Caso as quebras de sigilo levem o caso a Dias Toffoli, caso terá que ser repassado para investigação do STF

 

 

Por Caio César

 

 

 

A Polícia Federal apura supostos crimes financeiros em fundos ligados ao resort Tayayá, cujo familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, foram sócios via empresa Maridt.

 

Para rastrear os possíveis crimes, a PF pretende realizar análises a partir de quebras de sigilo sobre fundos que têm conexão com o Banco Master e, mesmo que indiretas, com o Tayayá. Também serão solicitados Relatórios de Inteligência Financeira ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre eventuais transações atípicas.

 

 

O principal fundo investigado é o Arleen, que está entre os utilizados pelo Master nas fraudes descobertas, foi o comprador da participação de familiares de Toffoli no resort.

A ligação do fundo Arleen vai além. Seu cotista é o fundo Leal, que por sua vez tem como cotista o advogado Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro preso na última quarta-feira (4) ao ser apontado nas investigações como operador do esquema.

 

Toffoli pode ser formalmente investigado?

Por ser um ministro do Supremo, Toffoli não pode ser diretamente investigado pela PF. Caso a organização encontre alguma suspeita de irregularidade que exija aprofundamento, terá que enviar um documento apontando os achados ao ministro André Mendonça, atual relator dos inquéritos envolvendo o Banco Master no STF.

 

Neste caso, a abertura de investigação caberá ao próprio STF com o auxílio da Procuradoria-Geral da República.

 

Dias Toffoli deixou a relatoria do caso em 12 de fevereiro. O ministro era alvo de um pedido de suspeição, que foi arquivado dias depois, pela proximidade entre familiares e envolvidos na investigação.

 

 

Posted On Segunda, 09 Março 2026 13:56 Escrito por

Ele afirmou ter sido impedido de seguir viagem após ser questionado sobre sua prisão durante da Ditadura Militar

 

 

Com O Antagonista

 

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no governo Lula Franklin Martins (foto, ao centro) afirmou ter sido impedido de seguir viagem para a Guatemala após ser retido por autoridades migratórias no aeroporto da Cidade do Panamá. Segundo ele, o episódio ocorreu na madrugada de 6 de março durante uma conexão aérea.

De acordo com relato divulgado pelo ex-ministro, ele havia deixado o Aeroporto Internacional do Galeão em um voo da Copa Airlines com destino final à Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário na Universidade Rafael Landívar.

 

Martins afirmou que, ao desembarcar no aeroporto panamenho para fazer conexão, por volta das 6h, foi abordado por policiais à paisana que verificavam passaportes dos passageiros. Após entregar o documento, ele disse ter sido conduzido a uma sala reservada para uma entrevista.

Segundo o ex-ministro, no local ele foi orientado a preencher um formulário com dados pessoais e responder perguntas sobre a viagem. Ele afirma que apresentou documentos que comprovavam sua participação no seminário e que também teve fotografias tiradas e impressões digitais coletadas.

 

Durante a entrevista, relatou ter sido questionado sobre uma prisão ocorrida em 1968, em Ibiúna. Martins disse ter informado que a detenção ocorreu durante a ditadura militar brasileira e que se tratava de prisão por motivos políticos.

Após cerca de 20 minutos aguardando sozinho, o ex-ministro afirmou ter sido informado por outro agente de que não poderia seguir viagem para a Guatemala e seria deportado ao Brasil. Segundo ele, as autoridades mencionaram a lei migratória panamenha de 2008, que restringe a entrada ou trânsito de estrangeiros que tenham cometido crimes considerados graves.

 

Martins afirmou ter solicitado contato com a embaixada brasileira, mas disse que o pedido foi negado sob o argumento de que se tratava de uma decisão soberana das autoridades do país.

 

Ele relatou ainda que permaneceu por cerca de quatro horas em uma sala da área de migração do aeroporto até ser conduzido ao portão de embarque de um voo de retorno ao Rio de Janeiro. O passaporte, segundo ele, teria sido entregue à tripulação da aeronave e devolvido apenas após a chegada ao Brasil, quando foi encaminhado a um posto da Polícia Federal no aeroporto.

 

 

Posted On Segunda, 09 Março 2026 04:45 Escrito por

O Datafolha testou cinco cenários para o pleito de primeiro turno e sete para o de segundo. Lula segue à frente em todos, mas sua vantagem está em queda

 

 

Cpm Estadão

 

 

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) se consolidou no campo oposto ao do presidente Lula (PT) na disputa presidencial deste ano, aponta o Datafolha. O senador fluminense se aproxima do petista nas simulações de primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43% ante 46% do rival.

 

Na centro-direita, o governador Ratinho Jr. (PR) é o nome mais bem colocado entre os três lançados pelo PSD de Gilberto Kassab, mas muito distante do pelotão da frente na corrida.

A nova pesquisa é a primeira feita pelo instituto desde que Flávio foi lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a partir da cadeia. Recebida inicialmente com ceticismo, dada a preferência do centrão pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), a pré-candidatura se firmou.

 

O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

 

A cristalização de Flávio é visível quando o instituto pergunta a intenção de voto espontânea do eleitor, sem apresentar nomes. Ele não era citado na rodada anterior, de dezembro passado, e agora surge com 12%. Lula oscilou de 24% para 25%, e o próximo candidato citado é o inelegível Bolsonaro, com 3%.

O Datafolha testou cinco cenários para o pleito de primeiro turno e sete para o de segundo. Lula segue à frente em todos, mas sua vantagem está em queda.

 

Na primeira rodada, ele marca 38% ou 39% sempre –há um improvável cenário com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) como nome do PT, marcando aí 21% ante 33% de Flávio. O senador do PL-RJ, por sua vez, flutua de 32% a 34% nos embates com Lula. Tarcísio, ainda testado, já escorrega para 21%.

 

No cenário hoje mais provável, Lula tem 38% ante 32% de Flávio. Ratinho Jr. vem a seguir com 7% e o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), com 4%. Depois vêm Renan Santos (Missão, 3%) e Aldo Rebelo (DC, 2%). Rejeitam todos os candidatos 11%, e 3% dizem não saber em quem votar.

 

A jogada de Kassab de unir três postulantes do PSD e escolher um, por ora, não vingou para ameaçar Flávio. Ratinho Jr. vai melhor, de toda forma, que os governadores Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS).

 

No cenário mais provável, com Flávio e Lula, o presidente mantém uma distribuição homogênea entre os estratos socioeconômicos, repetindo os destaques usuais: nordestinos, católicos, pessoas menos instruídas e que ganham menos –neste segmento, dos que ganham até 2 salários mínimos, tem 42% (margem de erro de três pontos).

 

Já o filho de Bolsonaro se destaca entre evangélicos, sulistas e moradores do Norte/Centro-Oeste, redutos que foram do seu pai. Sua melhor pontuação, 48%, é entre os 28% de evangélicos da amostra, estrato com margem de erro de quatro pontos.

 

Reforçando a polarização há a rejeição. Acumulando quase três mandatos completos, Lula marca 46% de pessoas que dizem que nunca votariam nele. Já Flávio, neófito em disputas nacionais, chega carregando o peso do sobrenome: 45% dizem rejeitá-lo liminarmente.

 

Ambos também são amplamente conhecidos: só 1% nunca ouviu falar de Lula e 7%, do senador. Aqui há alguma boa notícia para Ratinho Jr., que só tem 19% de rejeição e 38% de desconhecimento.

 

Concorrem para o cenário turvo para o petista hoje as nuvens que congestionam o céu da política brasileira. O escândalo do Banco Master por ora tem poupado o núcleo do governo, mas a percepção de corrupção acaba colocada na conta dele.

 

Além disso, o foco no ministro do Supremo Alexandre de Moraes, visto como algoz do ex-presidente por seu papel na investigação e julgamento da trama golpista, favorece Flávio. Mas só até certo ponto, dado que até aqui o entorno de Bolsonaro é mais citado no caso –a começar pelo ex-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira (PP).

 

Outro escândalo, o do INSS, atinge não só o governo em si, mas o presidente: seu filho Fábio Luís está cada vez mais enrolado devido à sua ligação a um personagem central do caso, e os pesquisadores do Datafolha estavam em seu último dia de coleta de dados quando emergiu a movimentação de sua conta bancária.

 

Há incertezas econômicas também, a que se somam as dúvidas em torno do impacto da guerra no Oriente Médio. Ainda que, como se diz proverbialmente em Brasília, “o povo não come PIB”, a perda de fôlego do indicador em 2025 devido às altas taxas de juros pode aumentar o azedume com o governo, particularmente na classe média, cujo consumo das famílias tem caído.

 

Também contribuem fatores mais intangíveis, como a celeuma em torno da homenagem feita pela rebaixada Acadêmicos de Niterói ao presidente no Carnaval.

 

A gordura acumulada no segundo semestre de 2025, oriunda da bem-sucedida campanha pela soberania no embate com Donald Trump, da conquista da simpatia do americano e da prisão de Bolsonaro, secou por ora.

 

 

Posted On Domingo, 08 Março 2026 03:48 Escrito por

Casos recentes reacendem debate sobre educação, integração entre instituições e enfrentamento ao machismo estrutural para prevenção

 

 

Por Luiza Marinho*

 

 

O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio só em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados nessa semana. O número representa um crescimento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% na comparação com 2021.

Outro dado alarmante é de que, desde a publicação da lei que tipifica esse crime, em 2015, o país perdeu 13.703 mulheres, todas vítimas de feminicídios. O aumento dos casos ocorre, ainda, em meio ocorrências recentes de violência contra elas — como assassinatos e estupros — que voltaram a expor fragilidades na proteção a pessoas do sexo feminino.

Para especialistas ouvidas pelo R7, embora o Brasil tenha normas federais importantes, como a Lei Maria da Penha, a efetividade dessas regras ainda esbarra em problemas estruturais, que vão desde a educação preventiva à integração entre instituições públicas responsáveis pela prevenção a casos ou pelo atendimento a vítimas.

 

Falhas estruturais

Para Francileide Araújo, coordenadora de Prevenção à Violência Baseada em Gênero e Raça do Governo da Bahia, uma das principais lacunas está na fragilidade das políticas educativas voltadas ao tema.

“A Lei Maria da Penha representou um marco importante ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e também prevê estratégias de prevenção, especialmente por meio de programas educativos e ações de conscientização”, ressalta.

 

Contudo, muitas dessas iniciativas acabaram enfraquecidas no país entre 2016 e 2022, segundo Francileide. Nesse período, debates sobre gênero e sexualidade nas escolas passaram a ser alvo de polêmicas, de forma planejada e em várias unidades da Federação, o que afeta a proteção de mulheres e crianças.

“Temas fundamentais para compreensão sobre desigualdades, consentimento e respeito deixaram de ser discutidos de forma sistemática nos espaços escolares. Sem esse debate, torna-se mais difícil enfrentar as raízes culturais da violência e construir mudanças sociais duradouras”, observa.

A especialista também lembra que a prevenção à violência depende da formação adequada dos profissionais que integram a rede de atendimento, como professores, profissionais da saúde, assistentes sociais, policiais e integrantes do Judiciário.

“A capacitação contínua é fundamental para que esses profissionais consigam identificar sinais de violência precocemente, acolher vítimas de forma qualificada e articular respostas institucionais rápidas”, elenca.

 

Francileide acrescenta que campanhas públicas e ações comunitárias são importantes para questionar normas sociais que naturalizam a violência contra meninas e mulheres.

 

Questão social e legislação

Para a socióloga Silvia Guayaná-Muiramomi, casos recentes de feminicídio que tiveram repercussão nacional demonstraram a execução ineficiente das políticas de proteção.

 

“Há um despreparo dos agentes de segurança pública, homens na esmagadora maioria, em acolher, proteger e identificar riscos iminentes. O abusador criminoso sabe dessa incapacidade de reação imediata, e essas mulheres, embora tenham direito à medida protetiva, acabam abandonadas à própria sorte”, critica.

 

 

Silvia acredita que a dificuldade em evitar efetivamente novos casos de violência não envolve apenas leis, mas a forma como elas são aplicadas. Para a socióloga, apesar de o Brasil ter uma legislação avançada nesse tema, é necessária uma abordagem mais ampla em torno da temática de gênero.

 

Ela compara essa situação à das políticas públicas focadas em crianças e idosos. As iniciativas para esses dois grupos contam com mecanismos que tratam da corresponsabilidade entre família, comunidade e Estado, como previstos nos estatutos da Criança e do Adolescente e do Idoso.

 

“Hoje, a violência contra a mulher ainda é tratada como um problema pontual. A Lei Maria da Penha pune o agressor, mas falta um sistema que envolva diferentes corresponsáveis e promova uma mudança social mais profunda”, completa Silvia.

 

*Estagiária do R7, sob supervisão de Jéssica Eufrásio, editora de texto

 

 

 

Posted On Domingo, 08 Março 2026 03:32 Escrito por

Relator de inquéritos no STF, ministro pode tomar decisões com impacto político às vésperas das eleições, em meio a apurações que atingem Congresso e entorno de Lula

 

 

 

POR LUÍSA MARTINS E RAPHAEL DI CUNTO - FOLHAPRESS

 

 

As investigações sobre o Banco Master devem invadir o período de campanha e levar o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a proferir decisões que podem embaralhar o xadrez político às vésperas das eleições gerais.

 

Auxiliares do magistrado já admitem que esse é um cenário inevitável, diante do potencial envolvimento de autoridades com foro nas fraudes financeiras.

No Congresso Nacional, a nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e o avanço do inquérito do INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social) sobre um dos filhos do presidente Lula (PT) reforçaram, entre políticos do centrão, a percepção de que o magistrado -relator dos dois casos- terá papel decisivo no pleito de outubro.

 

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram que o empresário tinha relações com diversas pessoas do mundo político.

 

Ele fez referência ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), como um “grande amigo de vida”, narrou um jantar na residência oficial do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e diz que “foi ótimo” um encontro com Lula.

Governo e oposição apostam numa disputa apertada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já aparecem empatados no segundo turno em algumas pesquisas de intenção de voto. O resultado, na avaliação de políticos em Brasília, é a de que a margem será próxima da eleição presidencial de 2022, quando o petista venceu Jair Bolsonaro por 50,9% dos votos válidos a 49,1%.

 

Nesse cenário, qualquer fato pode influenciar a eleição, e Mendonça tem sob seu escrutínio os dois inquéritos que mais causam inquietação na República atualmente, avaliam parlamentares. Um deputado da cúpula do centrão resume dizendo que, enquanto alguns ministros possuem metralhadoras e fuzis, Mendonça tem duas bombas atômicas.

 

Mendonça tem afirmado a interlocutores que, no cenário ideal, decisões de grande impacto -ordens de prisão preventiva, por exemplo- devem ser evitadas durante o período eleitoral. Contudo, como os crimes apurados no âmbito dos casos Master e INSS são considerados de extrema gravidade, o ministro tem dito que estaria disposto a enfrentá-los, ainda que suas determinações possam vir a ser exploradas politicamente.

 

Ao assumir a relatoria da investigação sobre o Master em substituição ao ministro Dias Toffoli, em 12 de fevereiro, Mendonça constatou que 111 celulares apreendidos pela Polícia Federal na operação Compliance Zero estavam praticamente intocados. Isso reforçou no magistrado a leitura de que ainda há muito material pendente de análise, ou seja, de que apurações estão longe de um desfecho.

 

A reação inicial dos parlamentares do centrão à nova prisão do dono do Banco Master foi mista: parte demonstra receio de que as eleições sejam conduzidas por operações policiais e interferência do Judiciário -e que pode afetar também as cúpulas de União Brasil e PP- e outra parte acredita que Vorcaro não tardará a ameaçar com uma delação premiada, que teria como principal alvo o próprio STF.

 

Isso porque a PF encontrou menções a Toffoli em um celular de Vorcaro. O episódio levou a corporação a apontar a suspeição do ministro, antigo relator do caso Master. O Supremo afastou essa possibilidade, mas, pressionado, o magistrado acabou optando por deixar o processo. Ele nega ter recebido dinheiro do banqueiro ou ter com o empresário qualquer relação de amizade.

 

Outro desgaste do caso Master para a imagem do Supremo foi o contrato de R$ 3,6 milhões mensais firmado pela instituição financeira com o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

 

O ministro afirma que magistrados estão formalmente impedidos de julgar qualquer caso para o qual seus parentes advoguem.

 

Parlamentares do centrão dizem que eventuais denúncias contra o Supremo, no curto prazo, prejudicariam o PT eleitoralmente, devido à narrativa bolsonarista de que os ministros mais afetados são aliados do governo Lula e também pelo impacto que a percepção geral de corrupção no país pode ter sobre a imagem do governo.

 

Um petista ouvido pela Folha admite que esse discurso não é positivo para Lula, por colocar sob suspeição o Supremo e, por consequência, reforçar a teoria da direita de que o julgamento de Bolsonaro pela tentativa de um golpe de Estado teve motivação poítica. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

 

Outra consequência negativa para o governo, de acordo com políticos do centrão e da esquerda, é manter elevado o clima de tensão em Brasília. Diferentemente do que ocorreu nos primeiros anos de governo Lula, ministros do STF têm feito críticas ao presidente nos bastidores. Além disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cujos aliados são investigados pela PF por investimentos do fundo de previdência do Amapá no Banco Master, imprimiu recentes derrotas ao Executivo.

 

Mendonça, avaliam políticos do centrão, terá poder para influenciar a eleição presidencial na medida em que pode ditar o ritmo da investigação e da divulgação de informações sobre a cúpula do poder em Brasília.

 

O ministro foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mantém relação próxima com lideranças conservadoras e religiosas da direita, que o ajudaram a chegar ao cargo mesmo com a oposição aberta de Alcolumbre, que travou sua sabatina por meses na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

 

Petistas se fiam no perfil moderado de Mendonça para dizer que não haverá perseguição e que é a própria imagem do STF que está em jogo. Alguns afirmam, no entanto, que o ministro não está imune a influências políticas, como quando pediu vista da ação penal contra o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), líder da bancada evangélica que era acusado de ficar com parte do salários dos assessores, abrindo margem para o processo prescrever.

 

Há preocupação entre os petistas, por exemplo, sobre a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para apurar se ele recebeu dinheiro de um dos pivôs do escândalo do INSS, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

 

Sob relatoria de Mendonça, a PF terá informações para saber qual das versões é a verdadeira: a da denúncia, de que ele teria recebido R$ 300 mil mensais como sócio oculto do lobista, ou a dos advogados, de que nunca houve pagamentos -e de que Lulinha tinha outros negócios com o Careca do INSS que não envolviam dinheiro público, mas uma atuação na regulação do setor de canabidiol.

 

Um dirigente petista minimiza os danos das operações sobre Lula e afirma que o presidente tem a seu favor o discurso de que deixou a PF investigar livremente e que seu governo não foi conivente com a corrupção nem quando as apurações chegaram perto de seu filho.

 

 

Posted On Quinta, 05 Março 2026 14:00 Escrito por
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