CRISE NAS PROPORCIONAIS: DESISTÊNCIA EM MASSA À VISTA

Posted On Sexta, 22 Mai 2026 07:51
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PANORAMA POLÍTICO

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

Independentemente de qual das três principais chapas majoritárias venha a disputar as eleições estaduais de 2026 em Tocantins, a reclamação é unânime entre pré-candidatos a deputado estadual e federal: 99,9% afirmam não estar recebendo qualquer tipo de apoio logístico ou financeiro. Muitos relatam ao Observatório Político de O Paralelo 13 que a situação é insustentável e que há um risco real de desistência em massa.

“Nunca vimos uma eleição tão desestruturada. Não há combustível político para manter a militância ativa”, confidenciou um pré-candidato ouvido pela reportagem.

A AUSÊNCIA DOS GRANDES LÍDERES

 

Esta será a primeira eleição estadual sem a presença de dois nomes que marcaram a história política tocantinense: José Wilson Siqueira Campos, criador do Estado e da capital Palmas, e Dr. Brito Miranda, estrategista e coordenador de campanhas vitoriosas. A ausência desses líderes é sentida por veteranos que já ocuparam cadeiras no Legislativo. Eles lembram que, em tempos passados, havia uma rede de apoio que abastecia aliados — e até adversários com chances reais de vitória — com infraestrutura mínima para disputar.

 

“Siqueira e Brito sabiam que uma eleição se ganha com base sólida. Hoje, estamos órfãos dessa visão”, lamentou um ex-deputado estadual.

NOVOS TEMPOS, NOVAS DIFICULDADES

 

Os três principais pré-candidatos ao governo — Dorinha Seabra, Vicentinho Júnior e Laurez Moreira — pertencem à classe média e não dispõem de grandes recursos financeiros para investir em candidaturas proporcionais. O atual governador, Wanderlei Barbosa, também não deve direcionar recursos públicos para campanhas, o que aumenta o desalento entre os pré-candidatos.
Enquanto isso, deputados federais e estaduais já em exercício contam com milhões em emendas impositivas e centenas de cargos comissionados, criando uma concorrência desigual.

PRIMEIROS MANDATOS EM RISCO

Entre os que buscam um primeiro mandato, o cenário é ainda mais desafiador. Sem apoio dos partidos ou das chapas majoritárias, muitos dificilmente chegarão às convenções. A falta de estrutura ameaça inviabilizar candidaturas que poderiam renovar o Legislativo, mas que não encontram condições mínimas de disputa.

 

Senador Edaurdo Gomes 

 

Senadaor Irajá Abreu

Apesar do pessimismo, alguns pré-candidatos ainda enxergam uma saída: parcerias com postulantes ao Senado. Entre os 11 pré-candidatos, dois nomes se destacam por serem considerados “endinheirados” e por pertencerem a partidos com fundo eleitoral robusto, que são Eduardo Gomes (PL), atual vice-presidente do Senado e Irajá Abreu (PSD). A expectativa é que os doi possam investir em candidaturas proporcionais, garantindo ao menos propaganda partidária e algum suporte financeiro.

O FILTRO DAS CONVENÇÕES

O quadro aponta para uma eleição marcada por desistências. Pré-candidaturas frágeis dificilmente chegarão às convenções. Outras, para não se expor ao desgaste de uma derrota anunciada, devem recuar antes mesmo da disputa. As que persistirem até as convenções, sem garantias mínimas de estrutura, tendem a abandonar o processo.

É caixão e vela preta para quem não tiver apoio real. A política não perdoa improviso.

 

 

Última modificação em Sexta, 22 Mai 2026 08:01
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