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VOTO SEM FIDELIDADE: A MÁSCARA DE SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA

Posted On Terça, 28 Abril 2026 03:47
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

O eleitor tocantinense entra na sucessão estadual de 2026 com um comportamento cada vez mais independente e imprevisível. A lógica do voto casado, que já foi estratégia de sobrevivência para partidos e candidatos, perde espaço diante de uma sociedade marcada pelo descrédito político, pela crise econômica e pela força de uma juventude conectada e crítica. O resultado é um cenário em que a fidelidade partidária se dissolve e cada voto se transforma em decisão pessoal, guiada por interesses imediatos e pela busca de representatividade real.

 

A FORÇA DO VOTO JOVEM

 

 

Esse grupo, formado em grande parte por universitários, profissionais em busca de ascensão e desempregados, rejeita com veemência políticos corruptos ou extremistas. A tecnologia amplia essa postura: com o celular na mão, o eleitor acessa informações instantâneas sobre candidatos e não se deixa levar por campanhas tradicionais de fidelização. O partido político, nesse contexto, torna-se secundário.

 

ECONOMIA COMO PRIORIDADE ELEITORAL

 

Outro fator que pesa é a crise econômica. Dados recentes do IBGE apontam que oito em cada dez tocantinenses estão endividados, o que reforça a centralidade da pauta econômica na decisão de voto. O eleitor médio, sobretudo o chefe de família, está mais preocupado com a sobrevivência financeira do que com discursos ideológicos.

 

O PAPEL DA MÍDIA NOS INDECISOS

 

 

A partir de julho, com o início oficial da corrida eleitoral, debates, entrevistas e análises nos veículos de comunicação ganharão relevância. Blogs, portais e jornais de credibilidade poderão influenciar indecisos e não partidários, fornecendo informações que ajudem na escolha de representantes. Ainda assim, a fidelidade partidária não será determinante: o eleitor pode optar por um governador de um partido e, ao mesmo tempo, escolher um deputado estadual de outro espectro político.

 

SEM VOTO CASADO E SEM FIDELIDADE

 

 

Após as convenções, o comportamento dos eleitores que irão às urnas será baseado em decisões pessoais, em votar em quem se identificaram. E não adianta nenhum candidato pedir que este eleitor vote em seus candidatos “casados” em suas chapas, seja deputado federal, estadual, senador ou governador. Pode até pedir, mas de forma muito discreta, para o eleitor não se sentir induzido ou pressionado, pois corre o risco de perder o voto em si.

 

Neste momento o eleitor já tem suas tendências ou opção em votar em um candidato a governador de um partido totalmente diferente do seu candidato a deputado estadual, por exemplo, mesmo que sejam de partidos ou ideologias totalmente divergentes. O eleitor não vai terceirizar seu voto, muito menos desistir de seu candidato escolhido, principalmente ao Senado, onde serão oito anos de mandato. Por isso o Observatório Político de O Paralelo faz a quem queira saber: não haverá votos casados dos eleitores, que terão que escolher em quem votarão para presidente da República, governador, dois votos para senador, um voto para deputado federal e outro estadual. As chances desses votos corresponderem a uma única chapa, majoritária ou proporcional, é bem próxima de zero.

 

Após as convenções será cada um por si e Deus para todos. Cada candidato terá que colocar em si sua máscara de sobrevivência política e arrebatar o máximo de votos para ser eleito sem precisar contar com ninguém mais. Fato! Qualquer candidato que queira bater o pé e insistir em fidelizar o eleitor e alinhar seu voto à sua chapa ou partido, será derrotado. O eleitor é a autoridade máxima nas eleições, faz questão de ser respeitado e tratado como tal. O eleitor não aceita ser induzido em hipótese nenhuma!

 

O FUTURO DA POLÍTICA

 

 

O comportamento eleitoral observado no Tocantins é um retrato de uma tendência nacional: o voto cada vez mais autônomo, descolado das estruturas partidárias e guiado por interesses imediatos. Essa mudança desafia estratégias tradicionais de campanha e obriga candidatos a se reinventarem, apresentando propostas concretas e credíveis.

 

A fragmentação do voto indica que o eleitor brasileiro não aceita mais ser tratado como massa de manobra. Ele exige respeito, transparência e resultados palpáveis. A fidelidade partidária, outrora sustentada por ideologias e alianças, cede espaço a uma lógica de sobrevivência política individual, em que cada candidato precisa conquistar sua própria base.

Esse cenário pode fortalecer a democracia, ao ampliar a diversidade de escolhas e reduzir o poder das máquinas partidárias. Mas também traz riscos: a pulverização de votos pode dificultar a governabilidade e aumentar a instabilidade política. O desafio, portanto, será equilibrar a autonomia do eleitor com a necessidade de construir consensos e projetos coletivos.

 

 

A sucessão estadual no Tocantins pode funcionar como um laboratório da política brasileira contemporânea: um espaço onde o eleitor reafirma sua autoridade máxima e obriga os candidatos a vestir a máscara da sobrevivência política para conquistar, voto a voto, sua legitimidade.

 

 

 

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