Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Há momentos na política em que a pesquisa eleitoral não revela apenas uma preferência momentânea. Ela também pode refletir uma trajetória. Na disputa pelas duas vagas do Tocantins ao Senado em 2026, Eduardo Gomes chega à reta decisiva na liderança, ocupando uma posição que nenhum de seus adversários conseguiu alcançar até agora de forma tão recorrente nos levantamentos divulgados.
O senador apareceu na frente no Real Time Big Data, com 26%, e também liderou a Paraná Pesquisas, com 35,1%. No levantamento espontâneo da Paraná, foi igualmente o nome mais citado para o Senado. Outros institutos divulgados ao longo da campanha também vêm colocando Eduardo Gomes à frente.
Pesquisa é fotografia, não é urna.
Não existe candidato eleito antes de 4 de outubro. Mas, quando diferentes institutos, utilizando metodologias e amostras distintas, repetidamente apontam o mesmo nome na primeira posição, existe um fenômeno político que merece ser analisado.
Por que Eduardo Gomes lidera?
A resposta talvez não esteja apenas nos últimos 30 dias de campanha. Está numa trajetória construída ao longo de décadas.
DA CÂMARA MUNICIPAL AO CONGRESSO
Eduardo Gomes começou sua caminhada política muito antes de chegar ao Senado. Participou dos movimentos pela criação do Tocantins, exerceu funções públicas em Xambioá, Araguaína e Palmas e foi vereador da Capital por dois mandatos, tendo presidido a Câmara Municipal.
Depois deu um salto que, à época, exigia coragem política: saiu de uma eleição municipal para disputar uma das oito cadeiras do Tocantins na Câmara dos Deputados.
Conseguiu.
Exerceu três mandatos como deputado federal. Ali foi construindo relações, aprendeu a transitar entre partidos, conheceu a máquina administrativa federal, criou interlocução com ministérios e transformou articulação política em um de seus principais ativos.
Ao lado da esposa, Arlinda Carla, Eduardo Gomes também construiu uma trajetória familiar que acompanhou sua caminhada pública e política. A dimensão familiar aparece em diferentes momentos de sua vida e ajuda a compreender também o significado pessoal de algumas iniciativas voltadas à saúde, à inclusão e ao atendimento de famílias tocantinenses.
A CHEGADA AO SENADO
Em 2018, Eduardo Gomes decidiu buscar um novo patamar. Disputou o Senado e garantiu uma das cadeiras do Tocantins. Tomou posse em 2019 e, logo depois, já ocupava um dos espaços da Mesa Diretora, sendo eleito segundo-secretário do Senado Federal. Em outubro daquele mesmo ano, durante o governo Jair Bolsonaro, Gomes foi escolhido para exercer a liderança do governo no Congresso Nacional.
Ali estava numa função que exigia diálogo permanente com Câmara, Senado, ministros, Palácio do Planalto, líderes partidários e bancadas dos mais diferentes campos políticos.
Foi nesse ambiente que o senador ampliou sua capacidade de conversar com diferentes forças políticas.
A trajetória continuou.
Hoje, Eduardo Gomes ocupa a primeira vice-presidência do Senado Federal, uma das posições institucionais mais importantes do Poder Legislativo brasileiro. Para um senador de um Estado com pouco mais de 1 milhão de eleitores, alcançar a primeira vice-presidência da Casa é politicamente relevante e amplia sua capacidade de interlocução em Brasília.
OS 139 MUNICÍPIOS
Mas política no Tocantins não é feita apenas nos corredores do Congresso. É feita nos municípios. E talvez esse seja outro ponto importante para compreender os números atuais de Eduardo Gomes.
Ao longo do mandato, o senador construiu relacionamento com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças municipais das mais diferentes correntes políticas. Emendas parlamentares foram destinadas a diversas áreas.
Isso significa saúde, ambulâncias, máquinas, asfalto, equipamentos, obras, unidades de saúde e estruturas municipais.
Quem acompanha política sabe que recursos federais possuem um efeito que vai além da inauguração de uma obra.
Eles criam vínculos políticos.
Essa capilaridade municipal é um patrimônio particularmente importante numa eleição para o Senado.
HOSPITAL DE AMOR: MAIS DE R$ 137 MILHÕES
Talvez um dos exemplos mais visíveis dessa atuação seja o Hospital de Amor de Palmas.
Até junho deste ano, fontes locais registravam mais de R$ 137 milhões em recursos destinados pelo senador à instituição para expansão da estrutura, aquisição de equipamentos e fortalecimento do atendimento oncológico.

Senador Eduardo Gomes e dr Henrique Prata vistoriando as obras do Hospital de Amor de Palmas
É um investimento que toca diretamente numa das questões mais sensíveis para qualquer família:
a saúde. O câncer não pergunta em quem alguém vota. Não distingue partido, não separa governo e oposição. Por isso, iniciativas relacionadas ao atendimento oncológico possuem também uma dimensão humana que ultrapassa a política partidária.
CESI SARAH GOMES: RECURSO E HISTÓRIA PESSOAL
Em Palmas, outra iniciativa carrega para Eduardo Gomes um significado ainda mais particular.
O Centro de Educação e Saúde Inclusiva Sarah Gomes, construído na Capital para atendimento especializado a pessoas neurodivergentes, teve sua obra concluída neste ano.
O investimento da construção foi de aproximadamente R$ 5,53 milhões, dos quais R$ 4,95 milhões vieram de emenda parlamentar de Eduardo Gomes.
O centro foi projetado para oferecer atendimento integrado nas áreas de educação e saúde e capacidade para atender aproximadamente 400 crianças.
O nome do centro não foi escolhido ao acaso. Sarah Gomes era filha do senador Eduardo Gomes e de Arlinda Carla. Sarah nasceu com síndrome de Down e, posteriormente, foi diagnosticada com leucemia. Não resistiu à doença. A homenagem transforma uma experiência profundamente pessoal da família em uma estrutura pública voltada ao acolhimento de outras famílias.
O prédio possui salas especializadas, ambiente multissensorial, fisioterapia, espaços de descompressão e atendimento multidisciplinar.
É difícil separar completamente política e vida quando uma obra nasce também da memória de uma filha.
RESULTADOS
Eduardo Gomes também teve participação na articulação de projetos e programas de interesse do Tocantins. Sua passagem por posições centrais em Brasília ampliou o trânsito junto ao governo federal, Congresso e órgãos responsáveis pela execução de políticas públicas. E há uma característica que merece registro.
Governos mudaram. O Tocantins passou pelas administrações de Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa. O Brasil passou por diferentes conjunturas políticas.
Eduardo Gomes permaneceu exercendo interlocução institucional. Essa capacidade de conversar com quem está ocupando o governo, sem necessariamente abandonar sua identidade partidária, sempre foi uma das marcas de sua atuação.
Ao longo desses anos, recursos federais oriundos de emendas e articulações políticas chegaram aos municípios e ao Governo do Estado.
Aliados do senador estimam que esse conjunto de investimentos se aproxima da casa dos R$ 3 bilhões ao longo do mandato.
É uma cifra expressiva, embora a contabilização total dependa da metodologia utilizada, distinguindo emendas individuais, recursos de bancada, convênios e outras transferências federais.
Eduardo Gomes transformou sua posição em Brasília em uma rede de interlocução com os 139 municípios tocantinenses.
UFNT
Outro capítulo relevante de sua trajetória foi a participação política nas articulações relacionadas à Universidade Federal do Norte do Tocantins – UFNT.
A expansão das ferramentas federais disponíveis aos municípios, entre elas programas e estruturas como a Codevasf, também aumentou a capacidade da bancada tocantinense de buscar equipamentos, obras e investimentos.
Essas ações ajudam a compreender por que Eduardo Gomes adquiriu presença política em praticamente todas as regiões do Tocantins.
POR QUE EDUARDO GOMES LIDERA?
Na mais recente pesquisa do Instituto Veritá, divulged nests sexta-feira, 4, Eduardo Gomes voltou a aparecer na liderança da disputa pelo Senado, com 39,2% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Alexandre Guimarães, com 27,8%. O levantamento ouviu 1.220 eleitores tocantinenses e reforça a tendência observada nas rodadas anteriores, nas quais o atual primeiro-vice-presidente do Senado também ocupou a primeira colocação.
Voltamos à pergunta inicial. Por que Eduardo Gomes lidera? Não existe uma resposta única.
Pesquisa mede intenção de voto. Ela não consegue explicar sozinha todas as razões que levam cada eleitor a escolher determinado candidato. Mas politicamente existem fatores que ajudam a interpretar o cenário. Eduardo possui alto conhecimento eleitoral. Tem décadas de vida pública. Construiu relacionamentos nos 139 municípios. Possui interlocução com prefeitos de diferentes partidos. Tem presença institucional em Brasília. Ocupa hoje a primeira vice-presidência do Senado. E disputa a reeleição podendo apresentar ao eleitor ações concretas de um mandato já exercido.
Essa combinação oferece uma vantagem importante em relação aos candidatos que ainda buscam ampliar seu conhecimento perante o conjunto do Estado.
Eduardo possui vantagem, mas ainda existe muito voto em disputa. Somente o eleitor e a eleitora do Tocantins terão a palavra final.
Um ótimo fim de semana prolongado a todos e a todas.
Bençãos.