Foram registrados 42 casos de reações graves inesperadas em meio às 500 mil doses aplicadas da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan
Por: Beatriz Araujo
O Ministério da Saúde decidiu descontinuar de forma temporária a atual estratégia de vacinação contra a dengue no Brasil com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão é motivada por 42 casos de reações severas registradas no Brasil entre o meio milhão de doses da vacina que foram aplicadas desde o início do ano. É o que anunciou o ministro Alexandre Padilha nesta segunda-feira, 8, em coletiva de imprensa.
A dengue é reconhecida como a doença infecciosa que causa maior número de casos notificados no país há décadas, como cita Padilha -- que considera o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil como um forte aliado ao enfrentamento dessa realidade.
"Comparando com 2024, nós reduzimos em 97% os óbitos de dengue no país. São 92% de redução dos números de casos, quando comparamos os primeiros meses de 2026 com os de 2024. Mesmo assim, morreram nesse ano 178 pessoas por dengue no Brasil. Ano passado, 1.791 óbitos. Em 2024, 6.321 óbitos. Estamos falando da importância dessa endemia no Brasil, o que ela provoca no povo brasileiro", pontuou o ministro.
Padilha considera a credibilidade do programa de imunização é reforçada justamente por o mesmo "sempre seguir a ciência, as evidências científicas e trabalhar sempre com a lógica da proteção da população brasileira". A precaução, para o ministério da Saúde, é a máxima a ser seguida, citou. E é nesse sentido que foi tomada a decisão de descontinuar de forma temporária a atual estratégia de uso da vacina contra a dengue do Butantan.
A vacinação em questão começou em janeiro deste ano nas cidades de Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE). Além disso, a vacina do Butantan contra a dengue também foi aplicada na região de Araguaína, no norte de Tocantins. Até o dia 30 de maio, cerca de 500 mil doses foram aplicadas em profissionais de atenção primaria em Saúde.
Entre esse meio milhão de doses aplicadas, foram registrados 42 casos de reações severas, sendo três ocorrências mais graves, necessitando de internação e atendimento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Desses três casos, dois terminaram em óbito.
Até o momento, segundo Padilha, não há dados suficientes para estabelecer uma relação de causalidade entre as ocorrências graves com o uso da vacina. Mesmo assim, o governo reconhece se tratar de um sinal de alerta que recomenda a descontinuidade temporaria da atual estratégia de vacinação até que possam ser realizadas todas as investigações necessárias.
Padilha aponta, ainda, que parte das reações severas registradas foram inesperadas, pois não haviam sido observadas nos 16 estudos clínicos que envolveram a fase 1 de desenvolvimento da vacina, assim como não foram manifestadas nos estudos de fase 2 e fase 3. Nos estudos prévios cerca de 11 mil pessoas chegaram a receber a vacina.
O Terra acionou o Instituto Butantan em busca de uma manifestação sobre o caso e aguarda retorno. O espaço será atualizado em caso de resposta.
Comissão formada por deputados e senadores vai ouvir ministros, órgãos de inteligência e representantes da diplomacia americana
Por Yumi Kuwano
O Congresso Nacional abre nesta semana uma rodada de discussões sobre duas medidas recentes adotadas pelos Estados Unidos que geraram preocupação no Brasil: a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas e as propostas de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
As iniciativas serão analisadas por parlamentares em diferentes comissões, que pretendem avaliar os impactos políticos, econômicos e diplomáticos das decisões americanas.
Está marcada para esta quarta-feira (10) uma reunião da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência para discutir sobre a classificação de “terrorismo” adotada pelos Estados Unidos.
Segundo o presidente da comissão, Nelsinho Trad (PSD-MS), o objetivo é ouvir especialistas, governo e representantes da diplomacia americana para discutir os impactos da decisão.
Foram convidados os ministros Dario Durigan (Fazenda), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública) e José Mucio (Defesa), além da nova encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Natasha Franceschi.
Representantes da Polícia Federal, da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também devem participar.
O que muda com PCC e CV como terroristas?
O anúncio da classificação foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que passou a enquadrar o CV e PCC como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”.
O governo de Donald Trump alega que os grupos figuram entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e possuem capacidade de impactar os interesses dos Estados Unidos.
Segundo a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, o objetivo é proteger comunidades, restaurar a estabilidade e apoiar o Estado de Direito, tanto nos EUA quanto em países de todo o hemisfério.
Uma das estratégias é o congelamento de ativos e a interrupção financeira de líderes de cartéis e empresas afiliadas, além de indiciamento de acusados de fornecer apoio material às organizações criminosas, sendo passível a proposição de penas de regime fechado.
Também estão previstas ações de deportação e recusa de entrada ao país por meio da negação de um visto ou da revogação, caso o suspeito esteja envolvido com um grupo criminoso enquadrado como terrorista.
A decisão pode comprometer a soberania nacional e, na prática, prejudicar a economia do país, com impactos sobre o turismo, investimentos e comércio exterior.
Diante da situação, Trad não descarta a possibilidade de uma missão oficial aos Estados Unidos, como a que ocorreu em meados de 2025, quando parlamentares viajaram ao país para negociar a redução e o adiamento do tarifaço de 50% imposto ao Brasil pelo governo americano.
Tarifaço
Outra frente que deve avançar nesta semana é a análise feita pela Comissão de Relações Exteriores do Senado após os Estados Unidos concluírem duas investigações comerciais sobre o Brasil e sugerirem sobretaxas a produtos do país que podem chegar a 37,5%.
Nesta fase, Trad, que também preside o colegiado, ouve representantes de setores produtivos que podem ser atingidos economicamente pelas tarifas. O senador também está em contato com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o Itamaraty.
Na semana passada, os EUA impuseram uma taxa punitiva de 25% sobre diversas importações do Brasil, após concluir que as práticas do país eram desleais em uma série de questões.
As medidas, previstas na Seção 301 da legislação comercial americana, abrangem áreas como o Pix, tarifas preferenciais, proteção à propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
Depois, o USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos, em português) propôs uma nova sobretaxa de 12,5% a uma série de produtos brasileiros sob alegação de falha no combate ao trabalho forçado.
A economia brasileira faz parte de uma lista de 60 economias que, supostamente, não conseguiram proibir práticas “inaceitáveis” na produção.
Parlamentares protocolaram ao menos 12 projetos para suspender efeitos de decretos editados pelo presidente
DO SBT Brasil
A oposição no Congresso Nacional iniciou uma ofensiva para derrubar os decretos editados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ampliam a regulamentação das plataformas digitais no Brasil. Pelo menos 12 propostas já foram protocoladas para suspender os efeitos das novas regras.
Os parlamentares alegam que o governo extrapolou seu poder regulatório ao editar normas que, segundo eles, podem afetar a liberdade de expressão e deveriam ser discutidas pelo Legislativo.
A reação também conta com críticas de empresas de tecnologia e entidades do setor, que afirmam que as medidas aumentam a insegurança jurídica no ambiente digital.
Em carta aberta, entidades que representam plataformas como Google, Meta e TikTok afirmam que a regulação dos serviços digitais não pode ignorar riscos como a remoção excessiva de conteúdos e os impactos sobre pequenos provedores.
Segundo o documento, os decretos avançam sobre temas que ainda são debatidos tanto no Supremo Tribunal Federal quanto no Congresso Nacional, o que ampliaria a insegurança jurídica.
As mudanças foram anunciadas após uma decisão do STF que alterou o entendimento sobre a responsabilização das plataformas previsto no Marco Civil da Internet.
Até então, as empresas só poderiam ser responsabilizadas por conteúdos publicados por usuários caso descumprissem uma ordem judicial de remoção. Com as novas regras, em situações específicas, essa responsabilização poderá ocorrer mesmo sem decisão da Justiça.
A medida abrange conteúdos ligados a crimes graves, incluindo casos de violência contra mulheres e crianças.
Os decretos também determinam que as plataformas:
- mantenham canais de denúncia acessíveis aos usuários;
- preservem dados relacionados a publicações;
- adotem medidas de combate a golpes digitais;
- atuem contra a divulgação não autorizada de imagens íntimas;
- reforcem mecanismos de prevenção a fraudes online.
Especialistas divergem
Pesquisadores e organizações que defendem maior responsabilização das plataformas contestam as críticas das big techs.
Para Jonas Valente, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) e integrante da Coalizão Direitos na Rede, as novas regras não permitem que qualquer cidadão determine a remoção de conteúdos, mas ampliam a fiscalização sobre publicações ilícitas. Segundo ele, grandes plataformas resistem há anos a medidas semelhantes às adotadas em outras partes do mundo, como a Europa.
Já Luis Fernando Prado avalia que mudanças dessa magnitude não deveriam ser implementadas por meio de decretos presidenciais. Na avaliação do especialista, temas centrais da regulação da internet, especialmente os relacionados à liberdade de expressão, deveriam ser discutidos e aprovados pelo Congresso.
O que acontece agora?
As propostas apresentadas pela oposição ainda precisam tramitar no Congresso. Se aprovadas, poderão suspender total ou parcialmente os efeitos dos decretos.
O episódio intensifica a disputa em torno da regulação das redes sociais no Brasil, tema que divide governo, parlamentares, empresas de tecnologia, especialistas e organizações da sociedade civil.
Próximo de Goiânia, empreendimento realizou o primeiro pouso de teste em sua pista principal homologada pelo Decea
Por Marcel Cardoso
Primeiro pouso de teste marca avanço da implantação do AeroParque, empreendimento voltado à aviação de negócios e ao modelo de condomínio aeronáutico - Divulgação
O futuro Aeroparque de Bela Vista de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia, realizou, na última semana, o primeiro pouso de teste em sua pista principal, marcando uma nova fase da implantação do empreendimento voltado à aviação de negócios no estado.
O projeto está localizado às margens da rodovia estadual GO-020 e é apresentado pelos responsáveis como o maior aeroporto privado em construção no Brasil e detentor da maior pista executiva em operação no Centro-Oeste.
A pista principal possui aproximadamente dois quilômetros de extensão e 30 metros de largura. Segundo os responsáveis pelo empreendimento, a estrutura já recebeu homologação operacional do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), permitindo a realização de testes e o início das operações previstas para a fase de implantação.
Condomínio aeronáutico
O Aeroparque adota o modelo de condomínio aeronáutico. O formato integra hangares, manutenção aeronáutica, suporte operacional, prestadores de serviços especializados e áreas dedicadas à operação de aeronaves privadas em um único complexo.
Além da infraestrutura aeroportuária, a expectativa dos responsáveis é que o empreendimento contribua para a atração de investimentos privados, geração de empregos e fortalecimento da atividade econômica ao longo da GO-020, corredor que concentra projetos imobiliários, industriais e logísticos em expansão.
Início da proibição ocorre em setembro, caso governo não consiga reverter decisão
Por Victoria Abel
A União Europeia formalizou o veto à importação da carne brasileira, que terá início a partir do dia 3 de setembro. A proibição ainda atinge aves, peixes e mel. A decisão foi publicada no diário oficial do bloco nesta sexta-feira (5).
O texto afirma que o Brasil não apresentou provas de que a produção pecuária esteja livre de determinados microbianos, proibidos na criação de animais pelo bloco europeu.
“A Comissão não recebeu informações que garantam que o Brasil aplicou as medidas necessárias para assegurar o cumprimento, até 3 de setembro de 2026, dos requisitos estabelecidos no artigo 3.o do Regulamento Delegado (UE) 2023/905 relativamente a estas categorias. A menção relativamente a bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas deverá, por conseguinte, ser suprimida no anexo do presente regulamento”, afirma trecho do documento publicado.
Segundo as normas da UE, não é permitido o uso de antimicrobianos em animais de criação para estimular o crescimento ou aumentar a produção. Também é proibido o tratamento de animais com antimicrobianos reservados exclusivamente para infecções humanas.
A resistência antimicrobiana é considerada uma das maiores ameaças à saúde pública da atualidade. Segundo a UE, ao garantir o uso prudente desses medicamentos em animais, o bloco busca proteger a saúde da população europeia.
Especialista em agronegócio, Miguel Daoud diz acreditar que o problema é somente de burocracias e vê responsabilidade do governo brasileiro.
"Quem acompanha o agronegócio brasileiro sabe que o produtor faz o regramento de todas essas exigências. Portanto, essa decisão da comunidade europeia vem em linha com o aviso que já foi dado há algum tempo para o Brasil de que ele precisaria se enquadrar. Infelizmente, até agora o ministério da Agricultura não conseguiu mandar os documentos", explica.
Em maio, o governo informou que adotará todas as medidas necessárias para reverter a decisão, retomar a habilitação e garantir o fluxo de vendas ao mercado europeu. O SBT News questionou novamente o Ministério da Agricultura e Pecuária, mas ainda não obteve resposta.