Por: Edson Rodrigues, Edivaldo Rodrigues
A Família O Paralelo 13 jamais saiu das quatro linhas da liberdade de expressão. Muito menos se calou, se omitiu ou temeu os endinheirados, os detentores de mandato ou aqueles que ocupam posições de poder. Ao mesmo tempo, sempre tratamos a Justiça, as instituições, seus membros e dirigentes com o respeito que merecem.
Respeitar, sim. Submissão, nunca!
Esta empresa familiar se aproxima dos 40 anos de atuação, procurando praticar um jornalismo independente, firme e verdadeiro. Aos nossos colaboradores, parceiros e, principalmente, aos nossos leitores, deixamos mais uma vez a nossa gratidão.

É com esse espírito que entramos em dois assuntos delicados da sucessão estadual de 2026. De um lado, a relação política entre Laurez Moreira e o PT. Do outro, o questionamento do Ministério Público Eleitoral envolvendo o registro da candidatura de Carlos Gaguim ao Senado. Dois episódios distintos, mas que merecem ser colocados sobre a mesa sem medo e sem pré-julgamento.
LAUREZ MOREIRA X PT: UM CASAMENTO QUE NÃO CONSEGUIU VIRAR UNIÃO

A sucessão estadual do Tocantins produziu, antes das convenções partidárias, vários movimentos inesperados. Um deles foi o casamento político entre Laurez Moreira e o PT. Laurez vinha construindo sua pré-candidatura ao Governo sem qualquer tradição política de convivência com o chamado clã petista. Sua trajetória partidária caminhou por outros ambientes e outras composições.
Mesmo assim, o cenário político de 2026 produziu uma aproximação. O vice-governador deixou o PDT, ingressou no PSD e acabou construindo uma aliança com o PT, que buscava garantir um palanque estadual para o presidente Lula. Formalmente, a união aconteceu. Politicamente, porém, existe uma pergunta que começa a circular cada vez mais forte nos bastidores: esse casamento foi realmente construído para formar um projeto de governo ou apenas para garantir um palanque presidencial?
A ESCOLHA DO VICE FOI O PRIMEIRO SINAL

Laurez teve a oportunidade de oferecer ao PT uma participação direta na chapa executiva. Não fez! Escolheu para vice um militar da reserva, homem respeitado, de boa reputação e reconhecida trajetória, mas que não pertence aos quadros do PT. A escolha pode até ter sido correta do ponto de vista pessoal e administrativo, Mas, politicamente, enfraqueceu o simbolismo da aliança.
Se o objetivo era construir uma candidatura realmente integrada ao campo lulista, colocar um nome petista na vice poderia ter servido como demonstração objetiva de união. Não aconteceu! E, desde então, o que se percebe é uma aliança que existe formalmente, mas que ainda não conseguiu produzir uma verdadeira identidade coletiva.
DEPOIS DAS CONVENÇÕES, CADA UM FOI PARA O SEU CANTO

Esse talvez seja o ponto mais preocupante. Depois das convenções, quando se esperava que a campanha ganhasse unidade, organização e comando, o movimento foi quase o contrário. Cada grupo passou a cuidar da própria agenda. Laurez seguiu com sua candidatura, Paulo Mourão passou a cuidar da própria campanha ao Senado, Célio Moura organizou seu campo proporcional e Kátia Abreu estruturou uma campanha específica para a reeleição do presidente Lula.
E o que deveria parecer uma frente política começou a transmitir a imagem de vários núcleos ocupando o mesmo espaço eleitoral, mas sem um comando único. É justamente por isso que, nos bastidores, começa a surgir uma expressão dura, mas politicamente compreensível: a candidatura de Laurez mais parece uma “barriga de aluguel” para o palanque de Lula no Tocantins.
Não estamos afirmando que seja isso. Estamos dizendo que o comportamento dos grupos começa a produzir essa impressão.
KÁTIA ABREU E A CARAVANA TOCANTINS COM LULA

Enquanto Laurez faz sua própria campanha, a ex-senadora Kátia Abreu, coordenadora política da candidatura à reeleição de Lula no Tocantins, colocou na estrada a Caravana Tocantins com Lula. E Kátia saiu satisfeita da primeira etapa. A caravana percorreu municípios do Bico do Papagaio e encontrou receptividade da população, participação de lideranças locais e presença significativa de militantes e simpatizantes do presidente Lula.
Um elemento importante foi a participação de Lurian Lula da Silva, filha do presidente. A presença de Lurian reforçou o caráter presidencial da mobilização. Era Lula em primeiro plano. A campanha de Kátia foi organizada justamente para mostrar o legado do Governo Federal no Tocantins e fortalecer a candidatura presidencial. Nesse aspecto, cumpriu sua função.
MAS ONDE ESTAVA LAUREZ?
É aqui que a discussão volta ao ponto inicial. Em diversos momentos das agendas realizadas no Bico do Papagaio, segundo relatos políticos recebidos pelo Observatório, lideranças locais fizeram referências a Lula, à candidatura presidencial, aos candidatos proporcionais e ao Senado. Mas o nome de Laurez não apareceu com a mesma força.
DUAS CARAVANAS DO MESMO PARTIDO

A situação ficou ainda mais evidente quando surgiu uma segunda caravana. De um lado, a Caravana Tocantins com Lula, liderada por Kátia Abreu. Do outro, uma movimentação comandada por Paulo Mourão e Célio Moura. Em determinados momentos, as agendas praticamente coincidiram em datas, horários e municípios e nenhum deles enfatizaram a candidatura a governador de Laurez Moreira.
Pode ter sido coincidência, falta de coordenação, disputa por espaço, mas politicamente não é uma boa imagem. Se os dois grupos defendem Lula, por que disputar o mesmo território no mesmo momento? O Tocantins tem 139 municípios. Há espaço suficiente para duas estruturas trabalharem de forma complementar. O que não faz sentido é uma ala passar a impressão de que precisa disputar visibilidade com a outra dentro do próprio campo presidencial.
KÁTIA SAI SATISFEITA DO BICO
Apesar desses desencontros, a avaliação de Kátia Abreu sobre a passagem pelo Bico foi positiva. A coordenadora política demonstrou entusiasmo com a participação popular e com a receptividade encontrada nos municípios visitados. A presença de Lurian também deu maior visibilidade à agenda. Kátia tem experiência suficiente para compreender que uma campanha presidencial não pode depender apenas dos diretórios partidários. Essa estratégia pode ser eficaz, mas precisa conviver com a realidade da chapa estadual.
UM CASAMENTO PRECISA DE VIDA EM COMUM

Na política, como na vida, casamento não se sustenta apenas por assinatura, precisa de convivência, confiança, compromisso e unidade. Até agora, o casamento entre Laurez Moreira e PT parece muito mais administrativo e eleitoral do que político e programático. Se isso não mudar, Laurez corre o risco de continuar sendo o candidato que oferece o palanque, enquanto Lula tem sua própria campanha e os petistas tocam suas próprias candidaturas. É exatamente aí que nasce a expressão “barriga de aluguel”. Não como condenação, mas como alerta político.
MINISTÉRIO PÚBLICO X CARLOS GAGUIM

No outro lado do cenário eleitoral, o debate envolvendo a candidatura de Carlos Gaguim ao Senado também ganhou força. No programa TO em Pauta, formado pela Coluna Cleber Toledo, Gazeta do Cerrado e O Paralelo 13, nós discutimos as candidaturas ao Senado. Durante essa análise, levantamos uma pergunta sobre a situação jurídica de Carlos Gaguim. Não condenamos ou absolvemos, apenas perguntamos. E esse é um direito assegurado pelo exercício do jornalismo e pela liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal.
O QUESTIONAMENTO FEITO NO TO EM PAUTA
Na ocasião, lembramos outros casos nacionais envolvendo candidaturas submetidas a questionamentos judiciais. A pergunta era simples: qual seria a real situação jurídica de Carlos Gaguim diante de decisões judiciais existentes em seu histórico?
O deputado já foi alvo de condenação em ação de improbidade administrativa mantida por órgão colegiado do Tribunal de Justiça do Tocantins. Também existem recursos e decisões posteriores em diferentes processos. É exatamente por isso que o assunto precisava ser juridicamente esclarecido. Poucos dias depois, o Ministério Público Eleitoral apresentou manifestação no processo de registro da candidatura.
O QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO PEDIU

O Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento do registro da candidatura de Carlos Gaguim. Mas existe uma informação fundamental: a manifestação não apontou, naquele momento, uma causa de inelegibilidade decorrente dessas condenações.
O questionamento apresentado pelo Ministério Público estava relacionado à documentação exigida no processo de registro. Isso muda completamente a interpretação. Uma coisa é pedir indeferimento porque existe causa jurídica de inelegibilidade. Outra é pedir indeferimento porque documentos exigidos ainda precisam ser apresentados ou complementados.
A JUSTIÇA ELEITORAL AINDA VAI DECIDIR
Também é importante deixar claro: a candidatura de Carlos Gaguim não foi automaticamente indeferida apenas porque o Ministério Público apresentou essa manifestação.
O Ministério Público opina. A Justiça Eleitoral decide. A defesa de Gaguim terá oportunidade de apresentar documentos, argumentos e esclarecimentos. Depois disso, caberá ao Tribunal analisar o pedido de registro.
Se deferir, será notícia.
Se indeferir, será notícia.
Se houver recurso, será notícia.
E assim deverá seguir qualquer veículo de comunicação responsável.
A Família O Paralelo 13 sempre defendeu a liberdade de expressão. Mas liberdade de expressão não significa licença para destruir reputações ou substituir a Justiça, da mesma maneira, respeito às instituições não significa silêncio.
Se existe processo público, discutiremos. Se existe condenação, informaremos. Se existe recurso, informaremos, assim como no caso de arquivamento ou absolvição. O papel da imprensa não é escolher apenas a parte que interessa a um lado.
É mostrar o conjunto.
NEM BLINDAGEM, NEM PERSEGUIÇÃO

Esse será o comportamento da Família O Paralelo 13 durante todo o processo eleitoral. Não vamos blindar candidato, prossegui-los ou esconder fato público. De forma ética e muito responsável vamos informar o leitor. Quem pretende governar o Tocantins ou representar o Estado no Senado precisa estar preparado para perguntas. Perguntas sobre propostas, alianças, decisões judiciais, passado político e patrimônio público.
Afinal, estamos há quase 40 anos fazendo exatamente isso: observando, perguntando e informando.