PREFEITOS NÃO ENTREGAM VOTO: A ELEIÇÃO SERÁ DECIDIDA PELO ELEITOR

Posted On Segunda, 21 Setembro 2026 15:37
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

 

A capacidade de prefeitos, vereadores e lideranças municipais de transformar apoio político em voto coloca à prova uma das mais antigas engrenagens da política tocantinense. Durante meses, candidaturas ao Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa trabalharam para construir bases nos 139 municípios. Houve adesões, reuniões, grandes eventos, declarações públicas e montagem de estruturas eleitorais.

 

Agora chegou a hora da verdade.

 

O Observatório Político de O Paralelo 13 chama atenção para uma realidade que poderá produzir surpresas no próximo dia 4 de outubro: apoio político não significa transferência automática de votos.

 

O prefeito pode declarar apoio. O vereador pode subir no palanque. A liderança pode gravar vídeo, participar de reunião e pedir voto. Tudo isso tem importância política. Mas ninguém entra na cabine de votação junto com o eleitor.

 

O Tocantins possui mais de 1,18 milhão de eleitoras e eleitores aptos a votar. É esse universo que decidirá quem governará o Estado, quem ocupará as duas cadeiras do Tocantins no Senado e quem representará os tocantinenses na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.

 

PREFEITO TEM FORÇA. MAS NÃO É DONO DO VOTO

 

Não se trata de diminuir a importância dos prefeitos. Eles possuem estrutura, conhecimento do território, relacionamento com vereadores, secretários e lideranças comunitárias, além de capacidade de mobilização. Mas existe uma diferença entre influenciar e controlar. Essa diferença poderá aparecer claramente nas urnas, principalmente quando uma mesma base municipal reúne apoios a diferentes candidatos.

 

Como garantir que o eleitor seguirá todas as orientações recebidas? Como saber, depois da eleição, qual voto veio da influência de determinado prefeito, vereador ou liderança? Não existe recibo dentro da urna.

 

GUARAÍ E PORTO NACIONAL MOSTRAM A COMPLEXIDADE

 

 

Guaraí ajuda a ilustrar esse cenário. Segundo as informações políticas reunidas pelo Observatório, a prefeita Fátima Coelho já havia manifestado apoio às candidaturas de Eduardo Gomes e Alexandre Guimarães ao Senado e, nesta reta final, também apareceu em manifestações de apoio a Eli Borges. O caso mostra como uma mesma estrutura municipal pode abrigar diferentes candidaturas disputando o mesmo eleitorado.

 

 

Porto Nacional também será um laboratório interessante. O prefeito Ronivon Maciel mantém relações políticas com diferentes candidaturas proporcionais, entre elas Jannad Valcari, Ricardo Ayres e Iratã Abreu, conforme as articulações acompanhadas pelo Observatório. Somente as urnas permitirão saber como esses apoios se traduziram em votos. E essa será uma das informações políticas mais interessantes do dia 4 de outubro: quem realmente conseguiu transformar apoio de liderança em voto popular?

 

TERCEIRIZAR CAMPANHA É UM RISCO

Aqui está o alerta do Observatório Político de O Paralelo 13. Candidato que entrega sua campanha exclusivamente nas mãos de prefeito, vereador ou liderança corre risco. Prefeito abre portas. Vereador apresenta lideranças. Secretário ajuda na mobilização. Cabo eleitoral conhece o bairro. Tudo isso importa. Mas nenhum deles substitui o candidato.

 

Nesta reta final, quem ainda não conseguiu estabelecer uma relação própria com o eleitor precisará intensificar o corpo a corpo, conversar, conceder entrevistas, participar de debates e explicar diretamente por que pretende ocupar determinado cargo.

Eleição não pode ser terceirizada.

 

OS GRANDES COLÉGIOS, OS INDECISOS E O BOLSO DO ELEITOR

 

 

É nos grandes centros eleitorais que essa independência do voto merece atenção especial. Palmas possui mais de 218 mil eleitores, enquanto Araguaína reúne mais de 120 mil. Quanto maior a cidade, mais difícil se torna imaginar uma única liderança política determinando o comportamento de dezenas de milhares de pessoas. E existe outro componente que entra na cabine junto com o eleitor: sua realidade econômica. Dados apresentados no levantamento que acompanha esta análise apontam mais de 668 mil adultos inadimplentes no Tocantins, equivalentes a 57,12% da população adulta. Bancos e cartões aparecem entre as principais origens dessas dívidas.

 

É o eleitor preocupado com a conta de energia, supermercado, cartão de crédito, financiamento, salário e orçamento familiar que também avaliará as candidaturas. Por isso, as últimas semanas podem produzir movimentações importantes entre aqueles que ainda não consolidaram suas escolhas.

 

O SEGUNDO VOTO PARA O SENADO

 

Na eleição para o Senado existe ainda uma particularidade fundamental: em 2026, cada eleitor poderá escolher dois candidatos. Isso torna muito mais complexa qualquer tentativa de “entregar” votos.
Uma liderança pode indicar dois nomes. O eleitor pode seguir apenas um. Pode escolher dois candidatos pertencentes a grupos políticos diferentes ou simplesmente construir sua própria combinação.
Por isso, o segundo voto permanece uma das grandes incógnitas da eleição para o Senado. Fotografia de palanque não significa, necessariamente, voto dobrado na urna.

 

AS URNAS VÃO MEDIR A FORÇA DAS LIDERANÇAS

 

 

O resultado de 4 de outubro permitirá fazer uma leitura que vai além de quem ganhou ou perdeu. Será possível comparar os apoios anunciados com as votações efetivamente obtidas em cada município. Quem prometeu força política conseguiu demonstrá-la? Quem reuniu multidões conseguiu votos? Quem declarou apoio a vários candidatos conseguiu ajudar todos? E quem dizia possuir determinado território eleitoral realmente mostrou essa força nas urnas?

 

As urnas responderão. Até 4 de outubro, novas pesquisas de institutos nacionais e locais ainda chegarão ao conhecimento dos tocantinenses. Cada levantamento deve ser analisado considerando quem realizou a pesquisa, período de campo, amostra, margem de erro, nível de confiança e registro na Justiça Eleitoral.

Depois da votação será possível comparar os últimos levantamentos com o resultado efetivamente registrado nas urnas.

Pesquisa ajuda a compreender o momento.

Urna determina o resultado.

 

O VOTO NÃO TEM DONO

 

Não confundam apoio com voto. Não confundam reunião cheia com urna cheia. Não confundam estrutura política com controle do eleitor.

 

Prefeitos e vereadores continuam sendo peças importantes da engrenagem política tocantinense. Ajudam a mobilizar, organizar e aproximar candidaturas do eleitorado. Mas as eleições de 2026 mostrarão qual é a capacidade real de transferência de votos dessas lideranças.

 

No dia 4 de outubro, cada eleitor estará sozinho diante da urna. Prefeito não votará pelo eleitor. Vereador não apertará o “confirma”. Liderança nenhuma entrará na cabine com ele.
E somente as urnas mostrarão quem realmente conseguiu conquistá-lo.

 

ESTAMOS DE OLHO...

 

 

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