Lula manda recado a Trump sobre PCC e CV no G7

Posted On Terça, 16 Junho 2026 14:45
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Fala aconteceu durante reunião com a participação do norte-americano Donald Trump, cujo governo designou facções brasileiras como terroristas

 

 

Por Renato Machado

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta terça-feira (16) que o combate ao crime organizado precisa respeitar a soberania dos Estados.

 

A declaração aconteceu durante umas das reuniões de trabalho do G7, em Évian-les-Bains, que contava com a presença do presidente norte-americano, Donald Trump.

 

O governo Trump designou recentemente o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, abrindo espaço para intervenções econômicas contra o Brasil e, em um caso mais extremo, de uma ação militar.

 

"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados", afirmou.

 

"A Declaração de Líderes do G7 sobre o Combate ao Tráfico de Drogas é um passo positivo. Mas o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas", completa.

 

Lula participa como convidado da cúpula dos sete países mais ricos do mundo, que acontece na França. A reunião com o discurso do presidente tinha como tema "novas parcerias e reconstrução da solidariedade internacional".

 

O encontro aconteceu logo após a chamada foto de família, que reúne todos os participantes do evento.

 

O mandatário brasileiro ainda enviou outros recados para Trump durante o seu discurso. Criticou por exemplo o protecionismo dos países e o unilateralismo no mundo.

 

"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas.

 

Embora não tenha mencionado Trump, a fala soa como uma referência à guerra tarifária que o norte-americano vem levando adiante desde o primeiro ano de seu segundo mandato.

 

No mês passado, o Brasil foi alvo de duas novas tarifas. Uma delas relacionada à uma ampla investigação de práticas comerciais apontadas como desleais, que levou à possibilidade de aplicação de uma tarifa extra de 25%.

 

Além disso, o Brasil, outros 59 países e a União Europeia foram alvos de uma outra tarifa, de 12,5%, por importar produtos fruto de trabalho escravo.

 

 

 

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