TOCANTINS NO OLHO DO FURACÃO: DORINHA E VICENTINHO COMEÇAM A BATALHA FINAL

Posted On Terça, 06 Outubro 2026 05:10
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A urna de 4 de outubro não escolheu o governador do Tocantins. Escolheu os dois nomes que terão de voltar às ruas, aos municípios, aos palanques e, principalmente, ao eleitor para disputar os últimos votos de uma eleição que terminou o primeiro turno com uma diferença pequena demais para permitir comemoração antecipada.

 

 

De um lado, a senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil). Do outro, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB). Dorinha terminou a primeira etapa na frente, com 369.181 votos, 45,75% dos votos válidos. Vicentinho chegou logo atrás, com 352.739 votos, 43,72%. Entre os dois, apenas 16.442 votos, uma diferença de 2,03 pontos percentuais.

 

É pouco.

 

Muito pouco para uma eleição majoritária que agora começa uma segunda etapa completamente diferente. A partir de agora, não existe mais o terceiro colocado, não existe mais a divisão dos palanques do primeiro turno e não existe espaço para campanha burocrática. Existem dois nomes, duas estruturas, dois projetos e uma pergunta que permanecerá aberta até o último voto ser contado: quem conseguirá transformar apoio político em voto?

 

É aí que começa a verdadeira disputa.

 

Porque segundo turno não se ganha com fotografia. Ganha-se com movimento. As engrenagens políticas de cada candidatura serão testadas até o limite. Prefeitos, deputados, vereadores, lideranças regionais, partidos, grupos empresariais, movimentos sociais e militâncias terão de mostrar, na prática, quanto de sua força política consegue chegar à urna. E, quando a diferença é de pouco mais de 16 mil votos, qualquer movimento pode fazer diferença.

 

Uma adesão pode alterar o rumo de uma região. Um debate pode mudar a percepção de milhares de eleitores. Um erro pode custar caro. Uma estratégia bem executada pode produzir uma virada. O segundo turno não é continuação do primeiro. É outra eleição.

 

DORINHA TEM A FRENTE, A ESTRUTURA E O DESAFIO DE NÃO DEIXAR A VANTAGEM ESCAPAR

 

Professora Dorinha chega à segunda etapa com aquilo que todo candidato deseja ter ao começar uma decisão: a dianteira. Mas chega também sabendo que os 16.442 votos de vantagem não permitem acomodação. A candidatura reúne uma estrutura política expressiva e conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de uma ampla rede de lideranças que saiu das urnas com peso político renovado. O grupo governista também terá à disposição uma bancada expressiva no Legislativo, resultado que amplia sua capacidade de articulação para esta segunda etapa.

 

Mas existe uma velha verdade da política que volta a aparecer neste momento: estrutura ajuda. Liderança ajuda. Apoio ajuda. Voto, porém, precisa ser conquistado. Nenhum prefeito carrega uma urna no bolso. Nenhum deputado consegue entregar ao candidato um pacote fechado de votos. Nenhuma liderança controla integralmente a vontade de seus eleitores.

 

O eleitor pode ouvir o líder e escolher diferente. Pode seguir o partido ou escolher outro caminho. Pode mudar de opinião. E é exatamente esse eleitor, muitas vezes silencioso, que passa a ser o personagem mais importante desta segunda etapa.

 

FLÁVIO BOLSONARO ENTRA NO TABULEIRO TOCANTINENSE

 

A decisão de Professora Dorinha de apoiar nacionalmente Flávio Bolsonaro (PL) acrescenta uma nova variável à disputa estadual. No Tocantins, Flávio terminou o primeiro turno com 469.321 votos, 50,44% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 404.009 votos, 43,42%. Uma diferença de 65.312 votos, ou 7,02 pontos percentuais. Agora, os dois estarão novamente frente a frente no segundo turno presidencial. E essa coincidência cria uma equação política que merece ser observada com lupa. Dorinha estará disputando o Governo do Estado ao mesmo tempo em que Flávio Bolsonaro disputará a Presidência da República.

Os dois palanques poderão se encontrar em determinados momentos. Poderão compartilhar lideranças, agendas e estruturas. Poderão também produzir efeitos cruzados sobre o eleitorado.

 

 

 

Mas política não é matemática simples. O eleitor pode votar em Flávio para presidente e escolher Vicentinho para governador. Pode votar em Lula e Dorinha. Pode combinar qualquer uma das duas escolhas. É justamente essa liberdade que torna a eleição imprevisível.

 

VICENTINHO JÚNIOR CHEGA AO SEGUNDO TURNO COM A CHANCE REAL DE VIRAR O JOGO

 

Vicentinho Júnior fez algo que, politicamente, não pode ser minimizado: chegou ao segundo turno. E chegou muito perto. A diferença de 16.442 votos transforma sua candidatura em uma força competitiva e coloca sobre seus ombros uma tarefa objetiva: buscar votos onde Dorinha não conseguiu chegar e preservar os votos que já conquistou.

 

Sua candidatura chega acompanhada do deputado estadual Amélio Cayres, candidato a vice, e de uma composição política que inclui Alexandre Guimarães, eleito senador, além dos candidatos proporcionais e das lideranças que caminharam com o projeto.

 

O chamado “trio parada dura” chega ao segundo turno com um ativo importante: não perdeu peças fundamentais durante a caminhada. A candidatura atravessou a pré-campanha e o primeiro turno sem uma ruptura capaz de desmontar sua estrutura.

 

Agora, porém, o desafio é maior. Não basta comemorar a chegada ao segundo turno. É preciso transformar a chegada em vitória. E para isso será necessário conversar com quem não estava no palanque, buscar os votos dos candidatos que ficaram pelo caminho e, principalmente, convencer o eleitor de que a mudança é possível.

 

AS PESQUISAS TOMARAM UM BANHO DE REALIDADE

 

Se existe uma lição que o primeiro turno deixa para a política tocantinense, ela está nas pesquisas. Os números oscilaram. Os cenários mudaram. Alguns levantamentos apontaram vantagens confortáveis. Outros mostraram empate técnico. Houve pesquisas que colocaram as candidaturas em posições bastante diferentes daquilo que as urnas finalmente apresentaram. E a urna, como sempre, não conversa com ninguém antes de responder. Ela simplesmente responde.

Por isso, o primeiro turno deixa uma frase que deveria estar escrita na porta de todos os comitês: pesquisa é fotografia. Urna é resultado.

 

Não se trata de demonizar os institutos ou dizer que toda pesquisa é imprestável. Pesquisas medem momentos, metodologias e comportamentos eleitorais que podem mudar até o dia da votação. Mas o que aconteceu no Tocantins mostra que não existe espaço para transformar pesquisa em certeza.

 

A urna é soberana.

E a urna de 4 de outubro mostrou uma disputa muito mais apertada do que algumas projeções faziam imaginar.

 

Agora nos resta observar os cenários e entender quem vai aderir a quem, quem vai mudar de lado, quem vai permanecer onde está e, principalmente, quem conseguirá levar o eleitor até a urna.

 

PT TOCANTINENSE: UMA NOVA EQUAÇÃO

 

Há ainda uma peça importante que não pode ser retirada deste tabuleiro.

 

O PT tocantinense.

 

Com Dorinha declarando apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, o campo petista passa a enfrentar uma situação politicamente delicada no segundo turno estadual. No primeiro turno, Lula ficou atrás de Flávio no Tocantins por mais de 65 mil votos. Agora, a candidata que disputa o Governo pelo campo governista estará no palanque presidencial de Flávio.

 

O que fará o PT? Para onde irão suas lideranças? Como se comportarão seus prefeitos, vereadores e dirigentes? E, sobretudo, como reagirá o eleitor petista? São perguntas que não têm respostas prontas. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores incógnitas desta segunda etapa.

 

O ANDAR DE BAIXO TAMBÉM VAI DECIDIR

 

A política costuma olhar para cima, para os grandes líderes, governadores, senadores, deputados, prefeitos. Mas eleições majoritárias também são decididas no andar de baixo. Na conversa de família, na fila do supermercado, no grupo de whatsapp, no bairro, na zona rural, na cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo. É ali que o eleitor decide.

E é por isso que nenhuma candidatura pode imaginar que o apoio de uma liderança significa automaticamente a transferência de seus votos.

Apoio se anuncia. Estrutura se organiza. Aliança se constrói. Voto se conquista.

Essa talvez seja a principal regra deste segundo turno.

AGORA, É OLHO NO OLHO

Restam poucos dias. Dorinha tem uma vantagem. Vicentinho tem uma diferença possível de ser alcançada. Dorinha tem estrutura. Vicentinho tem a oportunidade de construir uma virada. E ambos terão de disputar aquilo que nenhuma pesquisa consegue entregar antecipadamente: a confiança do eleitor.

 

Daqui até 25 de outubro, cada gesto terá peso.

 

O Tocantins já mostrou que eleição não respeita roteiro pronto. Agora, os dois candidatos terão de escrever o último capítulo dessa história diante de um eleitor que já mostrou que não aceita receber a decisão pronta.

 

O Observatório Político de O Paralelo 13 estará, nesta semana pós-eleições, nos bastidores da política de Palmas e do interior do Estado, acompanhando as articulações, as adesões, os movimentos, os acordos e, principalmente, os fatos que poderão alterar o rumo desta que promete ser uma das disputas mais apertadas pelo Governo do Tocantins.

 

 

 

Última modificação em Terça, 06 Outubro 2026 05:25
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