Uma investigação independente em curso ainda apura os prejuízos causados ao BRB pelo banco de Daniel Vorcaro
POR EDUARDO CUCOLO
Os custos da quebra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, superam os R$ 50 bilhões até o momento, segundo dados divulgados.
Somente os recursos que terão de ser ressarcidos aos clientes pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), mantido com recursos dos bancos, são estimados em R$ 46,9 bilhões, sendo R$ 40,6 bi do Master e outros bancos do conglomerados mais R$ 6,3 bi do Will Bank.
O valor da perda total é incerto, já estão sendo apurados os prejuízos causados ao BRB (Banco de Brasília), fundos pensão e empresas. Veja abaixo os valores já divulgados.
BANCO DE BRASÍLIA

Uma investigação independente em curso ainda apura os prejuízos causados ao BRB pelo banco de Daniel Vorcaro. O Banco Central já determinou que o BRB separe R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas no valor de R$ 12,2 bilhões.
Até a data da liquidação do Master, o BRB já tinha recuperado cerca de R$ 10 bilhões. O banco estatal ainda avalia a necessidade de aporte adicional. A Folha de S.Paulo mostrou que o Master usou fundos com empréstimos em atraso e imóveis da família Vorcaro para pagar o BRB.
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou à reportagem que o banco público do Distrito Federal não vai quebrar nem será liquidado pelo Banco Central. Souza chegou ao cargo em novembro, depois da saída de Paulo Henrique Costa, afastado e demitido do cargo após ser alvo de operação da PF Polícia Federal.
FUNDOS DE PENSÃO
O Ministério Público de pelo menos seis estados investiga aplicações de fundos de previdência estaduais ou municipais em títulos do Master.
Dados do Ministério da Previdência Social apontam que institutos de aposentadoria aplicaram mais de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do banco de Vorcaro sem garantia do FGC no período de outubro de 2023 a dezembro de 2024.
O caso mais emblemático é o do estado do Rio de Janeiro. O fundo de previdência dos servidores fluminenses, o Rioprevidência, investiu cerca de R$ 970 milhões nos títulos do Master. É o maior valor da lista do ministério.
Em 23 de janeiro, a Polícia Federal fez operação de busca e apreensão em endereços ligados a executivos do Rioprevidência. Após a ação, Deivis Marcon Antunes foi exonerado do cargo de diretor-presidente da autarquia estadual.
No Amapá, a Amprev (Amapá Previdência) direcionou R$ 400 milhões para letras financeiras do banco. O Ministério Público do Estado afirmou que uma apuração anterior à liquidação do Master verifica a “compatibilidade” das aplicações com a política de investimentos do órgão.
Também na região Norte, o Ministério Público do Estado do Amazonas instaurou investigação para apurar possíveis irregularidades em investimentos do Amazonprev (Fundo Previdenciário do Amazonas), o que inclui aplicações na instituição de Vorcaro. O procedimento tramita em sigilo.
EMPRESAS
Também já foram divulgadas aplicações feitas por empresas privadas e estatais em papéis do conglomerado financeiro.
Cerca de R$ 220 milhões em letras financeiras do Master foram vendidos à Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro). Há também R$ 140 milhões em CDBs emitidos pelo Letsbank detidos pela Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia); R$ 433 milhões desses mesmos papéis de propriedade da Oncoclínicas, e R$ 73,5 milhões em CDBs do fundo XP Private Equity I.
PERDAS JÁ DIVULGADAS
R$ 46,9 bilhões
Estimativa dos valores que serão pagos pelo FGC aos clientes do Banco Master e do Will Bank que possuíam produtos com cobertura do fundo dentro dos limites de ressarcimento
R$ 2,6 bilhões
É quanto o Banco Central determinou que o BRB provisione em seu balanço para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Master no valor de R$ 12,2 bilhões. Até a data da liquidação do Master, o BRB já tinha recuperado cerca de R$ 10 bilhões. O banco estatal ainda avalia a necessidade de aporte adicional para cobrir perdas
R$ 1,8 bilhão
São as aplicações em letras financeiras do Master feitas por institutos de aposentadoria de servidores estaduais ou municipais, sem garantia do FGC. O Ministério Público de pelo menos seis estados investiga esses investimentos. O caso mais emblemático é o do estado do Rio de Janeiro. O Rioprevidência investiu cerca de R$ 970 milhões nos títulos do Master
R$ 433 milhões
É o valor dos CDBs do Banco Master detidos pela Oncoclínicas. A empresa quer retomar de Daniel Vorcaro a participação de 15% que o controlador do banco tem na companhia para compensar as perdas com o investimento
R$ 220 milhões
Valor das letras financeiras do Master vendidos à Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do RJ), segundo informações da própria empresa
R$ 140 milhões
Valor dos CDBs emitidos pelo Letsbank detidos pela Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). A companhia diz que sua capacidade operacional não foi impactada e que mantém posição de caixa suficiente para fazer frente às suas obrigações e ao curso normal de seus negócios
R$ 73,5 milhões
Valor dos CDBs detidos pelo fundo XP Private Equity I, segundo balanço divulgado até março de 2025. As informações do fundo referentes ao semestre de março a setembro do ano passado ainda não foram divulgadas. A exposição ocorreu por meio de um fundos de private equity, sem qualquer capital próprio da XP Asset Management
Ex-ministro da Fazenda foi contratado após pedido do líder do governo Lula no Senado
Por Mael Vale
O ex-ministro Guido Mantega é conhecido por ter participado de políticas que não tiveram sucesso no passado. (Foto: José Cruz/Abr).
O ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma (PT), Guido Mantega, foi contratado pelo Banco Master para prestar serviços de consultoria após um pedido feito diretamente pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.
À época, Mantega recebia cerca de R$ 1 milhão por mês e tinha como principal atribuição atuar no avanço das negociações para a venda do Banco Master ao BRB, banco público do Distrito Federal.
A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central (BC) em setembro de 2025. Apesar disso, a consultoria prestada por Mantega teria continuado até poucas semanas antes da liquidação do Banco Master, decretada pelo próprio BC em novembro do mesmo ano, após a revelação de um escândalo de fraude bilionária envolvendo a instituição financeira.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, a contratação de Mantega ocorreu após o governo Lula desistir de indicá-lo para o Conselho de Administração da Vale, no início de 2024.
A indicação foi retirada depois de uma reação negativa do mercado financeiro, que criticou a possível nomeação do ex-ministro.
A intermediação do pedido teria sido feita por Jaques Wagner, que mantinha relação com o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Ainda de acordo com a reportagem, Guido Mantega esteve no Palácio do Planalto ao menos quatro vezes entre janeiro e dezembro de 2024, período em que já atuava como consultor do banco.
Oficialmente, porém, os registros das agendas não faziam qualquer menção a assuntos relacionados ao Banco Master.
Kassab aposta em fragmentação interna para apresentar ao país projeto de futuro da direita
Por SBT news
Com três pré-candidatos à presidente da República, o PSD de Gilberto Kassab decidiu criar uma comissão que irá avaliar vários fatores antes do partido tomar escolha sobre quem irá representar a legenda nestas eleições.
O desempenho nas pesquisas eleitorais terá grande peso, além do perfil de cada um e uma análise sobre o momento político.
Os governadores do Paraná, Ratinho Jr. e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, completam junto com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um trio de aspirantes a candidato à presidência da República. Ratinho é o mais antigo no partido, e até tem já foi anunciado por Kassab para o Planalto. Eles mesmos brincam sobre serem “três cavalheiros” em que seria “um por todos e todos por um”.
O movimento de Kassab expõe mais uma vez a falta de apoio do PSD à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O partido fez parte da base aliada do governo Jair Bolsonaro, mas não embarcou na campanha do filho do ex-presidente.
O PSD é a legenda com o maior número de prefeituras no país. Somadas filiações que ocorreram depois das eleições, a legenda aposta neste aumento da capilaridade para turbinar a campanha deste ano.
Segundo informações da PF, as investigações apontam indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública
Por Elaine Guimarães
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), uma operação para investigar um suposto esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde em seis prefeituras do Rio Grande do Norte.
Segundo confirmação da PF ao Portal iG, as medidas judiciais atingem os municípios de Mossoró, Serra do Mel, Tibau, Pau dos Ferros, São Miguel e José da Penha.
De acordo com a corporação, as investigações apontam indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. O esquema envolveria empresas sediadas no Rio Grande do Norte que atuavam junto a administrações municipais, inclusive em outros estados.
Ainda conforme a Polícia Federal, os investigados poderão responder por crimes relacionados ao desvio de recursos públicos e a fraudes em contratações administrativas. A PF não informou, até o momento, o número total de alvos nem o valor estimado do prejuízo aos cofres públicos.
O que diz a defesa do prefeito de Mossoró
O Portal iG entrou em contato com a prefeitura de Mossoró, como também com o prefeito Allyson Bezerra. Mediante nota, os advogados de Bezerra alegam que a operação não possui "qualquer fato que vincule pessoalmente o prefeito Allyson Bezerra, tendo a medida sido deferida com base em diálogos envolvendo terceiras pessoas".
Ademais, a defesa esclarece que o prefeito não foi afastado das funções e não sofreu "qualquer medida pessoal restrita". Os advogados de Allyson Bezerra frisam que o prefeito colaborou, desde o início, com a diligência, "convicto de que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a correção de sua conduta".
Quem é Allyson Bezerra?
À frente da prefeirura de Mossoró (RN) desde 2020, Allyson Bezerra é o político mais jovem do município a asumir o cargo. Nascido em 12 de maio de 1992, Bezerra deu início a vida pública em 2018, quando concorreu a vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. À época, ele era filiado ao Solidariedade.
No cargo de deputado estadual, Allyson atuou como membro titular da Comissão de Constituição e Justiça, foi vice-presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia e membro titular da Comissão de Saúde.
Ao disputar a prefeitura de Mossoró, em 2020, ele foi eleito com 65.297 votos, ou seja, 47,5%. Em 2024, Allyson Bezerra foi reeleito com 113.121 votos, chegando ao percentual de 78,02%.
Período para devolução de descontos indevidos acabaria em 14 de fevereiro; há oito dias, sistema apresenta instabilidade
Com Agência Brasil
O governo federal decidiu prorrogar até 20 de março o prazo para que aposentados e pensionistas possam solicitar o ressarcimento de valores descontados indevidamente de seus benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Segundo o órgão, a decisão pretende garantir o amplo direito dos beneficiários que, desde a última segunda-feira (19), enfrentam instabilidades no Meu INSS.
O prazo original se encerraria em 14 de fevereiro. Em nota, o INSS informou que mantém contato diário com a Dataprev — estatal responsável pela tecnologia da informação da Previdência Social —, cobrando explicações e providências.
A Dataprev comunicou ao INSS que fará uma manutenção, deixando os sistemas indisponíveis desta terça-feira (27) até domingo, 1º de fevereiro.
Segundo o balanço mais recente do INSS, cerca de 4,2 milhões de beneficiários já foram ressarcidos, em valores que somam R$ 2,8 bilhões, de um total de R$ 6,2 milhões de contestações de cobranças. O governo estima, no entanto, que ainda existam 850 mil aposentados e pensionistas aptos a solicitar a devolução.
O esquema de descontos indevidos foi revelado pela Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela CGU (Controladoria-Geral da União), que identificou fraudes em ACTs (Acordos de Cooperação Técnica) firmados entre o INSS e entidades associativas. As investigações levaram ao afastamento de parte da cúpula do instituto em abril.
A prorrogação busca assegurar que todos os lesados pelo esquema possam recuperar os valores de forma simplificada e sem necessidade de ação judicial.
Como pedir a devolução
Os beneficiários podem abrir pedidos de ressarcimento pelos canais oficiais do INSS:
Aplicativo ou site Meu INSS, com login no Portal Gov.br;
Telefone 135, com atendimento gratuito de segunda a sábado, das 7h às 22h;
Agências dos Correios, que oferecem suporte gratuito em mais de 5 mil