve deixar o cargo e pode ser substituída pelo assessor especial da Casa Civil Bruno Moretti. A intenção de Simone é disputar novamente uma vaga no Senado. Desde que apoiou Lula no segundo turno de 2022, porém, ela perdeu força em seu reduto no Mato Grosso do Sul, Estado de perfil conservador. Diante desse cenário, aliados avaliam que a ministra pode concorrer ao Senado por São Paulo.
Já o secretário de Comunicação, Sidônio Palmeira, também deve se afastar do cargo, mas para coordenar a campanha de Lula à reeleição. Responsável pela estratégia de comunicação na disputa de 2022, ele não concorrerá a cargo eletivo e, por isso, não está sujeito ao prazo legal de desincompatibilização.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco (PT), deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pela primeira vez e, por isso, também deve deixar o cargo até abril, dentro do prazo legal de desincompatibilização.
No cenário paulista, caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) decida concorrer ao Palácio do Planalto, Lula avalia a possibilidade de lançar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao governo de São Paulo. Por ora, o presidente trabalha com a permanência da chapa, mas admite que o desenho pode mudar conforme o cenário político.
Mesmo se permanecer na vice-presidência, Alckmin terá de deixar o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio A tendência é que a vaga seja ocupada pelo secretário-executivo Márcio Elias Rosa.
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, também defende que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, concorra a deputada federal. Cantora de renome, Margareth foi convidada a se filiar ao PT e avalia a proposta, mas ainda não deu resposta definitiva
Já o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), senador licenciado, vem sendo pressionado a disputar o governo do Ceará caso Ciro Gomes seja candidato. Camilo, porém, nega a intenção e afirma que deve atuar na campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Ele não precisa disputar a reeleição ao Senado, já que foi eleito em 2022 e tem mandato até 2031.

Outros ministros também já sinalizaram que deixarão o governo para entrar na disputa eleitoral. O titular das Cidades, Jader Filho (MDB), informou que pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Pará. No mesmo grupo estão André de Paula (PSD), ministro da Pesca; Silvio Costa Filho (Republicanos), Portos e Aeroportos; e Waldez Góes (PDT), Integração, que também já comunicaram ao Planalto a intenção de deixar os cargos.
No Ministério do Trabalho, Luiz Marinho (PT) chegou a avaliar uma candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados, mas desistiu do plano em dezembro do ano passado. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a decisão foi tomada após um pedido do presidente Lula. No lugar de Marinho, o PT terá como candidato o atual presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges.
“Essa não foi uma decisão simples, não foi uma decisão fácil”, admitiu Marinho em vídeo postado nas redes sociais. “Ser candidato novamente era um desejo legítimo, construído junto com vocês. Mas, neste momento, o que está em jogo é maior do que um projeto pessoal. O mais importante é a continuidade do projeto nacional liderado pelo presidente Lula.”
Na área ambiental, a ministra Marina Silva (Rede-SP), que deve trocar de partido, também é citada como possível candidata ao Senado por São Paulo, o que exigiria seu afastamento do cargo dentro do prazo legal.

Já o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), confirmou que deixará o governo para disputar o comando do Estado de Alagoas nas eleições deste ano.
A titular dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), trabalha para tentar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Já o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), planeja concorrer novamente a uma vaga no Senado por Mato Grosso.
Rogério Marinho desiste de candidatura no Rio Grande do Norte e afirma ter aceitado convite de Bolsonaro: ‘gratidão e lealdade’
Com O Globo
Em ampla desvantagem em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu escalar um parlamentar da região, o também senador Rogério Marinho (PL-RN), para coordenar sua pré-candidatura ao Planalto. A decisão, tomada após um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro a seu ex-ministro do Desenvolvimento Regional, é uma sinalização de que o representante do bolsonarismo pretende priorizar o tradicional reduto petista durante a corrida eleitoral.
A última Genial/Quaest, divulgada na semana passada, mostra o tamanho da dificuldade na região, onde seu pai ficou atrás dos candidatos do PT nos dois pleitos que disputou, em 2018 e 2022. De acordo com a pesquisa, Lula tem mais 60% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio marca 13% e 15% nos cenários com mais nomes testados.
O patamar alcançado pelo senador do PL fica abaixo do registrado por ele em outras regiões. No Sudeste, Flávio empata com o atual presidente — em um dos cenários, na margem de erro, de três pontos percentuais para a região. Já no Sul, Centro-Oeste e Norte, ele chega a aparecer à frente de Lula.
Ao explicar sua decisão, Marinho anunciou que desistiu de concorrer ao governo do Rio Grande do Norte. O senador enfatizou que atendeu a um pedido de Bolsonaro para “se somar à luta de seu filho, Flávio, para resgatar o Brasil”. Na terça-feira, a defesa do ex-presidente pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para ele receber a visita de Marinho na Papudinha.
“A gratidão, a solidariedade e a lealdade a Bolsonaro e ao que ele representa definem a minha decisão”, acrescentou Marinho, que defendeu que “derrotar o PT é uma necessidade histórica para salvar o Brasil”.
O senador também divulgou nesta quarta-feira um vídeo em que Flávio o agradece por abrir mão da candidatura em prol da coordenação de sua campanha ao Planalto, o que classificou como “uma escolha pelo Brasil”. Segundo Flávio, o Rio Grande do Norte entrega “um dos principais quadros da política nacional” para ajudar a “resgatar o país”.
“Eu sei que vocês estão com o coração um pouco apertado pela decisão que ele tomou. Mas tenho a consciência e a certeza que ele está fazendo uma escolha pelo Brasil, porque nós vamos resgatar juntos, a partir de 2027, esse país das garras do partido das trevas”, disse Flávio, em alusão ao PT.
O pré-candidato à Presidência também destacou que, com a companhia de Marinho, o estado estará “ainda mais contemplado” em seu plano de governo:
“Vamos fazer um trabalho fenomenal por todo o país, e o Rio Grande do Norte vai estar ainda mais contemplado com o Rogério junto com a gente nesse grande time que eu pretendo montar para recolocar o Brasil no caminho da prosperidade.”
Marinho era considerado a principal aposta do bolsonarismo para concorrer ao governo do Rio Grande do Norte, estado que vive um acirramento da corrida eleitoral e tem em seu calendário uma eleição para um mandato-tampão, prevista para acontecer em abril, quando a governadora Fátima Bezerra (PT) deve deixar o cargo para disputar o Senado.
O pleito ocorrerá porque o vice-governador, Walter Alves (MDB), anunciou que também renunciará para disputar o cargo de deputado estadual. Ele deve apoiar uma chapa de oposição ao PT, junto aos partidos União Brasil, PP e PSD. Sob a presidência de Marinho, o PL no estado tem capilaridade na Assembleia Legislativa, ocupando um terço das cadeiras, e deve ter influência na escolha de quem comandará a máquina.
PANORAMA POLÍTICO
Por Edson Rodrigues
Sem alarde, mas com foco em construir uma ampla frente partidária, o senador Irajá Abreu (PSD) articula alianças políticas para fortalecer o palanque da sucessão estadual em 2026. O movimento ganhou força com a união do parlamentar ao ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha, e tem como primeiro passo a posse de Roberto César Ferreira de Oliveira, o Cesinha, no comando regional do PSB.
CESINHA ASSUME O PSB

Superintendente da Agricultura e Pecuária no Tocantins, Cesinha substitui Amastha, que estava à frente da sigla desde 2019. A transição foi construída em diálogo com o próprio ex-prefeito, com o presidente nacional do PSB, João Campos (prefeito de Recife), e com o líder da bancada federal do partido, deputado Felipe Carreiras (PE).

Com experiência política consolidada – dois mandatos como vereador (2009-2016) e dois como prefeito de Lavandeira (2017-2024) –, Cesinha chega ao PSB com a missão de fortalecer a legenda e prepará-la para as eleições. Ele já marcou para o dia 28 de janeiro, no escritório da sigla em Palmas, a primeira reunião da nova executiva, ocasião em que ocorrerá oficialmente a transição de comando. Atualmente, é pré-candidato a deputado estadual pela região sudeste.
FRENTE AMPLA NO CAMPO POPULAR
A chegada de Cesinha ao PSB reforça a estratégia de Irajá de consolidar uma frente ampla no campo popular tocantinense. Além do PSD e do PDT, o grupo agora conta com o PSB e pode ainda receber o PT. “Tenho conversado bastante com o presidente Nile [William Fernandes, dirigente regional petista]”, revelou o senador.
LAUREZ MOREIRA

O pacto entre as forças políticas locais busca construir um palanque sólido para a pré-candidatura ao governo do atual vice-governador Laurez Moreira (PSD), que preside o partido no Estado. A frente também deve sustentar a candidatura de Irajá à reeleição no Senado, abrindo espaço para negociações em torno da segunda vaga ao Senado e da vice-governadoria entre os partidos aliados.
Da Assessoria
A prefeita de Gurupi, Josi Nunes, assumiu nesta segunda-feira, 19, a presidência do União Brasil Mulher Tocantins, reforçando o protagonismo feminino dentro do partido e ampliando a articulação política para os próximos desafios eleitorais no estado. A chegada de Josi ao comando do UB Mulher, anteriormente ocupado por Naídes César, soma forças à pré-candidatura da senadora Professora Dorinha ao Governo do Tocantins, consolidando uma agenda pautada na experiência administrativa, no diálogo e na valorização das mulheres na política.
Ao assumir a nova missão, Josi Nunes destacou que é uma honra comandar o União Brasil Mulher no Tocantins, colocando sua trajetória e capacidade de articulação a serviço do fortalecimento do partido e da construção de um projeto coletivo para o estado. “É um espaço estratégico para ouvir, mobilizar e dar voz às mulheres tocantinenses, contribuindo de forma decisiva para o Tocantins”, afirmou.
Já a senadora Dorinha também elogiou a prefeita: “A Josi é uma líder comprometida e determinada, e sua presidência no UB Mulher vai fortalecer ainda mais o nosso trabalho e a pauta sobre o papel das mulheres na política do nosso estado”.
Representação questiona decisões do ministro do STF no caso e pede análise sobre conflito de interesses e respeito às regras do processo penal
Por Rafael Porfírio
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) acionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que avalie a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), como relator do inquérito que investiga eventuais fraudes envolvendo o Banco Master.
A representação, protocolada na última quarta-feira (14) e tornada pública nesta segunda (19), pede que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apure a existência de possível conflito de interesses e eventual suspeição do ministro na condução do caso.
No documento, Girão sustenta que decisões recentes tomadas por Toffoli na segunda fase da Operação Compliance Zero teriam caráter “absolutamente excepcional” e destoariam dos procedimentos usuais do processo penal.
O principal ponto questionado é a determinação para que bens e materiais apreendidos na investigação sejam lacrados e mantidos sob custódia direta do STF, sem o exame técnico prévio pela Polícia Federal (PF). Toffoli determinou a medida, mas recuou após críticas.
Para Girão, não houve fundamentação técnica suficiente para afastar a atuação da PF nem demonstração de proporcionalidade que justificasse a adoção da medida.
O texto afirma que a decisão “rompe com procedimentos consolidados” e cria um precedente que permitiria ao magistrado assumir atribuições técnicas que não lhe cabem.
Outro eixo central do pedido envolve a imparcialidade do relator. O senador aponta “conexões familiares e comerciais de parentes do ministro Dias Toffoli com possíveis envolvidos no caso do Banco Master”, circunstâncias que, segundo a representação, levantariam “questões inevitáveis sobre imparcialidade judicial e conflito de interesses”.
Para Girão, esses elementos poderiam caracterizar hipótese objetiva de impedimento, o que exigiria o afastamento do ministro da condução das investigações.
O documento também menciona possível abuso de poder e desvio de finalidade, ao falar sobre a concentração de funções decisórias, de supervisão da investigação e de guarda das provas em uma única autoridade.
Na avaliação do senador, esse arranjo “fragiliza a separação funcional” do sistema acusatório e “compromete a percepção de regularidade do devido processo legal”, além de reduzir a transparência e dificultar o controle externo dos atos praticados.