Por: Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Quem souber usar a paciência, o tempo e aliados fiéis conseguirá unir as pontas sem causar curto-circuito. É exatamente assim que se encontra o processo político tocantinense. Os principais líderes políticos do Estado tentam decifrar o emaranhado sucessório, ligando cada fio com cautela para evitar incêndios políticos que possam mergulhar o Tocantins na escuridão institucional e, pior, prejudicar mais de um milhão de eleitores.
Hoje, cerca de 79% do eleitorado tocantinense se declara indeciso. A maioria absoluta ainda não sabe quais pontas tocar sem correr o risco de errar.
ELEITOR DESCONECTADO DO JOGO ANTECIPADO
O Observatório Político de O Paralelo 13 teve acesso aos resultados de uma pesquisa de consumo encomendada por um grupo de empresários com interesses de investimento no Tocantins. O levantamento foi realizado por uma empresa do Distrito Federal, com 23 anos de mercado.

Os dados revelam que a maioria dos eleitores entrevistados está completamente desconectada do processo sucessório neste momento. Preferem aguardar mais adiante para conhecer melhor as propostas, o passado e o posicionamento dos pré-candidatos antes de decidir o voto.
Mesmo sem optar por nenhum dos atuais pré-candidatos, a maioria dos entrevistados fizeram questão de registrar que não votam em quem já praticou, pratica ou esteja vinculado a atos de corrupção.
Outro dado relevante é que a maioria acredita que a Justiça dará respostas ainda este ano, antes das eleições, sobre as investigações e operações da Polícia Federal em território tocantinense envolvendo diversos escândalos de corrupção.
O eleitor quer clareza antes de apertar o botão da urna.
WANDERLEI BARBOSA NO CENTRO DO TABULEIRO

Diante de muitas operações realizadas no Tocantins sobre suspeita de corrupção na gestão, a maioria dos entrevistados afirmaram acreditar que o governador Wanderlei Barbosa não tenha conhecimento ou participação nos fatos. Porém, parentes e auxiliares não foram poupados nas avaliações.
CLASSE POLÍTICA SOB DESGASTE
Na leitura panorâmica do Observatório Político, o cenário é de que a maioria dos detentores de mandato enfrentam forte desgaste junto ao eleitorado, com raríssimas exceções. O descrédito é mais acentuado entre as mulheres.
INDIGNAÇÃO FEMININA
A classe feminina demonstra revolta intensa com os casos de corrupção no Estado. Segundo a pesquisa, há preferência significativa por candidaturas femininas, especialmente de mulheres mães. A indignação pode se transformar em força eleitoral organizada.
PÓS-CARNAVAL: O JOGO COMEÇA A CLAREAR

Com o fim das coligações proporcionais agora substituídas pelas federações partidárias e com direito a dois votos para senador, além de governador, deputado estadual, federal e presidente da República no mesmo dia, o eleitor enfrentará uma decisão complexa na cabine de votação.
Cada candidato terá que maximizar sua exposição. Tornar público seu passado, suas bandeiras e sua identidade política deixará de ser opção e passará a ser obrigação. Principalmente nas disputas proporcionais, onde o eleitor precisará ter clareza absoluta sobre quem é quem.
Talvez o maior emaranhado das eleições estaduais de 2026 esteja, justamente, na situação jurídica dos detentores de mandato que disputarão reeleição ou novos cargos. Não basta afirmar que não há condenação. O eleitor quer explicações claras, transparentes e convincentes. Estar sendo investigado não é o mesmo que ser réu, mas qualquer vínculo com atos não republicanos exigirá esclarecimentos públicos e a cobrança virá com força redobrada.

Independentemente das articulações políticas e dos acordos partidários, é preciso dizer que a sucessão estadual tem tudo para ser disputada também nos tapetões dos tribunais. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal ao endurecer o entendimento sobre práticas relacionadas ao caixa dois e atos de improbidade administrativa sinaliza que o ambiente jurídico estará ainda mais rigoroso. O recado está dado, a régua subiu.
Diante desse cenário, a eleição no Tocantins tende a ser judicializada em diversas frentes. Haverá disputas nas comarcas do interior, questionamentos no Tribunal Regional Eleitoral e, não se descarta, desdobramentos nos tribunais superiores. O processo sucessório de 2026 não será apenas político, será também jurídico. E isso já está claro para quem acompanha, de perto, cada movimento desse complexo tabuleiro.