Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A divulgação da pesquisa Paraná Pesquisas, na última quarta-feira (24), Dia de São João, trouxe ao cenário político tocantinense algo muito além dos números. O levantamento acabou oferecendo uma verdadeira radiografia da sucessão estadual de 2026 e permitiu identificar virtudes, fragilidades e desafios tanto da situação quanto da oposição.
Na avaliação do Observatório Político de O Paralelo13, a principal mensagem das pesquisas não está necessariamente na liderança de um candidato ou no crescimento de outro, mas na necessidade urgente de maior unidade dentro do grupo político que sustenta a pré-candidatura da senadora Professora Dorinha Seabra ao Governo do Estado.
Aqui é preciso reconhecer que poucos nomes trabalharam tanto politicamente nos últimos dois anos quanto Dorinha. Ela percorreu o Tocantins, reuniu prefeitos, consolidou alianças, dialogou com lideranças e construiu uma pré-candidatura sólida, muito antes do início oficial do calendário eleitoral.
UMA DISPUTA QUE COMEÇOU HÁ DOIS ANOS
O processo sucessório tocantinense não começou agora. Na prática, a disputa teve início no momento em que o vice-governador Laurez Moreira se afastou politicamente do governador Wanderlei Barbosa.
A partir dali, três projetos começaram a ganhar forma: Laurez Moreira, Amélio Cayres e Professora Dorinha.
Naquele momento, o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, era apontado como um dos nomes mais fortes dentro da base governista. Contudo, os acontecimentos políticos e jurídicos que atingiram o governo acabaram alterando completamente o cenário.
As articulações em Brasília e a necessidade de reorganizar o grupo resultaram na consolidação do apoio do governador Wanderlei Barbosa às candidaturas da senadora Professora Dorinha ao Governo e do senador Eduardo Gomes à reeleição.

Amélio, por sua vez, passou a integrar o grupo político liderado pelo deputado federal Vicentinho Júnior.
Enquanto isso, Dorinha seguiu na estrada. Ao lado do senador Eduardo Gomes e do deputado federal Carlos Gaguim, construiu uma ampla rede de apoios que hoje reúne prefeitos, vereadores, deputados e lideranças em praticamente todas as regiões do Estado. Vale ressaltar que a pré-candidata ao governo conta com o apoio do G5, idealizado pelo prefeito da Capital, Eduardo Siqueira Campos, o grupo reúne os gestores das principais cidades do Tocantins (Palmas, com Eduardo Siqueira; Araguaína com Wagner Rodrigues; Gurupi com Josi Nunes; Paraíso do Tocantins com Celso Moraes e Porto Nacional com Ronivon Maciel).
O MAIOR PATRIMÔNIO POLÍTICO CHAMA-SE WANDERLEI BARBOSA
Se existe um ativo eleitoral importante para a candidatura governista, esse ativo atende pelo nome de Wanderlei Barbosa.
O governador chega ao período pré-eleitoral com altos índices de aprovação, resultado raro na política brasileira.
Sua gestão apresenta entregas concretas, servidores receberam progressões, os salários permanecem em dia, obras estruturantes avançaram em diversas regiões os investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública ampliaram a presença do Estado.
O Tocantins consolidou equilíbrio fiscal, ampliou investimentos e ganhou reconhecimento nacional pela responsabilidade administrativa.
Recentemente, o Estado voltou a receber premiações e reconhecimento em Brasília pelas boas práticas de gestão pública, eficiência administrativa e equilíbrio das contas públicas.
Esse conjunto de resultados transforma Wanderlei Barbosa em uma das principais lideranças políticas do Tocantins. E sua participação efetiva no processo eleitoral poderá ser decisiva.
O QUE FALTA É COORDENAÇÃO
A candidatura de Dorinha possui mais de cem prefeitos. Conta com a maioria dos partidos políticos. Tem o apoio do governador. Possui ao seu lado o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes. Conta com Carlos Gaguim na disputa ao Senado. Tem forte presença entre deputados estaduais, federais e lideranças municipais.
Sob qualquer análise, trata-se da maior estrutura política atualmente reunida no Estado.
Mas existe um problema.
Falta unidade, coordenação. Falta integração entre os diversos segmentos que compõem essa ampla aliança. Muitos pré-candidatos proporcionais ainda atuam exclusivamente em defesa de seus próprios projetos.
Há pouca atuação coletiva, pouca presença conjunta, pouca demonstração de unidade. E isso acaba sendo percebido pelo eleitor.
VICENTINHO EXIBE AQUILO QUE SOBRA NA OPOSIÇÃO
Se existe algo que chama atenção no campo oposicionista, é justamente a coesão. O grupo formado por Vicentinho Júnior, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães transmite ao eleitor a imagem de unidade.
Os três percorrem o Estado juntos. Participam das mesmas agendas. Recebem lideranças em conjunto. Dividem espaços políticos.
Essa convivência permanente fortalece o grupo e ajuda a explicar o desempenho de Vicentinho em determinados cenários apresentados pelas pesquisas.
O que sobra em unidade na oposição parece faltar dentro da base governista.
LAUREZ E O PT MUDAM O CENÁRIO
Outro fato novo da sucessão é a consolidação da aliança entre Laurez Moreira e o presidente Lula. O vice-governador passa a ser o candidato do Palácio do Planalto no Tocantins.
Paulo Mourão representa o PT na disputa ao Senado. A ex-senadora Kátia Abreu assume a coordenação da campanha de Lula no Estado.
O grupo ainda busca medir seu verdadeiro potencial eleitoral, mas ninguém subestima o peso político do presidente da República.
Julho poderá representar o início de uma nova fase da disputa.
O DESAFIO DA SENADORA
A candidatura de Professora Dorinha continua sendo a mais robusta do ponto de vista estrutural.
Mas justamente por possuir a maior aliança, também carrega a maior responsabilidade.
Sua vitória dependerá de dois fatores fundamentais.
O primeiro é a manutenção da elevada aprovação do governo Wanderlei Barbosa.
O segundo é a capacidade de transformar apoio político em unidade eleitoral.
Prefeitos precisarão caminhar juntos.
Deputados precisarão defender o mesmo projeto.
Candidatos proporcionais precisarão compreender que fortalecer a candidatura majoritária fortalece também suas próprias campanhas.
Porque a oposição se movimenta.
Vicentinho cresce.
Laurez ganha musculatura.
O PT entra no jogo.
E o segundo semestre promete ser o mais intenso da política tocantinense dos últimos anos.
O JOGO COMEÇA AGORA
As pesquisas mostram apenas uma fotografia do momento. As convenções ainda não aconteceram. As candidaturas não foram registradas. As alianças podem mudar. Os palanques ainda estão sendo montados.
A base governista possui todas as condições para vencer. Possui estrutura. Possui liderança. Possui governo aprovado. Possui apoio político.
Mas precisará encontrar aquilo que hoje parece faltar: unidade.
Porque em política não vence apenas quem possui mais força.
Vence quem consegue caminhar na mesma direção.
E talvez esse seja o principal desafio da base governista rumo às eleições de 2026.