Por meio de sua assessoria, Dino afirmou ter pedido a ampliação das medidas de segurança para ele e sua família
POR ANA POMPEU
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou operação de busca e apreensão, cumprida pela Polícia Federal esta terça-feira (11), contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do Governo do Maranhão. Ele é apontado como suposto informante do blogueiro Luís Pablo, que já publicou textos contrários ao ministro Flávio Dino.
Por meio de sua assessoria, Dino afirmou ter pedido a ampliação das medidas de segurança para ele e sua família. O magistrado disse a interlocutores ter sofrido perseguição no estado.
De acordo com a decisão de Moraes, o inquérito policial investiga a suposta prática de obtenção e divulgação de informações de Dino.
Em nota, Luís Pablo afirmou manifestar “profunda preocupação com os rumos da investigação conduzida pela Polícia Federal e, especialmente, com a tentativa de criminalizar o exercício da minha atividade jornalística”. A defesa do Raimundo Cutrim foi procurada, mas ainda não respondeu.
A representação da PF ao Supremo afirma que a apuração teve início em novembro passado, depois da publicação de textos pelo blog de Luís Pablo, que se apresenta como “jornalismo independente que incomoda o poder”.
Os textos tratavam do suposto uso de carros do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) e do governo do estado por Dino.
A PF concluiu que Cutrim teria conseguido informações sobre o tema em sistemas de acesso restrito e as repassado para a produção dos textos.
O caso envolve as mesmas figuras alvo de outras medidas determinadas por Dino. Em julho, o ministro do STF expediu mandados de busca e apreensão e de prisão domiciliar contra Cutrim por suspeita de obstrução de Justiça e o afastou do cargo. Foram apreendidas 26 armas em endereços dele.
Um dos motivos para a prisão é um áudio pelo qual o secretário é suspeito de pedir à família de Gilbson Cutrim para que fossem mudados depoimentos dados à polícia a respeito de uma apuração do homicídio do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022.
Dino se tornou o relator do caso no ano passado. Antes de a ação chegar ao STF, Gilbson Cutrim foi considerado executor do crime pela Justiça maranhense e condenado a 13 anos de prisão.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, o episódio virou ponto central nas discussões da corrida pré-eleitoral pelo Governo do Maranhão e tem provocado trocas de acusações entre os grupos que eram ligados a Dino, dissidentes desses núcleos e opositores.
A assessoria de Dino afirmou não poder dar detalhes do caso porque os processos tramitam sob sigilo.
“A assessoria do ministro Flávio Dino, em face da repetição de inverdades, informa que jamais houve uso irregular de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão. Um carro blindado foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, no âmbito de acordo de cooperação vigente com todos os tribunais do país”, diz a nota.
Em seu comunicado, Luís Pablo afirmou também causar “perplexidade que, após a identificação e violação do sigilo de uma fonte jornalística garantia expressamente protegida pela Constituição Federal, fatos e relações de natureza estritamente privada, sem qualquer vínculo com a produção ou publicação de conteúdo jornalístico, estejam sendo utilizados para tentar me atribuir uma conduta criminosa”.
“Criminalizar um jornalista, violar sua fonte e devassar relações privadas em razão do exercício de sua profissão representa uma grave ameaça às garantias asseguradas à imprensa e à própria sociedade”, completou.