Por Tom Lyra
O Brasil acaba de abrir uma porta histórica para o maior mercado consumidor e turístico do planeta.
A decisão do Governo Federal de isentar turistas chineses de visto para permanência de até 30 dias não é apenas uma medida diplomática.
É uma mudança estratégica capaz de movimentar bilhões, fortalecer o turismo, aquecer o comércio, impulsionar a indústria e gerar empregos em várias regiões do país.
E o Tocantins não pode assistir a isso de braços cruzados.
A partir de 11 de maio de 2026, chineses poderão entrar no Brasil sem necessidade de visto para viagens de turismo, negócios, eventos culturais, atividades esportivas e encontros familiares.
A medida segue o princípio da reciprocidade, após a China ter adotado o mesmo benefício aos brasileiros em 2025.
Os números impressionam.
Somente em 2025, mais de 103 mil turistas chineses visitaram o Brasil. Já em 2026, até este momento, mais de 26.420 chineses já desembarcaram no país, representando crescimento de 30,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Foz do Iguaçu, por exemplo, o aumento do fluxo chinês já ultrapassa 32%, com projeção de injeção econômica superior a US$ 250 milhões adicionais na economia local algo em torno de R$ 1,3 bilhão.
A pergunta que o Tocantins precisa fazer é simples:
Quanto desse novo dinheiro global nós queremos receber?
Se o Tocantins tiver visão estratégica e capacidade de organização, é perfeitamente possível buscar pelo menos 15% desse novo incremento turístico e comercial que o Brasil começa a receber.
E isso não é exagero. É planejamento.
A China possui uma classe média gigantesca, apaixonada por natureza, experiências autênticas, destinos exóticos, pesca esportiva, cultura regional e turismo ecológico. E exatamente aí o Tocantins possui um dos maiores potenciais do Brasil.

O Jalapão, a Ilha do Bananal, o Rio Araguaia, as praias fluviais, o ecoturismo, o turismo de aventura e a pesca esportiva são produtos turísticos extremamente atrativos para o perfil do turista chinês contemporâneo.
Somente a pesca esportiva pode representar cerca de 7,5% desse novo fluxo econômico, movimentando pousadas, hotéis, barcos, guias, restaurantes, combustível, transporte aéreo, locadoras, equipamentos e toda a cadeia produtiva regional.
Mas o impacto vai muito além do turismo.
Quem entender esse movimento primeiro vai lucrar mais.
Hotéis precisarão se adaptar. Restaurantes precisarão evoluir. Agências receptivas precisarão se profissionalizar. Empresários precisarão pensar globalmente.
O turista chinês possui hábitos específicos de consumo. Muitos não utilizam cartão de crédito internacional tradicional. O pagamento digital domina completamente o cotidiano chinês. Quem quiser receber esse público precisará aceitar plataformas como Alipay e WeChat Pay.
Além disso, comunicação será fundamental.

O Tocantinense precisa começar a aprender mandarim básico. Empresas precisarão contratar intérpretes. Cardápios deverão ter versões em chinês. Sites, redes sociais e materiais promocionais precisam ser adaptados.
E mais: nossos empresários precisam entender onde o turista chinês busca informação.
Enquanto muitos ainda pensam apenas em Instagram e Google, os chineses utilizam plataformas próprias como Mafengwo e Xiaohongshu equivalentes chineses do TripAdvisor e Instagram. Quem não estiver presente nessas plataformas simplesmente não existirá para esse mercado.
Estamos falando de uma transformação cultural e econômica.
O chambari tocantinense pode ganhar mercado. O artesanato regional pode alcançar consumidores internacionais. As marcas locais podem se internacionalizar. A indústria pode criar conexões comerciais inéditas. O turismo pode deixar de ser atividade complementar e passar a ser vetor econômico central do nosso estado.
Mas existe um detalhe importante: janela de oportunidade não permanece aberta para sempre.
Outros estados já estão se movimentando. Foz do Iguaçu entendeu isso rapidamente. Rio de Janeiro, Bahia e Amazonas também já começam a se preparar.
O Tocantins precisa agir agora.
Precisamos de qualificação. Precisamos de conectividade aérea. Precisamos de campanhas internacionais precisamos de participar de feiras chinesas de turismo e negócios . Precisamos de empresários preparados. Precisamos de visão estratégica.
O mundo está mudando. A China está viajando. E o Tocantins possui exatamente aquilo que o turista moderno procura: natureza verdadeira, autenticidade cultural, experiências únicas e um povo acolhedor.
A pergunta não é mais se essa oportunidade chegará até nós.
Ela já chegou.
A verdadeira pergunta é: o Tocantins terá coragem, inteligência e velocidade para aproveitá-la?
Tom Lyra
Ex vice governador do estado do Tocantins