É com enorme gravidade que se deve encarar as denúncias trazidas pelo jornalista Cléber Toledo, que expõem um cenário vergonhoso e perigoso: vereadores de diversas cidades do Tocantins relatam estar sendo vítimas de agressões físicas e ameaças de morte contra si e suas famílias, praticadas por candidatos que “compraram” seus apoios e, sentindo-se traídos, recorrem à violência para impor sua vontade.
Não há justificativa possível. Comprar e vender apoio político é crime eleitoral. Ameaçar, agredir e atentar contra a vida são crimes comuns, que devem ser investigados com rigor pelo Ministério Público Eleitoral e pelo Ministério Público Estadual. O Tocantins não pode tolerar a volta do coronelismo, esse sistema arcaico e autoritário que transforma eleições em negócios e cidadãos em reféns do medo.
O que antes eram boatos, agora se tornaram denúncias públicas, com vídeos e testemunhos. Isso exige resposta imediata das instituições: Polícia Federal, Justiça Eleitoral, Ministério Público Federal e Estadual, além do Tribunal Regional Eleitoral. É dever dessas autoridades abrir inquéritos, ouvir os vereadores ameaçados e identificar quem está comprando apoio político com dinheiro ilícito. Caixa dois é crime inafiançável, que pode levar à perda do registro da candidatura.
E aqui cabe uma pergunta que não pode ser varrida para debaixo do tapete: fala-se em algo entre 50 e 80 mil reais por “apoio”. São mais de 1.300 vereadores em todo o estado. Claro que não são todos que se vendem, mas de onde viriam os mais de 65 milhões de reais se todos eles resolvessem negociar seus apoios? Essa conta mostra a dimensão do problema e a gravidade da suspeita de caixa dois em larga escala.
A sociedade tocantinense espera — e exige — que seus guardiões da Constituição não sejam omissos nem coniventes. É hora de mostrar que a lei vale para todos, candidatos e vereadores, e que quem se coloca fora dela será responsabilizado.
O Tocantins precisa de eleições limpas, transparentes e pacíficas. O eleitor não pode ser enganado por acordos espúrios nem intimidado por capangas armados. A democracia não se constrói com coronhadas, mas com respeito às regras e à vontade popular.
Chega de transformar a política em balcão de negócios e campo de violência. O Tocantins merece dignidade, justiça e democracia verdadeira.
Família O Paralelo 13
Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues