O escritor, historiador e jornalista portuense, Edivaldo Rodrigues, está nos preparativos finais para a festa literária de lançamento de “Ladainhas, Benditos e Cabarés”, seu 16º livro. Desta feita, trata-se de uma coletânea de crônicas que dá vida a dezenas de personagens multifacetados que transitam, com escancarada liberdade, entre o sagrado e o profano — pilares e princípios que consolidaram a secular sociedade de Porto Nacional
Por Por Antônio Coelho Carvalho
Segundo o escritor portuense, esta sua décima sexta obra literária, “Ladainhas, Benditos e Cabarés”, é um livro alinhavado por uma coletânea de crônicas que tem como base de sustentação os processos histórico, social, político, econômico e cultural que fundamentam a construção de uma coletividade secular, como a de Porto Nacional.
Ele revela ainda que, com esses escritos, quer tão somente dividir com o seu fiel leitor algumas pinceladas de um humor apimentado que retrata, em épocas distintas e com tonalidades ficcionais, o cotidiano da sociedade portuense, sempre moldando incontáveis ações por meio de um elo conveniente que liga o sagrado ao profano na formulação de crenças que desafiam as teses do criacionismo e do evolucionismo na mente desse povo.
“Esse conjunto de crônicas, construídas como histórias e causos, foi moldado em uma linguagem coloquial, buscando retratar uma Porto Nacional abraçada com suas hipocrisias, segredando recorrente devassidão cotidiana, vivenciada nas ruelas, becos e praças; nos seus cabarés, salões de festas e bares, templos, altares e terreiros, onde todos os personagens, por nós desnudados, têm uma identificação indissolúvel com a realidade atemporal dessa nossa gente”, revela Rodrigues.
O literato também garante que, nesta coletânea contendo 20 crônicas, tem como propósito conduzir o leitor a inúmeros labirintos que o levarão a uma Porto Nacional, em tempos diferentes, comprometida convenientemente com seu conservadorismo religioso, ao mesmo tempo em que ronda a libertinagem, pois, entre uma ladainha e um bendito, o povo portuense sempre fechou os olhos para o que acontece entre quatro paredes.

“Esses nossos personagens, retratos fiéis da nossa gente, incondicionalmente abraçavam e abraçam o dia a dia nas mesas de jogos, nas bebedeiras ilustradas de amores e desamores e nas esperanças tardias da salvação quando chegar o momento do chamado do Nosso Pai Celestial. Ladainhas, Benditos e Cabarés é um aprazível conjunto de histórias e causos que envereda pelos meandros políticos, sociais, culturais e econômicos dessa comunidade, que nasceu nos idos de 1738 e que, de lá para cá, foi moldada por figuras políticas, expressivas lideranças religiosas e inúmeros mandatários do povo, que certamente contaram com a decisiva contribuição de bêbados, malandros, loucos e prostitutas para abrir os caminhos que, mesmo tortuosos, conduziram a esta Porto Nacional que hoje vivenciamos”, concluiu o escritor, complementando:
“Escrevi essas crônicas ainda em 2020, e a produção do livro foi finalizada em 2021. Só que, antes da impressão, escrevi dois romances e outra coletânea de crônicas políticas, que foram lançados em 2022, 2023 e 2025. Só agora foi possível finalizar este trabalho”, explica.
Uma tarde de autógrafos no meio do povo e com a presença de alguns personagens do livro “Ladainhas, Benditos e Cabarés”

Segundo Edivaldo Rodrigues, esse lançamento será diferente de todos os que ele fez ao longo de mais de 23 anos de literatura. “Já lancei livros em feiras literárias, Salão do Livro, Semana da Cultura; em ambientes como churrascarias, choperias, restaurantes, auditórios escolares (Tocantins), na Casa do Livro e no Clube de Engenharia (Goiânia). Agora será em um ambiente totalmente popular, junto à boêmia da minha cidade e na companhia de alguns personagens aos quais dei vida nessas 20 crônicas que compõem Ladainhas, Benditos e Cabarés.”
Rodrigues revelou ainda, embora sem data definida, que está preparando uma grande tarde de autógrafos no lendário Bar Central, em Porto Nacional, e explica o motivo: “É um ambiente icônico que já acolheu várias gerações de boêmios, pertencentes a todas as camadas sociais dessa secular coletividade. Dentre eles, muitos aparecem nas páginas deste livro”, afirma.
Edivaldo Rodrigues também contou que alguns amigos sugeriram promover uma reforma no local. Ele recusou: “Quero esse retrato, a cara do povo que vivencia o lugar e que sente alegria e leveza na alma somente por estar ali. Eu sempre frequentei aquelas redondezas desde a minha adolescência. No barulhento Bar de Sinuca de Chico Melo dei minhas primeiras tacadas e, no lendário Bar de Chirux, experimentei o sabor do primeiro picolé. Completava o cenário do lugar a rica Casa Nova Vida, a luxuosa loja de Nossa Senhora das Merces e a Casa Amaral, que depois foi transformanda no Bar Central, onde bebi minha primeira cerveja. Essa região de Porto Nacional esculpiu parte da minha história, proporcionou-me olhar adiante e enxergar o futuro, e aqui estou, plenamente realizado como cidadão e como profissional de comunicação.”