Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O ano sucessório de 2026 já é uma realidade concreta no Tocantins. E não será um processo simples. Trata-se de um jogo político cheio de armadilhas, capaz de colocar em risco qualquer candidatura a cargos eletivos, sobretudo aquelas construídas de forma artificial, sustentadas apenas por redes sociais, discursos ensaiados e narrativas vazias, com “sabor de chuchu e cheiro de creolina”, que o eleitor já não escuta e muito menos lê.
O cenário exige preparo, trajetória, coerência e, acima de tudo, compromisso real com a população tocantinense.
O eleitor não é omisso e decide muito antes da urna

Os eleitores e eleitoras do Tocantins que irão às urnas em outubro de 2026 não são omissos ao processo político. Pelo contrário. A grande maioria busca chegar à cabine de votação com uma reflexão amadurecida sobre em quem votar, seja para presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.
Essa decisão não acontece no último momento. Ela é construída ao longo do tempo, no cotidiano: nas conversas de família, no ambiente de trabalho, no comércio, no buteco, nas igrejas, nas rodas de amigos. A política está presente no dia a dia, mesmo para aqueles que dizem não gostar de política partidária.
Redes sociais não decidem eleição sozinhas

Pesquisas de intenção de voto já indicam que o eleitor tocantinense não define seu voto exclusivamente pelas redes sociais. Ali, todos se apresentam como perfeitos, honestos, inteligentes e detentores das soluções para todos os problemas. Muitos atacam adversários sem olhar para o próprio histórico, esquecendo que já passaram pelo poder, se beneficiaram dele e, em vários casos, enriqueceram de forma incompatível com a vida pública.
As redes sociais contam histórias editadas. A realidade, porém, é registrada no tempo e é justamente aí que entra o papel da imprensa tradicional.
O papel da imprensa profissional

Cabe aos veículos de comunicação com história, credibilidade e compromisso público registrar os fatos, contextualizar os acontecimentos e informar a sociedade com responsabilidade.
O Jornal O Paralelo 13, com quase 40 anos de atuação, acompanha e registra a história política do Tocantins desde sua criação, cobrindo os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nas esferas municipal, estadual e federal. Não fazemos jornalismo de ocasião. Fazemos jornalismo de memória, contexto e responsabilidade.
Prestação de contas é obrigação

Detentores de mandato e candidatos à reeleição no Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa precisam prestar contas à sociedade. O mandato pertence ao povo e não aos interesses pessoais, familiares ou de grupos econômicos.
A Polícia Federal no centro do cenário sucessório
O Tocantins vive um momento delicado. Com raríssimas exceções, parte expressiva da classe política está envolvida, direta ou indiretamente em investigações por corrupção, desvios de recursos públicos, fraudes em licitações e uso irregular de emendas parlamentares.
Com o fim do recesso do Judiciário, a partir de 06 de janeiro de 2026, as operações da Polícia Federal ganham novo ritmo e devem avançar até o período das convenções partidárias.
PRINCIPAIS OPERAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL NO TOCANTINS (2024–2025)

2024
▪ Fames-19 (março/2024)
Investigou desvios de recursos destinados à compra de cestas básicas.
Resultados: bloqueio de bens, apreensão de documentos e valores.
▪ Máximus (junho/2024)
Apurou suposto esquema de compra e venda de sentenças judiciais.
Alvos: governador Wanderlei Barbosa, ex-governador Mauro Carlesse e o desembargador Helvécio de Brito Maia Neto.
Resultados: buscas, afastamentos cautelares, apreensão de celulares e computadores e bloqueio de valores.
▪ Timóteo 6:9 (agosto/2024)
Investigou fraude em licitações e corrupção ativa envolvendo empresários e agentes públicos.
Resultados: prisões temporárias, apreensão de veículos e documentos e bloqueio de contas bancárias.
2025
▪ Operação contra vazamento de decisões judiciais (março/2025)
Desdobramento da Operação Sisamnes.
Resultados: prisão preventiva de advogado assessor do MPTO e buscas na sede do Ministério Público em Palmas.
▪ Atos 5:1-11 (outubro/2025)
Investigou candidatos tocantinenses das eleições de 2022 por falsidade ideológica eleitoral.
Resultados: oito mandados de busca, apreensão de documentos de campanha e bloqueio de valores.
▪ Nêmesis (novembro/2025)
Desdobramento da Fames-19, focada na obstrução de investigações da pandemia.
Resultados: 24 mandados de busca, apreensão de documentos e bens ligados a emendas parlamentares.
▪ Serras Gerais (novembro/2025)
Desarticulou organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, com indícios de conexões financeiras com agentes públicos.
Resultados: prisões, apreensão de veículos de luxo, armas e bloqueio de contas.
Wanderlei Barbosa: o maior cabo eleitoral de 2026

Mesmo após uma decisão considerada injusta por aliados quando foi afastado do cargo sem ser réu ou condenado o governador Wanderlei Barbosa retornou ao Palácio Araguaia por decisão do ministro do STF Kassio Nunes Marques, corrigindo o que foi visto como um erro jurídico.
O afastamento, ainda que breve, fortaleceu politicamente o governador. Wanderlei teve a oportunidade de separar aliados verdadeiros de oportunistas, identificar traições e iniciar uma reestruturação interna em sua gestão, promovendo uma verdadeira “faxina” política.
Hoje, Wanderlei Barbosa se consolida como o maior líder político do Tocantins e o principal cabo eleitoral das eleições estaduais de 2026, com forte poder de transferência de votos, não para si, mas para projetos políticos consistentes ao governo e ao Senado.
Eduardo Gomes e Dorinha: apoio nos momentos decisivos

Durante o período de afastamento, o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, e a senadora Professora Dorinha Seabra foram pilares importantes no apoio político e institucional à volta de Wanderlei Barbosa ao cargo.

Esse alinhamento fortalece o grupo governista, mas não garante vitória automática. Apoio político não substitui propostas, capacidade de gestão e convencimento do eleitor.
A oposição está viva

A oposição no Tocantins não está morta. Pelo contrário. Está atenta, organizada e disposta a disputar o jogo até o fim. O cenário de 2026 será de enfrentamento político duro, com risco real para aventureiros despreparados e candidatos fabricados artificialmente.
O compromisso editorial de O Paralelo 13
A família O Paralelo 13 não faz pré-julgamentos. Mas, a partir do momento em que qualquer agente público se tornar réu por decisão judicial, o jornal cumprirá seu papel: informar, contextualizar e analisar, com independência e responsabilidade.
Mostraremos os lobos vestidos de cordeiros, os falsos profetas que tentam ludibriar o eleitor pelas redes sociais. O momento é de prestação de contas e o eleitor tem o direito de saber quem são, de fato, seus representantes.
Não será uma eleição para amadores
O jogo sucessório de 2026 não será para amadores, aventureiros ou oportunistas. Exigirá preparo, história, compromisso público e respeito à inteligência do eleitor tocantinense.
O Jornal O Paralelo 13 seguirá em vigília permanente, 24 horas por dia, acompanhando cada movimento do processo eleitoral estadual e presidencial.