CHEGOU A HORA DAS URNAS: AGORA É A VEZ DO ELEITOR

Posted On Quinta, 01 Outubro 2026 13:35
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

Chegamos aos últimos dias de mais uma cobertura eleitoral. Depois de meses acompanhando articulações, convenções, alianças, pesquisas, entrevistas, caminhadas, reuniões, debates e os movimentos das candidaturas, a família O Paralelo 13, encerra mais uma etapa de sua cobertura jornalística das eleições de 2026.

 

Não foi uma eleição qualquer para nós.

 

São quase 40 anos de história de O Paralelo 13, acompanhando o Tocantins, sua gente e suas transformações políticas. Nesse período, vimos nascer e desaparecer grupos políticos, acompanhamos vitórias improváveis, derrotas inesperadas, viradas eleitorais e mudanças profundas no comportamento do eleitor.

 

E talvez seja exatamente por carregar essa memória que uma característica das eleições de 2026 nos chama tanto a atenção: há muito tempo não víamos um eleitorado tão silencioso diante de uma sucessão estadual.

 

UMA ELEIÇÃO DIFERENTE

 

Houve campanha. Houve militância nas ruas, programas eleitorais no rádio e na televisão, redes sociais movimentadas, agendas nos 139 municípios, grandes reuniões, estruturas partidárias, pesquisas e muita disputa política.

 

Mas, fora das bolhas eleitorais, existe um silêncio que merece ser observado.

 

O eleitor parece mais reservado. Participa menos das discussões públicas, evita revelar escolhas e, em muitos casos, acompanha a eleição sem demonstrar entusiasmo por qualquer candidatura. Isso não significa desinteresse absoluto e muito menos permite antecipar o comportamento das urnas, apenas que existe uma parcela importante da sociedade que está falando pouco e poderá falar somente diante da urna.

 

Para um jornal que acompanha eleições no Tocantins há quase quatro décadas, esse comportamento merece registro. Por isso, O Paralelo 13 não descarta surpresas no próximo domingo, 4 de outubro.

 

AS URNAS PODEM TRAZER SURPRESAS

 

Durante toda a campanha, diferentes institutos apresentaram suas fotografias da corrida eleitoral. Pesquisas nacionais e locais mostraram cenários para o Governo, Senado e demais disputas. Pesquisa eleitoral é instrumento importante para compreender tendências, desde que observados metodologia, período de campo, amostra, margem de erro, nível de confiança e registro na Justiça Eleitoral. Mas nenhuma pesquisa substitui a urna.

E chegou o momento em que as pesquisas também passarão por seu maior teste.

 

Quando as urnas forem abertas, será possível comparar os levantamentos realizados na reta final com aquilo que efetivamente aconteceu. Será possível observar quais pesquisas se aproximaram do resultado e quais encontraram dificuldades para captar o comportamento do eleitorado.

 

Sem maquiagem, torcida ou interpretação conveniente. Pesquisa é fotografia. Urna é resultado!

 

O SILÊNCIO DO ELEITOR

 

Há outro aspecto que merece atenção.

Ao longo desta campanha, O Paralelo 13 insistiu diversas vezes na necessidade de olhar para além das estruturas políticas. Prefeitos, vereadores, deputados, lideranças partidárias e cabos eleitorais possuem influência e capacidade de mobilização, mas nenhum deles é proprietário do voto.

 

A urna eletrônica possui uma característica simples e poderosa, afinal diante dela, o eleitor está sozinho. É naquele momento que desaparecem palanque, prefeito, candidato, marqueteiro, grupo de WhatsApp, pesquisa e pressão política. Restam o eleitor, sua consciência e suas escolhas.

 

É justamente por isso que o silêncio observado durante esta campanha não pode ser confundido com ausência de opinião. Pode haver eleitor que simplesmente decidiu não revelar seu voto e também aquele que ainda esteja escolhendo. E pode haver quem mude de posição nos últimos dias. Somente as urnas mostrarão o tamanho de cada grupo.

 

EDITORIAL

 

Ao longo deste processo, O Paralelo 13 procurou exercer sua cobertura com independência editorial, respeito à legislação eleitoral, à Justiça Eleitoral, aos candidatos e, principalmente, aos leitores.

 

Temos amizades construídas ao longo de décadas. Conhecemos candidatos, dirigentes partidários e lideranças dos mais diferentes grupos. Isso é natural para quem acompanha a vida pública tocantinense há tanto tempo. Mas amizade pessoal não pode substituir compromisso jornalístico.

 

Publicamos análises, entrevistas e opiniões. Registramos movimentos do governo e da oposição. Abrimos espaço para diferentes candidaturas e procuramos separar relações pessoais da responsabilidade de informar.

 

Acertamos e certamente também erramos. Jornalismo é feito diariamente e também precisa estar aberto à crítica. O compromisso que permanece é o de olhar os fatos, ouvir os diferentes lados e respeitar a inteligência de quem está do outro lado da tela.

 

AGRADECIMENTOS

Por isso, neste momento, antes mesmo de conhecermos o resultado das urnas, queremos agradecer. Aos parceiros e colaboradores que participaram desta caminhada, às fontes que atenderam nossas ligações. Aos candidatos que concederam entrevistas e apresentaram suas posições. Aos profissionais que contribuíram para nossa cobertura. Mas, principalmente, aos milhares de leitores e leitoras que acessaram O Paralelo 13 durante todo esse período.

Cada leitura, compartilhamento, crítica, mensagem e manifestação demonstra que existe uma relação construída ao longo de quase quatro décadas. Um jornal não existe apenas porque publica. Existe porque alguém lê. E chegar a mais uma eleição com essa relação preservada é parte importante da história que construímos.

 

A eleição de domingo vai encerrar algumas disputas e abrir uma nova etapa em outras. O Paralelo 13 continuará acompanhando a campanha com a mesma disposição, observando movimentos, alianças, discursos, propostas e, principalmente, o comportamento da sociedade.

 

Segundo turno é outra eleição.

 

As alianças podem mudar. Os apoios podem ser reorganizados. O tempo de exposição das candidaturas muda. O eleitor passa a comparar apenas duas alternativas, e uma nova dinâmica começa. Se esse for o caminho indicado pelas urnas, estaremos novamente presentes.

 

Por isso não faremos vencedores antecipados. Não transformaremos pesquisa em urna. Também não desprezaremos o silêncio de quem passou esta campanha longe dos palanques e das discussões políticas. O eleitor tocantinense observou, ouviu e avaliou à sua maneira. Agora chegou a hora de falar por meio do voto.

 

É hora de ouvir as urnas.

Aos candidatos e candidatas, desejamos uma eleição democrática e respeitosa. Aos nossos parceiros e colaboradores, o nosso agradecimento. E aos leitores e leitoras que fizeram conosco mais esta caminhada, o nosso muito obrigado.
No domingo, a palavra será do eleitor.

E, depois dela, continuaremos aqui.

Até as urnas.

 

 

 

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