ELI BORGES E FILIPE MARTINS: DUAS CANDIDATURAS NA “UTI POLÍTICA”

Posted On Sexta, 04 Setembro 2026 11:02
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Por Edson Rodrigues

 

 

Na política não existem milagres garantidos, existem votos, estruturas, alianças e matemática eleitoral. Existem ainda, momentos em que uma candidatura entra naquela situação em que qualquer movimento errado pode custar a própria sobrevivência. É exatamente assim que o Observatório Político de O Paralelo 13 enxerga, neste início de setembro, duas candidaturas importantes das eleições tocantinenses de 2026: a do deputado federal Eli Borges, do Republicanos, ao Senado, e a tentativa de reeleição do deputado federal Filipe Martins, do PL.

 

Candidaturas passam por situações diferentes, com problemas diversos, mas ambas apresentam hoje um diagnóstico semelhante, uma vez que as luzes vermelhas se acenderam.

 

ELI BORGES: DO PL AO REPUBLICANOS

 

A primeira situação é a de Eli Borges. O deputado federal deixou o PL e ingressou no Republicanos, partido comandado no Tocantins pelo governador Wanderlei Barbosa. Sua entrada ocorreu num momento em que a sigla já possuía uma chapa para deputado federal, com nomes que buscavam espaço e musculatura eleitoral. Entre eles está o ex-secretário de Estado da Educação, atual candidato a deputado federal Fábio Pereira Vaz, que há um bom tempo vinha trabalhando seu nome. A lista oficial de candidatos também inclui o atual deputado federal e candidato à reeleição Ricardo Ayres.
O espaço encontrado para Eli acabou sendo outro. O Senado. E aqui é preciso reconhecer um fato: o compromisso partidário foi cumprido. Em 5 de agosto, o Republicanos homologou oficialmente a candidatura de Eli Borges ao Senado e confirmou seu apoio à candidatura de Professora Dorinha Seabra ao Governo do Tocantins. O governador Wanderlei Barbosa, presidente estadual da legenda, deu a Eli a candidatura majoritária.

Daí para frente, porém, começou outro problema. Uma coisa é garantir legenda para disputar, outra coisa é construir as condições políticas necessárias para vencer. O grupo político que sustenta a candidatura de Professora Dorinha é muito maior do que o Republicanos. E dentro desse conglomerado existem interesses diversos, muitos partidos, vários deputados, prefeitos, candidatos proporcionais, outros candidatos ao Senado, ou seja, não existe apenas um candidato tentando conquistar o apoio das lideranças que orbitam o mesmo grande campo político.

 

É aí que começam as dificuldades de Eli. Interlocutores de alta influência do grupo governista, ouvidos reservadamente pelo Observatório Político de O Paralelo 13, apresentam uma leitura bastante objetiva da situação. Segundo uma dessas fontes, Wanderlei Barbosa teria ido até onde poderia ir como líder de um agrupamento formado por vários partidos.

 

A avaliação apresentada ao Observatório é a de que o governador também tem seus limites como líder de um grupo e foi garantido a Eli Borges o espaço para disputar o Senado, e bancar sozinho sua campanha, garantir sua eleição ou dar exclusividade a ele, nunca fez parte do acordo.

 

Neste contexto, caso Eli decida permanecer ou tomar outro rumo político, essa será uma decisão do próprio parlamentar. Do lado de Eli, interlocutores relatam insatisfação. E é justamente nesse desencontro de expectativas que está um dos principais problemas de sua campanha.

 

ELI CORRE POR FORA

Nas ruas, existe uma realidade ainda mais complicada. O Observatório tem acompanhado movimentações de candidatos proporcionais e lideranças políticas, e Eli Borges não aparece com a mesma frequência nas dobradinhas que outros candidatos ao Senado conseguem construir.

 

Esse é um problema grave numa eleição majoritária. Candidato ao Senado não percorre sozinho 139 municípios, precisa de apoio dos prefeitos, vereadores, lideranças, candidatos à federal, à estadual. Precisa de pessoas nas ruas pedindo voto e convencendo o eleitor. É esse exército que parece faltar a Eli neste momento.

 

Dizer que a candidatura está na UTI política não significa dizer que Eli Borges não tenha patrimônio eleitoral. Tem. E seria um erro grosseiro ignorá-lo. Eli possui uma longa trajetória, foi vereador de Palmas, deputado estadual por vários mandatos e é deputado federal desde 2019. Além disso conta com forte inserção no segmento evangélico e um eleitorado que o acompanha há anos.
O problema aqui é outro, pois em uma eleição para o Senado exige ampliar e muito este núcleo. Eli precisa demonstrar rapidamente capacidade de furar as bolhas.

 

FILIPE MARTINS: OUTRA UTI, OUTRO DIAGNÓSTICO

 

Se o problema de Eli é majoritariamente político, o de Filipe Martins é também matemático. Deputado federal pelo Tocantins e em busca da reeleição, trata-se de um candidato com mandato, que também possui apoio da base evangélica, conta com recursos políticos, partidários e permanece identificado com o campo bolsonarista. Portanto, ninguém responsável pode dizer que Filipe está derrotado. Mas há um enorme porém. Deputado federal é eleito pelo sistema proporcional e neste sistema não basta o candidato ter votos, o partido também precisa ter estes votos e é exatamente ai que mora o perigo.

 

A chapa do PL para deputado federal tem Filipe Martins como seu único deputado federal em exercício buscando novo mandato pela legenda e reúne outros candidatos que precisarão contribuir para a votação global do partido. A própria imprensa política tocantinense já vinha apontando, desde agosto, a dificuldade da sigla que não conseguiu reunir na chapa todo o peso eleitoral inicialmente esperado.

 

O PL possui outros candidatos a deputado federal registrados para 2026, entre eles Mauricio Buffon, Adir Gentil, Eladia Pereira, Juacir Ribeiro e outros nomes. Aliados do partido defendem que existe capilaridade eleitoral suficiente, com presença no agronegócio, no segmento evangélico e em diferentes regiões do Estado. Uma publicação favorável à estratégia do PL, por exemplo, aponta Mauricio Buffon e Filipe Martins como os principais nomes da chapa.

Do outro lado, analistas políticos questionam se o conjunto conseguirá produzir votação suficiente para assegurar representação. Essa resposta ninguém tem. Quem dará será a urna. Portanto o mais correto é dizer que Filipe enfrenta uma situação de alto risco eleitoral e precisa contar com seus votos e dos companheiros de chapa para a vitória nas urnas.

 

A DECISÃO VEM NA URNA

 

 

É importante ressaltar que O Observatório Político de O Paralelo 13 pode até fazer diagnósticos, analisar as pesquisas, acompanhar os bastidores, estudar as chapas e observar os movimentos políticos, mas existe uma fronteira que não atravessamos: decretar o resultado que só o eleitor pode dar.

 

Por isso, nada de caixão e vela preta ainda. Eli Borges continua candidato ao Senado. Sua candidatura está oficialmente registrada na disputa e possui uma base eleitoral própria. Filipe Martins continua candidato à reeleição e possui um mandato, estrutura partidária e votação anterior que não podem ser ignorados. Mas os dois têm problemas reais diante deles. E setembro será curto.

 

SOMENTE O ELEITOR TEM A PALAVRA

É justamente essa a beleza e a crueldade da democracia. Ninguém pode votar no lugar do cidadão. Em 4 de outubro, as urnas darão a alguns a vitória e encerrarão, ainda que momentaneamente, a trajetória de outros. Colocar aqui uma sentença definitiva seria arrogância. A palavra final é sua, eleitor!

 

 

 

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