Grupo foi alvo da Operação Overclean, que teve nove fases até janeiro deste ano. Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho, ex-coordenadores do DNOCS na Bahia, também estão entre os outros nomes.
Por Camila Bomfim, g1 BA
O empresário baiano José Marcos Moura, mais conhecido como "Rei do Lixo", e outras 24 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal (PF), por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (17).
Quem é o empresário conhecido como 'Rei do Lixo'
Segundo a investigação, o grupo teria atuado em fraudes licitatórias, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. Eles foram alvos da Operação Overclean, deflagrada pela corporação entre 2024 e janeiro deste ano.
Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho, ex-coordenadores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na Bahia, também estão entre os indiciados desta segunda.
Em contato com a TV Bahia, o advogado de Lucas Maciel informou que não tinham sido notificados sobre o indiciamento. O g1 tentou contato com as defesas dos outros envolvidos, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Foi apurado também que a investigação que envolve os deputados federais Vicentinho Júnior (PSDB), do Tocantins, Elmar Nascimento (União), Felix Mendonça (PDT) e Dal Barreto (União), da Bahia, ainda está em andamento.
As etapas da operação
Primeira fase
A primeira fase da Operação Overclean foi deflagrada no dia 10 de dezembro de 2024. Segundo a Polícia Federal (PF), servidores públicos facilitavam a vitória de empresas previamente escolhidas, que superfaturavam contratos, abrindo caminho para o desvio do dinheiro.
Na ocasião, 59 mandados judiciais foram cumpridos e 16 pessoas foram presas na Bahia, em São Paulo e Goiás.
Entre os presos estavam José Marcos Moura, empresário conhecido como "rei do lixo", e o vereador Francisco Manoel do Nascimento Neto, o Francisquinho Nascimento, da cidade de Campo Formoso.
Na época, a polícia já apurava uma movimentação de R$ 1,4 bilhão envolvendo contratos, principalmente com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), na Bahia.

Dinheiro apreendido pela PF - imagem PF
O vereador foi flagrado pela Polícia Federal jogando uma sacola com mais de R$ 220 mil em dinheiro pela janela.
Segunda fase
Treze dias depois, a PF deu início à segunda fase. Na ocasião, foram presos o então vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Cafezeiro (Republicanos), e outras três pessoas.
Terceira fase
No dia 3 de abril do ano passado, a PF deflagrou a terceira fase da operação. Entre os alvos, estavam novamente o "rei do lixo" e o ex-secretário de Educação de Salvador e então secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral.
Quarta fase
Na quarta fase da Overclean, no dia 27 de junho, R$ 3,2 milhões foram apreendidos no armário do ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho (PT).
O prefeito de Ibipitanga, Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira (PT), e o prefeito de Boquira, Alan Machado França (PSB), também foram investigados nessa fase.
Quinta fase
No quinto momento da operação, deflagrada no dia 17 de julho, o foco foi o uso irregular de emendas parlamentares repassadas pelo deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil), que não foi alvo da operação.
Na ocasião, cédulas de R$ 20 foram encontradas em um sapato que estava na casa de Francisquinho Nascimento. Elmo Nascimento, prefeito de Campo Formoso e irmão do deputado Elmar, também foi alvo da PF.
Sexta fase
No dia 14 de outubro do mesmo ano, a sexta fase da ação mirou o deputado federal Dal Barreto (União Brasil). Ele teve o celular apreendido pela PF no Aeroporto Internacional de Salvador.
Sétima fase
Na sétima fase da operação, ocorrida no dia 16 de outubro, o prefeito de Riacho de Santana, Dr João Vítor (PSD), foi afastado do cargo, e o prefeito do município de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parísio (MDB), foi preso por posse ilegal de arma de fogo.
Oitava fase
No dia 31 de outubro, a oitava fase da Operação Overclean cumpriu 5 mandados fora da Bahia.
Nona fase
Apontado como principal alvo dessa fase da operação, o deputado federal baiano Felix Mendonça Jr (PDT) teve nove mandados de busca e apreensão cumpridos contra ele. Na nona fase da ação, também foi feito o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os investigados poderão responder pelos crimes de:
organização criminosa;
corrupção ativa e passiva;
peculato;
fraude em licitações e contratos administrativos;
além de lavagem de dinheiro.