CONTAGEM REGRESSIVA IMPÕE DECISÃO E LIDERANÇA

Posted On Segunda, 13 Julho 2026 06:12
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Por: Edson Rodrigues

 

 

A política costuma ensinar que, em uma eleição majoritária, o maior adversário nem sempre está do outro lado. Muitas vezes, ele está dentro da própria aliança.

 

É exatamente esse cenário que começa a preocupar lideranças e observadores da sucessão estadual tocantinense. À medida que o calendário eleitoral avança e as convenções partidárias se aproximam, cresce a percepção de que conflitos de interesses individuais podem comprometer projetos políticos antes mesmo do início oficial da campanha.

 

Na avaliação do Observatório Político de O Paralelo 13, o PSD é hoje o partido onde essas tensões aparecem de forma mais evidente.

 

O PASSADO VOLTA AO DEBATE

 

Ex-governador Mauro Carlesse e o senador Irajá Abreu 

 

Na política, memória também é instrumento de análise. Interlocutores lembram episódios anteriores envolvendo o senador Irajá Silvestre que voltaram a ser citados nos bastidores durante a atual crise interna do PSD. Um dos exemplos recordados é a eleição em que Irajá integrou uma chapa ao lado do então candidato ao Governo, Marlon Reis, e do ex-deputado Paulo Mourão, candidato ao Senado. Na época o senador Irajá Silvestre abandou os demais candidatos e seguiu sua própria campanha, episódio que ainda hoje é lembrado por participantes daquela disputa.

 

Outro fato constantemente mencionado diz respeito ao processo eleitoral em que o então deputado Osires Damaso deixou seu projeto de reeleição para disputar o Governo pelo PSD. Segundo relatos recorrentes nos bastidores, semanas antes das convenções houve mudança na estratégia partidária, culminando com a candidatura do próprio Irajá ao Governo.

 

Independentemente das diferentes interpretações sobre esses episódios, eles voltaram ao centro das conversas políticas justamente no momento em que o PSD enfrenta mais uma disputa interna.

 

LAUREZ DIANTE DO MAIOR TESTE POLÍTICO

 

 

 

O vice-governador Laurez Moreira chega ao momento decisivo de sua trajetória política. Pré-candidato ao Governo pelo PSD, ele busca transmitir segurança quanto à manutenção de sua candidatura e afirma possuir respaldo da direção nacional do partido.

 

Entretanto, até este momento, o PSD Nacional ainda não formalizou publicamente qualquer documento confirmando oficialmente a condução do processo eleitoral no Tocantins além da defesa da autonomia do diretório estadual. Em entrevista recente, Gilberto Kassab reafirmou que as decisões cabem à direção estadual, e a Executiva Nacional atua para buscar entendimento entre as lideranças.

 

Na avaliação do Observatório Político de O Paralelo 13, os próximos dias exigirão de Laurez mais do que articulação política, mas principalmente liderança para administrar interesses distintos dentro da própria aliança.

 

A RELAÇÃO COM KÁTIA ABREU

 

 

 

Outro componente importante envolve a relação entre Laurez Moreira e a ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins.

 

Segundo interlocutores próximos ao vice-governador ouvidos pelo Observatório, os entendimentos relacionados à sucessão estadual e à composição da chapa majoritária ocorrem diretamente entre Laurez e a direção nacional do PT, sem participação direta de Kátia Abreu.

 

Essas mesmas fontes afirmam que as conversas partidárias envolvendo o PSD permanecem restritas ao diálogo entre Laurez Moreira e o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

 

O PT MANTÉM SUA POSIÇÃO

 

 

 

Enquanto o PSD administra seus conflitos internos, o PT continua sustentando seu projeto político.

 

Até o momento, permanece em vigor o entendimento que mantém o ex-deputado Paulo Mourão como pré-candidato ao Senado.

 

As declarações recentes de Gilberto Kassab reforçaram esse cenário ao reconhecer que existe um acordo político envolvendo PSD e PT e que eventuais alterações ainda dependem de negociação entre as partes.

 

Na leitura do Observatório Político de O Paralelo 13, a permanência de Paulo Mourão na chapa representa um fator estratégico para o campo político ligado ao presidente Lula no Tocantins.

 

Se o clima de desconfiança entre o vice-governador e pré-candidato ao Governo, Laurez Moreira, e o senador Irajá Silvestre continuar se aprofundando, o cenário mais provável poderá ser uma campanha completamente dissociada entre os dois. Irajá teria todas as condições de conduzir uma candidatura praticamente solo, sem dividir efetivamente o mesmo palanque com Laurez, ainda que ambos permaneçam formalmente na mesma legenda.

 

Nesse contexto, surgem perguntas que passam a dominar os bastidores da política tocantinense: quem, de fato, detém a maioria na Comissão Provisória do PSD no Tocantins? E, mais importante: na condição de dirigente estadual do partido e responsável pela condução da convenção, Laurez Moreira concederá legenda à candidatura de reeleição de Irajá Silvestre caso o ambiente interno permaneça conflagrado?

 

Essas indagações deixaram de ser meras especulações e passaram a integrar o debate político dentro e fora do PSD. Entre aliados do senador Irajá, já há quem defenda abertamente uma intervenção da direção nacional na comissão provisória estadual, caso o impasse não seja superado antes das convenções.

 

O Observatório Político de O Paralelo 13 avalia que o PSD vive seu momento mais delicado desde o início do processo sucessório de 2026. Se prevalecerem os conflitos pessoais sobre a construção de um projeto político comum, a legenda poderá chegar às convenções profundamente dividida.

 

Uma implosão do PSD tocantinense, neste momento, já não pode mais ser descartada. O tempo para a reconstrução da unidade é curto, e as decisões tomadas nos próximos dias poderão definir não apenas o futuro do partido, mas também o destino de algumas das principais candidaturas da sucessão estadual.

 

BRASÍLIA ACOMPANHA O CENÁRIO

 

Informações obtidas pelo Observatório junto a interlocutores em Brasília indicam que pesquisas de consumo interno vêm sendo acompanhadas atentamente pelas lideranças partidárias.

 

Segundo essas fontes, os levantamentos mostram um cenário competitivo e reforçam a necessidade de reorganização das alianças antes das convenções.

 

As mesmas avaliações apontam que uma eventual manutenção da candidatura de Paulo Mourão ao Senado pode influenciar diretamente a disputa pelos votos do eleitorado identificado com o presidente Lula.

 

Embora essas pesquisas de consumo não sejam divulgadas oficialmente, elas fazem parte das discussões políticas que hoje movimentam Brasília e o Tocantins.

 

O TEMPO DAS DEFINIÇÕES

 

 

 

O relógio político entrou em contagem regressiva. As convenções partidárias deixarão pouco espaço para disputas internas prolongadas.

 

Se os conflitos permanecerem acima dos interesses coletivos, qualquer projeto eleitoral corre o risco de chegar fragilizado ao início da campanha.

 

Na política, alianças são construídas com diálogo, confiança e capacidade de liderança.

 

Quando interesses individuais passam a prevalecer sobre o projeto comum, o maior beneficiado costuma ser o adversário.

 

No Tocantins, as próximas semanas dirão se o PSD conseguirá transformar divergências em unidade ou se os conflitos internos continuarão influenciando os rumos da sucessão estadual.

 

 

Última modificação em Segunda, 13 Julho 2026 06:33
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