Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar, relator da comissão do INSS, como vice

Posted On Quarta, 05 Agosto 2026 13:42
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Ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público em Alagoas, Gaspar se filiou em março ao PL para disputar o Senado

 

 

POR CAROLINA LINHARES E THAÍSA OLIVEIRA

 

 

O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou que terá como companheiro de chapa o deputado federal Alfredo Gaspar (AL), relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS.

 

Ex-procurador-geral de Justiça do Ministério Público em Alagoas, Gaspar se filiou em março ao PL para disputar o Senado. Estava antes no União Brasil. A escolha busca acenar para o Nordeste, região em que Flávio está em desvantagem em relação a Lula (PT), e priorizar a segurança pública, área que o senador vem priorizando com um discurso linha-dura.

Como relator da CPMI, Alfredo Gaspar buscou vincular as fraudes a aposentadorias e pensões ao governo Lula, com diversas citações ao petista em seu relatório, enquanto praticamente ignorou a cúpula da gestão anterior.

 

A chapa formada por homens do PL difere do plano inicial de Flávio de ter como vice uma mulher de um partido aliado e evidencia o isolamento do senador, que não conseguiu viabilizar outros nomes considerados prioritários. Sem uma coligação, o bolsonarista terá 20% menos tempo de TV do que Lula, que conta com outras seis legendas.

 

A formação de uma aliança esbarrou na recusa de partidos do centrão, como PP, União Brasil e Republicanos, a coligarem com o PL —o prazo das convenções partidárias para a definição de alianças termina nesta quarta-feira (5).

Na terça (4), Flávio admitiu que a busca por uma vice havia se tornado “uma novela” e que a escolha poderia se estender até o dia 15, último dia para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. À noite, porém, o PL anunciou que a decisão estava tomada e convidou a imprensa para o anúncio desta manhã.

 

A preferência de Flávio era por Daniella Marques (Republicanos), presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro. O partido de Daniella, no entanto, decidiu na terça, em convenção nacional, que não apoiará Flávio e se manterá neutro na disputa entre ele e Lula.

 

Também nesta terça, Flávio fez longos elogios a Daniella, disse que “é público” que “gostaria muito” que ela ocupasse a vice e afirmou que deixou isso claro nas tratativas com o Republicanos.

 

Na semana passada, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, buscou emplacar como vice a senadora Tereza Cristina (PP-MS), sua preferida para o posto. Tereza, que resistia à ideia, chegou a ser convencida por aliados de Flávio e disse a ele que topava a empreitada, mas o PP vetou a aliança.

 

Tanto no caso do PP como do Republicanos, uma votação dos diretórios estaduais definiu que a maioria preferia a neutralidade.

 

Integrantes da equipe de Flávio e do PL tinham como objetivo encontrar um vice conhecido nacionalmente, que agregasse votos e que tivesse representatividade em um segmento específico, como evangélicos, Nordeste ou agro. Pesquisas internas, no entanto, revelaram a dificuldade de encontrar um vice ideal.

 

O próprio Marinho, por exemplo, defendia a escolha de uma mulher nordestina.

 

Mais do que tudo, Flávio vinha indicando que queria uma vice mulher, na tentativa de reduzir sua rejeição no público feminino. Outra estratégia do senador para conquistar eleitoras foi trazer sua esposa, a dentista Fernanda Bolsonaro, para sua campanha.

 

A necessidade de acenar para as mulheres se agravou após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ter dito publicamente que Flávio a maltratou. Um mês depois da crise, que eclodiu no fim de junho, o senador e sua madrasta deram sinais de reconciliação —ela aceitou um pedido de desculpas público do enteado e prometeu ajudá-lo na campanha.

 

Como mostrou a Folha de S.Paulo, políticos do centrão afirmam que a dificuldade de Flávio em formar coligações e uma chapa diversa se deve à falta de diálogo e habilidade de articulação por parte do senador. Já integrantes do PL dizem que a influência e barganha do governo Lula afastaram os partidos do centrão.

 

 

 

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