Da Assessoria

 

 

O juiz Eduardo Barbosa Fernandes, da 1ª Vara Cível da Comarca de Arraias, anulou uma decisão da Câmara Municipal de Novo Alegre que havia aprovado as contas de um ex-prefeito referentes aos exercícios de 2005 a 2008. A sentença, desta terça-feira (13/1), foi proferida em ação popular movida por três pessoas do município e determina que o Poder Legislativo realize um novo julgamento, que deve seguir regras de transparência e imparcialidade.

 

Ajuizada em outubro passado, a ação questiona a validade da sessão da Câmara realizada em 2023, que aprovou as contas do ex-prefeito ao contrariar parecer técnico do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO), o qual recomendava a rejeição.

 

Conforme o processo, os autores afirmam ter havido imoralidade administrativa e impedimento legal ao apontarem que a vereadora relatora dos processos nas comissões do Legislativo era a esposa do ex-prefeito. A ação sustenta que ela presidia a Comissão de Finanças, atuou como relatora e votou a favor das contas do esposo. Os autores também apontam nulidade pela realização de votação secreta no julgamento, quando deveria ter sido em sessão aberta.

 

Ao analisar o processo, o juiz identificou conflito de interesses, falta de votos suficientes e ausência de transparência como irregularidades que comprometem a validade do ato legislativo. Para o juiz, a participação da esposa em todo o processo fere os princípios da moralidade e da impessoalidade administrativa por comprometer "a necessária isenção do órgão julgador e instalar situação objetiva de conflito de interesses", o que não é compatível com a função de controle exercida pelo Poder Legislativo.

 

Além da questão familiar, o magistrado destacou que a Câmara não respeitou o número mínimo de votos exigido pela Constituição. Conforme a sentença, para derrubar um parecer do Tribunal de Contas que recomenda a rejeição de contas, são necessários os votos de dois terços dos vereadores. Em Novo Alegre, que possui nove parlamentares, seriam necessários seis votos, ressalta o juiz, ao apontar que apenas três vereadores participaram da votação.

 

Outra falha apontada pelo juiz é a votação secreta e a restrição do acesso do público à sessão. O magistrado reforçou que o julgamento de contas públicas deve ser transparente e permitir que a população fiscalize a atuação de seus representantes. "A combinação entre votação secreta e limitação do acesso do público fragilizou a legitimidade democrática do julgamento, ocultando a identificação dos votos e dificultando o controle social, o que se revela incompatível com o modelo constitucional da Administração Pública", afirma o juiz.

 

Ao julgar procedente a ação, o juiz anulou a votação, e a aprovação das contas perdeu a validade. A Câmara Municipal de Novo Alegre deve realizar um novo julgamento das contas de 2005 a 2008, conforme a determinação do juiz, que fixou algumas obrigações para a nova sessão.

 

A vereadora, esposa do ex-prefeito, está proibida de participar da votação ou relatar o processo, e a votação deve ser aberta e pública, com livre acesso da população. E, para rejeitar o parecer do Tribunal de Contas que pede a reprovação das contas, serão necessários os votos de pelo menos dois terços dos vereadores aptos a votar.

 

Cabe recurso da decisão ao Tribunal de Justiça.

 

 

Posted On Quarta, 14 Janeiro 2026 05:32 Escrito por

Sucessor de Lewandowski é advogado-geral da Petrobras, já foi ministro de Dilma e tem bom trânsito com ministros do STF e presidentes da Câmara e do Senado

 

 

Por Natália Martins

 

 

Logo cedo, o jurista baiano Wellington Lima e Silva pegou um voo para Brasília (DF) para uma possibilidade de encontro com o presidente Lula. Ele já tinha uma agenda de trabalho na capital federal nesta quarta-feira (14) pela Petrobras, onde atua como advogado-geral, mas um telefonema o fez antecipar a viagem.

 

Após cerimônia no Serpro, Lula seguiu para a primeira conversa pessoalmente com Wellington, que o aguardava no gabinete. Lula, que passaria as orientações e metas para o trabalho do jurista à frente da pasta, já estava decidido sobre a nomeação – e Wellington, decidido a aceitar o desafio.

 

Em 2016, Lima e Silva recebeu indicação para o mesmo cargo pela então presidente Dilma Rousseff, mas a estadia dele na pasta durou pouco tempo. Apenas 11 dias.

 

Na época, Wellington foi obrigado a decidir entre a carreira de procurador no Ministério Público da Bahia ou ser ministro da Justiça, porque a interpretação do STF (Supremo Tribunal Federal) era de que membros do MP não poderiam acumular cargos públicos fora da instituição. Ele era membro do Ministério Público desde 1991 e desistiu de ser ministro para manter a carreira.

Desta vez, Wellington pôde estar na hora e no lugar certos, para o presidente. O Ministério da Justiça e Segurança Pública é a “pasta holofote” do momento, por isso Lula precisa de uma pessoa que seja mais que um ministro-tampão para o período pré-eleitoral. Ele precisa de alguém que facilite a aprovação de pautas da Segurança Pública, tema caro para as próximas eleições.

 

Wellington é muito respeitado na Suprema Corte. Conversa diretamente com os dez ministros do STF e tem relação próxima com sete deles. Também é amigo de Jorge Messias, que deve ser sabatinado para a 11ª vaga do STF.

O baiano também tem bom trânsito com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, e mais recentemente com o presidente da Câmara, Hugo Motta, o que pode ajudar na tramitação de importantes pautas no Congresso, onde estão a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção.

 

O presidente Lula não deve dividir a pasta neste primeiro momento: Wellington ficará responsável por traçar metas para a divisão. Elas farão parte do próximo plano de governo como uma promessa de campanha de Lula para as próximas eleições, uma solução para a área que mais gera preocupação à população brasileira atualmente.

Nas primeiras semanas, Wellington pretende conversar com todos os auxiliares de Lewandowski que ainda não apresentaram desejo de sair. Ele vai pedir relatórios e ouvir o chefe sobre quem permanece e quem será trocado entre seus auxiliares.

 

Um nome que deve permanecer no cargo, a princípio, é o do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, que é escolha do próprio presidente da República e chegou a ser cotado para ministro em uma eventual divisão do ministério.

 

Lima e Silva tem o apoio de nomes fortes dentro do PT (Partido dos Trabalhadores), mas conquistou a confiança do presidente no período em que foi SAJ (secretário para assuntos jurídicos) de Lula no começo do mandato. Depois disso, saiu para ocupar o cargo de Advogado-Geral da Petrobras, onde permanecia até agora.

 

Com perfil técnico e discreto, Wellington pretende buscar apoio em pesquisas para definir políticas na pasta e entregar o que Lula deseja: a segurança pública a seu favor.

 

A nomeação de Wellington será publicada em edição extra do Diário Oficial da União de hoje.

 

 

Posted On Quarta, 14 Janeiro 2026 05:29 Escrito por

Mandado de busca autorizado pelo STF contra deputado federal marca nova fase da Operação Overclean, que investiga esquema de desvio de emendas

 

 

Por Por Jéssica Andrade

 

 

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (13/1) a nona etapa da Operação Overclean com foco no deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), alvo de mandado de busca e apreensão em seu apartamento funcional em Brasília e o residencial, em Salvador, no âmbito de um amplo esquema de desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. As informações são do g1.

 

A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, cumpriu nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal, todos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao inquérito.

Mendonça Júnior teve o apartamento funcional e outros endereços sob mandado de busca, no curso de uma investigação que apura a atuação de uma rede de empresas, empresários e agentes públicos suspeitos de usar emendas parlamentares para favorecer contratos superfaturados, montar operações fraudulentas e ocultar a origem de recursos desviados dos cofres públicos.

 

Félix Mendonça Júnior é parlamentar há mais de 10 anos. Ele ainda não se manifestou. A reportagem do Correio procurou a defesa do deputado mas, até a última atualização desta matéria, não obteve retorno.

 

Investigação que já dura mais de um ano

A Operação Overclean foi iniciada em dezembro de 2024 para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro.

Ao longo das fases anteriores, a investigação já havia ultrapassado diferentes estados e atingido nomes políticos relevantes. Em etapas anteriores, por exemplo, a PF cumpriu mandados contra o deputado federal Dal Barreto (União-BA), inclusive apreendendo seu celular em um aeroporto e revistando sua casa e um posto de combustíveis ligado a ele, além da atuação de seu operador financeiro, que chegou a usar tornozeleira eletrônica.

 

Também constou no radar da Overclean, em outras fases, a família do deputado Elmar Nascimento (União-BA) — com mandados contra parentes e bloqueios de valores — além de prefeitos e ex-gestores municipais da Bahia e de outros estados sob suspeita de envolvimento no mesmo esquema maior de desvios e fraudes.

A última fase da operação foi deflagrada em outubro do ano passado. Na ocasião, foram cinco mandados de busca e apreensão e o sequestro de valores obtidos de forma ilícita, em quatro estados.

 

O secretário nacional do Podemos, Luiz França, e ex-secretários de Educação e Planejamento do Tocantins foram alvos.

 

A Operação Overclean já movimentou bloqueios milionários de bens e investigação sobre desvio de cerca de R$ 1,4 bilhão em recursos públicos, com foco em emendas parlamentares e contratos superfaturados desde sua primeira fase no fim de 2024.

 

 

Posted On Terça, 13 Janeiro 2026 13:47 Escrito por

Nesta terça, a Polícia Federal deflagrou mais uma fase da Operação Overclean e teve como alvo o deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA)

 

 

Por Luciana Lima

 

 

O pagamento de emendas parlamentares foi recorde em 2025 e, para este ano eleitoral, cerca de R$ 61 bilhões foram destinados pelos congressistas na LOA 2026 (Lei Orçamentária Anual) para repasses obrigatórios, um valor acima do que o governo federal aceita pagar. Mas, enquanto deputados e senadores anseiam por levar dinheiro para suas bases, o STF (Supremo Tribunal Federal) mantém as ações de fiscalização sobre a aplicação de dinheiro público.

 

Por causa da previsão de realização de novas operações contra desvios de recursos de emendas, o ministro Kassio Nunes Marques, relator desse processo no STF, decidiu manter o sigilo sobre os inquéritos da Operação Overclean, que teve a 9ª fase deflagrada nesta terça-feira, 13. De acordo com fontes do STF, mais etapas da investigação serão realizadas e dependem da análise das provas obtidas nas buscas.

 

Nesta terça, a Polícia Federal tem novamente como alvo o deputado Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), que já havia havia sido investigado na 5ª fase da operação, em julho de 2025, quando a polícia identificou que ele teria enviado ao menos R$ 4 milhões em emendas para prefeituras investigadas por indícios de fraudes em licitações. Um assessor do deputado é suspeito de negociar os repasses em troca de pagamentos de propina.

 

No curso da operação, a PF informou ao STF que o parlamentar teria recebido propinas desses contratos com três prefeituras. Nunes Marques determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

 

As buscas desta terça foram realizadas em endereços ligados ao deputado: o apartamento funcional utilizado por ele em Brasília, a sede do PDT na Bahia, e um apartamento de alto padrão, localizado no chamado Corredor da Vitória, em Salvador, avaliado em cerca de R$ 50 milhões.

 

Entre os crimes investigados estão a formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos e lavagem de dinheiro.

 

 

Posted On Terça, 13 Janeiro 2026 13:45 Escrito por

Da Assessoria

 

 

O Ministério Público do Tocantins (MPTO), por meio da atuação integrada do Centro de Apoio Operacional de Urbanismo, Habitação e Meio Ambiente (CAOMA), teve papel decisivo na regulamentação das intervenções eventuais ou de baixo impacto ambiental em Áreas de Preservação Permanente (APPs) no estado. A atuação técnica do MPTO subsidiou diretamente a edição da Resolução nº 143/2025 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (COEMA), publicada em dezembro, além de atender a demanda apresentada em ação civil pública (ACP) proposta pela 1ª Promotoria de Justiça de Tocantinópolis.

 

A regulamentação foi elaborada em um contexto de insegurança jurídica identificado pelo Ministério Público em diversos procedimentos administrativos e ações judiciais, especialmente aqueles relacionados a balneários recreativos instalados às margens de cursos d'água. Na prática, isso significava que proprietários rurais, empreendedores de turismo e órgãos ambientais não tinham clareza sobre o que poderia ou não ser feito nessas áreas protegidas, gerando tanto degradação ambiental quanto paralisação de atividades econômicas legítimas.

 

 

Em relatórios técnicos produzidos ao longo dos anos, o CAOMA apontou falhas nos processos de licenciamento ambiental, intervenções irregulares em APPs e inexistência de norma estadual específica para disciplinar atividades consideradas eventuais ou de baixo impacto ambiental, conforme previsto no Código Florestal.

 

Como explica o promotor de Justiça Saulo Vinhal, essas constatações embasaram a atuação do MPTO na ACP ajuizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Tocantinópolis. A ação destacou, além das irregularidades ambientais, a omissão do COEMA quanto à regulamentação prevista na Lei Federal nº 12.651/2012. No curso do processo, o Poder Judiciário determinou que o Conselho prestasse informações sobre o andamento da norma, o que impulsionou a retomada e a conclusão dos trabalhos regulamentares. A edição da resolução decorre dessa atuação institucional do Ministério Público, que identificou a lacuna normativa, levou o tema ao Judiciário e acompanhou ativamente o processo de construção da nova regulamentação.

 

A partir da demanda, o CAOMA intensificou o assessoramento técnico-institucional ao acompanhar e subsidiar as discussões no âmbito do COEMA, por meio da Câmara Técnica Permanente de Florestas e da Câmara Técnica Permanente de Licenciamento e Qualidade Ambiental. O trabalho resultou na consolidação de critérios objetivos para a caracterização de atividades eventuais ou de baixo impacto ambiental, com foco especial em balneários recreativos, áreas de lazer, turismo ecológico e outras atividades compatíveis com a preservação ambiental.

 

Resolução COEMA

A Resolução COEMA nº 143/2025 estabelece parâmetros técnicos e procedimentos para intervenções em APPs que alinham a legislação estadual às diretrizes do Código Florestal e às decisões do Supremo Tribunal Federal, como a proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4.988. A norma busca conciliar a proteção dos recursos naturais com o desenvolvimento sustentável e dar maior segurança jurídica à atuação dos órgãos ambientais, aos empreendedores e à sociedade.

 

 

Com a nova regulamentação, atividades, como balneários recreativos, áreas de lazer e turismo ecológico, passam a ter regras claras sobre o que pode ou não ser feito em APPs. A resolução permite, por exemplo, a construção de trilhas para ecoturismo com largura máxima de dois metros, rampas de lançamento de barcos e pequenos ancoradouros de até três metros de largura, decks ou passarelas de madeira para acesso a cursos hídricos limitados a 5% da APP da propriedade, além de moradias para agricultores familiares e comunidades tradicionais.

 

Para balneários consolidados até julho de 2008, a norma exige a adoção de técnicas de conservação do solo e da água e a implementação de sistema de esgotamento sanitário adequado, com instalação de fossas sépticas fora da APP. A resolução também prevê a recuperação de áreas degradadas por meio de Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) em diversas hipóteses de intervenção. Todas essas atividades dependem de licenciamento ambiental e devem respeitar critérios técnicos que garantam a proteção dos recursos hídricos, da biodiversidade e da estabilidade do solo.

 

Para os analistas ministeriais especializados Márcio Augusto da Silva e Marcos Antonio Oster, a edição da resolução representa um avanço institucional relevante e reflete a atuação articulada entre o MPTO e os órgãos que integram o sistema ambiental estadual.

Contexto e importância

São Áreas de Preservação Permanente as faixas de vegetação protegidas localizadas ao longo de rios, nascentes, encostas e outros ambientes sensíveis. Sua função é proteger o solo, os recursos hídricos e a biodiversidade. A legislação ambiental brasileira, especialmente o Código Florestal, estabelece regras rigorosas para a proteção dessas áreas, com o objetivo de evitar a degradação ambiental e assegurar serviços ambientais essenciais, como a qualidade da água e a estabilidade do solo.

 

"Essa resolução surge em um momento em que o estado busca equilibrar desenvolvimento e preservação ambiental, ao oferecer diretrizes mais claras para proprietários rurais, técnicos ambientais e órgãos de fiscalização. O objetivo é proteger os rios e, ao mesmo tempo, dar segurança jurídica a quem atua corretamente e a quem deseja aproveitar os balneários tocantinentes", destacou o promotor de Justiça Saulo Vinhal.

 

A atuação do MPTO reafirma o papel constitucional do Ministério Público na defesa do meio ambiente e na indução de políticas públicas que conciliem preservação ambiental, segurança jurídica e desenvolvimento sustentável.

 

A ação civil pública que subsidiou a atuação do MPTO tramita perante a 1ª Vara Cível de Tocantinópolis e está autuada sob o número 0002345-97.2024.8.27.2740.

Texto: Lidiane Moreira

 

 

 

 

Posted On Terça, 13 Janeiro 2026 05:00 Escrito por
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