Pronunciamento, que sairá nas rádios na manhã desta terça, foi gravado pelo presidente e tem pouco mais de 2 minutos
Por Ana Isabel Mansur
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nesta segunda-feira (24), em pronunciamento oficial nas redes de TV, os programas do governo federal Pé-de-Meia e Farmácia Popular. A fala, com pouco mais de dois minutos de duração, ocorre em meio à baixa popularidade do presidente, que atingiu o menor nível de aprovação dos três mandatos, com 24%. Em 14 de fevereiro, a pesquisa Datafolha apontou que 41% dos eleitores reprovam o petista, o maior número já registrado pelo levantamento.
“Uma dupla que está mexendo com o Brasil”, exaltou Lula. “Depois de dois anos de reconstrução de um país que estava destruído, estamos trabalhando muito para trazer prosperidade para todo o Brasil, principalmente para quem mais precisa. Seguimos ao lado de cada brasileiro e de cada brasileira: para levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”, acrescentou.
O mesmo pronunciamento será veiculado na rede de rádios do país nesta terça-feira (25), às 6h30. O discurso foi gravado — na noite desta segunda, Lula participa da exibição do filme “Ainda Estou Aqui”, no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência. Também devem estar presentes os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O longa concorre em três categorias no Oscar 2025.
A fala aproveitou o gancho do Pé-de-Meia, cujos primeiros pagamentos deste ano serão feitos nesta terça. As transferências poderão chegar a R$ 1.200 — R$ 1.000 a quem concluiu uma das séries do ensino médio no ano passado e mais R$ 200 para os estudantes que se formaram no ensino médio e participaram dos dois dias do Enem 2024 (Exame Nacional do Ensino Médio).
Para quem concluiu o ensino médio, os pagamentos serão feitos até quarta (26), a depender da data de nascimento do beneficiário. Os alunos que terminaram o 1º e o 2º ano receberão o valor na quinta (27), independentemente do mês do aniversário. Segundo Lula, mais de 90% dos participantes do programa passaram de ano.
O Pé-de-Meia, iniciado em março do ano passado, pretende combater a evasão escolar no ensino médio por meio da concessão de bolsa a estudantes de baixa renda. Atualmente, a política atende 3,9 milhões de alunos, segundo o MEC (Ministério da Educação), com custo anual estimado em R$ 12,5 bilhões.
Farmácia Popular
Em 13 de fevereiro, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, anunciou que todos os 41 itens disponíveis na Farmácia Popular serão distribuídos de forma totalmente gratuita. Com a medida, as fraldas geriátricas e a Dapagliflozina, remédio para diabete mellitus associada a doença cardiovascular, que antes precisavam do pagamento de coparticipação, serão de graça.
A determinação vai garantir economia de R$ 190 por mês para os usuários da Dapagliflozina. Já no caso das fraldas para pessoas com deficiência ou acima de 60 anos, a pasta calcula o uso de 40 unidades a cada 10 dias, o que vai gerar redução de gastos de R$ 270. O ministério afirma que mais de 1 milhão de pessoas vão se beneficiar da mudança.
Custo da comida
Lula também enfrenta a alta no preço dos alimentos. Apesar de demonstrar preocupação e criticar os valores elevados, o presidente ainda não apresentou nenhuma medida concreta para conter a disparada, que afeta principalmente o orçamento das famílias mais pobres.
No fim de janeiro, ministros de Lula chegaram a citar algumas medidas. Entre as iniciativas, estaria uma eventual redução de alíquotas de importação de produtos e diminuição do custo de intermediação da empresa com o trabalhador em relação ao cartão alimentação. As medidas, contudo, não avançaram.
O grupo de alimentação e bebidas respondeu por um terço da alta da inflação de 2024, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os preços dos alimentos subiram 7,69%, enquanto a inflação cresceu 4,83%. O aumento da carne chegou a 20,84%, a maior alta desde 2019.
Soma-se ao contexto o excesso de chuva em algumas das regiões produtoras no início do ano, o que afeta a oferta de hortifrútis, e o aumento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis, além do reajuste do diesel. Esses fatores pressionam a inflação.