Preço da gasolina vai aumentar 'já, já', diz presidente da Petrobras

Posted On Quarta, 13 Mai 2026 04:50
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Por João José Oliveira - uol

 

Magda Chambriard, presidente da Petrobras, em teleconferência de resultados de 1º trimestre com analistas, também falou sobre reajustes de preços da gasolina em breve Imagem: Reprodução
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou hoje que o preço da gasolina para as distribuidoras vai subir em breve, enquanto a estatal avalia medidas para reduzir o impacto da alta do petróleo.

 

O que aconteceu

O aumento no preço da gasolina deve ocorrer rapidamente. Magda Chambriard afirmou hoje, em conferência com analistas, que o reajuste para as distribuidoras acontecerá "já, já".

 

Quando estamos observando aumento do preço da gasolina, fazemos isso frente ao preço do etanol no mercado brasileiro nos últimos pouco mais de 15 dias. E nós tivemos um preço do etanol baixando bastante no mercado brasileiro. Ele é competidor, sim, do nosso mercado. Então, nós estamos agora tratando desse aumento de gasolina, mas sempre de olho no nosso market share e na evolução do mercado do etanol. Magda Chambriard, presidente da Petrobras

 

Na última mudança de preços, valor da gasolina da Petrobras caiu. Em 27 de janeiro, Petrobras reduziu os preços de venda de gasolina para as distribuidoras em 5,2%. O percentual foi equivalente a uma redução de R$ 0,14 por litro do combustível, de R$ 2,71 para R$ 2,57 nas distribuidoras.

 

Petrobras está analisando medida para atenuar alta de preço da gasolina. Segundo Magda Chambriard, a empresa está discutindo com o governo iniciativa que possa suavizar o impacto dos aumentos do petróleo provocados pela guerra no Oriente Médio sobre os preços da gasolina no Brasil. "Estamos trabalhando na questão da gasolina. Em breve, os senhores vão ter também boas notícias em relação à nossa gasolina", disse a analistas na teleconferência.

 

Governo lançou, no começo de abril, medidas para conter reajustes de preços de combustíveis. O pacote de medidas busca conter os impactos da alta dos combustíveis provocada pela disparada do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, com novas subvenções para diesel e GLP, isenção de tributos sobre biodiesel e querosene de aviação (QAV) e endurecimento das punições por preços abusivos.

 

Após fechamento do trimestre, escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã afetou fornecimento mundial de petróleo. Entre os ataques, o fechamento do Estreito de Hormuz passou a pressionar ainda mais o mercado internacional de combustíveis. O estreito concentra cerca de 20% do tráfego global da commodity.

 

Autossuficiência

Petrobras está ampliando capacidade de produção para atender 100% da demanda nacional de diesel e gasolina. A presidente da empresa, Magda Chambriard, disse que a companhia está revendo o plano de negócios de longo prazo, que valerá de 2027 a 2031, para elevar a produção e ser capaz de atender todo o consumo doméstico de diesel e gasolina.

Com a guerra, com os resultados alcançados pela companhia e pela confiança que o mercado brasileiro tem na Petrobras, estamos tratando de forma segura e rentável analisar a oportunidade que muito provavelmente virá no nosso próximo plano de negócio de atingir a autossuficiência brasileira. Magda Chambriard, presidente da Petrobras

 

Plano atual, 2026-2030, prevê elevar capacidade da Petrobras para atender 85% da demanda local por diesel. O país importa cerca de 25% a 30% do que consome desse combustível. Segundo Chambriard, a empresa será capaz de aumentar essa meta a partir dos ganhos de produtividade, com maior utilização da capacidade instalada e ampliação das unidades usadas. O diretor executivo de processos industriais e produtos, William França, disse que a companhia está definindo o plano para atingir essa meta de autossuficiência em diesel até 2031.

 

Petrobras ampliou utilização da capacidade instalada total. O fator de utilização das refinarias no país subiu de 89%, em dezembro, para 97%, no fim de março, recorde da companhia. A presidente da companhia disse que a guerra no Oriente Médio, que afetou o fornecimento de petróleo e provocou a alta do preço do barril, levou a companhia a buscar metas mais ambiciosas para atender a demanda local.

 

Produção de gasolina também será ampliada. Segundo a presidente da Petrobras, "a reboque do diesel vem a gasolina". Ela disse que a companhia está se preparando para atender também toda a demanda nacional de gasolina. O Brasil importa cerca de 10% desse combustível, mas as compras do exterior aumentaram neste ano. Em março, os desembarques cresceram 194%, a 335,6 milhões de litros.

 

Produção comercial cresceu 16% na comparação anual, para 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia. No mesmo período de 2025, o volume era de 2,4 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d).

 

Exportações de petróleo avançaram 61,2% e chegaram a 888 mil barris por dia em um ano. As vendas externas de óleo combustível também subiram, com alta de 15,4%, para 187 mil barris por dia no mesmo período. A China foi o principal destino das vendas.

Pré-sal puxou o aumento da produção, com alta de 17,8% no trimestre. A produção do pós-sal profundo e ultraprofundo cresceu 10,4%, segundo a companhia.

 

Petrobras colocou dez novos poços produtores em operação entre janeiro e março. Sete entraram em atividade na Bacia de Campos e três na Bacia de Santos.

 

Plano de Negócios da Petrobras prevê investimento de US$ 109 bilhões nos próximos cinco anos. Do total, US$ 91 bilhões (R$ 486,8 bilhões) são previstos para projetos da carteira em implantação e US$ 18 bilhões (R$ 96,3 bilhões) na carteira em avaliação, composta por oportunidades com menor grau de maturidade. O total é 1,8% menor na comparação com o plano aprovado para o período entre 2025 e 2029.

 

As vendas no mercado interno cresceram 2,9% no primeiro trimestre de 2026. O querosene de aviação liderou a alta, seguido pela gasolina e pelo diesel.

 

Produção de derivados cresceu 6,4% no trimestre. Segundo a estatal, o avanço acompanhou a alta das vendas no mercado doméstico.

 

Dividendos extraordinários

Distribuição de dividendos extraordinários é quase descartada por direção da empresa. O diretor-executivo Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Fernando Melgarejo, disse na teleconferência que a possibilidade de pagar dividendos extraordinários neste ano existe, mas "é muito baixa aqui na nossa visão", afirmou. Segundo ele, a volatilidade do preço do petróleo reduz a previsibilidade sobre o comportamento do caixa, o que diminui espaço para distribuição extra de lucros aos acionistas.

Para primeiro trimestre, conselho aprovou R$ 9 bilhões em distribuição de lucros. Valor se refere a dividendos e juros sobre capital próprio que serão distribuídos entre acionistas privados e públicos. O valor corresponde a a R$ 0,70097272 por ação. Segundo comunidado da empresa, pagamento é "antecipação da remuneração relativa ao exercício de 2026, declarada com base no balanço de 31 de março de 2026".

 

Para detentores de ações de emissão da Petrobras negociadas na B3, a data base será em 1º de junho de 2026. A primeira parcela, no valor de R$ 0,35048636 por ação ordinária e preferencial em circulação, será paga em 20 de agosto de 2026, integralmente sob a forma de juros sobre capital próprio. A segunda parcela, no valor de R$ 0, 35048636 por ação ordinária e preferencial em circulação, será paga em 21 de setembro de 2026, integralmente sob a forma de juros sobre capital próprio.

 

Balanço trimestral

Petrobras lucrou R$ 32,6 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O ganho foi 7,2% menor que o apurado no mesmo período do ano passado (R$ 35,2 bilhões). Analistas esperavam ganhos em torno de R$ 29 bilhões.

 

Resultado vem em um período marcado pela alta do petróleo em razão do conflito no Oriente Médio e pelo impacto da valorização do real. A estatal também anunciou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em dividendos, segundo balanço trimestral divulgado na noite de hoje.

 

Resultado financeiro ajudou a sustentar o desempenho do trimestre. A Petrobras informou resultado positivo de R$ 7,86 bilhões, beneficiado pela valorização do real frente ao dólar no fim do período, com efeito sobre dívidas entre a empresa e subsidiárias no exterior.

 

Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 59,6 bilhões no trimestre. O resultado ficou 2,4% abaixo do registrado no primeiro trimestre do ano passado e 1% menor em relação ao quarto trimestre de 2025.

 

Já o resultado financeiro da estatal foi de R$ 1,75 bilhão. Houve alta de 1,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e queda de 24,9% na comparação com o último trimestre do ano passado.

 

Preço médio do petróleo ficou acima do registrado um ano antes. A cotação passou de US$ 75,66 no primeiro trimestre de 2025 para US$ 80,61 no primeiro trimestre deste ano, segundo dados citados no balanço.

 

Por outro lado, a valorização do real pesou sobre o resultado, principalmente nas receitas de exportação. A alta da moeda brasileira reduziu os ganhos da companhia com vendas externas de petróleo.

 

 

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