Desistência de Cleitinho força Flávio Bolsonaro a redesenhar estratégia em Minas

Posted On Terça, 04 Agosto 2026 04:49
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Saída de Cleitinho da corrida em Minas representa perda de um aliado regional para Flávio Bolsonaro Saída de Cleitinho da corrida em Minas representa perda de um aliado regional para Flávio Bolsonaro

Senador mineiro afirmou não estar preparado para enfrentar uma campanha eleitoral enquanto vive o luto pela morte do irmão

 

 

Por Mariana Saraiva - R 7 

 

 

A decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) de desistir da disputa pelo governo de Minas Gerais embaralhou o tabuleiro político no segundo maior colégio eleitoral do país e abriu um desafio para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Sem um aliado de peso para dividir o palanque no estado, o presidenciável terá de reconstruir sua estratégia e buscar novas alianças para manter competitividade em um dos estados mais decisivos da corrida ao Palácio do Planalto.

 

Na avaliação de cientistas políticos, a saída de Cleitinho da corrida pelo Palácio da Liberdade não somente representa a perda de um aliado regional para Flávio, mas também altera o equilíbrio das articulações da direita em Minas Gerais, obrigando o PL a reorganizar sua presença no estado.

Para o cientista político Gabriel Amaral, a desistência exige uma revisão da estratégia justamente em um estado que, historicamente, costuma servir como um termômetro da competitividade de candidaturas presidenciais, já que todos os presidentes eleitos desde a redemocratização venceram também em Minas Gerais.

 

“Esse dado, porém, deve ser interpretado menos como uma relação de causa e efeito e mais como um sintoma da capacidade de construir uma coalizão nacional. Minas concentra características econômicas, sociais e culturais presentes em diferentes regiões do país, tornando-se um retrato bastante representativo do eleitorado brasileiro”, argumenta.

 

O especialista destaca ainda que Cleitinho poderia oferecer um “palanque altamente competitivo” ao PL em um estado em que a capacidade de articulação é amplamente valorizada.

 

“Sua saída não significa apenas a perda de um aliado eleitoral, mas a necessidade de reorganizar toda a estrutura de apoio à candidatura presidencial, reconstruindo alianças e definindo quem exercerá a liderança política do campo conservador em Minas”, salienta.

 

Mudança de rota

 

A decisão de não concorrer ao governo de Minas Gerais foi anunciada após uma reunião, em Brasília, entre Cleitinho, o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), e o presidente estadual da legenda, deputado Euclydes Pettersen (MG), nessa segunda-feira (3). O senador afirmou que optou por permanecer no Senado por não se sentir emocionalmente preparado para enfrentar uma campanha eleitoral enquanto ainda vive o luto pela morte do irmão.

 

O cientista político Márcio Coimbra avalia que o anúncio muda significativamente os cálculos do PL em Minas Gerais, ao retirar da campanha um candidato com forte capacidade de mobilização popular e “capaz de unir a pauta conservadora a uma comunicação populista e de massa”.

“Sem Cleitinho liderando a disputa estadual, Flávio perde o principal motor de engajamento no interior e na região metropolitana, sendo forçado a redesenhar sua estratégia de última hora para negociar composições pragmáticas”, pondera.

 

Quais são as alternativas

Com a saída de Cleitinho, a principal tarefa do PL passa a ser encontrar um novo eixo de sustentação política em Minas.

 

Segundo Gabriel Amaral, uma das possibilidades é construir uma candidatura capaz de reunir PL, Republicanos, PP e outros partidos de centro-direita, tendo Marcelo Aro como um dos nomes citados nas negociações. Para ele, porém, o desafio vai além da escolha de um candidato ao governo.

 

“A questão central não é apenas definir quem disputará o governo estadual, mas identificar quem terá condições de coordenar politicamente a campanha presidencial em Minas Gerais”, avalia.

 

Amaral destaca ainda que a candidatura presidencial de Romeu Zema tende a tornar o cenário mais complexo. “Pela primeira vez, dois presidenciáveis relevantes disputarão o apoio de um mesmo campo político no estado. Isso desloca parte da disputa para além do eleitor e passa a envolver prefeitos, parlamentares, lideranças regionais e estruturas municipais”, afirma.

 

A adesão a uma chapa articulada pelo bloco PP-União Brasil passa a ser, na avaliação de Márcio Coimbra, uma das possibilidades mais viáveis para a estratégia de Flávio Bolsonaro no estado.

 

 

“Outra possibilidade é uma composição com o vice-governador Mateus Simões, herdeiro político de Romeu Zema. Resta ainda ao PL lançar um nome próprio, embora essa alternativa tenha menor densidade eleitoral”, analisa.

 

O que Flávio perde sem Cleitinho?

Os especialistas concordam que a principal perda não está apenas no potencial de transferência de votos, mas na capacidade de estruturar uma campanha integrada entre a disputa estadual e a presidencial.

 

Para Gabriel Amaral, Cleitinho reunia atributos que facilitariam a organização da campanha em todo o estado. “Cleitinho reunia liderança nas pesquisas, forte inserção no interior e elevada identificação com o eleitorado conservador, características que permitiriam estruturar uma campanha muito mais coordenada em todo o estado”.

 

Márcio Coimbra afirma que o senador funcionaria como um importante mobilizador da base bolsonarista. “Ter Cleitinho no mesmo palanque simplificaria exponencialmente a travessia de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. O senador funcionaria como um poderoso puxador de votos e vetor de mobilização militante, garantindo um palanque altamente competitivo no estado”, conclui.

 

 

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