No primeiro turno, o petista marca 40%, ante 32% do primogênito do ex-presidente preso por golpe de Estado Jair Bolsonaro

 

 

POR IGOR GIELOW

 

 

Nova pesquisa do Datafolha sobre a corrida pelo Planalto mostra o presidente Lula (PT) com 48% das intenções de voto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que marca 43%. O cenário é de estabilidade ante junho, mostrando baixo impacto em intenção de voto da crise política da campanha do senador pelo Rio.

 

No primeiro turno, o petista marca 40%, ante 32% do primogênito do ex-presidente preso por golpe de Estado Jair Bolsonaro. Apesar de semelhante ao aferido na rodada anterior, a comparação direta não é possível porque a ficha com nome de pré-candidatos mudou, chegando a 12 nomes. Já o tira-teima é comparável.

 

Em votos válidos, forma de contagem do dia da eleição que exclui brancos e nulos, Lula tem 45% e Flávio, 36%. É preciso 50% mais um voto para vencer, mas o dado precisa ser lido com cautela, pois os 8% de nulo/branco/ninguém apontados agora tendem a cair perto do pleito.

 

O distante pelotão inferior da disputa do primeiro turno está todo embolado na margem de erro de dois pontos para mais ou menos e inclui Ronaldo Caiado (PSD, 4% de votos totais), Romeu Zema (Novo, 3%), Renan Santos (Missão, 3%), Augusto Cury (Avante, 2%), Samara Martins (UP, 1%), Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) e Rui Costa Pimenta (PCO, 1%).

 

Não pontuam Heitor Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB) e Leonardo Avalanche (PRTB). Dizem estar indecisos 3%. O instituto ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios de quarta-feira (22) a esta quinta (23).

 

O levantamento está registrado com o código BR-01166/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.

 

A consolidação do nome de Flávio como principal rival de Lula também se vê quando o entrevistado é questionado sobre seu nome favorito de forma espontânea. O senador é lembrado por 17% dos entrevistados, ante 30% que citam o presidente.

 

A má notícia para o pré-candidato do PL, que terá a postulação confirmada em convenção neste sábado (25), é que esse cenário é de estabilidade desde maio.

 

Além de seguir à frente na primeira rodada, Lula derrotaria hoje outros rivais testados pelo Datafolha para confrontos de segundo turno. Venceria Caiado por 47% a 40%, e Zema por 48% a 40%. A fotografia é de estabilidade em relação a junho.

 

Também segue igual o cenário da rejeição, com 48% dos eleitores dizendo não votar de forma alguma em Flávio e 46%, em Lula. Todos os outros candidatos têm níveis inferiores, de 13% para baixo.

 

A nova pesquisa aferiu o impacto de uma nova crise na campanha de Flávio, que acabava de estancar o efeito inicial da revelação de suas relações próximas com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

 

O senador viu sua vantagem numérica sobre Lula se inverter, e o petista ganhou algum fôlego. O caso ainda promete novos capítulos, com a abertura da investigação sobre o dinheiro que Vorcaro deu para financiar o filme hagiográfico sobre Bolsonaro, “Dark Horse”.

 

Além disso, emergiu o novo problema. Há um mês, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo em que se queixava duramente do enteado, a quem acusava de a ter tratado mal e a considerar dispensável. Ela deixou a chefia do PL Mulher e colocou sua candidatura a senadora pelo Distrito Federal em xeque.

 

Inicialmente, a reação de Flávio foi de dizer que não tratava mal mulheres, um erro tático, pois reafirmava a acusação ante um eleitorado que lhe é amplamente desfavorável. Segundo o Datafolha, 50% das mulheres, que compõem 52% da amostra, preferem Lula num segundo turno, ante 40% que declaram voto no senador.

 

Não deu certo, e Michelle exigiu uma retratação, que enfim veio na quinta (23). Ela respondeu com um vídeo aceitando as desculpas, mas o efeito prático na campanha é incerto a essa altura. O isolamento causado pela somatória de episódios tornou a montagem da chapa de Flávio atribulada, com aliados potenciais se negando a integrá-la.

 

Além disso, o período entre as pesquisas registrou a volta do tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, uma prática associada ao clã Bolsonaro. Na primeira edição das medidas punitivas no ano passado, a família trabalhou ativamente por elas, acreditando que isso pressionaria o Supremo a não condenar o ex-presidente.

 

Não deu certo, e Lula ainda faturou com isso, apostando numa campanha pela soberania nacional que está sendo reeditada agora como tema da eleição. O senador até tentou se posicionar contra o tarifaço, mas alegando que ele favoreceria o rival.

 

Os pesquisadores foram às ruas no dia seguinte à fala de Flávio a diplomatas estrangeiros em que ele divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas, emulando a prática que rendeu ao pai a inelegibilidade antes mesmo de ser preso.

 

Do ponto de vista de perfil do eleitorado, não houve mudanças significativas nos grandes grupos socioeconômicos em relação a pesquisas anteriores, ainda que sem a comparação direta.

 

Seguem preferindo o petista no primeiro turno os nordestinos (55% entre esses 28% da população) menos instruídos (51% do grupo, que soma 30% da amostra), os mais pobres (47% entre 50% dos ouvidos) e católicos (46% entre esses 49% dos brasileiros).

 

Já Flávio tem melhor desempenho na classe média, que ganha de 2 a 5 salários mínimos (38% entre esses 34% dos brasileiros), sulistas (41% do grupo, que soma 15% da amostra) e evangélicos (47% entre os 25% que se declaram assim).

 

 

 

Posted On Sábado, 25 Julho 2026 05:24 Escrito por O Paralelo 13

 

Por Catia Seabra

 

 

Emissários do presidente Lula (PT) fizeram uma ofensiva para afastar o centrão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em uma tentativa de deixar seu principal adversário na corrida presidencial isolado na eleição deste ano. Com aval do Planalto, petistas mantiveram conversas com as cúpulas de Republicanos, União Brasil e PP –o último já informou a Flávio que ficará neutro na disputa.

 

Caso essas siglas viessem a apoiar Flávio Bolsonaro, o senador passaria a contar com a maior parte do tempo de propaganda eleitoral na TV. Em 2022, o pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), concorreu por uma coligação composta por PL, PP e Republicanos.

 

Participantes da articulação contam que a costura é pela consolidação de um pacto de não agressão entre PT e candidatos do centrão nessas eleições, com vistas à participação desses partidos em uma eventual gestão Lula 4.

 

 

Certos de que uma aliança formal com Lula é impensável para essas siglas, petistas alinharam acordos em estados-chave para garantir que também não coliguem com o PL. Ainda segundo esses articuladores, o descontentamento de aliados com o comportamento de Flávio Bolsonaro pavimentou o diálogo entre emissários de Lula e expoentes do centrão.

 

Segundo apurou a Folha, as conversas foram iniciadas há cerca de dois meses com a participação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e dirigentes desses partidos. Após encontros iniciais, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), passou a integrar a mesa de negociações para consumação do acordo.

 

No caso específico do União Brasil, a negociação contou com a presença do senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE) por envolver a busca de uma aliança no Ceará.

 

O União Brasil é comandado pelo empresário Antônio Rueda, e o PP, pelo senador Ciro Nogueira (PI). Eles mantinham relação de proximidade com Flávio e chegaram a afirmar estarem próximos de uma aliança com o pré-candidato do PL, mas se afastaram após o escândalo "Dark Horse" e o recuo dele nas pesquisas.

 

Os líderes do PP, Doutor Luizinho (RJ), e do União Brasil, Pedro Lucas Fernandes (MA), são apontados como fundamentais para o avanço das negociações.

 

No caso do PP, além de um pacto de não agressão que viabilize a presença do partido em um quarto mandato de Lula, dois estados estão em foco. No Piauí, a intenção é evitar hostilidade a Ciro Nogueira diretamente, facilitando a obtenção de votos lulistas pelo senador, que foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro. O petista tem vantagem histórica no estado.

 

Já no Maranhão o acordo envolve o ex-ministro do Esporte André Fufuca. Pré-candidato ao Senado pelo PP em uma chapa adversária, ele poderá explorar na campanha seu trabalho no governo Lula e até a imagem do presidente, sem risco de ser alvo do PT nacional na Justiça Eleitoral.

 

Eventual contestação do uso da imagem de Lula, porém, poderá ser feito pelo partido localmente. No Maranhão, o PT lançou Felipe Camarão ao governo, enquanto Fufuca concorre na chapa que tem Eduardo Braide (PSD) a governador.

 

Com o Republicanos, o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB), foi a ponte para a conversa do Planalto com a cúpula da sigla. Sem União Brasil e PP, o Republicanos, presidido pelo deputado Marcos Pereira (SP), se tornou a última esperança do PL para uma aliança com uma grande legenda.

 

Pereira, porém, também mantém conversas com Flávio Bolsonaro. O deputado abriu consulta aos diretórios estaduais antes de tomar uma decisão sobre a eleição nacional, que será anunciada até o dia 1º de agosto.

 

Apesar de a maioria das executivas serem a favor de uma coligação com Flávio, a ala nordestina do Republicanos é terminantemente contrária. O grupo teme que uma aliança atrapalhe sua votação em estados com tendência de voto no presidente Lula.

 

Mesmo que distante de Lula, a cúpula do partido também é resistente a uma aliança com Flávio Bolsonaro. Originalmente, o partido defendeu lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para o cargo. Mas o ex-presidente Bolsonaro inviabilizou essa articulação ao escolher o filho como sucessor na direita.

 

O Republicanos também reclama de erros da pré-campanha, como no caso "Dark Horse", e também do isolamento do pré-candidato, apontando indisposição para negociação de palanques.

 

As negociações por neutralidade devem conter as críticas de Lula a partidos do durante a campanha. Aliados do petista avaliam que isso pode dificultar o crescimento das bancadas de esquerda no Congresso, uma vez que ficará mais fácil para integrantes do centrão atraírem eleitores de Lula em estados onde ele é popular e serem eleitos com votos lulistas no lugar de candidatos de esquerda.

 

Como revelou a Folha, no final do ano passado Lula recebeu Ciro Nogueira para uma reunião que foi mantida sob sigilo por aliados de ambos. Na conversa, o senador sugeriu que poderia afastar seu partido de Flávio Bolsonaro em troca de um acordo que viabilizasse sua reeleição no Piauí.

 

 

Posted On Sexta, 24 Julho 2026 15:07 Escrito por O Paralelo 13

Nele, ela sugere que os dois sentem para conversar e reúnam forças para unir a militância bolsonarista

 

 

Com Estadão Conteúdo

 

 

Após semanas de mal-estar, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou neste quinta-feira, 23, um vídeo aceitando uma reconciliação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nele, ela sugere que os dois sentem para conversar e reúnam forças para unir a militância bolsonarista.

“Nosso propósito pelo bem do povo sempre foi maior do que desentendimentos. Por isso, aceito seu pedido, eu te desculpo. Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes e, juntos, vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o nosso Brasil”, declarou, na peça divulgada em suas redes sociais

Michelle disse ter visto sinceridade no pedido de desculpas de Flávio e afirmou que um dos motivos para a reconciliação é o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): “Existe um Brasil esperando para ser reconstruído e tenho certeza de que todos podemos unir forças para levarmos isso adiante. Vamos fazer isso pelo meu marido e seu pai e por cada um dos brasileiros que querem um Brasil melhor para seus filhos e netos”, continuou.

A ex-primeira-dama ainda atribuiu o gesto de aproximação à articulação da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a quem é próxima.

 

O vídeo vem três horas depois de Flávio reforçar o pedido de desculpas a Michelle e dizer que as portas para ela “estão abertas”. “Ninguém é perfeito, não sou perfeito e, mais uma vez, peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto. Como somos pessoas públicas, isso acaba sendo explorado pelos nossos opositores. Nunca foi minha intenção desrespeitar ninguém, ainda mais a esposa do meu pai”, afirmou o presidenciável.

 

Michelle divulgou em junho dois vídeos em que acusou Flávio de maltratá-la durante as negociações da chapa do PL no Ceará. “Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E, então, eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, disse ela, em 25 de junho.

Recentemente, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que os dois não haviam conversado desde então e defendeu um diálogo, sob o argumento de que os conflitos afastam o eleitorado.

 

O embate público entre Michelle e Flávio começou em dezembro do ano passado. Para ela, ao apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo cearense, Flávio prejudicou a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), que pretende concorrer ao Senado, com anuência de Bolsonaro.

 

“É um desejo, é uma ordem do líder. Vejam bem, a palavra mais recente do meu marido em relação às candidaturas no Ceará é essa Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro, venha de quem vier”, afirmou Michelle, na publicação.

 

Ela também atacou o deputado federal André Fernandes (PL-CE), fiador da aliança entre PL e Ciro Gomes. O pai dele, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL), é pré-candidato ao Senado. “É para se unir a esse homem (Ciro Gomes) que estão tentando retirar da disputa uma mulher nordestina (Priscila Costa), mãe de quatro filhos?”, questionou a ex-primeira-dama.

 

 

 

 

Posted On Sexta, 24 Julho 2026 05:05 Escrito por O Paralelo 13

Programa de renegociação reduz juros e alonga pagamentos por até 30 anos; perda bruta pode chegar a R$ 350,3 bilhões

 

 

Por Caio Barcellos

 

 

A adoção do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) pode reduzir em R$ 190,7 bilhões (em valores atuais) os recursos recebidos pela União dos governos estaduais ao longo dos próximos 30 anos. A estimativa consta do Relatório de Acompanhamento Fiscal de julho, divulgado nesta quinta-feira (23) pela Instituição Fiscal Independente (IFI).

 

Sem considerar os pagamentos antecipados e a entrega de ativos previstos nos contratos, a União deixaria de receber R$ 350,3 bilhões. Essas compensações, que incluem participações em empresas, imóveis, créditos e outros bens, reduzem o impacto estimado em R$ 159,6 bilhões.

A IFI ressalva que o efeito sobre os cofres federais pode ser menor do que o estimado, caso as novas condições aumentem a regularidade dos pagamentos.

 

“Também é possível que o Propag produza efeitos positivos sobre o fluxo efetivamente recebido pela União, caso as condições mais favoráveis levem estados, que anteriormente não pagavam regularmente o serviço da dívida, a retomar os pagamentos”, afirma o relatório.

 

Criado pela Lei Complementar 212 de 2025, o Propag reduz os juros reais das dívidas, que antes estavam em 4% ao ano, para uma faixa de 0% a 2% ao ano. O programa também permite o refinanciamento do saldo devedor em até 360 parcelas mensais, o equivalente a 30 anos.

 

 

O objetivo é permitir que estados consigam manter investimentos em setores como educação, saúde, infraestrutura e segurança sem deixar de cumprir com os pagamentos à União.

 

As condições dependem das contrapartidas assumidas por cada estado, como amortizações antecipadas, investimentos públicos e aportes ao Fundo de Equalização Federativa (FEF). Dos 20 estados participantes que têm dívidas refinanciadas com a União, 18 obtiveram juros reais de 0% ao ano.

 

Os maiores impactos para a União estão concentrados em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Consideradas as amortizações extraordinárias, a perda estimada de recebimentos é de R$ 67,3 bilhões com São Paulo, R$ 43,7 bilhões com Minas Gerais e R$ 42,8 bilhões com o Rio de Janeiro. Juntos, os três respondem por R$ 153,8 bilhões, ou cerca de 81% do impacto líquido projetado.

 

Das 27 unidades da Federação, 22 aderiram ao Propag: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

 

Distrito Federal, Mato Grosso, Pará, Paraná e Santa Catarina não aderiram. Piauí e Tocantins, embora não tenham dívidas refinanciadas com a União, entraram no programa para acessar recursos do FEF e do Fundo Garantidor Federativo (FGF).

 

Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que estavam submetidos a regimes especiais de recuperação fiscal, terão uma transição para o pagamento integral das parcelas. Nesse período, parte dos valores não pagos será incorporada ao saldo devedor.

 

Segundo a IFI, o Propag reduz os pagamentos anuais feitos à União e prolonga o prazo das dívidas. Pelas regras anteriores, o estoque seria quitado em 2052. Com o novo programa, a previsão foi aumentada em quatro anos, para 2056.

 

A instituição ressalta que a estimativa pressupõe o pagamento integral das dívidas tanto no regime anterior quanto no Propag, o que nem sempre ocorre. Condições mais favoráveis podem levar estados inadimplentes a retomar os pagamentos e reduzir a perda efetiva da União.

 

Também há incerteza sobre o valor dos ativos entregues pelos estados. O montante obtido pelo governo federal com a venda ou exploração desses bens pode ser diferente do valor usado para abater as dívidas.

 

 

 

Posted On Quinta, 23 Julho 2026 13:56 Escrito por O Paralelo 13

Advogada exilada afirma que medida faz parte de um padrão de perseguição que o governo nicaraguense mantém contra cidadãos 'identificados com a defesa da democracia'

 

 

Com O Globo  e AFP

 

 

O governo da Nicarágua revogou as autorizações de trabalho de 2.000 advogados sem explicações, denunciaram nesta quinta-feira advogados e jornalistas nicaraguenses no exílio, classificando a ação como mais um ato de repressão. Segundo o jornal La Prensa, os nomes dos advogados afetados foram removidos do registro do Supremo Tribunal nos últimos dias, impossibilitando-os de continuar exercendo a advocacia.

"É uma mensagem política de controle e repressão [...] uma morte civil", disse à AFP uma advogada exilada, que pediu anonimato. Ela confirmou que não consta mais como profissional ativa na plataforma digital do Tribunal.

 

Em sua opinião, a medida faz parte de um padrão de perseguição que o governo nicaraguense mantém contra cidadãos "identificados com a defesa da democracia", e inclui a cassação da cidadania de críticos conhecidos. A "mensagem" para os nicaraguenses é que "eles não podem escolher qualquer advogado", mas sim aqueles que "têm privilégios junto ao regime", afirmou o advogado.

 

A AFP soube do caso de outro advogado que, ao chegar a um tribunal, foi informado de que não possuía licença para exercer a advocacia.

 

"A Nicarágua sequer atende ao padrão mínimo de independência judicial. Remover advogados do registro do Supremo Tribunal, sem aviso prévio e sem o devido processo legal, é fechar a última via de defesa restante para os cidadãos", disse à AFP Reed Brody, membro de um grupo de especialistas da ONU que monitora a situação dos direitos humanos no país.

 

A organização de oposição Liberais Nicarágua também rejeitou a medida, afirmando que ela transforma a profissão jurídica "em uma ciência sujeita aos slogans e aos caprichos políticos da dinastia Ortega-Murillo". Até o momento, nem o governo, nem o Supremo Tribunal emitiram uma declaração oficial sobre essa denúncia.

 

Os co-presidentes e cônjuges Daniel Ortega e Rosario Murillo governaram por quase duas décadas com poder absoluto e forte controle sobre a sociedade nicaraguense, especialmente após os protestos de 2018, cuja repressão deixou mais de 300 mortos, segundo a ONU.

 

 

Posted On Quinta, 23 Julho 2026 13:54 Escrito por O Paralelo 13
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