Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A sucessão estadual no Tocantins entra em sua fase mais intensa. Depois de meses de articulações, reuniões, lançamentos, viagens e muitas andanças pelos 139 municípios, as candidaturas majoritárias chegam à reta final diante de um eleitorado que já conhece os principais nomes colocados na disputa e começa, de fato, a ser chamado para a decisão.
A fotografia política deste momento apresenta dois cenários diferentes. Na corrida pelo Governo, Professora Dorinha Seabra e Vicentinho Júnior protagonizam a principal disputa, com pesquisas recentes apontando uma corrida apertada. Para o Senado, Eduardo Gomes vem mantendo a liderança nos principais levantamentos recentes, enquanto a segunda das duas vagas permanece muito mais disputada.
A partir de agora, entretanto, pesquisa será apenas uma das peças do jogo.
Entram em campo a estrutura, militância, gestores, vereadores, candidatos proporcionais, tempo de rádio e TV e principalmente o trabalho corpo a corpo. Porque existem 139 municípios, mas não existem 139 municípios com o mesmo peso nas urnas.
1,18 MILHÃO DE ELEITORES

O Tocantins chega às eleições de 2026 com 1.182.307 eleitoras e eleitores aptos a votar. E a distribuição desses votos ajuda a compreender onde poderá estar parte decisiva da batalha. Palmas possui 218.504 eleitores e, sozinha, concentra aproximadamente 18,5% de todo o eleitorado tocantinense. Araguaína vem em seguida, com cerca de 124 mil. Gurupi possui 61.407, Porto Nacional, 47.207, e Paraíso do Tocantins, quinto maior colégio eleitoral do Estado, reúne 36.122 eleitores aptos a votar.
Somados, os cinco maiores colégios eleitorais reúnem 487.240 eleitores, o equivalente a aproximadamente 41,2% de todo o eleitorado tocantinense. Em outras palavras, mais de quatro em cada dez eleitores do Estado estão concentrados em apenas cinco dos 139 municípios.
PALMAS: A MAIOR BATALHA

Nenhum candidato ao Governo pode entrar nas últimas semanas sem olhar diariamente para Palmas. São 218.504 eleitores. Quase um em cada cinco tocantinenses aptos a votar está na Capital. Isso significa que uma diferença relativamente pequena em termos percentuais pode representar milhares de votos.
Palmas, portanto, não será apenas mais uma parada na agenda. Será um dos principais campos de batalha desta eleição. Quem vencer bem na Capital pode construir um colchão importante para o resultado estadual. Quem perder por uma margem elevada terá de buscar compensação no interior.
ARAGUAÍNA: A CAPITAL POLÍTICA DO NORTE
Depois vem Araguaína. Com aproximadamente 124 mil eleitores, é o segundo maior colégio eleitoral do Tocantins. Araguaína ainda possui uma característica que amplia seu peso: é referência política, econômica e social para uma extensa faixa do Norte do Estado. O resultado produzido ali não deve ser analisado isoladamente.
Os movimentos políticos de Araguaína irradiam para municípios vizinhos, para lideranças regionais e para boa parte do eleitorado do Norte. Por isso, quem pretende governar o Tocantins não pode apenas “passar” por Araguaína. Precisa disputar Araguaína.
Gurupi aparece como o terceiro maior colégio eleitoral, com 61.407 eleitores, e exerce forte influência sobre a região Sul. Porto Nacional vem logo depois, com 47.207 eleitores, mantendo importância histórica e política na região Central. Assim como Paraíso do Tocantins com pouco mais de 36 mil eleitores. Estes municípios formam um cinturão dos grandes colégios eleitorais que serão acompanhados voto a voto em 4 de outubro.
O JOGO DO GOVERNO

É justamente nessa geografia que Professora Dorinha e Vicentinho Júnior precisam fazer suas contas. Dorinha chega à reta final sustentada por uma estrutura política ampla, formada por lideranças estaduais, prefeitos, vereadores e grupos que integram ou gravitam em torno da base governista. A candidata conta com o apoio dos gestores dos cinco maiores colégios eleitorais - Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso, uma demonstração expressiva de capilaridade política.
Mas apoio de prefeito não é transferência automática de voto. Essa será justamente uma das provas das urnas. Dorinha precisa transformar estrutura em voto. Do outro lado, Vicentinho Júnior chega competitivo e tenta transformar sua candidatura numa alternativa ao grupo governista.
Seu desafio é diferente.
Vicentinho precisa transformar sentimento de oposição em maioria eleitoral. É essa combinação que torna o cenário interessante, pois de um lado temos estrutura, capilaridade e prefeitos; do outro, uma candidatura de oposição que conseguiu chegar à reta final disputando o protagonismo. E neste cenário existe o eleitor, personagem que nenhuma campanha controla completamente.
O “ANDAR DE BAIXO” SERÁ DECISIVO

É aqui que entra uma velha observação do Observatório Político de O Paralelo 13. Existe a eleição do “andar de cima” e existe a eleição do “andar de baixo”. A primeira é aquela das grandes articulações, dos presidentes de partidos, dos prefeitos, deputados, vereadores, estruturas partidárias e lideranças políticas.
A outra acontece na feira, no supermercado, na farmácia, no ponto de ônibus, no pequeno comércio e dentro de casa. É a eleição do trabalhador que faz conta para pagar o cartão, do aposentado que vê parte da renda comprometida, da dona de casa que acompanha diariamente o preço dos alimentos e das famílias que convivem com prestações e dívidas.
Esse componente econômico não pode ser desprezado. Hoje, de acordo com pesquisas 82% das famílias tocantinenses tem algum tipo de dívida, neste contexto encontram-se ainda os funcionários públicos, com endividamento que chegam há 10 anos, com desconto em folha, à partir do decreto de julho de 2026, em que o prazo máximo para quitação passou a ser de até 120 meses. Já a taxa de desemprego no Estado no último trimestre ficou em 4,1%. É nesse “andar de baixo” que a eleição também será julgada. O eleitor pode não participar de reunião política, não frequentar gabinete, não aparecer em fotografia com candidato e muitas vezes sequer discutir política nas redes sociais. Mas ele sabe quanto custa a feira, quanto sobra do salário e quanto pesa a prestação no fim do mês. E esse eleitor está na urna. Numa disputa apertada, compreender o sentimento de quem está fora das bolhas políticas pode fazer a diferença entre vencer e perder uma eleição.
SEGUNDO TURNO NO HORIZONTE

No Tocantins o segundo turno é hoje uma possiblidade. Possibilidade, não certeza. Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, os dois mais votados disputarão uma nova etapa. E, se Dorinha e Vicentinho confirmarem nas urnas o protagonismo que hoje apresentam nas pesquisas, começará praticamente outra eleição.
Os votos dados a Laurez Moreira, Ataídes Oliveira passarão a ser disputados. Alianças revisitadas, prefeitos farão novas contas, candidatos proporcionais terão encerrado suas próprias eleições, e lideranças que hoje dividem esforços poderão se reposicionar.
É outra eleição!
O candidato que conseguir conversar com as grandes cidades e ao mesmo tempo com os municípios pequenos terá um diferencial. Para se alcançar a vitória será preciso fazer os dois, e ao mesmo tempo.
SENADO

Eduardo Gomes chega confortável à reta final das eleições. Sua regularidade chama à atenção, mas é preciso lembrar que cada eleitor terá direito à dois votos. E é justamente o segundo voto que pode embaralhar completamente a corrida pela outra cadeira.
A SEGUNDA VAGA É UMA GUERRA À PARTE

Alexandre Guimarães aparece bem colocado em diferentes levantamentos e tem demonstrado competitividade. Mas ninguém deveria tratar a segunda vaga como definida. Carlos Gaguim continua no jogo, assim como Eli Borges, Ronaldo Dimas, Paulo Mourão e Vanderlei Luxemburgo. Nos grandes colégios eleitorais, a disputa pelo segundo voto ao Senado poderá ser tão importante quanto a escolha do primeiro. É por isso que eleição para duas vagas ao Senado possui uma matemática muito própria.
PESQUISA É FOTOGRAFIA. URNA É RESULTADO

Nas próximas semanas, novas pesquisas chegarão ao conhecimento dos tocantinenses. O eleitor deve observar quem realizou o levantamento, quando foi feito, quantas pessoas foram entrevistadas, a margem de erro, o nível de confiança e, principalmente, o registro na Justiça Eleitoral. Pesquisa séria ajuda a compreender o momento, mas continua sendo fotografia. Urna é resultado.
Chegamos à fase em que qualquer erro custa mais caro. Uma declaração equivocada, um debate ruim, ausência mal explicada, aliança que não chega à ponta, prefeito que declara apoio, mas não pede voto, tudo passa a importar.
Dorinha precisa transformar sua enorme estrutura política em votos. Vicentinho precisa provar que sua competitividade consegue romper a vantagem estrutural da adversária. Eduardo Gomes precisa transformar a liderança das pesquisas em renovação de mandato. E os candidatos que perseguem a segunda cadeira do Senado precisam encontrar, rapidamente, os votos que ainda estão soltos.
Os 139 municípios importam. Essa matemática não pode ser ignorada. E o Observatório Político de O Paralelo 13 continuará fazendo aquilo que sempre fez: olhando além dos palanques, das redes sociais e das bolhas para tentar compreender o movimento real da sociedade tocantinense.
Porque agora não basta ter prefeito, estrutura, liderar pesquisa ou fazer barulho, é preciso transformar tudo isso em voto!